{"id":9071,"date":"2019-06-24T14:39:50","date_gmt":"2019-06-24T17:39:50","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-desafio-de-manter-jovens-no-ensino-medio-principal-obstaculo-a-universalizacao-da-educacao\/"},"modified":"2019-06-24T14:39:50","modified_gmt":"2019-06-24T17:39:50","slug":"o-desafio-de-manter-jovens-no-ensino-medio-principal-obstaculo-a-universalizacao-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-desafio-de-manter-jovens-no-ensino-medio-principal-obstaculo-a-universalizacao-da-educacao\/","title":{"rendered":"O desafio de manter jovens no ensino m\u00e9dio, principal obst\u00e1culo \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Garantir que os adolescentes brasileiros permane\u00e7am na escola nos anos finais do ensino m\u00e9dio \u00e9 o principal desafio para que o Brasil consiga universalizar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Isso porque, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a evas\u00e3o escolar continua a afetar, sobretudo, jovens na faixa et\u00e1ria dos 15 a 17.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad), divulgados na quarta-feira (19) mostram que no ano passado, 11,8% dos jovens nesta faixa et\u00e1ria estavam fora da escola, o equivalente a 1,1 milh\u00e3o de pessoas, apesar de o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), de 2014, ter estabelecido a meta de universalizar o atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de 15 a 17 anos at\u00e9 2016. A pesquisa mostra tamb\u00e9m que a taxa de frequ\u00eancia escolar para alunos no grupo et\u00e1rio aumentou um ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o aos dois anos anteriores, passando para 88,2% em 2018, ou um total de 8,6 milh\u00f5es de jovens de 15 a 17 anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, o Estado tem obriga\u00e7\u00e3o de oferecer ensino fundamental e m\u00e9dio para todos os brasileiros. Embora algumas iniciativas tenham sido lan\u00e7adas nas \u00faltimas d\u00e9cadas para atingir este objetivo, especialistas consultados pela BBC News dizem que os avan\u00e7os ainda foram bem desiguais, variando bastante de Estado para Estado. A meta de universaliza\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi alcan\u00e7ada por nenhuma regi\u00e3o brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na estimativa de estudo do Instituto Ayrton Senna, a evas\u00e3o escolar traz preju\u00edzos n\u00e3o apenas para os jovens como tamb\u00e9m para a sociedade, e faz com que o Brasil desperdice R$ 35 bilh\u00f5es ao ano &#8211; valor calculado a partir da renda do trabalho ao longo da vida a partir da conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os dados que indicam evas\u00e3o escolar, na vis\u00e3o dos especialistas, merecem especial aten\u00e7\u00e3o porque se referem a uma popula\u00e7\u00e3o que ainda est\u00e1 em idade de forma\u00e7\u00e3o, prestes a entrar no mercado de trabalho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;O vil\u00e3o sempre foi o ensino m\u00e9dio&#8221;, diz analista da Pnad Educa\u00e7\u00e3o, Marina \u00c1guas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na faixa de 6 a 14 anos, o levantamento indicou que 99,3% das crian\u00e7as estavam nas escolas em 2018 &#8211; o que, segundo a analista do IBGE equivale praticamente \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o que se apresenta desde 2016 (nos \u00faltimos dois anos, a taxa foi de 99,2%).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os dados da Pnad Educa\u00e7\u00e3o indicam tend\u00eancia moderada de melhora no setor de 2016 para c\u00e1. A taxa de analfabetismo caiu de 7,2% em 2016 para 6,8% em 2018. O n\u00famero m\u00e9dio de anos de estudo na popula\u00e7\u00e3o subiu de 8,9 para 9,3 nos \u00faltimos dois anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mas os dados expressam grande disparidade regional. Nos dados sobre analfabetismo, por exemplo, o \u00edndice no Nordeste \u00e9 de 13,8%, contra 3,63% no Sul.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Pnad Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o traz uma estat\u00edstica espec\u00edfica sobre evas\u00e3o escolar. Mas quantifica o n\u00famero de alunos fora da escola em idade de ensino obrigat\u00f3rio, e al\u00e9m disso traz dados sobre estudantes em situa\u00e7\u00e3o de atraso escolar, ou seja, que repetiram anos no passado, o que ajuda a dimensionar o problema.