{"id":9564,"date":"2020-01-22T17:56:19","date_gmt":"2020-01-22T20:56:19","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/livro-reune-textos-vencedores-de-olimpiada-de-lingua-portuguesa\/"},"modified":"2020-01-22T17:56:19","modified_gmt":"2020-01-22T20:56:19","slug":"livro-reune-textos-vencedores-de-olimpiada-de-lingua-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/livro-reune-textos-vencedores-de-olimpiada-de-lingua-portuguesa\/","title":{"rendered":"Livro re\u00fane textos vencedores de Olimp\u00edada de L\u00edngua Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cApenas cinzas e o cocar vermelho e, a pouca dist\u00e2ncia dele, a l\u00e2mina ensanguentada\u201d, essa foi a vis\u00e3o que o pai de Anem\u00e3 Irun Cinta-Larga, ind\u00edgena de 50 anos, teve ao chegar na aldeia ap\u00f3s uma noite com os amigos. Foi a manh\u00e3 do Massacre do Paralelo 11, quando o territ\u00f3rio, palco de conflito entre ind\u00edgenas e garimpeiros, foi invadido por pistoleiros que praticaram roubo, estupros, grilagem, assassinato, suborno e tortura, em 1963.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A hist\u00f3ria, contada no texto Paralelo 11: Do cocar vermelho ao p\u00e9 de jatob\u00e1, de Karoline Vit\u00f3ria de Souza, 12 anos, foi um dos vencedores da <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019-12\/olimpiada-de-lingua-portuguesa-premia-estudantes-de-12-estados\">6\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Olimp\u00edada de L\u00edngua Portuguesa<\/a>, cujo tema foi O lugar onde vivo. Os 135 textos produzidos pelos finalistas foram reunidos em um e-book, dispon\u00edvel no <a href=\"https:\/\/www.escrevendoofuturo.org.br\/arquivos\/9161\/textos-finalistas-2019.pdf\">portal Escrevendo o Futuro<\/a>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Karoline conheceu Anem\u00e3 Irun Cinta-Larga em atividade promovida na escola Jerris Adriani Turatti, em Espig\u00e3o D&#8217;Oeste (RO), onde estuda. \u201cFoi uma coisa que aconteceu aqui, e eu n\u00e3o sabia que tinha acontecido. Eu quis escrever porque tinha que deixar marcado. Aconteceram mortes. Foi dif\u00edcil\u201d, disse.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Anem\u00e3 Irun Cinta-Larga contou aos estudantes a hist\u00f3ria que ouviu do pai, Pangunsukup. Naquela noite, ele estava em uma festa regada a chicha, uma bebida fermentada natural. Quando chegou e viu a aldeia devastada, achou que fosse uma alucina\u00e7\u00e3o. A dona do cocar vermelho era uma \u201clinda \u00edndia da aldeia, sem vestes, apenas um cocar e, em seu colo, uma crian\u00e7a em torno de seus 2 anos de idade\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A crian\u00e7a foi a atingida por um tiro e caiu vagarosamente ao lado da \u00edndia. A ind\u00edgena foi arrastada por homens brancos at\u00e9 um p\u00e9 de jatob\u00e1, escreveu Karoline. &#8220;E foi ali mesmo, amarrada pelos p\u00e9s em dois galhos da \u00e1rvore, onde o golpe certeiro do fac\u00e3o fez negra a vis\u00e3o do meu pai. Apenas um golpe. Em seguida, os dois homens come\u00e7aram a revirar os \u00edndios ca\u00eddos e partiram\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Karoline n\u00e3o \u00e9 ind\u00edgena, mas disse que na escola tem colegas ind\u00edgenas e que eles est\u00e3o sempre na cidade, devido \u00e0 proximidade da aldeia. \u201cEu moro n\u00e3o exatamente onde aconteceu o massacre, mas a hist\u00f3ria vem daqui\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A jovem ficou muito feliz com o pr\u00eamio e foi a primeira vez que foi \u00e0 S\u00e3o Paulo, para receber a homenagem. Ela disse que gosta muito de ler e de escrever. \u201cEu tinha esperan\u00e7a de ganhar sim, mas n\u00e3o tinha aquela certeza. Quando eu ganhei, quando chamaram meu nome, foi impactante\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Massacre do Paralelo 11<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com o portal Povos Ind\u00edgenas no Brasil, do Instituto Socioambiental, a Terra Ind\u00edgena Roosevelt, localizada em Rond\u00f4nia e Mato Grosso, tem um raro kimberlito, uma rocha vulc\u00e2nica onde \u00e9 encontrado o diamante. O local \u00e9 palco de conflitos entre ind\u00edgenas e garimpeiros. Na d\u00e9cada de 1960, houve assaltos \u00e0s terras e envenenamentos de ind\u00edgenas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 1963, ocorreu o massacre. Foram mortos ind\u00edgenas com requintes de crueldade. Uma mulher foi pendurada viva e cortada ao meio com fac\u00e3o. O massacre foi divulgado quando um dos participantes, n\u00e3o tendo recebido o pagamento prometido denunciou o caso. O crime teve repercuss\u00e3o internacional, mas os mandantes dos crimes n\u00e3o foram punidos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Olimp\u00edada da L\u00edngua Portuguesa<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Olimp\u00edada contou com a participa\u00e7\u00e3o das redes p\u00fablicas de ensino de todo o pa\u00eds em 4.876 munic\u00edpios. Ao todo, foram enviados mais de 40 mil textos e document\u00e1rios de estudantes de 42.086 escolas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Olimp\u00edada de L\u00edngua Portuguesa \u00e9 realizada pelo Ita\u00fa Social e pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), com coordena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria (Cenpec). Conta com a parceria da Uni\u00e3o Nacional dos Dirigentes Municipais de Educa\u00e7\u00e3o (Undime), do Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o (Consed), da Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho e do Canal Futura.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cApenas cinzas e o cocar vermelho e, a pouca dist\u00e2ncia dele, a l\u00e2mina ensanguentada\u201d, essa foi a vis\u00e3o que o pai de Anem\u00e3 Irun Cinta-Larga, ind\u00edgena de 50 anos, teve ao chegar na aldeia ap\u00f3s uma noite com os amigos. 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