{"id":9546,"date":"2020-01-14T17:35:16","date_gmt":"2020-01-14T20:35:16","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-que-e-a-cartilha-caminho-suave-que-alfabetizou-milhoes-e-caiu-em-desuso-mas-mantem-fas-como-bolsonaro\/"},"modified":"2020-01-14T17:35:16","modified_gmt":"2020-01-14T20:35:16","slug":"o-que-e-a-cartilha-caminho-suave-que-alfabetizou-milhoes-e-caiu-em-desuso-mas-mantem-fas-como-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-que-e-a-cartilha-caminho-suave-que-alfabetizou-milhoes-e-caiu-em-desuso-mas-mantem-fas-como-bolsonaro\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 a cartilha Caminho Suave, que alfabetizou milh\u00f5es e caiu em desuso, mas mant\u00e9m f\u00e3s como Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Livro foi recentemente lembrado pelo presidente, que criticou os materiais did\u00e1ticos atuais; na vis\u00e3o dele, h\u00e1 palavras demais, diferente da cartilha que usou para ser alfabetizado na inf\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O chap\u00e9u \u00e9 do Seu Chico. Bab\u00e1, lava o beb\u00ea. A laranja \u00e9 de Lili. O vov\u00f4 bebe leite de vaca.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entre a d\u00e9cada de 50 e os anos 90, estima-se que mais de 48 milh\u00f5es de brasileiros tenham aprendido a ler seguindo as frases simples da cartilha Caminho Suave, que usava a t\u00e9cnica denominada &#8220;alfabetiza\u00e7\u00e3o por imagem&#8221;, e que ainda desperta mem\u00f3rias afetivas de muitos adultos como a lembran\u00e7a de um m\u00e9todo eficiente para ensinar a ler.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A cartilha foi recentemente lembrada pelo presidente <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/politica\/governo-bolsonaro\/\">Jair Bolsonaro<\/a> que, em entrevista concedida em frente ao Pal\u00e1cio da Alvorada criticou os livros did\u00e1ticos atuais \u2014 na vis\u00e3o dele, t\u00eam palavras demais, diferente dos que ele usou para ser alfabetizado na inf\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Os livros hoje em dia, como regra, s\u00e3o um mont\u00e3o de amontoado de muita coisa escrita. Tem que suavizar aquilo. Em falar em suavizar, estudei na cartilha &#8216;Caminho Suave&#8217;, voc\u00ea nunca esquece&#8221;, afirmou o presidente, na ocasi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nas redes sociais de Bolsonaro, muitos apoiadores tamb\u00e9m manifestaram nostalgia em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo \u2014 especialmente os que t\u00eam mais de 35 anos de idade. Na internet, v\u00eddeos e blogs elogiam a cartilha, tratada como rel\u00edquia e lembrada como uma forma mais tradicional e conservadora de aprendizagem da leitura que as atuais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A ideia \u00e9 simples: associa-se imagens e letras com o objetivo de facilitar o aprendizado. A letra A \u00e9 escrita no corpo de uma abelha, a B na barriga de um beb\u00ea, a V comp\u00f5e os chifres de uma vaca. Em raz\u00e3o dessa estrat\u00e9gia, criada pela professora Branca Alves de Lima em 1948, a publica\u00e7\u00e3o tornou-se conhecida como um m\u00e9todo de &#8220;alfabetiza\u00e7\u00e3o pela imagem&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O livro foi um sucesso por d\u00e9cadas, at\u00e9 cair em desuso e perder o prest\u00edgio em meados dos anos 1990, quando novas pesquisas da psicolingu\u00edstica e sociolingu\u00edstica passaram a tratar a alfabetiza\u00e7\u00e3o como um processo que deveria ensinar mais do que apenas a decifrar letras e s\u00edlabas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 1996, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) excluiu a Caminho Suave do Programa Nacional do Livro Did\u00e1tico (PNLD).