{"id":9320,"date":"2019-10-07T17:06:46","date_gmt":"2019-10-07T20:06:46","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/sai-5-entra-6-ano-a-fase-divisora-de-aguas-em-que-a-educacao-brasileira-degringola\/"},"modified":"2019-10-07T17:06:46","modified_gmt":"2019-10-07T20:06:46","slug":"sai-5-entra-6-ano-a-fase-divisora-de-aguas-em-que-a-educacao-brasileira-degringola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/sai-5-entra-6-ano-a-fase-divisora-de-aguas-em-que-a-educacao-brasileira-degringola\/","title":{"rendered":"Sai 5\u00ba, entra 6\u00ba ano: a fase &#8216;divisora de \u00e1guas&#8217; em que a educa\u00e7\u00e3o brasileira degringola"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;\u00c9 muita coisa, professora, \u00e9 muito conte\u00fado.&#8221; &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 indo r\u00e1pido demais, n\u00e3o estamos acompanhando o ritmo.&#8221;&nbsp;<\/span><span style=\"font-size: 12pt;\">Essas s\u00e3o algumas das frases que a professora Patricia Rosas, da rede p\u00fablica de Campina Grande (PB), j\u00e1 escutou de alunos rec\u00e9m-entrados no 6\u00ba ano, o primeiro da etapa final do ensino fundamental brasileiro.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Para os alunos, a entrada no 6\u00ba ano \u00e9 uma ruptura da rotina escolar&#8221;, explica Rosas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A transi\u00e7\u00e3o do 5\u00ba para o 6\u00ba ano, quando as crian\u00e7as costumam ter a partir de 11 anos, \u00e9 considerada uma fase delicada: \u00e9 a partir da\u00ed que conquistas recentes da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica brasileira come\u00e7am a se perder, e \u00edndices educacionais do pa\u00eds sofrem uma piora consider\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por tr\u00e1s disso est\u00e3o, segundo professores e especialistas consultados pela BBC News Brasil, grandes mudan\u00e7as na rotina escolar das crian\u00e7as, al\u00e9m de um ac\u00famulo de problemas \u2014 e poucas pol\u00edticas p\u00fablicas para resolv\u00ea-los.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A primeira grande mudan\u00e7a \u00e9 que as crian\u00e7as deixam de ter um \u00fanico professor ensinando todas as disciplinas \u2014 professor este que costuma ser o ponto de refer\u00eancia e o principal v\u00ednculo dos estudantes do 1\u00ba ao 5\u00ba ano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No 6\u00ba ano, cada disciplina passa a ter seu pr\u00f3prio docente, com tarefas e exig\u00eancias pr\u00f3prias e uma demanda maior para que o aluno saiba gerenciar o pr\u00f3prio tempo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Come\u00e7a uma rotatividade de atividades e professores que assusta os alunos&#8221;, prossegue Rosas, lembrando ainda que muitos estudantes precisam trocar de escola para cursar o fundamental 2. No caso de alunos da zona rural, isso significa longos deslocamentos di\u00e1rios para a nova escola na zona urbana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;\u00c9 uma mudan\u00e7a muito dr\u00e1stica e um choque de cultura para eles. Al\u00e9m disso, s\u00e3o pr\u00e9-adolescentes vivendo suas pr\u00f3prias mudan\u00e7as hormonais. (&#8230;) Muitos acabam ficando com a sensa\u00e7\u00e3o de que o 6\u00ba ano significa come\u00e7ar tudo do zero.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00cdndices ruins<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Todas as etapas da educa\u00e7\u00e3o brasileira ainda enfrentam s\u00e9rios desafios, mas o aprendizado nos anos iniciais do ensino fundamental (1\u00ba ao 5\u00ba) tem evolu\u00eddo com mais rapidez do que nos anos finais (6\u00ba ao 9\u00ba).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo o exame oficial Prova Brasil, 42% dos alunos brasileiros conclu\u00edram o 5\u00ba ano com aprendizado adequado em matem\u00e1tica em 2017 (dados mais recentes), contra 32% em 2013.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">J\u00e1 nos anos finais, os ganhos s\u00e3o bem inferiores: s\u00f3 14% dos alunos concluem o 9\u00ba ano com o aprendizado adequado na disciplina, uma evolu\u00e7\u00e3o de apenas quatro pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a 2013.