{"id":9396,"date":"2019-11-11T14:30:10","date_gmt":"2019-11-11T17:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/cada-vez-mais-desigual\/"},"modified":"2019-11-11T14:30:10","modified_gmt":"2019-11-11T17:30:10","slug":"cada-vez-mais-desigual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/cada-vez-mais-desigual\/","title":{"rendered":"Cada vez mais desigual"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A escola no Brasil n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolve, mas aprofunda a nossa desigualdade. Crian\u00e7as e jovens pobres est\u00e3o nas piores escolas e aprendem menos. Negros e filhos de pais analfabetos abandonam os estudos muitos mais do que brancos. Meninas adolescentes de comunidades carentes engravidam mais e, inevitavelmente, acabam deixando a escola tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E a educa\u00e7\u00e3o, que deveria funcionar como escada para uma mudan\u00e7a de vida, faz descer mais degraus ou, na melhor das hip\u00f3teses, ficar no mesmo lugar. Nos \u00faltimos dias, estudos mostraram, mais uma vez, essa triste realidade. E pol\u00edticas recentes do governo federal \u2013 tamb\u00e9m mais uma vez \u2013 deixaram claro que reverter o quadro da desigualdade no Brasil n\u00e3o \u00e9 prioridade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Divulgado recentemente, o Censo Populacional da Mar\u00e9, complexo de 16 favelas no Rio, mostra que apenas 37,6% de quem vive por l\u00e1 completou o ensino fundamental. No Pa\u00eds, o \u00edndice m\u00e9dio \u00e9 de 50%. A comunidade, de 140 mil pessoas, tamb\u00e9m t\u00eam mais analfabetos e cerca de 20% dos adolescentes fora da escola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O texto do estudo diz que, por medo da viol\u00eancia, os professores t\u00eam dificuldade de se relacionar com a comunidade do entorno. \u201cAssim, n\u00e3o privilegiam a aproxima\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e tornam-se resistentes \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de metodologias que as envolvam no processo pedag\u00f3gico.\u201d Dura constata\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O Mapa da Desigualdade, que compara a situa\u00e7\u00e3o de 96 distritos de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m mostrou, na semana passada, que 19% dos beb\u00eas nascidos em Marsilac, no extremo sul da cidade, eram de m\u00e3es adolescentes. Em bairros ricos e centrais, esse \u00edndice n\u00e3o chega nem a 1%. A gravidez \u00e9 uma das maiores raz\u00f5es para o abandono da escola entre as meninas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Al\u00e9m disso, quase metade dos distritos da capital n\u00e3o tem um museu ou livros em bibliotecas p\u00fablicas para adultos ou crian\u00e7as. J\u00e1 na Consola\u00e7\u00e3o, por exemplo, h\u00e1 dez livros para cada cidad\u00e3o entre 7 e 14 anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">An\u00e1lises sobre resultados do Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) demonstram que negros e pobres se saem pior em todas as \u00e1reas. Mulheres negras s\u00e3o ainda mais prejudicadas, acumulando as consequ\u00eancias dos preconceitos de g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mas as pesquisas tamb\u00e9m indicam que, quando h\u00e1 pol\u00edticas focadas na popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, o avan\u00e7o vem, e vem r\u00e1pido. H\u00e1 in\u00fameros exemplos de munic\u00edpios no Nordeste do Pa\u00eds que, com popula\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel, mudaram sua hist\u00f3ria na educa\u00e7\u00e3o e conseguiram ensinar melhor do que regi\u00f5es ricas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Parte dessas conquistas veio da obrigatoriedade de Estados e munic\u00edpios investirem um porcentual de seus or\u00e7amentos em educa\u00e7\u00e3o. No entanto, entre as propostas enviadas pelo governo Bolsonaro ao Senado na ter\u00e7a-feira, est\u00e1 uma mudan\u00e7a nessa garantia, at\u00e9 agora constitucional. Em vez de os munic\u00edpios, por exemplo, alocarem obrigatoriamente 15% de sua receita para sa\u00fade e 25% para educa\u00e7\u00e3o, a ideia \u00e9 somar as \u00e1reas e exigir 40% das duas juntas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Cidades podem acabar escolhendo fazer um posto de sa\u00fade \u2013 cuja visibilidade e urg\u00eancia \u00e9 maior \u2013 do que investir em educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Claro que isso pode acontecer em cidades ricas e pobres, mas deixar de dar recursos para as escolas de crian\u00e7as e jovens j\u00e1 mais vulner\u00e1veis tem maior consequ\u00eancia para o desenvolvimento do Pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Junta-se a isso a indefini\u00e7\u00e3o que se arrasta sobre o futuro do Fundeb, mecanismo que distribui os recursos da educa\u00e7\u00e3o pelo Pa\u00eds e que expira em 2020. Sem ele, que estabelece um valor m\u00ednimo por aluno, a diferen\u00e7a entre recursos para cada estudante nos munic\u00edpios seria de 14.000%. Com tantas quest\u00f5es urgentes, o MEC se preocupou, na semana passada, em lan\u00e7ar um projeto que aumenta a nota de universidades privadas que ajudarem o governo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escola no Brasil n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o resolve, mas aprofunda a nossa desigualdade. Crian\u00e7as e jovens pobres est\u00e3o nas piores escolas e aprendem menos. Negros e filhos de pais analfabetos abandonam os estudos muitos mais do que brancos. 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