{"id":8884,"date":"2019-04-09T17:07:24","date_gmt":"2019-04-09T20:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/revisar-ditadura-nos-livros-de-historia-exigiria-novo-curriculo-e-novas-evidencias-dizem-especialistas\/"},"modified":"2019-04-09T17:07:24","modified_gmt":"2019-04-09T20:07:24","slug":"revisar-ditadura-nos-livros-de-historia-exigiria-novo-curriculo-e-novas-evidencias-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/revisar-ditadura-nos-livros-de-historia-exigiria-novo-curriculo-e-novas-evidencias-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Revisar ditadura nos livros de hist\u00f3ria exigiria novo curr\u00edculo e novas evid\u00eancias, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Aplicar as mudan\u00e7as anunciadas pelo ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Ricardo V\u00e9lez Rodr\u00edguez, aos livros did\u00e1ticos de hist\u00f3ria que ensinam conceitos sobre o golpe militar de 1964 e a ditadura que durou at\u00e9 1985 \u00e9 um processo que precisa passar pela altera\u00e7\u00e3o da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e, tamb\u00e9m, de conceitos considerados consenso dentro da historiografia. \u00c9 o que dizem especialistas nas \u00e1reas de hist\u00f3ria e edi\u00e7\u00e3o de livros did\u00e1ticos consultados pelo G1.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O tema surgiu na quarta-feira (3), ap\u00f3s uma entrevista de V\u00e9lez ao jornal Valor Econ\u00f4mico, na qual ele revelou a pretens\u00e3o de revisar os livros sobre esse per\u00edodo da Hist\u00f3ria do Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Para comentar sobre o assunto, o G1 ouviu tr\u00eas especialistas:<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Marcos Francisco Napolitano de Eugenio, historiadores especialista no per\u00edodo do regime militar, autor de livros did\u00e1ticos sobre o tema e professor da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Fl\u00e1vio de Campos, professor de hist\u00f3ria da USP e autor dos conte\u00fados did\u00e1ticos de hist\u00f3ria da editora LeYa para o Programa Nacional de Livros Did\u00e1ticos (PNLD) de 2018<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">C\u00e2ndido Grangeiro, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Autores de Livros Educativos (Abrale)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entenda abaixo pontos divulgados pelo ex-ministro sobre o tema e a opini\u00e3o de especialistas sobre as poss\u00edveis implica\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es para uma iniciativa de tirar essa ideia do papel:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>O que o ex-ministro disse sobre o tema?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo o ex-ministro disse ao jornal Valor Econ\u00f4mico, &#8220;haver\u00e1 mudan\u00e7as progressivas [nos livros did\u00e1ticos], \u00e0 medida que seja resgatada uma vers\u00e3o da hist\u00f3ria mais ampla. Mas o que nos interessa \u00e9 como fazemos para levar \u00e0s crian\u00e7as o nosso conhecimento, a nossa metodologia, a nossa pedagogia, para que eles sejam plenamente cidad\u00e3os&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ele disse ainda que &#8220;os livros ser\u00e3o entregues aos cientistas da \u00e1rea da reconstitui\u00e7\u00e3o desse passado para realmente termos consci\u00eancia do que fomos, do que somos e do que seremos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Horas mais tarde, em uma rede social, V\u00e9lez reiterou que as mudan\u00e7as seriam progressivas, trariam uma &#8220;vers\u00e3o mais ampla da Hist\u00f3ria&#8221; e passariam antes por uma &#8220;banca de cientistas&#8221;. Ele tamb\u00e9m negou que sua ideia fosse promover uma doutrina\u00e7\u00e3o nas escolas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Qual seria a &#8216;vers\u00e3o mais ampla da Hist\u00f3ria&#8217;?