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco melhor em leitura, mas longe do ideal: atualmente, 56% das crian\u00e7as brasileiras terminam o 5\u00ba ano com aprendizado adequado em l\u00edngua portuguesa. Mas, ao final do 9\u00ba ano, esse \u00edndice cai para 34%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9 nos anos finais que pioram, tamb\u00e9m, indicadores de repet\u00eancia, evas\u00e3o e distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie (alunos cursando s\u00e9ries inferiores do esperado para sua idade). Cerca de um quarto dos alunos tinha atraso escolar de dois anos ou mais no fundamental 2, segundo o Censo Escolar feito de 2018 do Inep, \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Por causa disso, temos alunos de 18 e 19 anos ainda cursando o fundamental 2, na mesma sala de alunos de 14 anos&#8221;, conta Rosas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esse cen\u00e1rio reflete um ac\u00famulo de problemas que v\u00eam desde a fase da alfabetiza\u00e7\u00e3o, explica \u00e0 BBC News Brasil Claudia Costin, diretora do Centro de Excel\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas Educacionais (CEIPE) da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;55% dos alunos das escolas p\u00fablicas saem analfabetos da terceira s\u00e9rie&#8221;, que \u00e9 quando deveria ser conclu\u00eddo o ciclo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, diz Costin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;No quarto e quinto anos, isso ainda \u00e9 compensado porque temos professores [com papel de] alfabetizadores. Mas isso se perde no sexto ano.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Al\u00e9m disso, Costin acha que o 6\u00ba ano ainda \u00e9 cedo para os alunos j\u00e1 conviverem com tantos professores diferentes. &#8220;S\u00e3o crian\u00e7as muito jovens, de 11 anos, para tantos professores especialistas. Nos pa\u00edses europeus, isso costuma acontecer mais tarde, quando as crian\u00e7as t\u00eam a partir de 13 anos.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Costin afirma ainda que, enquanto o Brasil focou seus esfor\u00e7os educacionais na alfabetiza\u00e7\u00e3o e na melhoria do ensino m\u00e9dio, os anos finais do fundamental acabaram &#8220;esquecidos&#8221; pelas pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Temos feito muito pouco, particularmente em forma\u00e7\u00e3o de professores para essa etapa&#8221;, diz Costin.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>&#8220;Isso vale nota?&#8221;<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ao mesmo tempo, diversos professores e pesquisadores pelo pa\u00eds t\u00eam se debru\u00e7ado sobre as dificuldades do ensino fundamental e buscado formas de resolv\u00ea-las dentro de suas redes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Cansada de ouvir dos alunos a pergunta de &#8220;isso vale nota?&#8221; para cada texto que ela pedia que fosse escrito, a professora Patricia Rosas, da rede estadual da Para\u00edba, achou que era hora de incentivar suas turmas de fundamental 2 a &#8220;escreverem coisas para algu\u00e9m ler, algu\u00e9m al\u00e9m de mim&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E, de quebra, ela pensava em formas de evitar aquela &#8220;ruptura&#8221; que tanto observava no 6\u00ba ano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Queria um projeto que fosse para o letramento dos alunos, e n\u00e3o para dar nota. Queria dar significado ao texto deles, para que fossem lidos por um leitor real&#8221;, conta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ela tamb\u00e9m ansiava por dar continuidade ao trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o de texto que havia ficado mais concentrado na etapa do fundamental 1.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Notava muita dificuldade das crian\u00e7as em entender o que elas liam \u2014 localizar informa\u00e7\u00f5es no texto e compreender pontos de vista. E precis\u00e1vamos sedimentar essas habilidades.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Rosas criou o Desengaveta o Meu Texto, um projeto de incentivo \u00e0 escrita e \u00e0 compreens\u00e3o de textos que hoje \u00e9 aplicado por ela em cinco escolas p\u00fablicas da periferia de Campina Grande, com planos para se estender para mais cinco.