{"id":8483,"date":"2018-08-06T19:45:45","date_gmt":"2018-08-06T22:45:45","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/tres-em-cada-10-sao-analfabetos-funcionais-no-pais\/"},"modified":"2018-08-06T19:45:45","modified_gmt":"2018-08-06T22:45:45","slug":"tres-em-cada-10-sao-analfabetos-funcionais-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/tres-em-cada-10-sao-analfabetos-funcionais-no-pais\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas em cada 10 s\u00e3o analfabetos funcionais no Pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tr\u00eas em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Pa\u00eds &#8211; 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milh\u00f5es de pessoas &#8211; s\u00e3o considerados analfabetos funcionais. Esse grupo t\u00eam muita dificuldade de entender e se expressar por meio de letras e n\u00fameros em situa\u00e7\u00f5es cotidianas, como fazer contas de uma pequena compra ou identificar as principais informa\u00e7\u00f5es em um cartaz de vacina\u00e7\u00e3o. H\u00e1 dez anos, a taxa de brasileiros nessa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 estagnada, como mostram os dados do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2018.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os pre\u00e7os das ervas, temperos, cebolas e lim\u00f5es na barraca da feirante Onorina Quixobeira da Silva, de 62 anos, s\u00e3o redondinhos: R$ 1, R$ 2, R$3, e por a\u00ed vai. Nada de centavos. Quanto menos n\u00fameros, melhor. \u00c9 contando nos dedos que sai o troco do fregu\u00eas. S\u00f3 assim ela consegue identificar o que est\u00e1 nas c\u00e9dulas e fazer a venda correta. `Muitas vezes me atrapalho e tenho de come\u00e7ar a contar de novo`, conta ela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O estudo, feito pelo Ibope Intelig\u00eancia, \u00e9 desenvolvido pela ONG A\u00e7\u00e3o Educativa e pelo Instituto Paulo Montenegro. Nessa faixa de 29% de brasileiros classificados nos n\u00edveis mais baixos de profici\u00eancia e escrita, h\u00e1 8% de analfabetos absolutos (quem n\u00e3o consegue ler palavras e frases). Os outros 21% est\u00e3o no n\u00edvel considerado rudimentar (n\u00e3o localizam informa\u00e7\u00f5es em um calend\u00e1rio, por exemplo).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 2009, 27% dos brasileiros eram considerados analfabetos funcionais &#8211; o \u00edndice se repetiu em 2011 e 2015, \u00faltimos anos em que o Inaf foi divulgado. Apesar do pequeno aumento no per\u00edodo (de 27% para 29%), estatisticamente o movimento \u00e9 de estabilidade, segundo os autores do estudo, uma vez que a margem de erro da pesquisa \u00e9 de 2 pontos porcentuais. Para o trabalho, foram entrevistadas 2.002 pessoas entre 15 e 64 anos, de zonas urbanas e rurais, distribu\u00eddas proporcionalmente em todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Diferentemente de outras pesquisas que medem o analfabetismo, a equipe do Inaf faz entrevistas domiciliares e aplica um teste espec\u00edfico, com quest\u00f5es que envolvem a leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de textos do cotidiano (bilhetes, not\u00edcias, gr\u00e1ficos, mapas, an\u00fancios, etc) e classifica a habilidade em cinco n\u00edveis de profici\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A taxa analfabetismo calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), por exemplo, mostra estagna\u00e7\u00e3o do analfabetismo absoluto no Pa\u00eds, com 7% das pessoas (11, 5 milh\u00f5es) acima de 15 anos sem saber ler ou escrever.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">`O indicador tem como objetivo medir o quanto o brasileiro consegue entender e se fazer entendido em uma sociedade letrada. Infelizmente, estamos estagnados h\u00e1 muitos anos em patamar muito preocupante`, diz Ana Lucia Lima, coordenadora do Inaf. Sobre os analfabetos absolutos, a varia\u00e7\u00e3o entre 2015 e este ano \u00e9 de 4 para 8 &#8211; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar que houve aumento, dizem os autores, por estar no limite da margem de erro. Mas indica que a curva n\u00e3o \u00e9 mais de queda nesse grupo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">`Vemos uma mudan\u00e7a nessa tend\u00eancia, o que \u00e9 coerente com a queda de investimentos que tivemos no Pa\u00eds nos \u00faltimos anos na alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos`, afirma Roberto Catelli J\u00fanior, da A\u00e7\u00e3o Educativa. O Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, de 2014, prev\u00ea erradicar o analfabetismo absoluto at\u00e9 2024. `O programa Brasil Alfabetizado [do governo federal] , que chegou a ter 1 milh\u00e3o de atendidos, tem hoje apenas 250 mil`, acrescenta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Gera\u00e7\u00f5es<\/strong>. A feirante Onorina, que come\u00e7ou a trabalhar na ro\u00e7a aos 9 anos, em Macei\u00f3, teve de abandonar a sala de aula na 4.