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mas a Caminho Suave ainda existe: j\u00e1 teve 133 edi\u00e7\u00f5es e, segundo a Edipro, que det\u00e9m atualmente os direitos de publica\u00e7\u00e3o, tem tiragem que varia entre 30 mil e 50 mil a cada dois anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;As vendas s\u00f3 aumentam&#8221;, garante a editora Ma\u00edra Lot Micales, da editora Edipro, que conta que tamb\u00e9m aprendeu a ler com a cartilha, na inf\u00e2ncia. &#8220;As vendas s\u00f3 aumentam. Muitos av\u00f3s e pais nos procuram, pois seus filhos e netos n\u00e3o t\u00eam tido \u00eaxito com a alfabetiza\u00e7\u00e3o atual, ent\u00e3o buscam a cartilha como uma solu\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Mais c\u00f3digos que leitura<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Caminho Suave fez enorme sucesso nos anos 1940, e continua sendo publicada, portanto, usada. Muitas gera\u00e7\u00f5es se alfabetizaram por ela&#8221;, explica Magda Soares, professora titular em\u00e9rita aposentada da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o (FAE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e uma das principais especialistas em alfabetiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ela diz que as cartilhas funcionaram para alfabetizar muitas crian\u00e7as na \u00e9poca, mas com o tempo tornaram-se obsoletas por focar apenas nos c\u00f3digos, e n\u00e3o em iniciar nas crian\u00e7as uma rela\u00e7\u00e3o com a leitura que ser\u00e1 fundamental na vida adulta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;O problema \u00e9 que as crian\u00e7as aprendiam a codificar e decodificar, e n\u00e3o a descobrir o mundo da literatura, dos jornais. Era como aprender uma tecnologia e n\u00e3o saber que uso fazer dela&#8221;, explica Soares, que em 2017 venceu o Pr\u00eamio Jabuti com o livro com o livro &#8216;Alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; A Quest\u00e3o dos M\u00e9todos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A principal cr\u00edtica \u00e9 que a cartilha foca em ensinar a crian\u00e7a a decifrar c\u00f3digos a partir da repeti\u00e7\u00e3o de frases sem muita rela\u00e7\u00e3o com o cotidiano, o que \u00e9 apenas uma das etapas da alfabetiza\u00e7\u00e3o. Falta treinar a crian\u00e7a para se familiarizar, reconhecer e gostar de ler todos os tipos de texto usados socialmente, criando uma rela\u00e7\u00e3o com a leitura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Os textos que n\u00e3o cumpriam uma outra fun\u00e7\u00e3o da alfabetiza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 introduzir a crian\u00e7a na cultura do escrito, textos como esses [a laranja \u00e9 de Lili] n\u00e3o fazem parte da cultura do escrito, nem mesmo de livros de literatura infantil&#8221;, diz Soares.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Poucas mudan\u00e7as desde 1948<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Quando compramos os direitos da cartilha da autora, dona Branca Alves de Lima, nossa ideia era a de manter o m\u00e9todo, tal qual foi idealizado, e \u00e9 isto que fizemos. N\u00f3s acreditamos muito na efici\u00eancia deste m\u00e9todo, portanto mantemos assim&#8221;, diz a editora da Edipro, Ma\u00edra Lot Micales.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Fazendo \u00e9 claro, pequenas altera\u00e7\u00f5es, quando necess\u00e1rio. Por exemplo, fizemos a revis\u00e3o de acordo com o novo Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa e consequentemente, inclu\u00edmos as letras K, Y e W&#8221;,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Micales diz que, depois que o MEC baniu a cartilha do programa de livros did\u00e1ticos, houve uma esp\u00e9cie de &#8220;ca\u00e7a \u00e0s bruxas&#8221;, que considerava o m\u00e9todo muito ultrapassado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;O ponto \u00e9 que depois de uns dez anos o pessoal come\u00e7ou a pedir a cartilha de volta&#8221;, diz a editora. &#8220;No come\u00e7o havia professores que pediam a cartilha escondido, diziam que n\u00e3o podiam nem saber na escola que eles estavam usando&#8221;, conta. &#8220;Ainda hoje, muitos usam como m\u00e9todo de refor\u00e7o.