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os alunos do 6\u00ba ao 9\u00ba ano passaram a frequentar encontros semanais de leitura e debate sobre livros. Depois, participam de oficinas sobre variados estilos de texto \u2014 cr\u00f4nicas, poemas, contos, artigos de opini\u00e3o e at\u00e9 cartas de reclama\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na etapa final, os estudantes s\u00e3o convidados a escrever um texto pr\u00f3prio para ser publicado na revista anual da escola, lan\u00e7ada com uma grande festa e depois distribu\u00edda para pais e alunos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na semana em que conversou com a BBC News Brasil, Rosas estava dando oficinas sobre biografias e textos de mem\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Os alunos deixaram de escrever para ganhar nota e passaram a escrever para publicar. Isso mudou completamente [a forma como escrevem], desde o cuidado com o texto at\u00e9 o interesse por ele&#8221;, conta Rosas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;As 500 c\u00f3pias impressas que fizemos da revista passaram a ser insuficientes, e criamos um projeto digital. No ano passado, tivemos nossa terceira edi\u00e7\u00e3o do projeto \u2014 e o lan\u00e7amento que antes era feito no p\u00e1tio da escola ficou t\u00e3o grande que passou para o gin\u00e1sio.&#8221; A quarta edi\u00e7\u00e3o da revista vai ser lan\u00e7ada em dezembro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De quebra, diz Rosas, o projeto transformou bibliotecas antes esquecidas em espa\u00e7os vivos dentro da escola. &#8220;Algumas bibliotecas eram um mero dep\u00f3sito de livros, n\u00e3o frequentado pelos alunos. Uma das bibliotecas tinha apenas 3 livros, e conseguimos reformular todo o espa\u00e7o e pedir centenas de livros emprestados.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A iniciativa de Rosas foi escolhida, junto com outras 13, para um plano de fomento do Ita\u00fa Social e da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, que est\u00e3o financiando pesquisas sobre estrat\u00e9gias que visem a melhorar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica nos anos finais do ensino fundamental.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A expectativa, diz Claudia Sintoni, coordenadora de Mobiliza\u00e7\u00e3o do Ita\u00fa Social, \u00e9 que as pesquisas desenvolvidas em cada um dos 14 projetos gerem ideias que possam ser replicadas em escolas p\u00fablicas do pa\u00eds inteiro nessa etapa de ensino, produzindo um impacto de maior escala na qualidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Outro objetivo \u00e9 aproximar a universidade da realidade escolar, com melhorias na forma\u00e7\u00e3o de docentes. Por isso, os projetos s\u00e3o desenvolvidos sob a coordena\u00e7\u00e3o de professores pesquisadores, com mestrado ou doutorado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Desenvolver autonomia<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No Paran\u00e1, a professora Cleoci Seledes fez um diagn\u00f3stico parecido ao de Patricia Rosas na Para\u00edba sobre a transi\u00e7\u00e3o de alunos entre os anos iniciais e finais do fundamental.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;No in\u00edcio do ano letivo [do 6\u00ba ano], eles vivem muita ang\u00fastia, inseguran\u00e7a e expectativas pela mudan\u00e7a&#8221;, conta a professora da rede estadual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Eles eram os alunos mais velhos [quando estavam no quinto ano] e passam a ser os mais novos [em compara\u00e7\u00e3o com alunos do 9\u00ba ano]. Mas com todas essas ang\u00fastias v\u00eam tamb\u00e9m o encantamento e a vontade de querer participar desse novo contexto da escola.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nos \u00faltimos anos, Seledes passou a se dedicar a estudar \u2014 e a minimizar \u2014 essa transi\u00e7\u00e3o na pequena cidade de Cruz Machado (PR), com cerca de 20 mil habitantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Come\u00e7amos nossas a\u00e7\u00f5es ainda no 5\u00ba ano, quando vamos \u00e0s escolas de fundamental 1 para nos apresentarmos [como futuros professores das crian\u00e7as], criarmos v\u00ednculos com os alunos e tirarmos as d\u00favidas deles sobre a mudan\u00e7a de escola&#8221;, conta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Existe tamb\u00e9m uma conversa entre as equipes pedag\u00f3gicas das duas escolas, para garantir a continuidade dos processos e para o aluno n\u00e3o sentir rupturas.&#8221; Esses alunos tamb\u00e9m s\u00e3o convidados a conhecer antes sua futura nova escola, em semanas culturais que servem tamb\u00e9m para a integra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E, no primeiro dia de aula, pais e alunos novos s\u00e3o recebidos em festa. &#8220;\u00c9 uma oportunidade de ouvi-los, conhecer suas expectativas e passar seguran\u00e7a \u00e0s fam\u00edlias&#8221;, conclui Seledes. O objetivo final, diz ela, \u00e9 dar seguran\u00e7a para os alunos desenvolverem mais autonomia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Projetos de escrita<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no Brasil que isso \u00e9 um desafio. Nos EUA, a ida \u00e0 chamada &#8220;middle school&#8221;, equivalente ao fundamental 2, tamb\u00e9m \u00e9 considerada traum\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;A transi\u00e7\u00e3o f\u00edsica entre a &#8216;elementary&#8217; e a &#8216;middle school&#8217; [respectivamente, fundamental 1 e 2] pode exacerbar o estresse e a adversidade vivida durante esse per\u00edodo cr\u00edtico da vida&#8221; do pr\u00e9-adolescente, aponta um estudo publicado recentemente por pesquisadores das universidades de Wisconsin-Madison, Stanford e da Calif\u00f3rnia-Irvine.