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A opini\u00e3o expressa por V\u00e9lez ao jornal \u00e9 a de que n\u00e3o houve golpe de Estado, e de que o per\u00edodo na qual os militares estiveram no poder pode ser considerado um &#8220;regime democr\u00e1tico de for\u00e7a&#8221;. Mas, segundo Marcos Napolitano de Eugenio, professor de hist\u00f3ria da USP, essas duas afirma\u00e7\u00f5es podem ser consideradas inverdades, j\u00e1 que desconsideram documentos e fatos corroborados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O professor, que tem experi\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, explica que, na \u00e1rea da hist\u00f3ria brasileira que estuda o per\u00edodo entre 1964 e 1985, existe uma s\u00e9rie de debates e perspectivas diferentes, mas h\u00e1 tr\u00eas fatos que j\u00e1 foram aceitos como consenso na historiografia, a ci\u00eancia social que estuda a hist\u00f3ria com base dos documentos e registros do passado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Os tr\u00eas consensos s\u00e3o: o que aconteceu em 1964 foi um golpe de Estado, o que se seguiu foi uma ditadura, ou pelo menos um regime autorit\u00e1rio, mas n\u00e3o foi uma democracia, e houve tortura sistem\u00e1tica e viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos fundamentais&#8221; &#8211; Marcos Napolitano de Eugenio, professor da USP<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo Fl\u00e1vio de Campos, que escreve livros did\u00e1ticos e tamb\u00e9m d\u00e1 aulas na USP, &#8220;a partir de estudos da academia os autores de livros did\u00e1ticos registram&#8221; os fatos. Para mudar isso, existe um caminho. &#8220;Essa altera\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por meio de base acad\u00eamica e n\u00e3o um pedido de um ministro.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Napolitano diz que o debate sobre os fatos naquele per\u00edodo n\u00e3o foi esgotado. &#8220;Tem um debate enorme, eu costumo dizer que foi um regime militar, tem gente que n\u00e3o gosta, que chama de ditadura militar, outros de ditadura civil-militar, outros de regime civil-militar. Esse debate \u00e9 positivo e bem aceito. Mas n\u00e3o pode chamar de democracia.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Por que o per\u00edodo n\u00e3o pode ter sido democr\u00e1tico?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O professor Napolitano diz que, em geral, quem \u00e9 contra chamar o Brasil de 1964 a 1985 de ditadura usa argumentos como o fato de que n\u00e3o houve suspens\u00e3o de elei\u00e7\u00e3o. Mas, segundo ele, &#8220;era uma elei\u00e7\u00e3o totalmente cerceada&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ainda segundo ele, &#8220;&#8216;regime democr\u00e1tico de for\u00e7a&#8217; n\u00e3o significa nada. Foi um regime baseado no autoritarismo, que fechou o Congresso tr\u00eas vezes, cassou centenas de parlamentares, e os direitos de milhares de cidad\u00e3os&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para Fl\u00e1vio de Campos, &#8220;golpe \u00e9 golpe&#8221;. Ele explica que, na madrugada de 2 de abril de 1964, quando ocorreu a &#8220;declara\u00e7\u00e3o de vac\u00e2ncia&#8221; no Congresso, o presidente Jo\u00e3o Goulart estava no Brasil amea\u00e7ado pelas tropas militares, o que torna a declara\u00e7\u00e3o inconstitucional. &#8220;Portanto, \u00e9 golpe, n\u00e3o h\u00e1 fundamento. Um livro did\u00e1tico que falsear, distorcer essa verdade, ele est\u00e1 cometendo uma imprecis\u00e3o.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9 poss\u00edvel revisar a hist\u00f3ria da ditadura?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O pr\u00f3prio ex-ministro reconheceu que qualquer mudan\u00e7a nos livros did\u00e1ticos necessitaria passar primeiro por uma banca de especialistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Napolitano concorda. Segundo ele, &#8220;a historiografia n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia exata, tem debates, opini\u00f5es, perspectivas, mas n\u00e3o \u00e9 um vale-tudo, isso que \u00e9 muito importante. N\u00e3o \u00e9 um mero capricho ideol\u00f3gico dos historiadores. H\u00e1 pesquisa, informa\u00e7\u00e3o, o historiador trabalha com evid\u00eancias&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando novas evid\u00eancias surgem que &#8220;perturbam&#8221; o consenso atual sobre um fato hist\u00f3rico, Napolitano diz que os historiadores s\u00e3o obrigados a revisar e atualizar o conhecimento anterior.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um exemplo de revisionismo hist\u00f3rico promovido no s\u00e9culo XX, segundo ele, aconteceu com a ocupa\u00e7\u00e3o nazista na Fran\u00e7a, entre 1940 e 1944. Cerca de 30 anos depois dessa ocupa\u00e7\u00e3o, o governo franc\u00eas divulgou documentos que at\u00e9 ent\u00e3o haviam estado guardados em sigilo. &#8220;Mudou tudo, porque historiadores encontraram novas fontes que perturbaram tudo aquilo que se sabia.