{"id":8357,"date":"2018-05-15T16:00:12","date_gmt":"2018-05-15T19:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/estudantes-ainda-nao-se-enxergam-na-base-do-ensino-medio\/"},"modified":"2018-05-15T16:00:12","modified_gmt":"2018-05-15T19:00:12","slug":"estudantes-ainda-nao-se-enxergam-na-base-do-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/estudantes-ainda-nao-se-enxergam-na-base-do-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Estudantes ainda n\u00e3o se &#8220;enxergam&#8221; na Base do Ensino M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cComo falar da Base Nacional sendo que quem vai praticar essas habilidades n\u00e3o est\u00e1 aqui presente?\u201d. A quest\u00e3o partiu de Tamires Santos da Costa, de 18 anos, uma das estudantes do Ensino M\u00e9dio que participou da primeira audi\u00eancia p\u00fablica convocada pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) para debater a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino M\u00e9dio. Ela foi um dos jovens a usar a palavra para discutir a Base na audi\u00eancia realizada na \u00faltima sexta-feira (11), em Florian\u00f3polis (SC), que reuniu tamb\u00e9m professores, educadores e representantes de entidades civis.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Apesar de ter mobilizado muita gente desde sua aprova\u00e7\u00e3o, o debate em torno do documento n\u00e3o foi capaz de manter uma plateia constante at\u00e9 o final dos trabalhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na plen\u00e1ria, os professores de escolas p\u00fablicas e particulares, estudantes, representantes de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e especialistas de Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se fizeram de rogados na primeira oportunidade que tiveram de ser ouvidos por \u00f3rg\u00e3os oficiais desde o momento em que o MEC divulgou o documento. Sobraram cr\u00edticas ao processo e algumas informa\u00e7\u00f5es desencontradas, como a ideia de que a BNCC entregue \u00e9 de autoria do CNE (quando na verdade \u00e9 do MEC) ou de que a Base deve dar conta de explicar as regras de aplica\u00e7\u00e3o dos itiner\u00e1rios formativos nas escolas (responsabilidade da reforma do Ensino M\u00e9dio).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A pr\u00f3pria din\u00e2mica do evento n\u00e3o d\u00e1 espa\u00e7o para que as d\u00favidas e cr\u00edticas sejam esclarecidas: falas de apenas 3 minutos por pessoa em uma longa lista de participa\u00e7\u00f5es desde as 10h da manh\u00e3, enquanto as considera\u00e7\u00f5es dos conselheiros acontecem apenas no per\u00edodo da tarde, quando a plen\u00e1ria j\u00e1 est\u00e1 completamente esvaziada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Participa\u00e7\u00e3o estudantil<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A participa\u00e7\u00e3o dos estudantes secundaristas, ainda que modesta, se deu n\u00e3o apenas na plateia, mas em algumas falas no p\u00falpito diante dos conselheiros. Tamires da Costa foi a primeira dos jovens a se pronunciar. Representando o conselho jovem do Instituto Inspirare, Tamires falou sobre a necessidade de aproximar o documento dos estudantes. Segundo ela, muitos de seus colegas n\u00e3o sabem o que \u00e9 a BNCC nem para qu\u00ea ela serve.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Depois dela, ao longo do dia outros militantes secundaristas e representantes de entidades estudantis pediram a palavra, na maioria das vezes para criticar o processo de constru\u00e7\u00e3o da Base e da reforma do Ensino M\u00e9dio, distantes de sua realidade, e pedir que fossem mais ouvidos. \u201cSe o conselho quiser que as audi\u00eancias p\u00fablicas tenham cr\u00e9dito com os estudantes, precisam convidar nossos representantes\u201d, disse Luiz Henrique, um dos jovens presentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Apesar de alguns estudantes acreditarem que os conselheiros n\u00e3o valorizam sua presen\u00e7a na plen\u00e1ria, a vis\u00e3o do CNE \u00e9 outra. \u201cAcho que tem que ter mais participa\u00e7\u00e3o dos estudantes, porque nos d\u00e1 mais seguran\u00e7a ao fazer determinadas