{"id":9833,"date":"2020-05-05T19:00:34","date_gmt":"2020-05-05T22:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/"},"modified":"2020-05-05T19:00:34","modified_gmt":"2020-05-05T22:00:34","slug":"de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/","title":{"rendered":"De como chegamos a este estado de coisas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 11 de janeiro de 2020 foi registrada, na China, a primeira morte por Covid-19. A popula\u00e7\u00e3o mundial hoje est\u00e1 na ordem dos 7,8 bilh\u00f5es de pessoas. H\u00e1 100 anos a popula\u00e7\u00e3o era de 1,8 bilh\u00f5es e no in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial (1939) era de 2,3 bilh\u00f5es de pessoas.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os dados anteriores s\u00e3o apenas para comparar com os a seguir, para termos no\u00e7\u00e3o da ordem de grandeza da situa\u00e7\u00e3o em que nos encontramos. Neste m\u00eas de abril existem cerca de 4 bilh\u00f5es de pessoas (52%) obrigadas ou incentivadas pelos governos de seus pa\u00edses a ficaram confinadas em suas casas, segundo levantamento da Ag\u00eancia France Press divulgado dia 07 de abril.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entre a metade de mar\u00e7o e a metade de abril, 22 milh\u00f5es de pessoas nos EUA solicitaram o seguro desemprego. No Brasil o desemprego pode atingir o acumulado de 17 milh\u00f5es de pessoas no final de abril, contra os 12 milh\u00f5es no fim de fevereiro, segundo o IBGE. Em Portugal, um milh\u00e3o de pessoas est\u00e3o em lay-off, o que ainda n\u00e3o \u00e9 o desemprego, mas \u00e9 uma perda de 1\/3 nos rendimentos dos trabalhadores. A taxa de desemprego estava em 6,5% ao fim de fevereiro e passou para 8,9% no fechamento de mar\u00e7o. Em Portugal, s\u00e3o agora 344 mil trabalhadores desempregados no total.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com estes dados a economia mundial despencou. E o mercado do livro n\u00e3o \u00e9 imune a isso. No Brasil, a queda do faturamento est\u00e1 em 47,47% na semana de n\u00famero 15 do ano, segundo a Nielsen. Em Portugal, segundo dados da GfK para a mesma semana 15 (de 6\/4 a 12\/4), a queda de faturamento nas livrarias j\u00e1 est\u00e1 em 84% na compara\u00e7\u00e3o com ano anterior. Em Portugal as livrarias v\u00e3o reabrir agora em 04 de maio com a limita\u00e7\u00e3o de uma pessoa para cada 20 m\u00b2. Os shoppings (centros comerciais) permanecem fechados at\u00e9 31 de maio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O mercado do livro est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o de UTI \/ cuidados intensivos, tanto no Brasil quanto em Portugal, para ficar somente nestes dois pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio ter claro que o v\u00edrus da Covid-19 s\u00f3 potencializou uma situa\u00e7\u00e3o de fragilidade que j\u00e1 existia no mercado do livro. N\u00e3o querer ver isso, \u00e9 tal qual na hist\u00f3ria de Andersen, A roupa nova do Imperador, onde o Rei estava nu. E essa fragilidade, no Brasil, veio sendo constru\u00edda ao longo de quatro d\u00e9cadas, pelo menos, desde os anos 1980 do s\u00e9culo passado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Assim, para primeiro sobreviver a esta crise e, depois, seguir em frente, \u00e9 fundamental levantar dados e analis\u00e1-los. Sugiro tr\u00eas etapas:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">1 &#8211; caracterizar a situa\u00e7\u00e3o atual;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2 &#8211; entender como se chegou a esta situa\u00e7\u00e3o;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">3 &#8211; propostas para fazer diferente e seguir em frente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">1 &#8211; Situa\u00e7\u00e3o atual: fragilidade<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No Brasil, em 2018, o mercado do livro foi pego de surpresa com os processos de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial (RJ) da Saraiva, Cultura e Book Partners, sendo que, esta \u00faltima, j\u00e1 teve a fal\u00eancia decretada em mar\u00e7o (ver aqui no PN). Com isso, ficou escancarada a concentra\u00e7\u00e3o da venda e a consequente situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, que anda de