\u00aa s\u00e9rie para ajudar nas finan\u00e7as de casa. `L\u00e1 n\u00e3o tinha \u00e1gua nem energia el\u00e9trica.`<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em S\u00e3o Paulo, para onde se mudou h\u00e1 mais de 20 anos, teve 5 filhos. Todos terminaram o ensino m\u00e9dio.Na feira, um deles ajuda Onorina com o controle do caixa. Outros tr\u00eas cursaram Direito, Enfermagem e F\u00edsica e trabalham nas respectivas \u00e1reas. `Minha filha s\u00f3 conseguiu ir para a faculdade porque teve bolsa`, diz ela, que chegou a pedir dinheiro na rua para comprar comida para a fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">`\u00c0s vezes trazia a minha filha, na \u00e9poca com 9 anos, para vir trabalhar comigo na feira. Ela dizia: `M\u00e3e, n\u00e3o quero isso para mim`. E eu dizia: `Nem eu quero isso para voc\u00ea`, conta Onorina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Desde 2001, ano em que come\u00e7ou o Inaf, o total de brasileiros de 15 a 64 anos que chegaram ao ensino m\u00e9dio aumentou de 24% para 40%, e ao ensino superior, de 8% para 17%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Apesar de a popula\u00e7\u00e3o ter mais anos de estudo, o \u00edndice daqueles plenamente capazes de se comunicar pela linguagem escrita segue igual, com s\u00f3 12% no n\u00edvel proficiente (o mais alto). Entre os que terminaram o ensino m\u00e9dio, 13% s\u00e3o analfabetos funcionais e, dos que t\u00eam ensino superior, 4%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A pesquisa mostra ainda avan\u00e7o t\u00edmido na redu\u00e7\u00e3o de analfabetos funcionais entre os jovens. Na faixa de 15 a 24 anos, os resultados s\u00e3o melhores, com 12% de analfabetos funcionais. `H\u00e1 melhora, mas ainda n\u00e3o pode ser comemorada porque s\u00f3 16% terminam os estudos com a plena capacidade de se comunicar`, alerta Ana Lucia Lima.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Mudan\u00e7as<\/strong>. `As pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos no Brasil s\u00e3o, para dizer o m\u00ednimo, prec\u00e1rias. O Pa\u00eds n\u00e3o tem pol\u00edticas consistentes e constantes nessa \u00e1rea. N\u00e3o s\u00e3o consistentes porque n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas. Um exemplo disso s\u00e3o as salas super lotadas. J\u00e1 a const\u00e2ncia diz respeito aos governos. Muitas pol\u00edticas s\u00e3o interrompidas entre uma gest\u00e3o e outra. E al\u00e9m disso, esse tipo de educa\u00e7\u00e3o escolar custa caro porque \u00e9 um p\u00fablico que n\u00e3o pode ser atendido em massa`, afirma Ocimar Alavarse, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A curto prazo, ele defende mudan\u00e7as na pol\u00edtica do EJA, a come\u00e7ar pelo material pedag\u00f3gico, diversidade de hor\u00e1rios das aulas e investimento nos professores. `O formato da aula precisa ser diferente da escola regular. Esses alunos j\u00e1 experimentaram o gosto amargo do fracasso escolar. T\u00eam que ser apresentados a novas formas de aprender que sejam completamente distintas da escola regular`, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>MEC<\/strong>. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) informou, em nota, que s\u00f3 pode avaliar estudos do governo federal. Disse ainda que a Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) faz parte do ensino b\u00e1sico e, portanto, \u00e9 de responsabilidade dos Estados e Munic\u00edpios, cabendo \u00e0 pasta somente fornecer `apoio suplementar` \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Destacou tamb\u00e9m programas de apoio ao EJA, como o Brasil Alfabetizado e o Programa Nacional de Inclus\u00e3o de Jovens (Projovem), destinado a jovens de 18 a 29 anos que n\u00e3o conseguiram terminar a escolariza\u00e7\u00e3o no tempo adequado.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas em cada dez jovens e adultos de 15 a 64 anos no Pa\u00eds &#8211; 29% do total, o equivalente a cerca de 38 milh\u00f5es de pessoas &#8211; s\u00e3o considerados analfabetos funcionais. 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