{"id":8580,"date":"2018-10-04T16:28:07","date_gmt":"2018-10-04T19:28:07","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/inteligencia-artificial-pode-trazer-beneficios-na-area-da-educacao\/"},"modified":"2018-10-04T16:28:07","modified_gmt":"2018-10-04T19:28:07","slug":"inteligencia-artificial-pode-trazer-beneficios-na-area-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/inteligencia-artificial-pode-trazer-beneficios-na-area-da-educacao\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia artificial pode trazer benef\u00edcios na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Uma sala de aula sem fronteiras, em que os novos conhecimentos chegam aos alunos respeitando o tempo de aprender de cada um. Quando h\u00e1 uma dificuldade, o apoio vem de maneira oportuna por meio de uma interven\u00e7\u00e3o que auxilia o aluno a superar os desafios da aprendizagem ou redireciona o caminho do aprendizado, tentando encontrar a abordagem mais adequada para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Quando n\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favidas, conte\u00fados avan\u00e7ados se apresentam para desafiar o aprendiz.<\/span><span style=\"font-size: 12pt;\">O avan\u00e7o do estudante em suas descobertas \u00e9 avaliado em tempo real, \u00e0 medida que interage com os demais alunos e vai construindo o pr\u00f3prio conhecimento com as pequenas conquistas do dia a dia. O professor acompanha de perto a evolu\u00e7\u00e3o e vai ajustando, de acordo com as caracter\u00edsticas daquele ser humano, o conte\u00fado que ensina e a forma como ensina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ser\u00e1 assim a sala de aula do futuro, dizem os especialistas em intelig\u00eancia artificial. Mas, olhando para a situa\u00e7\u00e3o presente do sistema educacional brasileiro, parece que essa \u00e9 uma utopia inalcan\u00e7\u00e1vel at\u00e9 mesmo em longo prazo. \u00c9 realmente vi\u00e1vel empregar as novas tecnologias para criar um ensino mais personalizado, flex\u00edvel, inclusivo e motivador?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com o professor Seiji Isotani, do Instituto de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas e de Computa\u00e7\u00e3o (ICMC) da USP, em S\u00e3o Carlos, as ferramentas da \u00e1rea de intelig\u00eancia artificial permitem amplificar a intelig\u00eancia humana. \u201cA gente j\u00e1 consegue verificar, por exemplo, para conjuntos de milhares de alunos, abordagens de ensino que t\u00eam maior potencial de auxiliar a aprendizagem e, assim, apoiar o professor na tomada de decis\u00e3o pedag\u00f3gica.\u201d Mas como essas ferramentas s\u00e3o constru\u00eddas para se tornarem capazes de identificar qual a melhor metodologia de ensino?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Aprendendo a aprender<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 12pt;\">Em primeiro lugar, \u00e9 preciso entender o que \u00e9 intelig\u00eancia artificial, uma \u00e1rea de pesquisa que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o nova quanto muitos imaginam. \u201cO termo foi criado oficialmente h\u00e1 mais de 60 anos, pelo cientista da computa\u00e7\u00e3o norte-americano John McCarthy\u201d, revela o professor Andr\u00e9 de Carvalho, vice-diretor do ICMC. Ele conta que, em 1956, a ideia foi lan\u00e7ada em um workshop de ver\u00e3o que acontecia no Dartmouth College, em Hanover, nos Estados Unidos. \u201cAlguns professores fizeram uma proposta, baseados na ideia de que toda caracter\u00edstica da intelig\u00eancia humana ou aspecto de aprendizado pode, a princ\u00edpio, ser t\u00e3o precisamente descrito que \u00e9 vi\u00e1vel construir uma m\u00e1quina para simular essa caracter\u00edstica ou aspecto\u201d, explica Carvalho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O professor conta, ainda, que a \u00e1rea j\u00e1 era investigada anteriormente, apesar do termo nunca ter sido usado at\u00e9 1956. Por exemplo, em uma palestra na Sociedade de Matem\u00e1tica de Londres, em 1947, o matem\u00e1tico brit\u00e2nico Alan Turing falou publicamente, pela primeira vez, sobre a possibilidade de criar uma m\u00e1quina que aprendesse a partir de suas pr\u00f3prias experi\u00eancias. \u201cQuando um comportamento \u00e9 realizado, mas n\u00e3o somos capazes de afirmar se est\u00e1 sendo gerado