m\u00e3os dadas com a fragilidade. De um m\u00eas para o outro, a quase totalidade das editoras perdeu entre 40% e 60% do faturamento que estes tr\u00eas; sim, um, dois, tr\u00eas clientes representavam. Mas, a surpresa da RJ n\u00e3o pode explicar, por si s\u00f3, o momento atual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ali\u00e1s, sem surpresas, a concentra\u00e7\u00e3o da venda continua, mas est\u00e1 mudando de endere\u00e7o. Em 08 de novembro de 2017, em um artigo aqui no PublishNews escrevi:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cA Amazon vai ter uma participa\u00e7\u00e3o significativa no mercado do livro no Brasil? SIM.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ao final de 2018 ser\u00e1 o 1\u00ba ou 2\u00ba cliente de todas as editoras e distribuidores que fornecem diretamente para ela.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O outro ponto da fragilidade \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o aos descontos exigidos pelos maiores clientes em faturamento, sejam livrarias ou n\u00e3o. Depois pelos descontos que esses clientes oferecem nos seus e-commerces e, na outra ponta, pelos descontos praticados pelas editoras diretamente ao leitor em seus sites. Tudo isso contribui para, a cada ano, a cada m\u00eas, a cada dia, diminuir o tamanho do mercado em pontos de venda, tanto para as editoras quanto para o leitor. Qualquer mercado que tem seus p\u00e9s fincados no desconto, e n\u00e3o na margem para o neg\u00f3cio, n\u00e3o tem futuro. A diminui\u00e7\u00e3o dos pontos de venda, com o crescente fechamento de livrarias, tamb\u00e9m vai afetar as editoras, principalmente as que t\u00eam menor capacidade (caixa) para publicar. Com isso, a oferta de variedade editorial, a bibliodiversidade, vai diminuir e as ideias, principalmente as n\u00e3o hegem\u00f4nicas, ter\u00e3o menor possibilidade de circular. Uma sociedade democr\u00e1tica precisa da diversidade de ideias para existir.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No meio desta pandemia os descontos praticados por editoras, pequenas e grandes em faturamento, e por sites de varejo, de livrarias ou n\u00e3o, chegam aos 50%. Mesmo em Portugal, onde existe a Lei do Pre\u00e7o Fixo, sempre h\u00e1 um jeito de contornar e est\u00e1 acontecendo tamb\u00e9m. Este exagero pode ser explicado, um pouco, pelo momento de desespero que se vive agora, em que cada um s\u00f3 consegue pensar em solu\u00e7\u00f5es individuais e nas contas que tem para pagar amanh\u00e3. Mas, ser\u00e1 sustent\u00e1vel? Durante quanto tempo se ter\u00e1 f\u00f4lego para manter essas pr\u00e1ticas?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2 &#8211; Sobre como chegamos \u00e0 atual situa\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como aconteceu essa concentra\u00e7\u00e3o? Quando comecei no livro, em 1981, os descontos das editoras para as livrarias eram de 30% e 35%. Em alguns poucos casos chegava-se aos 40%. Hoje os descontos come\u00e7am em 40% (salvo raras exce\u00e7\u00f5es de 35% em alguns segmentos dentro dos livros CTP, os Cient\u00edficos, T\u00e9cnicos e Profissionais) e v\u00e3o at\u00e9 os 65%, pelo menos. Os livros did\u00e1ticos de ensino fundamental e m\u00e9dio n\u00e3o entram nesta an\u00e1lise.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Temos um passado de viv\u00eancia e sobreviv\u00eancia a infla\u00e7\u00f5es alt\u00edssimas. E isso deixa marcas na cultura, nas mentalidades e nos neg\u00f3cios tamb\u00e9m. E o hist\u00f3rico cultural, as mentalidades, n\u00e3o se mudam por decreto. Por exemplo, as negocia\u00e7\u00f5es de desconto entre editoras e distribuidores e livrarias n\u00e3o s\u00e3o de um em um, mas de cinco em cinco pontos percentuais. J\u00e1 ouvi em muita negocia\u00e7\u00e3o comercial o cliente dizer que s\u00f3 tinha 40% de desconto. E eu tinha que mostrar que isso lhe proporcionava 66,67% de margem bruta de retorno. Assim como 50% de desconto \u00e9 100% de retorno, e 65% de desconto s\u00e3o imorais 185,71% de retorno.