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na vers\u00e3o atual, al\u00e9m de cartilha, a Caminho Suave tem baralho, livro de tabuada e literatura infantil de bolso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>&#8216;Guerra&#8217; de m\u00e9todos<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os m\u00e9todos de leitura dividem-se em dois grandes grupos: os sint\u00e9ticos, que come\u00e7am ensinando a decifrar das estruturas pequenas para as grandes (primeiro as letras, depois as s\u00edlabas, e a partir da\u00ed junt\u00e1-las em palavras); e os anal\u00edticos, que partem da leitura da palavra e das frases, para depois dividi-las em s\u00edlabas e letras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na Caminho Suave, a autora Branca Alves de Lima juntou princ\u00edpios do m\u00e9todo sint\u00e9tico com o anal\u00edtico que estava surgindo na \u00e9poca em que escreveu a sua cartilha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Havia sempre uma frase que introduzia a palavra e a fam\u00edlia sil\u00e1bica. A forma\u00e7\u00e3o das palavras partia sempre da fam\u00edlia estudada, apresentando vocabul\u00e1rio pobre e muito controlado, pois trabalhava as fam\u00edlias simples (consoante e vogal) e depois as fam\u00edlias complexas (ch, nh, tr etc.)&#8221;, afirma a pesquisadora Marlene Coelho Alexandroff, em artigo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A partir da d\u00e9cada de 1980, essas ideias e metodologias passaram a ser questionadas, em fun\u00e7\u00e3o da crescente demanda de crian\u00e7as com problemas na alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Anna Helena Altenfelder, doutora em psicologia da educa\u00e7\u00e3o e presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria (Cenpec), explica que estudos que surgiram no final da d\u00e9cada de 80, a partir das pesquisas sobre a psicog\u00eanese da l\u00edngua escrita, da psic\u00f3loga argentina Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, causaram uma &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; no que se sabia sobre ensinar a ler.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Surge o construtivismo e, a partir dali, a ci\u00eancia passou a encarar o aluno como centro do processo de aprendizagem e o professor como mediador entre o aluno e o objeto de conhecimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Antigamente se acreditava que, uma vez que a crian\u00e7a dominava do c\u00f3digo, ela automaticamente lia e escrevia todos os g\u00eaneros de texto que circulam na sociedade: contos de fada, poemas, regras de jogo, receitas de bolo, textos cient\u00edficos.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Hoje, diz ela, os estudos mostram que tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio um aprendizado mais complexo. &#8220;Dependendo da quantidade e da qualidade das experi\u00eancias que ela (a crian\u00e7a) tem antes de chegar \u00e0 escola, tudo isso vai dando conhecimento dos usos e das fun\u00e7\u00f5es sociais da escrita. A m\u00e3e fazendo a lista da compras. O pai comentando com a m\u00e3e a not\u00edcia do jornal, a m\u00e3e lendo um livro&#8230;&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Restri\u00e7\u00e3o prejudicial aos mais pobres<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nessa nova vis\u00e3o, diminuiu o &#8220;poder&#8221; atribu\u00eddo aos livros did\u00e1ticos, aumentando o protagonismo e responsabilidade do professor. &#8220;N\u00e3o se trata mais de se pensar num novo m\u00e9todo, mas de uma &#8216;revolu\u00e7\u00e3o conceitual&#8217;, relacionada ao desenvolvimento cognitivo da crian\u00e7a, que redimensionou a gradua\u00e7\u00e3o das dificuldades, &#8216;desmetodizou&#8217; o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o e questionou o uso de cartilhas&#8221;, afirma Alexandroff.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;O presidente Bolsonaro foi alfabetizado pela Caminho Suave e deu certo. Eu fui alfabetizada pelo m\u00e9todo Montessori e deu certo. N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de m\u00e9todo. Um bom professor que se apropria do m\u00e9todo que domina melhor consegue alfabetizar as crian\u00e7as&#8221;, diz Altenfelder, que defende que o caminho para melhorar a alfabetiza\u00e7\u00e3o \u2014 os dados da Avalia\u00e7\u00e3o Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (ANA) de 2016 apontam que mais da metade dos alunos do 3\u00ba ano do ensino fundamental alcan\u00e7am n\u00edvel insuficiente em provas de leitura ? \u00e9 fortalecer, qualificar e valorizar o professor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;O que os casos bem-sucedidos de alfabetiza\u00e7\u00e3o no Brasil t\u00eam em comum, como o da cidade de Sobral (CE), \u00e9 uma pol\u00edtica de muito apoio aos professores e monitoramento. Olhar e acompanhar os objetivos de aprendizagem, para que o professor tenha claro onde quer chegar a cada semana e dar apoio a quem n\u00e3o chegar&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Tem muito a ver com a forma\u00e7\u00e3o dos professores, tanto a inicial quanto a continuada; os professores n\u00e3o aprendem a alfabetizar nos cursos de pedagogia.