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com a Pnad Educa\u00e7\u00e3o, 69,3% dos jovens de 15 a 17 anos (0,8 ponto percentual a mais que em 2017) estavam na situa\u00e7\u00e3o correta de ensino no ano passado. Ou seja, estavam cursando a s\u00e9rie adequada para sua idade, ou j\u00e1 haviam conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo Marina \u00c1guas, isso que significa que os demais 30,7% ou estavam atrasados &#8211; ainda cursando s\u00e9ries do ensino fundamental &#8211; ou j\u00e1 haviam evadido a escola. Apesar de o problema da evas\u00e3o se concentrar nos anos finais do ensino b\u00e1sico, ele reflete problemas que v\u00e3o se acumulando ao longo de toda a forma\u00e7\u00e3o escolar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Se as crian\u00e7as j\u00e1 est\u00e3o atrasadas no ensino fundamental, quando chegam no ensino m\u00e9dio as chances de permanecerem defasadas e decidirem sair \u00e9 muito maior&#8221;, aponta a analista do IBGE.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Evas\u00e3o escolar<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um estudo lan\u00e7ado em 2017 pelo Instituto Ayrton Senna estima que 2,8 milh\u00f5es de pessoas de 15 a 17 anos abandonam a escola a cada ano, descrevendo o problema como uma &#8220;trag\u00e9dia silenciosa&#8221; que tem forte impacto para a trajet\u00f3ria individual desses jovens e para o pa\u00eds como um todo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No ritmo atual de inclus\u00e3o de jovens no ensino m\u00e9dio, o estudo, conduzido pelo economista-chefe do instituto, Ricardo Paes de Barros, estima que o Brasil precisar\u00e1 de 200 anos para atingir a meta de universalizar o atendimento escolar a esse grupo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com Laura Machado, especialista da C\u00e1tedra Instituto Ayrton Senna no Insper, o percentual de jovens de 15 a 17 anos fora do ensino m\u00e9dio tem se mantido no mesmo patamar ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, sem tend\u00eancia expressiva de melhora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Infelizmente, a previs\u00e3o \u00e9 continuar do jeito que est\u00e1, j\u00e1 que infelizmente a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 estagnada h\u00e1 10 anos&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A evas\u00e3o escolar est\u00e1 longe de ter uma causa \u00fanica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com Gabriel Corr\u00eaa, gerente de pol\u00edticas educacionais do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, a decis\u00e3o de um jovem de deixar a sala de aula pode ser motivada pela falta de engajamento com a escola, por falta de acesso a transporte, pela gravidez na adolesc\u00eancia, pela necessidade de entrar no mercado de trabalho ou pela defasagem no ensino acumulada dos anos anteriores, entre muitos outros fatores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Como a repet\u00eancia \u00e9 frequente no Brasil, muitos jovens chegam aos 17 ou 18 anos sem conhecimentos muito b\u00e1sicos que deveriam ter adquirido. E isso em escolas que n\u00e3o se conectam com o mundo ao seu redor, com a sua realidade. Nesses casos, a escola perde totalmente o sentido para o estudante jovem. Cada aluno que evade \u00e9 sinal de um fracasso do sistema educacional em que deveria estar&#8221;, considera.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maior engajamento<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com Gabriel Corr\u00eaa, do Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, alguns Estados brasileiros t\u00eam se destacado no combate \u00e0 evas\u00e3o escolar. Como exemplos, ele cita o Esp\u00edrito Santo e Pernambuco, que ao longo dos \u00faltimos cinco anos consecutivos registrou a menor taxa de abandono escolar do Brasil na rede estadual de ensino m\u00e9dio (1,5% em 2018, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira\/ Inep, vinculado ao MEC). A melhora \u00e9 relacionada a um programa de educa\u00e7\u00e3o em tempo integral desenvolvido pelo MEC.