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Voltando \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Decorrente do grande endividamento externo realizado durante os governos do per\u00edodo da Ditadura Militar, a infla\u00e7\u00e3o pulou dos mais de 200% ao ano em 1985, chegando aos quase 2.000% no governo Sarney (1985-1990), aos 1.119% no governo Collor (1990-1992) e a inacredit\u00e1veis quase 2.500% no governo Itamar (1993-1994). Algo tinha que ser feito e veio, ent\u00e3o, o Plano Real.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como era o neg\u00f3cio do livro nessa \u00e9poca? No in\u00edcio dos anos 1990 se ganhava mais dinheiro com a especula\u00e7\u00e3o em cima da infla\u00e7\u00e3o do que com o resultado do trabalho. E o overnight era o meio para tal. As editoras, assim como todos os neg\u00f3cios, foram obrigadas a reajustar os pre\u00e7os mensalmente pelo \u00edndice da infla\u00e7\u00e3o. Foi a \u00e9poca em que as grandes livrarias e os distribuidores mais ganharam. Dia 30 de um m\u00eas se compravam, por exemplo, 500 exemplares de O alquimista (Paulo Coelho) a CR$ 100 (cruzeiro real era a moeda) de pre\u00e7o de capa. Se a infla\u00e7\u00e3o do m\u00eas tivesse sido de 40%, um ou dois dias depois, apenas no trajeto do dep\u00f3sito da editora para os distribuidores e livrarias, estes j\u00e1 teriam ganho mais Cr$ 40, pois o novo pre\u00e7o de capa j\u00e1 seria CR$ 140. A seguir, existia o interesse que o leitor pagasse o livro \u00e0 vista, isto \u00e9, somente em dinheiro, e para tal, dava-se um desconto. O dinheiro dessas vendas depois era aplicado diariamente no overnight. Assim, foi-se construindo essa pr\u00e1tica nefasta de desconto no livro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como a infla\u00e7\u00e3o crescia a cada m\u00eas, as editoras tiveram que passar a fazer reajustes quinzenais, depois semanais, at\u00e9 passarem a reajustes di\u00e1rios. Na sexta-feira de cada semana as livrarias recebiam uma lista das editoras com os pre\u00e7os para cada dia da semana seguinte. Em seguida cada editora chegou a ter uma \u201cmoeda\u201d fict\u00edcia pr\u00f3pria, cuja quantidade era multiplicada pelo valor da URV (Unidade Real de Valor), institu\u00edda em fevereiro de 1994. O valor da URV era diariamente determinado pelo governo. Em julho desse mesmo ano, mudou-se mais uma vez a moeda no Brasil e foi institu\u00eddo o atual Real. Um Real come\u00e7ou valendo uma URV ou os equivalentes CR$ 2.750 (cruzeiros reais), que foi a cota\u00e7\u00e3o do dia anterior. A URV deixou de existir a partir de ent\u00e3o. Dali pra frente era simplesmente Real (R$). Tamb\u00e9m houve a paridade cambial e um d\u00f3lar valia um real. Foi verdade! Mas isso, j\u00e1 ficou na \u201chist\u00f3ria\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Uma mudan\u00e7a t\u00e3o radical assim \u00e9 dif\u00edcil de ser assimilada com rapidez nos neg\u00f3cios. Quem estava acostumado a ganhar dinheiro com a especula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conseguiu se adaptar rapidamente, foi tendo dificuldades e, alguns distribuidores acabaram por fechar nos anos seguintes. A maior rede de livrarias da \u00e9poca, a Siciliano, achou outra forma de se adaptar \u00e0 nova realidade. Qual foi? Exigir mais desconto das editoras, principalmente daquelas que tinham best-sellers e, portanto, dependiam da Siciliano para distribuir os livros em \u201cpilhas\u201d pelas lojas, pois algumas j\u00e1 eram nos shoppings. Uma editora cedeu \u00e0 press\u00e3o e, na sequ\u00eancia, outras tiveram que acompanhar. E, assim, foi quebrada a barreira dos 50% de desconto que, at\u00e9 hoje, n\u00e3o retrocedeu a esse patamar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com a estabilidade da economia sempre existe investimento e surgem mais neg\u00f3cios. Em maio de 1996 a Livraria Saraiva inaugura a 1\u00aa megastore no Brasil, no shopping Eldorado em S\u00e3o Paulo. Em junho de 1997 \u00e9 a vez do Rio de Janeiro com a mega da Rua do Ouvidor. Era a grande novidade da \u00e9poca. Nas palavras do ent\u00e3o diretor-superintendente da empresa, Jos\u00e9 Luiz Pr\u00f3spero para a Folha de S.Paulo:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;A Saraiva vem namorando esse conceito de megastore h\u00e1 mais de oito anos. Essa tend\u00eancia \u00e9 muito forte nos EUA e, em S\u00e3o Paulo, est\u00e1 dando muito certo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tamb\u00e9m em 1997 \u00e9 inaugurado o \u00c1tica Shopping