Abril recebe propostas por Ática e Scipione

O novo destino das editoras Ática e Scipione pode estar mais próximo. A Abril Educação, dona das duas desde 1999, contratou o banco JP Morgan como “adviser“, já recebeu cerca de 12 propostas de empresas interessadas e estabeleceu o mês de setembro como prazo final para receber os lances.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, foram encaminhadas propostas de editoras brasileiras e estrangeiras e também de fundos de private equity. O valor pedido pela Abril – cerca de R$ 600 milhões – teria reduzido o interesse de algumas brasileiras.

Um dos nomes cotados para levar Ática e Scipione é a britânica Pearson, dona do jornal “Financial Times“ e que atua no Brasil, principalmente, no segmento de livros universitários e de idiomas. Um dos principais projetos da Pearson no Brasil é o mercado de livros didáticos. “Somos fortes nas universidades. Não somos nas escolas, mas queremos ser“, disse ao Valor Marjorie Scardino, CEO da Pearson, em visita ao Brasil em 2006. Essa compra permitiria à Pearson entrar no rentável mercado de livros escolares. Ática e Scipione, juntas, fecharam vendas de livros escolares para 2009 de quase R$ 200 milhões com o governo federal. Procuradas pelo Valor, Abril e Pearson não se pronunciaram. A americana McGraw-Hill também estaria interessada.

A entrada de um novo grupo estrangeiro no mercado de didáticos faria frente à espanhola Santillana, dona da Moderna desde 2001. Na época, a Santillana pagou cerca de R$ 150 milhões por ela e desde então vem injetando recursos para torná-la uma gigante no setor. A expansão da Santillana foi motivada principalmente pelo desempenho com a venda de livros didáticos para o governo. Nos dois últimos programas do governo federal, a Moderna liderou o ranking de editoras vendendo mais de R$ 150 milhões em livros.

Apesar do apetitoso mercado nacional de livros didáticos, o valor pedido pela Abril, de R$ 600 milhões, é considerado salgado demais por fontes que participam da negociação. Em 1999, a Abril e a Vivendi Universal Publishing pagaram US$ 100 milhões pela Ática e pela Scipione, e cada compradora ficou com 50% do negócio. Em 2004, a Abril comprou a outra metade por R$ 116,5 milhões.
 

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