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Corr\u00eaa considera que as mudan\u00e7as curriculares do Novo Ensino M\u00e9dio, aprovadas no ano passado, podem aumentar o engajamento dos alunos com a escola nessa fase da vida, potencialmente sanando um problema cr\u00edtico para a evas\u00e3o: o desinteresse dos alunos pela escola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com o novo modelo, o ensino m\u00e9dio deixar\u00e1 de ter um curr\u00edculo \u00fanico e passar\u00e1 a ter pelo menos 40% da carga hor\u00e1ria dedicada a um curr\u00edculo &#8220;customizado&#8221; de acordo com os interesses do aluno &#8211; que poder\u00e1 se aprofundar, por exemplo, em disciplinas de humanas ou de exatas, e incluir cadeiras de ensino t\u00e9cnico profissionalizante, j\u00e1 preparando os estudantes para o mercado de trabalho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As mudan\u00e7as ainda est\u00e3o sendo discutidas pelas secretarias estaduais de ensino e devem come\u00e7ar a ser implementadas na rede de ensino m\u00e9dio a partir do ano que vem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Se for bem implementado, estaremos indo em dire\u00e7\u00e3o a sistemas educacionais mais avan\u00e7ados, e a expectativa \u00e9 de aumentar o aprendizado e reduzir a evas\u00e3o&#8221;, afirma Corr\u00eaa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Da ro\u00e7a de volta para a escola<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Diante da ampla gama de motivos para a evas\u00e3o e da obrigatoriedade constitucional de que os alunos estejam na escola, programas de &#8220;busca ativa&#8221; fazem parte do esfor\u00e7o de Estados e munic\u00edpios para identificar casos de evas\u00e3o, indo atr\u00e1s dos alunos que sa\u00edram e adotando as medidas necess\u00e1rias para traz\u00ea-los de volta para a escola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um exemplo dessa abordagem \u00e9 o Busca Ativa Escolar, uma plataforma lan\u00e7ada pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) em junho de 2017 e adotada por quase 3 mil munic\u00edpios brasileiros como parte de suas estrat\u00e9gias para tentar mapear e resgatar crian\u00e7as e adolescentes fora da escola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Luan Carvalho da Silva Pires, de 17 anos, caminhava para se tornar um exemplo cl\u00e1ssico de evas\u00e3o escolar. Ele mora em um assentamento rural de 39 fam\u00edlias em Pira\u00ed, munic\u00edpio de 60 mil habitantes no interior do Rio, na regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Levava quase duas horas para chegar na escola, enfrentando van, \u00f4nibus e um longo trecho da Rodovia Presidente Dutra em cada trecho. J\u00e1 havia repetido de ano tr\u00eas vezes. Depois de concluir o 7\u00ba ano, em dezembro passado, decidiu que n\u00e3o queria mais voltar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Eu queria trabalhar. Em qualquer lugar. Para comprar as minhas coisas e ajudar em casa&#8221;, lembra o rapaz de 17 anos. Ele mora com a m\u00e3e, que trabalha na ro\u00e7a, o padrasto, que \u00e9 ajudante de pedreiro, e os cinco irm\u00e3os.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um agente municipal de sa\u00fade soube de seu caso. Registrou um alerta com o nome de Luan na plataforma digital do Busca Ativa Escolar. Depois de receber o alerta, a professora municipal Silvania Gon\u00e7alves Rocha, coordenadora do programa em Pira\u00ed, pegou a Kombi da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o e bateu em sua porta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Eu fui l\u00e1 e contei a minha hist\u00f3ria&#8221;, diz Silvania. &#8220;Vim de uma fam\u00edlia muito humilde, a minha m\u00e3e sempre me incentivou a estudar, e sempre conto que o \u00fanico jeito de a gente mudar a vida \u00e9 pelo estudo. O caminho que abre portas \u00e9 pelos livros.