Cultural, no bairro de Pinheiros em S\u00e3o Paulo. O mercado crescia e atraiu a aten\u00e7\u00e3o externa. Em julho de 1998 a rede francesa Fnac compra o \u00c1tica Shopping e vai reinaugur\u00e1-lo com o nome Fnac em junho de 1999. Nasceu com uma estrat\u00e9gia de neg\u00f3cios bem definida. Na \u00e9poca, Pierre Courty, diretor-geral da empresa no Brasil, disse \u00e0 Folha:&#8221;Os produtos nacionais ser\u00e3o, com certeza, muito mais baratos aqui&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Instituiu, assim, o \u201cPre\u00e7o Verde\u201d, um selo adesivo que era colado nos livros, CDs e DVDs, e que dava 20% de desconto nos primeiros 30 dias de lan\u00e7amento (chegada) desses produtos em loja. O que era, e ainda \u00e9 proibido na Fran\u00e7a. As outras livrarias, principalmente as maiores, optaram por acompanhar a Fnac nessa estrat\u00e9gia, e come\u00e7aram a dar descontos tamb\u00e9m. Para preservarem sua margem, come\u00e7aram a exigir mais descontos das editoras que, mais uma vez, na sua grande maioria, cedeu.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ainda em 1999, em novembro, com vistas a pegar a \u00e9poca do Natal, \u00e9 lan\u00e7ado com grande divulga\u00e7\u00e3o, com uso de outdoors e propaganda na TV aberta, o site do Submarino. Mais uma vez a estrat\u00e9gia de neg\u00f3cio era centrada no desconto. Desta vez muito agressivo, superior a 30%, tanto que muitos livreiros ligaram para as editoras reclamando. Para saber mais sobre a estrat\u00e9gia de venda de grandes varejistas apoiada no desconto, ver este artigo aqui no PublishNews.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Se at\u00e9 aqui o foco foi o desconto, a outra vari\u00e1vel que ajudou a chegar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual, foi a concentra\u00e7\u00e3o. Tanto de livrarias quanto de editoras, sendo que estas \u00faltimas, at\u00e9 pelo gigantismo, foram ficando cada vez mais ref\u00e9ns das redes de livrarias, por mais contradit\u00f3rio que isso possa parecer.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com o Plano Real, a infla\u00e7\u00e3o foi contida. Nos governos de FHC (1995-2002) variou entre 1,65% (1998) e 12,53% (2002). N\u00e3o considerei o ano de 1995, o primeiro ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o do Real, no qual se baixou a infla\u00e7\u00e3o de 916,43% (1994) para 22,41% (1995). Nos governos de Lula (2003-2010), a varia\u00e7\u00e3o ficou entre 3,14% (2006) e 9,30% (2003). Esta relativa ao ano seguinte ao \u00faltimo ano de FHC (2002).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Este cen\u00e1rio de estabilidade estimulou a expans\u00e3o das livrarias, com a ajuda de financiamentos do BNDES. Propiciou tamb\u00e9m a entrada de editoras estrangeiras para atua\u00e7\u00e3o direta no mercado brasileiro. E as maiores editoras nacionais come\u00e7aram a comprar editoras menores por oportunidade de neg\u00f3cio, mas tamb\u00e9m para se defenderem da entrada das estrangeiras. Tudo isto aconteceu essencialmente entre 2000 e 2010, com uma ou outra aquisi\u00e7\u00e3o em 2011.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2.1 \u2013 A expans\u00e3o das livrarias<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A primeira importante expans\u00e3o \u00e9 a da Livraria Cultura para al\u00e9m das fronteiras de S\u00e3o Paulo. Em 2003 inaugura a loja em Porto Alegre, que logo vira a segunda loja em faturamento do grupo. Em 2004 abre a loja de Recife. E prossegue abrindo lojas a cada ano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Fnac tamb\u00e9m j\u00e1 vinha expandindo. Tinha aberto em 2001 a loja no Rio de Janeiro. Ainda existia a Laselva que tinha participa\u00e7\u00e3o importante no mercado com as lojas nos aeroportos. Um par\u00eantesis: a Laselva, em Recupera\u00e7\u00e3o Judicial desde maio de 2013, teve a fal\u00eancia decretada em mar\u00e7o de 2018 como noticiou o PN.