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No caso da ditadura no Brasil, Napolitano explica que v\u00e1rias quest\u00f5es t\u00eam sido problematizadas, como o fato de que hoje os historiadores dizem que o golpe de 1964 n\u00e3o foi promovido s\u00f3 pelos militares, mas foi feito com o apoio de diversos setores da sociedade. Mas, segundo ele, n\u00e3o existe nenhum processo de revisionismo hist\u00f3rico sobre o fato de a queda de Jango ter ou n\u00e3o sido um golpe. &#8220;Golpe de Estado \u00e9 um conceito, n\u00e3o \u00e9 uma palavra que os historiadores tiraram da manga&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O professor alerta, ainda que propostas que queiram mudar o consenso sem apresentar novas evid\u00eancias s\u00e3o uma forma de negacionismo, que ele considera &#8220;grav\u00edssimo, porque voc\u00ea simplesmente falseia o passado&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Uma vez que novas evid\u00eancias produzam novos entendimentos sobre um momento hist\u00f3rico, isso deve ser incorporado \u00e0s diretrizes nacionais de ensino. Essas, por sua vez, determinam tanto o curr\u00edculo que as redes e escolas devem elaborar quanto o conte\u00fado dos livros did\u00e1ticos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Quais s\u00e3o os par\u00e2metros para o ensino da ditadura?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Atualmente, o documento que estabelece esses par\u00e2metros \u00e9 a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Por sua vez, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE) usa a BNCC como base para a aquisi\u00e7\u00e3o de obras atrav\u00e9s do Programa Nacional do Livro e do Material Did\u00e1tico (PNLD). H\u00e1 duas d\u00e9cadas, o PNLD publica editais todos os anos com a diretrizes para a compra dos livros que ser\u00e3o depois adotados pelas escolas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os especialistas dizem que, tradicionalmente, as escolas ensinam a hist\u00f3ria da ditadura no 9\u00ba ano do fundamental e no 3\u00ba do ensino m\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo Grangeiro, a BNCC do ensino fundamental deixa claros os objetivos esperados para o ensino de hist\u00f3ria em cada ano, mas a do ensino m\u00e9dio &#8220;n\u00e3o coloca esses conte\u00fados espec\u00edficos, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente obrigado a tratar desse conte\u00fado no ensino m\u00e9dio&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Habilidades na BNCC do 9\u00ba ano do fundamental:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emerg\u00eancia de quest\u00f5es relacionadas \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 justi\u00e7a sobre os casos de viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Discutir os processos de resist\u00eancia e as propostas de reorganiza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira durante a ditadura civil-militar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Habilidade na BNCC do ensino m\u00e9dio:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Identificar e caracterizar a presen\u00e7a do paternalismo, do autoritarismo e do populismo na pol\u00edtica, na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, em per\u00edodos ditatoriais e democr\u00e1ticos, relacionando-os com as formas de organiza\u00e7\u00e3o e de articula\u00e7\u00e3o das sociedades em defesa da autonomia, da liberdade, do di\u00e1logo e da promo\u00e7\u00e3o da democracia, da cidadania e dos direitos humanos na sociedade atual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>A BNCC teria que ser alterada?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sim. Neste contexto, a revis\u00e3o da hist\u00f3ria referente ao per\u00edodo de 1964 a 1985 estaria fora dos par\u00e2metros da BNCC e, logo, n\u00e3o poderiam estar em livros did\u00e1ticos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Tem uma BNCC hoje que cita a ditadura. Como vai fazer? Ela \u00e9 um crit\u00e9rio de avalia\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o coloca a ditadura ou d\u00e1 outra abordagem, o livro \u00e9 reprovado automaticamente&#8221;, afirma C\u00e2ndido Grangeiro, presidente da Abrale.