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Brasil segue Austrália e vai adotar currículo único em 2012

A secretária de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda, afirmou durante o evento Diretrizes Curriculares e Expectativas de Aprendizagem, realizado nesta semana pela Fundação Itaú-Social em São Paulo, que o país vai adotar um currículo unificado para a educação, que será desenvolvido no decorrer do próximo ano. E uma das inspirações para o modelo brasileiro são as ações implementadas na Austrália, que também tem um sistema federativo.

 

Segundo o Barry McGaw, diretor da Agência de Currículo e Avaliação na Austrália (Acara), e um dos mentores do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), foi a perda de competitividade que motivou o país a mudar os rumos do ensino.

 

“Na primeira avaliação do Pisa, só tínhamos um país a nossa frente em qualidade, a Finlândia. Em 2006, fomos o sexto melhor. Em 2009, perdemos ainda espaço com a entrada de Cingapura e Hong Kong. E a justificativa que muitos educadores davam era de que a prova pedia que os estudantes decorassem o conteúdo. Mas nós íamos mal inclusive nas questões que exigiam apenas interpretação”, avalia.

 

McGraw conta que a Austrália passou por duas grandes ondas de reformas, tributária e política, com foco em melhorar a competitividade do país. “E precisávamos de uma terceira reforma, desta vez, de capital humano, a fim de tornar o país mais preparado para a competição internacional”, afirma.

 

E a saída para isso, foi mudar a educação por meio da unificação dos currículos. O maior desafio foi construir um currículo comum, respeitando a autonomia de cada estado. Foram definidas quatro disciplinas iniciais: inglês, matemática, ciências e história, cujos trabalhos duraram de 2008 a 2010.

 

“Criamos uma espécie de forma do que queríamos ensinar em cada uma dessas disciplinas, após um estudo comparado do que cada um dos países com performance melhor do que a nossa exigia dos estudantes”, afirma.

 

A descoberta foi que, comparado a países como Japão, a Austrália era pouco exigente. E os métodos de ensino utilizados no país eram arcaicos. “A mudança curricular veio junto de um aprimoramento de nosso modelo de capacitação de professores”, explica.

 

A reforma contempla onze disciplinas, e deve terminar em 2013. Mas desde já os pais e educadores podem acompanhar o desempenho das escolas. Um site (www. myschool.edu.au) foi criado com dados comparados entre escolas de mesmo porte (mesmo bairro, mesmo poder aquisitivo dos alunos, por exemplo), para facilita a comparação.

 

McGraw, no entanto, tem dúvidas se este modelo de desenvolvimento educacional pode ser aplicado no Brasil. “Há muitas variáveis que podem influenciar. Será que o Brasil não é grande demais, diverso demais?”. São questões para serem levadas em consideração.

 

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