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mas, o marco divis\u00f3rio da concentra\u00e7\u00e3o nas livrarias acontece em mar\u00e7o de 2008, quando a Saraiva compra a Siciliano, a maior rede at\u00e9 ent\u00e3o. \u00c0s 36 lojas da Saraiva v\u00e3o somar-se as 63 da Siciliano criando-se, assim, um gigante do varejo de livros com 99 lojas distribu\u00eddas por 13 estados (SP; RJ; MG; ES; PR; SC; RS; GO; BA; PE; PB; RN; CE) al\u00e9m do Distrito Federal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E esta aquisi\u00e7\u00e3o traz mais um custo para as editoras e uma imensa vantagem competitiva para a Saraiva no mercado. Via de regra, a Siciliano tinha descontos entre 5% e 10% (conseguidos no p\u00f3s-Plano Real, como j\u00e1 mencionado) maiores do que a Saraiva. Com a aquisi\u00e7\u00e3o, a Saraiva for\u00e7ou para manter as condi\u00e7\u00f5es que a Siciliano tinha, e acabou por conseguir isso das editoras, salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Era acirrada a disputa para abertura de novas lojas, principalmente em shoppings. As negocia\u00e7\u00f5es eram longas e feitas com muita anteced\u00eancia antes da abertura efetiva de uma loja. Em 2011 existiam 430 shoppings no pa\u00eds por onde circulavam mensalmente 376 milh\u00f5es de pessoas. O Brasil tinha ent\u00e3o 191 milh\u00f5es de habitantes. Impressiona, n\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como resultado dessa corrida, na metade de 2012 a situa\u00e7\u00e3o das principais redes de livrarias, em n\u00famero de lojas, era a seguinte:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">100 lojas, tinha a Saraiva. Base S\u00e3o Paulo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">32 lojas, tinha a Livraria Leitura. Base Minas Gerais;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">20 lojas, tinha a Livrarias Curitiba. Base Paran\u00e1;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">13 lojas, tinha a Livraria Cultura. Base S\u00e3o Paulo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">11 lojas, tinha a Fnac. Base S\u00e3o Paulo;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">7 lojas, tinha a Livraria da Travessa. Base Rio de Janeiro;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">6 lojas, tinha a Livraria da Vila. Base S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Obs: n\u00e3o considerei a Nobel como rede pois as lojas n\u00e3o t\u00eam uma administra\u00e7\u00e3o centralizada. As lojas s\u00e3o franquias e a negocia\u00e7\u00e3o com as editoras \u00e9 individualizada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2.2 &#8211; Entrada das editoras estrangeiras para atua\u00e7\u00e3o direta no pa\u00eds<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segue uma r\u00e1pida cronologia:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Grupo Pearson (Inglaterra) entrou no mercado em 1996 e comprou a editora Makron Books no ano 2000.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Grupo Vivendi (Fran\u00e7a), em parceria com o grupo Abril, comprou as editoras \u00c1tica e Scipione em 1999. Saiu do Brasil em 2004 e o grupo Abril comprou a sua parte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Grupo Prisa-Santillana (Espanha) entrou no mercado em 2001 com a compra das editoras Moderna e Salamandra. Em 2005 comprou 75% da editora Objetiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Elsevier (Holanda) chegou em 1976 no mercado nacional em parceria com a editora Campus. Suas compras foram as seguintes:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2002 a editora Alegro<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2002 a editora Neg\u00f3cio<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2005 a editora Impetus<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Larousse (Fran\u00e7a) chegou em 2003.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Grupo Planeta (Espanha) chegou em 2003. Em 2006 comprou a editora Academia da Intelig\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Edi\u00e7\u00f5es SM (Espanha) chegou em 2004.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Almedina (Portugal) chegou em 2005.