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com Campos, da USP, &#8220;os livros did\u00e1ticos de hist\u00f3ria s\u00e3o de excelente qualidade&#8221; e, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura militar, a imensa maioria dos livros tratam o per\u00edodo como um regime militar&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ele acrescente que &#8220;os livros que defendem o per\u00edodo violam o princ\u00edpio b\u00e1sico dos direitos humanos, que \u00e9 o apoio \u00e0 tortura&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Como se avalia o livro did\u00e1tico?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No \u00e2mbito do MEC, o Brasil realiza periodicamente o Programa Nacional do Livro Did\u00e1tico (PNLD), criado h\u00e1 mais de 20 anos e pelo qual uma s\u00e9rie de especialistas nas \u00e1reas de ensino revisar os materiais did\u00e1ticos dispon\u00edveis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O programa seleciona livros que s\u00e3o oferecidos \u00e0s escolas p\u00fablicas. Os professores e coordenadores escolhem que livros querem usar nas aulas, e o governo federal realiza a compra diretamente nas editoras, por pre\u00e7os mais baixos, e distribui o material nas redes de todo o Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo Napolitano, na \u00e1rea de hist\u00f3ria, a an\u00e1lise feita pelos avaliadores deve obrigatoriamente passar por tr\u00eas pontos:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>1- An\u00e1lise de erros factuais:<\/strong> &#8220;Se errar data, nome, uma afirma\u00e7\u00e3o, o nome de uma lei, \u00e9 um problema. Tem que ficar atento&#8221;, diz ele;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>2- An\u00e1lise de erros concentuais:<\/strong> Nesse caso, a busca \u00e9 pela aplica\u00e7\u00e3o do conceito errado para explicar um contexto hist\u00f3rico, como confundir escravid\u00e3o e escraviza\u00e7\u00e3o, por exemplo. &#8220;O historiador trabalha com conceitos consagrados. Para mudar o conceito, voc\u00ea tem que escrever um livro te\u00f3rico e entrar nessa briga, convencer os outros&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>3- An\u00e1lise da adequa\u00e7\u00e3o e de poss\u00edveis anacronismos:<\/strong> Por fim, os pares que avaliam o livro discutem se ele est\u00e1 adequado para a faixa et\u00e1ria do p\u00fablico leitor, e se as explica\u00e7\u00f5es n\u00e3o projetam valores do presente para explicar o passado. Nesse caso, um exemplo \u00e9 dizer que algu\u00e9m na Idade M\u00e9dia estava lutando pelo socialismo. &#8220;\u00c9 anacronismo, n\u00e3o havia socialismo na Idade M\u00e9dia, \u00e9 um conceito do s\u00e9culo XIX. Voc\u00ea pode dizer que \u00e9 igualit\u00e1rio, por exemplo.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Al\u00e9m desses pontos, Grangeiro lembra que o conte\u00fado do livro n\u00e3o pode ser preconceituoso ou desrespeitas as leis brasileiras. Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE), a ficha de avalia\u00e7\u00e3o inclui dezenas de perguntas para que os avaliadores indiquem se a obra respeita ou n\u00e3o a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, o C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro, o Estatuto do Idoso e o Programa Nacional de Direitos Humanos, entre outros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Outra pergunta na ficha \u00e9: &#8220;A obra est\u00e1 livre de doutrina\u00e7\u00e3o religiosa, pol\u00edtica ou ideol\u00f3gica, respeitando o car\u00e1ter laico e aut\u00f4nomo do ensino p\u00fablico?&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com o FNDE, o or\u00e7amento previsto para o PNLD de 2019 \u00e9 de R$ 1,8 bilh\u00e3o para atendimento a mais de 147 mil escolas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aplicar as mudan\u00e7as anunciadas pelo ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Ricardo V\u00e9lez Rodr\u00edguez, aos livros did\u00e1ticos de hist\u00f3ria que ensinam conceitos sobre o golpe militar de 1964 e a ditadura que durou at\u00e9 1985 \u00e9 um processo que precisa passar pela altera\u00e7\u00e3o da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e, tamb\u00e9m, de conceitos considerados consenso dentro da historiografia. 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