{"id":8534,"date":"2018-09-13T16:09:10","date_gmt":"2018-09-13T19:09:10","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/por-9-votos-a-2-supremo-nao-reconhece-ensino-domiciliar\/"},"modified":"2018-09-13T16:09:10","modified_gmt":"2018-09-13T19:09:10","slug":"por-9-votos-a-2-supremo-nao-reconhece-ensino-domiciliar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/por-9-votos-a-2-supremo-nao-reconhece-ensino-domiciliar\/","title":{"rendered":"Por 9 votos a 2, Supremo n\u00e3o reconhece ensino domiciliar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por 9 votos a 2, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram na \u00faltima quarta-feira (12) n\u00e3o reconhecer o ensino domiciliar de crian\u00e7as, conhecido como homeschooling. Conforme o entendimento da maioria, a Constitui\u00e7\u00e3o prev\u00ea apenas o modelo de ensino p\u00fablico ou privado, cuja matricula \u00e9 obrigat\u00f3ria, e n\u00e3o h\u00e1 lei que autorize a medida.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O julgamento come\u00e7ou na semana passada, quando o relator do caso, ministro Lu\u00eds Roberto Barroso, votou a favor do ensino domiciliar. Para ele, alguns pais preferem comandar a educa\u00e7\u00e3o de seus filhos diante das pol\u00edticas p\u00fablicas ineficazes na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, dos resultados na qualidade no sistema de avalia\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, al\u00e9m de convic\u00e7\u00f5es religiosas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Barroso tamb\u00e9m citou que o modelo de homeschooling est\u00e1 presente nos Estados Unidos, Finl\u00e2ndia e B\u00e9lgica, entre outros pa\u00edses. &#8220;Sou mais favor\u00e1vel \u00e0 autonomia e emancipa\u00e7\u00e3o das pessoas do que ao paternalismo e \u00e0s interven\u00e7\u00f5es do Estado, salvo onde eu considero essa interven\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel&#8221;, argumentou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Votos divergentes<\/span><\/strong><br \/><span style=\"font-size: 12pt;\">Na sess\u00e3o de hoje, o julgamento foi conclu\u00eddo com os votos dos demais ministros. Primeiro a votar, Alexandre de Moraes abriu a diverg\u00eancia e entendeu que o ensino domiciliar n\u00e3o est\u00e1 previsto na legisla\u00e7\u00e3o: \u201cO ensino familiar exige o cumprimento de todos os requisitos constitucionais. N\u00e3o \u00e9 vedado o ensino em casa desde que respeite todos os preceitos constitucionais. H\u00e1 necessidade de legisla\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O ministro Ricardo Lewandowski tamb\u00e9m entendeu que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que os pais deixem de matricular os filhos nas escolas tradicionais. Segundo ele, \u201craz\u00f5es religiosas n\u00e3o merecem ser aceitas&#8221; pelo Judici\u00e1rio para que os pais possam educar os filhos em casa. O ministro argumentou que os pais &#8220;n\u00e3o podem privar os filhos de ter acesso ao conhecimento\u201d na escola tradicional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para tirar das escolas oficiais, p\u00fablicas ou privadas, em decorr\u00eancia da insatisfa\u00e7\u00e3o de alguns com a qualidade do ensino\u201d, afirmou Lewandowski.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aur\u00e9lio e a presidente, C\u00e1rmen L\u00facia, tamb\u00e9m votaram no mesmo sentido. Fachin acompanhou em parte o relator.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Entenda o caso<\/span><\/strong><br \/><span style=\"font-size: 12pt;\">O caso que motivou o julgamento ocorreu com o microempres\u00e1rio Mois\u00e9s Dias e sua mulher, Neridiana Dias. Em 2011, o casal decidiu tirar a filha de 11 anos da escola p\u00fablica em que estudava no munic\u00edpio de Canela (RS), a aproximadamente 110 quil\u00f4metros de Porto Alegre, e passar a educ\u00e1-la por conta pr\u00f3pria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Eles alegaram que a metodologia da escola municipal n\u00e3o era adequada por misturar, na mesma sala, alunos de diferentes s\u00e9ries e idades, fugindo do que consideravam um \u201ccrit\u00e9rio ideal de sociabilidade\u201d. O casal disse que queria afastar sua filha de uma educa\u00e7\u00e3o sexual antecipada por influ\u00eancia do conv\u00edvio com colegas mais velhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A fam\u00edlia tamb\u00e9m argumentou que, por ser crist\u00e3, acredita no criacionismo \u2013 cren\u00e7a segundo a qual o homem foi criado por Deus \u00e0 sua semelhan\u00e7a \u2013 e por isso \u201cn\u00e3o aceita vi\u00e1vel ou cr\u00edvel que os homens tenham evolu\u00eddo de um macaco, como insiste a Teoria Evolucionista [de Charles Darwin]\u201d, que \u00e9 ensinada na escola.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por 9 votos a 2, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram na \u00faltima quarta-feira (12) n\u00e3o reconhecer o ensino domiciliar de crian\u00e7as, conhecido como homeschooling. 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