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A exposi\u00e7\u00e3o restrita da crian\u00e7a ao mundo da leitura apresentado pela Caminho Suave, na vis\u00e3o dos especialistas, \u00e9 ainda mais prejudicial para as fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis, para quem a escola \u00e9 o \u00fanico momento do dia de contato com a cultura da linguagem escrita. Nas fam\u00edlias de renda e escolaridades mais altas, a restri\u00e7\u00e3o pode ser compensada pelo contato com jornais, livros, internet, receitas e outros tipos de material escrito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Para o Brasil dos anos 50<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A alfabetiza\u00e7\u00e3o no modelo da Caminho Suave era voltada a resolver um problema de um Brasil majoritariamente rural e analfabeto: a dificuldade de ensinar as crian\u00e7as a unirem letras em s\u00edlabas, as s\u00edlabas em palavras e, assim, aprenderem a ler.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com dados do Censo de 1950, 57,2% da popula\u00e7\u00e3o brasileira era analfabeta naquele ano. No Brasil, em 2018, havia 11,3 milh\u00f5es de pessoas com 15 anos ou mais de idade analfabetas, o equivalente a uma taxa de analfabetismo de 6,8%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Durante boa parte do s\u00e9culo XIX, o Brasil, assim como outros pa\u00edses latino-americanos, esteve entre aqueles com os piores indicadores educacionais do mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para se ter ideia do enorme atraso educacional, foi somente na d\u00e9cada de 1990 que a m\u00e9dia de anos de estudo do Brasil chegou ao n\u00edvel observado nos Estados Unidos no in\u00edcio do s\u00e9culo XX; e somente em 2010 a propor\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos com ensino m\u00e9dio no Brasil se igualou \u00e0 que j\u00e1 era observada nos Estados Unidos na d\u00e9cada de 1940, afirma artigo assinado pelo economista Naercio Menezes Filho, do Insper, sobre a hist\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o e as origens da desigualdade regional no Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Al\u00e9m disso, o Brasil ainda era um pa\u00eds de popula\u00e7\u00e3o predominantemente rural at\u00e9 1960; a popula\u00e7\u00e3o urbana era de 31,2 %, em 1940, tornando-se maioria, 67,6%, somente em 1980. N\u00e3o existia a internet, e as exig\u00eancias do mercado de trabalho eram bem diferentes das atuais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Era uma \u00e9poca em que a escola era para muito poucos. E como era um pa\u00eds muito analfabeto, a pessoa que escrevia uma palavra e lia textos muito simples era considerada alfabetizada&#8221;, diz Anna Helena Altenfelder. Hoje, em um mundo em que ter\u00e3o que participar de um mercado de trabalho tecnol\u00f3gico, que exige cada vez mais criatividade e habilidades emocionais, a cartilha parece insuficiente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Fazia sentido para o Brasil da \u00e9poca, para a psicologia da educa\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, em que a escolaridade m\u00e9dia do brasileiro era de dois anos de estudo. Para a sociedade da \u00e9poca que pensava na forma\u00e7\u00e3o de um cidad\u00e3o sem as exig\u00eancias do mundo atual, de criatividade, autonomia, resolu\u00e7\u00e3o de problemas.&#8221;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro foi recentemente lembrado pelo presidente, que criticou os materiais did\u00e1ticos atuais; na vis\u00e3o dele, h\u00e1 palavras demais, diferente da cartilha que usou para ser alfabetizado na inf\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-9546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O que \u00e9 a cartilha Caminho Suave, que alfabetizou milh\u00f5es e caiu em desuso, mas mant\u00e9m f\u00e3s como Bolsonaro &raquo; 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