{"id":980,"date":"2005-04-19T15:17:00","date_gmt":"2005-04-19T18:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2005\/04\/19\/os-leitores-futuros\/"},"modified":"2005-04-19T15:17:00","modified_gmt":"2005-04-19T18:17:00","slug":"os-leitores-futuros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/os-leitores-futuros\/","title":{"rendered":"Os leitores futuros"},"content":{"rendered":"<p>Pais e professores enfrentam freq\u00fcentemente um problema cuja solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem f\u00e1cil nem \u00f3bvia: como fazer seus respectivos filhos ou alunos lerem, como faz\u00ea-los gostar da leitura?\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A revolu\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea nos meios de comunica\u00e7\u00e3o tornou a leitura mais, n\u00e3o menos, importante. Por exemplo, por mais \u201cuser-friendly\u201c que a internet seja, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que algu\u00e9m habituado a ler \u00e9 capaz de aproveitar seus recursos muito melhor. E a multiplica\u00e7\u00e3o paralela dos meios audiovisuais, com sua opul\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o raro contradit\u00f3rias, requer igualmente uma capacidade de \u201cler nas entrelinhas\u201c.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Ocorre que a pr\u00e1tica da leitura na idade adequada parece embutir no c\u00e9rebro das crian\u00e7as um \u201csoftware\u201c espec\u00edfico, uma esp\u00e9cie de mecanismo subliminar que lhes permitir\u00e1 depois acompanhar mais proveitosamente outras formas de narrativa, como o cinema. Gente que freq\u00fcente livros n\u00e3o apenas \u201cmata\u201c, digamos, a trama de um \u201cthriller\u201c antes, mas tamb\u00e9m arquiva na mem\u00f3ria cenas e seq\u00fc\u00eancias que os menos afeitos \u00e0 leitura esquecem logo. J\u00e1 o teatro, o cinema e a televis\u00e3o, ao que tudo indica, n\u00e3o inserem mecanismos semelhantes na mente de seu p\u00fablico. Resulta disso que, se a leitura prepara algu\u00e9m para se tornar um bom cin\u00e9filo, o contr\u00e1rio n\u00e3o se verifica.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Quanto ao aprendizado de disciplinas variadas, existem estudantes que as assimilam melhor na sala de aula e outros que preferem o estudo solit\u00e1rio. Seja como for, esta \u00faltima op\u00e7\u00e3o \u00e9 a que lhes abre o leque mais amplo de possibilidades e lhes d\u00e1 maior autonomia. E, por excelente que seja o professor, mat\u00e9ria nenhuma \u00e9 plenamente aprendida sem seu estudo em casa. O objetivo de uma boa educa\u00e7\u00e3o \u00e9 tanto o de fornecer \u00e0s crian\u00e7as e jovens informa\u00e7\u00f5es essenciais como prepar\u00e1-los para se informarem por conta pr\u00f3pria.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Nada disso, por\u00e9m, come\u00e7a sequer a ser conceb\u00edvel sem a leitura, ou melhor, sem seu h\u00e1bito que combine desenvoltura e prazer. E, como sucede com todo o resto, h\u00e1 uma idade apropriada na qual tal interesse deve ser ativado. Como faz\u00ea-lo?\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Algumas gera\u00e7\u00f5es atr\u00e1s, quando os livros eram simultaneamente onde se estocava o conhecimento e um dos principais instrumentos de lazer, talvez fosse mais simples do que hoje. Ao contr\u00e1rio do que previam os profetas do apocalipse, o ac\u00famulo de inven\u00e7\u00f5es e novas tecnologias n\u00e3o eclipsou a centralidade da cultura letrada e, por enquanto, nem sequer a do papel impresso. Mas, sobretudo em idades formativas, elas s\u00e3o fortes competidoras que podem desviar a aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, levando-as a relegarem os livros ao segundo plano. E, quando elas buscam recuperar o tempo perdido, \u00e0s vezes j\u00e1 \u00e9 tarde demais.