por uma m\u00e1quina ou pelas m\u00e3os de um ser humano, podemos dizer que h\u00e1 intelig\u00eancia artificial\u201d, completa o professor Cl\u00e1udio Toledo, do ICMC, fazendo refer\u00eancia ao famoso <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teste_de_Turing\">Teste de Turing<\/a>, que j\u00e1 foi tema de diversos filmes como <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ex_Machina_(filme)\">X-Machina<\/a> (2015), por exemplo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Criado para voc\u00ea<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9 hora de visitar novamente a sala de aula do futuro. O fato \u00e9 que continuaremos sem condi\u00e7\u00f5es de disponibilizar um professor para cada aluno, mas poderemos simular essa realidade com as ferramentas da intelig\u00eancia artificial, criando ambientes de ensino e aprendizado personalizados para cada aluno. \u201cPlataformas que empregam tecnologias como a dos sistemas tutores inteligentes j\u00e1 s\u00e3o capazes de fazer isso\u201d, diz Isotani, que coordena um novo <a href=\"http:\/\/especializacao.icmc.usp.br\/index.php\">curso de especializa\u00e7\u00e3o em computa\u00e7\u00e3o aplicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<\/a>, cujas inscri\u00e7\u00f5es foram prorrogadas at\u00e9 dia 10 de outubro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ele explica que, para criar um sistema tutor inteligente, \u00e9 necess\u00e1rio construir um passo a passo (algoritmos) para ensinar o computador a lidar com informa\u00e7\u00f5es provenientes de tr\u00eas diferentes fontes: o conte\u00fado que ser\u00e1 ensinado (modelo do dom\u00ednio); o modo como aquele conte\u00fado ser\u00e1 ensinado (modelo pedag\u00f3gico); e os conhecimentos que o estudante j\u00e1 possui (modelo do aluno). Essas informa\u00e7\u00f5es iniciais s\u00e3o os modelos que v\u00e3o nutrir o sistema computacional (<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Imagem-3.jpg\">veja o infogr\u00e1fico<\/a>).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando o estudante come\u00e7a a interagir com a plataforma de ensino e acessa os conte\u00fados iniciais que foram disponibilizados, os dados dessa intera\u00e7\u00e3o estabelecida com o sistema, com o conte\u00fado, com os demais alunos e com o professor v\u00e3o sendo capturados. \u201cA partir de todas as intera\u00e7\u00f5es do aluno com o ambiente de ensino, o pr\u00f3prio sistema atualiza os modelos. Com essas novas informa\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel identificar o que aquele aluno j\u00e1 sabe e o que ainda n\u00e3o sabe sobre um determinado dom\u00ednio do conhecimento, quais suas principais dificuldades e \u00e9 vi\u00e1vel at\u00e9 mesmo prever qual ser\u00e1 a pr\u00f3xima resposta que o estudante dar\u00e1 em um exerc\u00edcio\u201d, completa Isotani.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Imagine, agora, a quantidade enorme de dados que s\u00e3o gerados em uma plataforma educacional acessada por milhares de alunos. Para extrair as informa\u00e7\u00f5es relevantes dessa infinidade de dados (chamada Big Data), \u00e9 preciso usar ferramentas da \u00e1rea de intelig\u00eancia artificial como aprendizado de m\u00e1quina, por exemplo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cCom essas informa\u00e7\u00f5es, as plataformas n\u00e3o s\u00f3 podem se adaptar \u00e0s necessidades dos estudantes, mas tamb\u00e9m ajudar o professor a entender o comportamento dos alunos, oferecendo a ele potenciais recomenda\u00e7\u00f5es de como amenizar ou reduzir as dificuldades encontradas pelos educandos, o que pode evitar a evas\u00e3o\u201d, ressalta Seiji Isotani. O professor completa: \u201cA intelig\u00eancia artificial n\u00e3o \u00e9 algo que surgiu apenas para tornar as m\u00e1quinas mais inteligentes, mas tamb\u00e9m pode ajudar a gente a ser mais inteligente. Nesse caso, \u00e9 poss\u00edvel contribuir para que o professor tome decis\u00f5es mais assertivas na hora de apoiar a aprendizagem do aluno\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Muitas pesquisas t\u00eam sido realizadas nesse campo a fim de ampliar a compreens\u00e3o sobre o comportamento dos alunos durante a aprendizagem, utilizando interfaces capazes de reconhecer palavras, captar gestos, verificar o movimento dos olhos e