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Dos 3,9 milhões de participantes, 0,15% teve notas com inconsistência no Enem

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) identificou inconsistências nas notas de 5.974 participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019, o que representa 0,15% do total de presentes (3,9 milhões). Os resultados foram atualizados na tarde desta segunda-feira, 20 de janeiro, na Página do Participante e no aplicativo do Enem. A abertura do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) está confirmada para esta terça-feira, e o prazo para inscrição será estendido até o próximo domingo, 26. O resultado do Sisu sairá no dia 28.

Os casos se concentram em quatro municípios: Viçosa, Ituiutaba e Iturama, em Minas Gerais; e Alagoinhas, na Bahia. A discrepância entre o número de acertos e a nota divulgada inicialmente é consequência de uma associação equivocada entre a cor do Caderno de Questões e o gabarito correspondente. Não houve alteração nas notas da redação.

Força-tarefa – O Inep teve conhecimento da inconsistência no mesmo dia em que divulgou os resultados. Já na noite de sexta-feira, 17, foi instaurada uma força-tarefa com servidores e colaboradores do Inep, do consórcio aplicador e da gráfica. Cerca de 300 pessoas atuaram no sábado e no domingo para revisão da base de dados, seguindo processos e parâmetros estatísticos.

Além da força-tarefa, foi criado um e-mail para registro de demandas por revisão das notas, que ficou disponível durante todo o fim de semana, até 10h desta segunda, e contabilizou cerca de 172 mil mensagens. O Inep recebeu, ainda, manifestações pelo telefone 0800 616161. Todas as provas dos 3,9 milhões de participantes foram analisadas.

Correção – A Teoria de Resposta ao Item (TRI) permite que edições diferentes do exame sejam comparáveis. Nessa metodologia, consagrada mundialmente e adotada pelo Enem desde 2009, o cálculo das notas não é feito pela simples soma do número de questões acertadas, mas existe uma relação entre o número de acertos e a nota calculada. A TRI mede a coerência das respostas. Se o participante acerta uma questão que exige conhecimento complexo, é esperado que ele acerte questões mais fáceis também.

A TRI determina os parâmetros que medem o conhecimento do participante em cada item: discriminação (o que sabe e o que não sabe), dificuldade e acerto casual. Esses parâmetros são obtidos durante a etapa de pré-teste dos itens. Depois da aplicação do exame, é feita a validação dos parâmetros fixados no pré-teste. Nessa análise, o Inep utiliza uma amostra de resultados, que, em 2019, não foi impactada pelas inconsistências ocorridas.

Redação – A TRI não é utilizada para a correção da redação. Os textos sem identificação são avaliados por dois professores em uma plataforma on-line, sem que um saiba a nota atribuída pelo outro. Se a discrepância das notas for superior a 100 pontos no total, ou 80 pontos em uma das cinco competências avaliadas, um terceiro professor faz a correção. A nota final da redação é a média aritmética das duas notas totais que mais se aproximam. Esse modelo de correção da redação, portanto, já pressupõe uma revisão entre notas muito diferentes.

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