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Penguin Books (USA) em 2005 fez uma joint-venture com a Companhia das Letras e, em 2011, comprou 45% do capital dessa editora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Grupo Leya (Portugal) chegou em 2009. Em 2010 fez uma parceria com a editora Barba Negra. Em 2011 comprou a editora Casa da Palavra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Thomson Reuters (USA) em 2010 comprou a editora Revista dos Tribunais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2.3 &#8211; E as editoras nacionais tamb\u00e9m foram \u00e0s compras<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mais uma r\u00e1pida cronologia:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Guanabara Koogan comprou editoras nos seguintes anos:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">1994 a LTC<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2007 a Forense<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2007 a M\u00e9todo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2008 a Santos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2010 a Forense Universit\u00e1ria<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2011 a EPU<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2011 a Roca<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2011 a AC Farmac\u00eautica<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Todas essas editoras est\u00e3o sob a holding GEN | Grupo Editorial Nacional criada em 2007.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Record tamb\u00e9m foi \u00e0s compras e fez as seguintes aquisi\u00e7\u00f5es editoriais:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">1997 a Bertrand Brasil<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">1997 a Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">1997 a Difel<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2001 a Jos\u00e9 Olympio<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2004 a Best-Seller<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2005 joint-venture com a canadense Harlequim Books<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2010 a Verus<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Saraiva comprou editoras nos anos de:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">1998 a Atual<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2000 a Renascer<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2001 a Solu\u00e7\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2003 a Formato<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com a compra da Siciliano vieram tamb\u00e9m as editoras:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2008 a ARX<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2008 a ARX Jovem<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2008 a Futura<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2008 a Caramelo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Ediouro comprou editoras nos anos:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2002 a Agir<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2004 a Relume-Dumar\u00e1<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2005 e 2007 a Nova Fronteira<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2006 parceria com a Thomas Nelson<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2007 a Nova Aguilar<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2008 a Desiderata<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Sextante fez uma compra diferente. Tem intelig\u00eancia de neg\u00f3cio aqui.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2007 a Intr\u00ednseca (apenas 50%)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Artmed (atual Grupo a) comprou em:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2009 a McGraw-Hill Education no Brasil<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A IBEP\/Companhia Editora Nacional comprou em:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">2010 a Conrad<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tanta movimenta\u00e7\u00e3o no mercado s\u00f3 poderia gerar uma produ\u00e7\u00e3o elevada. A pesquisa da Fipe, contratada pela CBL e SNEL, apresenta os seguintes n\u00fameros para o ano de 2011:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">20.406 novos ISBN publicados. Se divididos pelos 249 dias \u00fateis do ano, seria uma m\u00e9dia de 82 novos livros por dia. Onde e como colocar tantos livros nas livrarias?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">304 milh\u00f5es de exemplares produzidos para mercado (exclui governo).