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Experiências musicais estimulam criatividade nas escolas

“Sou educador musical há 14 anos. Neste período, depois de trabalhar durante oito anos como professor regular de música em 11 escolas, percebi que não conseguia ter muita autonomia de conteúdo e as aulas de música ficavam muito subordinadas aos projetos escolares de temáticas amplas ou ensaios para datas comemorativas e eventos, restando pouco espaço para explorar processos mais criativos e diferenciados com os estudantes.

Apesar dos ensaios e projetos especiais enriquecerem o trabalho, penso que o foco no resultado das apresentações pode comprometer o que considero mais importante, que é o processo criativo. Além disso, eu também notei que as crianças amam tocar instrumentos, mas os tradicionais trazem uma série de dificuldades para essa faixa etária. No que envolve os objetivos primordiais do fazer musical nas escolas, percebi que eles não pareciam tão adequados -por questões de quantidade e preços, assim como, por exigirem técnicas de coordenação motora muito complicadas para uma experiência com iniciantes.

Com essas percepções, em 2014 tive a ideia de desenvolver um projeto de oficinas extracurriculares que proporcionam experiências musicais lúdicas e criativas, assim como um espaço para se vivenciar a música, já que normalmente as escolas só proporcionam oficialmente uma aula de música por semana.

Eu já desenvolvia workshops de música e criatividade para educandos e educadores de forma pontual, mas resolvi usar essa expertise para criar um curso livre regular denominado “Sonori LAB – Oficina de Música e Criatividade”. Ele teve início em um colégio montessoriano e foi expandido para outras escolas e espaços. Trabalho em um formato semanal extracurricular, mas também tenho um modelo diferenciado com encontros mensais.

Pensando que o fazer musical nas escolas poderia ser mais lúdico, objetivando não só o aperfeiçoamento em técnicas instrumentais, mas o desenvolvimento da inteligência musical aplicada às demais inteligências e valores humanos, o objetivo primordial do projeto é ser um espaço rico para experiências e criações musicais.

A primeira preocupação foi criar instrumentos musicais especiais para o propósito da oficina. Talvez aí entre a questão chave do projeto “Sonori LAB”, que tem como diferencial a própria construção dos instrumentos para (e com) os estudantes. Com a proposta de trabalhar os elementos da música de forma prática, utilizamos brincadeiras e jogos que ajudam a desenvolver noções de ritmo e melodia, assim como o desenvolvimento das múltiplas inteligências e dos valores humanos.

O trabalho das oficinas é dividido em seis grandes áreas: o canto grupal, que amplia o repertório das crianças e integra o grupo em uma atmosfera de afetividade; a música corporal, que utiliza o corpo como um instrumento musical orgânico e criativo; os instrumentos étnicos, que ampliam o contato com culturas de diferentes partes do mundo, tais como ukulele, didgeridoo, taça tibetana, kalimba, shanti, berimbau de boca, hank e gôngo; os instrumentos tradicionais, como violão, teclado e percussão, que são explorados de forma experiencial pelos alunos; os jogos digitais musicais, como aplicativos e o Chrome Music Lab; e, por fim, o ecoparque sonoro e outros instrumentos diferenciados e exclusivos, como o tubotom e a mini sucateria, que visam oferecer uma nova forma de viver a música.

Mais do que ensinar música, as oficinas têm a proposta de sensibilizar e estimular a criatividade das crianças. Nas atividades do parque sonoro, considerado uma das nossas principais ferramentas, tentamos trabalhar na expressividade musical dos participantes. Nos workshops eventuais, dentro de um transporte próprio, em um ou mais dias, eu levo para as escolas, diferenciados modelos de parques musicais, dependendo do projeto.

Os instrumentos são feitos a partir de sucatas, materiais alternativos e ecológicos, tais como panelas, latas, baldes, tubos de PVC e alumínio, conexões diversas, bases e suportes de papelão, que é um material 100% biodegradável. Os instrumentos são brinquedos e jogos para experiências musicais interativas, nas linhas rítmicas e melódicas. Em um primeiro momento fazemos uma apresentação musical e um bate papo com todos, e depois vamos trabalhando oficinas interativas com cada turma em separado.

Como diz o músico multi-instrumentista Hermeto Pascoal, “a música nasce como uma flor no jardim”. Nestas palavras poéticas, procuramos embasar a criação de nossos instrumentos e abordagens em educação musical, acreditando que a música deve brotar de uma forma natural, de dentro para fora, extraindo assim a musicalidade presente em cada indivíduo desde o seu nascimento.

Para desenvolver esse trabalho, também me inspira e motiva a seguinte frase do músico e pesquisador Walter Smetak: “Um mundo novo requer uma música nova, e para isso, instrumentos diferentes.”

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