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ela pr\u00f3pria se tornou \u00f3rf\u00e3 do pai aos 8 anos e cresceu em uma fam\u00edlia de sete irm\u00e3os, criados pela m\u00e3e, empregada dom\u00e9stica. &#8220;Eu digo que vim de uma classe em que eu poderia ter desistido, e n\u00e3o desisti&#8221;, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Luan resistiu, e s\u00f3 foi convencido depois que Silvania prometeu encontrar uma vaga em uma escola mais pr\u00f3xima. Foi matriculado na Escola Municipal L\u00facio de Mendon\u00e7a, e agora leva 40 minutos para a escola em uma van da prefeitura que o busca em casa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Est\u00e1 matriculado no 8\u00ba ano do ensino fundamental &#8211; tr\u00eas s\u00e9ries a menos do previsto para a sua idade. Mas se diz animado com a escola nova e correndo atr\u00e1s dos dois meses de aula que perdeu no in\u00edcio do ano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Est\u00e1 bom, n\u00e9? Estou trabalhando para recuperar. Agora quero estudar&#8221;, diz ele. &#8220;Queria ser veterin\u00e1rio. Tenho meus bichos aqui na ro\u00e7a&#8221; &#8211; diz, e \u00e9 poss\u00edvel ouvir galinhas cacarejando \u00e0 sua volta enquanto conversa por telefone com a reportagem. &#8220;Est\u00e1 na hora de elas comerem de novo&#8221;, comenta rindo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mas feliz mesmo com o retorno do menino para a escola ficou sua m\u00e3e, Cirlene da Silva Pires. &#8220;Apesar da gente morar na ro\u00e7a, meu sonho \u00e9 ver meus filhos formados. Para eles n\u00e3o passarem o que a gente passa. A vida na ro\u00e7a \u00e9 muito dura&#8221;, diz a m\u00e3e.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Contra a viol\u00eancia<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com o chefe de Educa\u00e7\u00e3o do Unicef no Brasil, \u00cdtalo Dutra, para funcionar, o programa de busca ativa depende do engajamento p\u00fablico em v\u00e1rios n\u00edveis. Deve envolver secretarias de Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade e Assist\u00eancia Social,<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">associa\u00e7\u00f5es de moradores e conselhos tutelares do Minist\u00e9rio P\u00fablico &#8211; tanto para mapear os alunos fora da escola quanto para sanar os obst\u00e1culos que se apresentam.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ele ressalta que combater a evas\u00e3o escolar \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de proteger crian\u00e7as e adolescentes contra a exposi\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia e contra viola\u00e7\u00f5es de direitos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Em geral as viol\u00eancias mais extremas, letais, armadas, s\u00e3o parte de uma hist\u00f3ria de priva\u00e7\u00f5es de direitos que come\u00e7am muito antes&#8221;, diz Dutra. &#8220;O direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o abre portas para a garantia de direitos.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Yan de Oliveira Rosa Aureliano, de 18 anos, tinha desistido de estudar por causa da viol\u00eancia em Paraty, mas acabou voltando para a escola com ajuda do programa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ele mora em Trindade, uma vila de pescadores na costa do Rio, mas s\u00f3 obtivera vaga no centro de Paraty, no turno da noite, a 25 km de dist\u00e2ncia. Seus pais foram contra, temendo a viol\u00eancia que aumenta na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ele passou mais de um semestre sem aulas, at\u00e9 que uma agente comunit\u00e1ria soube de seu caso e registrou-o no sistema. Acabou sendo alocado em uma turma do Educa\u00e7\u00e3o para Jovens e Alunos, rec\u00e9m-aberta em Trindade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Yan voltou para a escola em setembro. Est\u00e1 cursando o 9\u00ba ano na Escola Municipal Saulo Alves da Silva. Seus colegas de turma t\u00eam entre 16 e 60 anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Agora as aulas s\u00e3o a 50 metros da minha casa&#8221;, comemora ele. &#8220;Acho que foi muito bom para mim. Preciso mesmo terminar os meus estudos.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Yan diz que desde crian\u00e7a deseja estudar biologia marinha, e n\u00e3o sente falta dos dias fora da escola. &#8220;Eu n\u00e3o tinha nada para fazer. Ficava entediado o dia inteiro<\/span>.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Garantir que os adolescentes brasileiros permane\u00e7am na escola nos anos finais do ensino m\u00e9dio \u00e9 o principal desafio para que o Brasil consiga universalizar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. 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