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Estudantes do fundamental 2 muitas vezes t\u00eam dificuldade em encontrar apoio social e emocional, e muitos acabam perdendo o senso de pertencimento na escola, desviando de uma trajet\u00f3ria acad\u00eamica e profissional [que poderia ser] promissora.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O estudo prop\u00f4s uma interven\u00e7\u00e3o simples para facilitar essa transi\u00e7\u00e3o: alunos do 6\u00ba ano s\u00e3o convidados a escrever pequenas reda\u00e7\u00f5es, respondendo a perguntas como &#8220;voc\u00ea acha que estudantes do 6\u00ba ano no ano passado se preocupavam muito com as provas? Agora que est\u00e3o no 7\u00ba ano, acha que eles continuam se preocupando tanto? Voc\u00ea acha que no ano passado eles se preocupavam em se integrar na escola?&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os mesmos alunos tamb\u00e9m liam pequenos depoimentos de alunos agora no 7\u00ba ano, contando sobre as dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o que sentiram quando ainda estavam na s\u00e9rie anterior e como as superaram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Essa reflex\u00e3o, embora simples, &#8220;ensinou os alunos que a adversidade na &#8216;middle school&#8217; \u00e9 comum, de curta dura\u00e7\u00e3o e causada por fatores externos e tempor\u00e1rios, e n\u00e3o por uma inadequa\u00e7\u00e3o pessoal&#8221;, diz o estudo. &#8220;Como resultado, os alunos melhoraram seu bem-estar social e psicol\u00f3gico, faltaram menos \u00e0 escola e tiveram menos problemas disciplinares.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Casos de indisciplina na 6\u00aa s\u00e9rie ca\u00edram 34% ap\u00f3s o exerc\u00edcio, diz o estudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Geoffrey D. Borman, um dos autores do estudo, opina que a estrat\u00e9gia pode servir para amenizar as ang\u00fastias de alunos de qualquer lugar, inclusive no Brasil. Seu projeto, que inicialmente come\u00e7ou no Estado americano do Wisconsin, agora est\u00e1 sendo testado no Arizona, na Calif\u00f3rnia, no Texas e em Maine.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A conclus\u00e3o de Borman e seus colegas \u00e9 de que &#8220;mudar as perspectivas dos estudantes e melhorar seu engajamento com a escola contribui para sua performance acad\u00eamica&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De volta ao Brasil, Claudia Costin, do CEIPE-FGV, afirma que o pa\u00eds precisa dar aten\u00e7\u00e3o ao fundamental 2 para evitar que mais defasagens de ensino continuem sendo passadas de uma fase para outra, se estendendo at\u00e9 o ensino m\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;86% dos alunos que v\u00e3o ao ensino m\u00e9dio t\u00eam problemas com o aprendizado de matem\u00e1tica, por exemplo. \u00c9 um ac\u00famulo de um monte de defici\u00eancias das etapas anteriores&#8221;, diz ela.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c9 muita coisa, professora, \u00e9 muito conte\u00fado.&#8221; &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 indo r\u00e1pido demais, n\u00e3o estamos acompanhando o ritmo.&#8221;&nbsp;Essas s\u00e3o algumas das frases que a professora Patricia Rosas, da rede p\u00fablica de Campina Grande (PB), j\u00e1 escutou de alunos rec\u00e9m-entrados no 6\u00ba ano, o primeiro da etapa final do ensino fundamental brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-9320","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Sai 5\u00ba, entra 6\u00ba ano: a fase &#039;divisora de \u00e1guas&#039; em que a educa\u00e7\u00e3o brasileira degringola &raquo; Abrelivros<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/sai-5-entra-6-ano-a-fase-divisora-de-aguas-em-que-a-educacao-brasileira-degringola\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Sai 5\u00ba, entra 6\u00ba ano: a fase &#039;divisora de \u00e1guas&#039; 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