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">284 milh\u00f5es de exemplares vendidos no mercado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Portanto, sobra de 20 milh\u00f5es de exemplares s\u00f3 neste ano. N\u00e3o esquecer dos exemplares que v\u00eam sobrando de cada ano anterior. Logo, h\u00e1 muitos milh\u00f5es de exemplares nos estoques das editoras. Isso tem custo!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Voltando \u00e0 pergunta \u201cOnde e como colocar tantos livros, e quais livros, nas livrarias?\u201d Como isso foi fragilizando o mercado e acentuando a concentra\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com a predomin\u00e2ncia das livrarias de rede nos shoppings, grandes concentradores de fluxo de pessoas como visto, e com o espa\u00e7o f\u00edsico finito nas lojas, as j\u00e1 mencionadas redes, sem exce\u00e7\u00e3o, viram que poderiam monetizar o espa\u00e7o de exposi\u00e7\u00e3o. E come\u00e7aram a vender de forma direta ou disfar\u00e7ada, via participa\u00e7\u00e3o em encartes promocionais, o espa\u00e7o nas lojas. Os nomes dados a esses espa\u00e7os lembram os utilizados pelos supermercados: g\u00f4ndola, ponta de g\u00f4ndola, linha de caixas, mesa, ilha, ilha central etc. Tamb\u00e9m se adesivava o ch\u00e3o e a vitrine, al\u00e9m de banners, totens e displays espalhados pelas lojas. Em algumas delas existiam aparelhos de TV reproduzindo imagens relativas aos livros selecionados. Isso sem falar das \u201cpilhas\u201d de livros. Acreditava-se (continuam?) que as \u201cpilhas\u201d vendiam o livro por si s\u00f3.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As grandes editoras supra citadas, principalmente as da linha de Obras Gerais, na classifica\u00e7\u00e3o da pesquisa da Fipe, eram o foco dessas a\u00e7\u00f5es. Como existia a l\u00f3gica de publicar muito para aumentar as chances de se criar \/ achar um best-seller, a disputa entre elas era acirrada por esses espa\u00e7os de exposi\u00e7\u00e3o. Com isso ficavam em desvantagem nas negocia\u00e7\u00f5es com as redes. O objetivo final era conseguir fazer com que determinados livros chegassem \u00e0s listas de mais vendidos. Na \u00e9poca, a lista da Veja era a mais importante. Ela quase que determinava a exposi\u00e7\u00e3o e as tiragens e reimpress\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Existia ainda a premissa da novidade e a fal\u00e1cia de que, sem ela, n\u00e3o se venderiam livros. A defini\u00e7\u00e3o de novidade era somente o que tinha sido publicado \u201contem\u201d e, n\u00e3o, o livro que o leitor ainda n\u00e3o tinha lido ou comprado. Lembro de uma vez, quando fazia a apresenta\u00e7\u00e3o de alguns livros da Zahar para a equipe de vendas da Siciliano &#8211; numa das suas lojas -, ao falar da Trilogia Tebana, do S\u00f3focles, uma pessoa me perguntou se esse livro vendia. Respondi com a verdade: sim. Vendia e vende h\u00e1 mais de 2.500 anos!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A cada ano esse esfor\u00e7o das editoras para vender milhares de exemplares, mas de poucos t\u00edtulos e que, por necessidade, que essa venda acontecesse nas redes para entrar nas listas de mais vendidos, (eram as redes que forneciam os n\u00fameros das vendas para a elabora\u00e7\u00e3o das listas), acabou minando, pouco a pouco, a venda desses best-sellers nas livrarias menores em espa\u00e7o f\u00edsico e que, al\u00e9m disso, tamb\u00e9m tinham menores descontos. Queda nas vendas, e margem menor nos produtos, levou ao fechamento anual de pequenas livrarias por todo o pa\u00eds, como demonstra pesquisa do IBGE divulgada aqui no PublishNews:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 2001, 2.374 munic\u00edpios brasileiros (42,7% do total) contavam com pelo menos uma livraria. Em 2018, apenas 985 dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros (17,7%) tinham esse tipo de estabelecimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por\u00e9m, \u00e9 importante registrar que essas livrarias menores em espa\u00e7o f\u00edsico, sempre com raras exce\u00e7\u00f5es \u00e9 claro, quase nada fizeram para mudar esse cen\u00e1rio. O que sempre ouvi, na fun\u00e7\u00e3o de gerente\/diretor comercial de editoras era, em primeiro lugar, pedidos de mais desconto para a livraria e, depois, a reclama\u00e7\u00e3o de que a internet estava tirando o p\u00fablico das livrarias assim como a venda com descontos elevados. E s\u00f3.