de diversos indicadores fisiol\u00f3gicos (tais como batimentos card\u00edacos e tens\u00e3o muscular). Quanto mais dados os pesquisadores conseguirem obter para inserir nos sistemas tutores inteligentes, maior ser\u00e1 a probabilidade de que essas plataformas de ensino se tornem cada vez mais personalizadas e capazes de motivar e atrair a aten\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para o professor Cl\u00e1udio Toledo, no futuro, as plataformas de ensino funcionar\u00e3o como jogos: \u201cOu seja, para manter o aluno engajado, se o jogo\/atividade for muito dif\u00edcil e o jogador\/aluno n\u00e3o estiver ganhando\/acompanhando nada, o pr\u00f3prio sistema reduzir\u00e1 o n\u00edvel de dificuldade para que ele n\u00e3o perca o interesse. Agora se o jogo\/atividade estiver muito f\u00e1cil e o jogador\/aluno come\u00e7ar a ganhar sempre, o n\u00edvel de dificuldade vai aumentar para que ele se sinta desafiado\u201d. Segundo o professor, esse processo, muito comum nos games, mant\u00e9m os jogadores motivados, interessados e contribui para que desenvolvam diversas habilidades sociais, cognitivas e motoras. Para ele, tanto os jogos educacionais quanto a gamifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o campos muito promissores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Companhia para aprender<\/strong><\/span><br \/><span style=\"font-size: 12pt;\">Os quatro professores autores do estudo <a href=\"https:\/\/www.pearson.com\/content\/dam\/corporate\/global\/pearson-dot-com\/files\/innovation\/Intelligence-Unleashed-Publication.pdf\">Intelligence Unleashed: An argument for AI in Education<\/a> trazem um interessante relato \u00e0 tona. \u201c\u00c9 dito que, na China antiga, cada pr\u00edncipe real estudava com a companhia de um professor real. Talvez os imperadores chineses j\u00e1 soubessem que seus filhos aprenderiam mais efetivamente na presen\u00e7a de outra pessoa.\u201d A seguir, os autores escrevem que a intelig\u00eancia artificial deu uma nova vida a essa antiga hist\u00f3ria por meio do desenvolvimento dos sistemas \u201ccompanheiros de aprendizagem\u201d. Eles seriam como os professores dos pr\u00edncipes chineses, mas em vers\u00e3o eletr\u00f4nica, \u00e9 claro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por n\u00e3o serem mortais, esses companheiros inteligentes de aprendizagem (ou agentes inteligentes) estariam presentes durante toda a trajet\u00f3ria de vida de um ser humano, auxiliando-o na obten\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos. Diferentemente dos sistemas tutores inteligentes, que j\u00e1 s\u00e3o uma realidade, ainda h\u00e1 muitas pesquisas para serem realizadas antes que esses companheiros possam dividir a vida com a gente. Os especialistas da \u00e1rea estimam que isso levar\u00e1 cerca de dez anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">J\u00e1 os estudos sobre forma\u00e7\u00e3o de grupos de alto desempenho est\u00e3o bem mais avan\u00e7ados. Foram criados v\u00e1rios modelos computacionais que possibilitam, a partir da inser\u00e7\u00e3o de dados sobre os estudantes que comp\u00f5em uma turma, criar grupos que t\u00eam maior potencial para trabalharem em grupo de forma produtiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O estudo Intelligence Unleashed: An argument for AI in Education destaca que, ao longo das d\u00e9cadas, v\u00e1rios pesquisadores t\u00eam mostrado que o aprendizado colaborativo costuma gerar melhores resultados do que o aprendizado solit\u00e1rio. Isso porque o aprendizado colaborativo encoraja os participantes a articularem de forma mais adequada o que pensam, a justificarem as ideias, a refletirem sobre suas explica\u00e7\u00f5es, a resolverem as diferen\u00e7as por meio de um di\u00e1logo construtivo e a constru\u00edrem conhecimentos e novos significados de maneira compartilhada. Se as ferramentas da intelig\u00eancia artificial forem realmente capazes de estimular esse tipo de aprendizado, talvez as salas de aula do futuro sejam, de fato, ambientes muito mais motivadores e atraentes, onde um novo mundo poder\u00e1 surgir.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sala de aula sem fronteiras, em que os novos conhecimentos chegam aos alunos respeitando o tempo de aprender de cada um. 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