{"id":92,"date":"2009-09-07T15:26:17","date_gmt":"2009-09-07T18:26:17","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2009\/09\/07\/a-educacao-o-trabalho-e-o-trabalhador\/"},"modified":"2009-09-07T15:26:17","modified_gmt":"2009-09-07T18:26:17","slug":"a-educacao-o-trabalho-e-o-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/a-educacao-o-trabalho-e-o-trabalhador\/","title":{"rendered":"A Educa\u00e7\u00e3o, o Trabalho e o Trabalhador"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-87\" src=\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/09\/wander_soares.jpg\" border=\"0\" hspace=\"6\" align=\"left\" width=\"115\" height=\"149\" \/>O desemprego estrutural, provocado pela exig\u00eancia de reduzir custos e potencializar a produtividade, imposto pela competi\u00e7\u00e3o acirrada em um mercado globalizado, \u00e9 um problema que se manifesta em todos os pa\u00edses. Esse fen\u00f4meno, que atinge principalmente o setor industrial, no qual a automa\u00e7\u00e3o das plantas tem reduzido os postos de trabalho, tem sido minimizado no primeiro mundo, pela migra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra para outros setores de atividades, especialmente os servi\u00e7os. A reciclagem profissional dos trabalhadores, para que assumam novas fun\u00e7\u00f5es profissionais, tem sido facilitada, na Europa, Estados Unidos e \u00c1sia, pela forma\u00e7\u00e3o escolar b\u00e1sica que, na m\u00e9dia, \u00e9 de boa qualidade.\u00a0<br \/>\u00a0<br \/>No Brasil, o problema assume propor\u00e7\u00f5es mais s\u00e9rias, porque \u00e9 agravado pelo despreparo de seus profissionais, que come\u00e7a na defici\u00eancia do ensino b\u00e1sico. A automa\u00e7\u00e3o industrial exige m\u00e3o-de-obra altamente especializada, capaz de trabalhar em ambientes cada vez mais informatizados e marcados por tecnologias de ponta; a migra\u00e7\u00e3o para os servi\u00e7os remanescentes do desemprego estrutural tamb\u00e9m exige que os trabalhadores tenham forma\u00e7\u00e3o b\u00e1sica eficiente e sejam portanto, trein\u00e1veis a curto prazo.\u00a0<br \/>\u00a0<br \/>N\u00e3o se pode, portanto, considerar o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico como o \u00fanico grande vil\u00e3o do desemprego. A automa\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel e est\u00e1 em crescimento. Assim, torna-se urgente preparar os trabalhadores para atender \u00e0s novas expectativas do mercado de trabalho na ind\u00fastria e em todos os demais setores.\u00a0<br \/>\u00a0<br \/>O conhecimento da inform\u00e1tica, por exemplo, \u00e9 atributo indispens\u00e1vel na maioria das atividades. O dom\u00ednio de l\u00ednguas, como o ingl\u00eas e agora o espanhol, em virtude das transa\u00e7\u00f5es provenientes do Mercosul, tornou-se imprescind\u00edvel. Quem, hoje em dia, n\u00e3o puder preencher esses requisitos \u00e9 relegado a segundo plano. Na disputa acirrada por uma vaga, ganha quem tiver mais atributos. N\u00e3o h\u00e1 tecnologia que por si s\u00f3 provoque desemprego; o uso que dela se faz pode conduzir tanto ao aumento do emprego, como \u00e0 necessidade de reciclagem da m\u00e3o-de-obra. O aumento da produtividade, advindo do aperfei\u00e7oamento dos \u00a0 m\u00e9todos e processos de produ\u00e7\u00e3o, quando n\u00e3o gera mais consumo, recai na esterilidade do processo econ\u00f4mico, impedindo o crescimento e provocando o inevit\u00e1vel desemprego.