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por experi\u00eancia pr\u00f3pria, sei que \u00e9 poss\u00edvel fazer diferente. Atuei como livreiro entre 1992 e 1999, com loja na mesma rua da Argumento Leblon, no Rio de Janeiro, e ainda com a livraria Letras e Express\u00f5es a 200 metros dali. Lojas pr\u00f3ximas n\u00e3o s\u00e3o problema a priori. Cada uma tinha clientela fiel e clientes em comum tamb\u00e9m, pois cada uma tinha acervos diferentes. A fidelidade era ao acervo e ao atendimento, ao servi\u00e7o prestado. Desconto n\u00e3o fideliza!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mas isto \u00e9 assunto para o pr\u00f3ximo t\u00f3pico:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">3 \u2013 PROPOSTAS PARA FAZER DIFERENTE E SEGUIR EM FRENTE,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Que fica para um pr\u00f3ximo artigo, pois este j\u00e1 ficou longo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 11 de janeiro de 2020 foi registrada, na China, a primeira morte por Covid-19. A popula\u00e7\u00e3o mundial hoje est\u00e1 na ordem dos 7,8 bilh\u00f5es de pessoas. H\u00e1 100 anos a popula\u00e7\u00e3o era de 1,8 bilh\u00f5es e no in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial (1939) era de 2,3 bilh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-9833","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>De como chegamos a este estado de coisas &raquo; Abrelivros<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"De como chegamos a este estado de coisas &raquo; Abrelivros\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Em 11 de janeiro de 2020 foi registrada, na China, a primeira morte por Covid-19. A popula\u00e7\u00e3o mundial hoje est\u00e1 na ordem dos 7,8 bilh\u00f5es de pessoas. H\u00e1 100 anos a popula\u00e7\u00e3o era de 1,8 bilh\u00f5es e no in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial (1939) era de 2,3 bilh\u00f5es de pessoas.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Abrelivros\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-05-05T22:00:34+00:00\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#website\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/\",\"name\":\"Abrelivros\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?s={search_term_string}\",\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/#webpage\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/\",\"name\":\"De como chegamos a este estado de coisas &raquo; Abrelivros\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#website\"},\"datePublished\":\"2020-05-05T22:00:34+00:00\",\"dateModified\":\"2020-05-05T22:00:34+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#\/schema\/person\/2b867f13a717bb230f1a3555505f5593\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"item\":{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/\",\"name\":\"In\\u00edcio\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"item\":{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/category\/noticias\/\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/category\/noticias\/\",\"name\":\"Not\\u00edcias\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"item\":{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/category\/noticias\/noticias-da-imprensa\/\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/category\/noticias\/noticias-da-imprensa\/\",\"name\":\"Not\\u00edcias da imprensa\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"item\":{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/de-como-chegamos-a-este-estado-de-coisas\/\",\"name\":\"De como chegamos a este estado de coisas\"}}]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#\/schema\/person\/2b867f13a717bb230f1a3555505f5593\",\"name\":\"\\u00a0\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#personlogo\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e80b7f5231be2fff5040a8023da424898002831c5439420df182ae62676d2a6f?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"\\u00a0\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9833"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9833\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9833"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}