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> In\u00fameros m\u00e9todos v\u00eam sendo continuamente experimentados, com resultados entre ruins e p\u00e9ssimos. Banir de casa o aparelho de televis\u00e3o quase nunca d\u00e1 certo. Subornar os jovens leitores potenciais com recompensas variadas tampouco est\u00e1 entre as boas id\u00e9ias. Simplesmente obrig\u00e1-los a ler traz em si o perigo de torn\u00e1-los al\u00e9rgicos a essa atividade. E ent\u00e3o?\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que h\u00e1 bem pouco que pais ou professores possam fazer. Em geral, o modo mais seguro que eles t\u00eam de estimular a leitura \u00e9 dando o exemplo, ou seja, lendo. Outro estratagema que, em certos casos funciona, \u00e9 o de sonegar informa\u00e7\u00f5es que as crian\u00e7as possam obter sozinhas. Em vez de lhes explicar uma palavra, \u00e9 sempre \u00fatil mandar que as procurem no dicion\u00e1rio ou atrav\u00e9s do Google. Ao fim e ao cabo, existem apenas dois grupos capazes de levar as crian\u00e7as a lerem ou lerem mais: os colegas ou a turma e os escritores.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Sabe-se agora (e sabia-se antes que aparecessem educadores e pedagogos) que a influ\u00eancia exercida pelas crian\u00e7as entre si \u00e9 t\u00e3o vital quanto a dos adultos. Se todos os colegas de um garoto tocam algum instrumento, ele se sentir\u00e1 tentado a emul\u00e1-los. E o mesmo se aplica \u00e0 literatura. Quem quiser encorajar seu filho a ler deve p\u00f4-lo em contato com outras crian\u00e7as que gostem de ler. Isso, contudo, somente transfere o problema do plano individual para o grupal.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Se h\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o, ela est\u00e1 nas m\u00e3os dos escritores. H\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o \u00f3bvia entre, por um lado, lugares e \u00e9pocas que geraram boa literatura infantil ou juvenil e, por outro, a dimens\u00e3o e a qualidade do p\u00fablico leitor. Grandes escritores n\u00e3o s\u00e3o produzidos industrialmente ou nas provetas e seu surgimento depende do acaso. Ainda assim, quando aparecem, eles contribuem decisivamente para criar sua audi\u00eancia.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Todos os romancistas gostariam de ser Proust ou Joyce ou Thomas Mann e todos os poetas escreveriam, se pudessem, obras como as de Drummond ou Fernando Pessoa. Pouqu\u00edssimos chegam sequer perto. Mas a literatura infantil e juvenil permite uma margem distinta de manobra, sua cria\u00e7\u00e3o pode ser aprendida.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Falava-se bastante, no s\u00e9culo que passou, de coisas como a responsabilidade social do escritor. Ningu\u00e9m mais liga muito para essa conversa, entre outras raz\u00f5es porque boa parte da tal responsabilidade se traduzia em servir regimes desp\u00f3ticos e louvar tiranos, transformando autores em lacaios de poderes n\u00e3o excessivamente democr\u00e1ticos. Todavia, se n\u00e3o responsabilidades, os profissionais das letras t\u00eam, sim, interesses sociais, e entre estes se encontra o de formar novas gera\u00e7\u00f5es de leitores.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A qualidade dos livros infantis e juvenis publicados no Brasil durante os dec\u00eanios recentes n\u00e3o nos leva a nos ufanarmos de nosso pa\u00eds. Romancistas, contistas e poetas que desejem assegurar a exist\u00eancia de leitores futuros n\u00e3o estariam perdendo tempo caso se empenhassem em escrever, de quando em quando, bons livros para as crian\u00e7as e adolescentes. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pais e professores enfrentam freq\u00fcentemente um problema cuja solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem f\u00e1cil nem \u00f3bvia: como fazer seus respectivos filhos ou alunos lerem, como faz\u00ea-los gostar da leitura?\u00a0 \u00a0 A revolu\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea nos meios de comunica\u00e7\u00e3o tornou a leitura mais, n\u00e3o menos, importante. 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