\u00a0<\/p>\n<p>Outro fator que interferiu diretamente nos \u00edndices de emprego foi a abertura \u00e0s importa\u00e7\u00f5es de forma desenfreada, sem que as empresas brasileiras tivessem as mesmas vantagens competitivas de suas concorrentes no contexto da globaliza\u00e7\u00e3o. Exatamente quando ser competitivo torna-se fator imprescind\u00edvel para a sobreviv\u00eancia, o empresariado brasileiro enfrenta o contingenciamento de cr\u00e9dito para investimentos, altas taxas de juros, volatilidade cambial, carga tribut\u00e1ria excessiva e encargos sociais elevados. Neste cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel, a ind\u00fastria brasileira tem tido grandes dificuldades para competir com o bin\u00f4mio qualidade\/pre\u00e7o das empresas estrangeiras. O resultado desse processo \u00e9 o enfraquecimento de parte de nossas empresas, insolv\u00eancia de outras, e a dispensa de funcion\u00e1rios. Fica, por\u00e9m, um alerta: desempregar gente \u00e0 guisa de equilibrar custos e baixar pre\u00e7os pode ser um caminho sem volta. Cada desempregado \u00e9 um consumidor a menos.\u00a0<br \/>\u00a0<br \/>Apesar de os dados relativos ao desemprego terem despertado ceticismo at\u00e9 no mais contumaz otimista, nota-se que grande parcela da popula\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o possui mais contrato de trabalho, migrou para a economia informal. O com\u00e9rcio e os servi\u00e7os tamb\u00e9m absorveram uma pequena parcela de trabalhadores.\u00a0<br \/>\u00a0<br \/>Hoje, entretanto, quem perde o emprego dificilmente consegue recoloca\u00e7\u00e3o na mesma fun\u00e7\u00e3o e com o mesmo sal\u00e1rio. Por esse motivo, a qualidade do emprego caiu vertiginosamente, gerando baixos sal\u00e1rios, vagas disputad\u00edssimas e rigor nas contrata\u00e7\u00f5es. O mercado tornou-se extremamente seletivo, na busca de profissionais altamente capacitados. \u00a0<br \/>\u00a0<br \/>O c\u00edrculo vicioso instala-se. Todo ano, ingressam no mercado de trabalho profissionais mais e mais despreparados, somando-se aos j\u00e1 existentes. A sua forma\u00e7\u00e3o educacional \u00e9 prec\u00e1ria, porque o ensino b\u00e1sico p\u00fablico \u00e9 deficiente. O Pa\u00eds tamb\u00e9m carece de uma estrutura de ensino t\u00e9cnico-profissionalizante em n\u00edvel de m\u00e9dio (antigo segundo grau), que, no mundo desenvolvido, prepara adequadamente n\u00famero expressivo de trabalhadores para fun\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias, com remunera\u00e7\u00e3o digna.\u00a0 \u00a0<br \/>\u00a0<br \/>A educa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 cara. Ou seja, o ensino de boa qualidade, um direito impl\u00edcito \u00e0 cidadania, n\u00e3o \u00e9 democratizado. Assim, a competi\u00e7\u00e3o pelos melhores postos no mercado de trabalho inicia-se, precocemente e de forma absolutamente heterog\u00eanea, nas salas de aula do ensino fundamental. Os que t\u00eam oportunidade de pagar escolas caras de boa qualidade saem muito na frente daqueles que buscam a oportunidade de uma vida melhor nas carteiras quebradas de sombrias salas de aula das escolas p\u00fablicas.\u00a0<br \/>\u00a0<br \/>Por isso, n\u00e3o h\u00e1 qualquer exagero em se afirmar: uma das solu\u00e7\u00f5es mais eficientes para reduzir o desemprego, a m\u00e9dio e longo prazos, \u00e9 o resgate da qualidade do ensino. N\u00e3o se constr\u00f3i um pa\u00eds apenas com tecnologia de ponta. A inser\u00e7\u00e3o soberana e com vantagens competitivas do Brasil na economia global somente ser\u00e1 poss\u00edvel se o Pa\u00eds encontrar meios para se diferenciar num requisito fundamental e insubstitu\u00edvel: a for\u00e7a e a capacidade do talento humano.\u00a0<br \/>\u00a0<br \/><em>Reproduc\u00e3o autorizada desde que citada a fonte<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desemprego estrutural, provocado pela exig\u00eancia de reduzir custos e potencializar a produtividade, imposto pela competi\u00e7\u00e3o acirrada em um mercado globalizado, \u00e9 um problema que se manifesta em todos os pa\u00edses. 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