defesas. Eu n\u00e3o admitirei nunca dispensar a participa\u00e7\u00e3o deles\u201d, disse Laurinda Oliveira Santana, uma das conselheiras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Professores ainda n\u00e3o se enxergam na Base<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Assim como os estudantes est\u00e3o reticentes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 BNCC e \u00e0 reforma do Ensino M\u00e9dio, os professores encaram a mesma situa\u00e7\u00e3o. As sugest\u00f5es de inclus\u00e3o de conte\u00fados espec\u00edficos nas habilidades e as defesas de reinser\u00e7\u00e3o de algumas disciplinas (que agora aparecem integradas em \u00e1reas de conhecimento) mostram que os professores ainda n\u00e3o enxergam de que maneira aquelas compet\u00eancias e habilidades de cada \u00e1rea do conhecimento se aplicam em suas aulas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Alguns professores apontaram falhas no documento entregue pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), criticando a grande valoriza\u00e7\u00e3o das disciplinas de L\u00edngua Portuguesa e Matem\u00e1tica em detrimento das demais e a falta de clareza com rela\u00e7\u00e3o aos itiner\u00e1rios formativos. \u201cA Base como est\u00e1 proposta hoje se restringe apenas a uma parte do Ensino M\u00e9dio\u201d, explica C\u00e9sar Callegari, presidente da comiss\u00e3o do CNE respons\u00e1vel pela an\u00e1lise da BNCC. Ele se refere ao fato de que o texto entregue pelo MEC diz respeito aos 60% dos conte\u00fados que s\u00e3o considerados obrigat\u00f3rios para o Ensino M\u00e9dio. Os outros 40% constariam nos famosos itiner\u00e1rios formativos, que tanto causam d\u00favidas nos educadores e estudantes. \u201cSe pensarmos a Base como express\u00e3o dos direitos de aprendizagem, n\u00f3s temos que dizer todos o direitos, e n\u00e3o apenas uma parte. Se tem uma coisa que ficou clara hoje \u00e9 que h\u00e1 uma incompletude na proposta que o MEC entregou ao CNE\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A aus\u00eancia de recomenda\u00e7\u00f5es sobre a porcentagem opcional dos conte\u00fados do Ensino M\u00e9dio, associada \u00e0 prioriza\u00e7\u00e3o das disciplinas de L\u00edngua Portuguesa e Matem\u00e1tica no texto, causam o temor de que isso deixe os curr\u00edculos, principalmente das escolas p\u00fablicas, reducionistas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como ficaria a cargo das escolas criarem seus percursos formativos, aquelas que teriam mais infraestrutura e condi\u00e7\u00f5es de implanta\u00e7\u00e3o conseguiriam oferecer uma Educa\u00e7\u00e3o superior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas de condi\u00e7\u00f5es mais pobres, o que agravaria a desigualdade educacional que o Brasil j\u00e1 vive, e iria na contram\u00e3o da proposta de se ter uma Base Nacional Comum Curricular. \u201cFormaremos m\u00e3o de obra barata na escola p\u00fablica que trabalhar\u00e1 para os seres pensantes formados nas escolas particulares\u201d, defendeu uma das professoras em um momento acalorado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O argumento foi rebatido em partes pelo relator Chico Soares ao final da audi\u00eancia: \u201cA Educa\u00e7\u00e3o deve ser centrada na compreens\u00e3o de textos. A cr\u00edtica de dizer que leitura e compreens\u00e3o de textos n\u00e3o deveriam ser obrigat\u00f3rios \u00e9 preocupante para mim, porque isso \u00e9 ci\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mesmo com as cr\u00edticas, a maioria dos conselheiros acredita que o saldo da primeira audi\u00eancia foi positivo. \u201cNesta audi\u00eancia me pareceu que, agora, as entidades vieram com discuss\u00f5es muito aprofundadas, levantando pontos que j\u00e1 est\u00e3o sendo alvo de discuss\u00e3o do pr\u00f3prio conselho\u201d, ressaltou a conselheira Malvina Tuttman. Ricardo Coelho, diretor de Programa da Secretaria Executiva do MEC, concorda que quanto mais preparados os professores forem \u00e0 audi\u00eancia, mais qualificado ser\u00e1 o debate. \u201cEssa prepara\u00e7\u00e3o vem com a leitura e a reflex\u00e3o sobre o texto que foi entregue. \u00c9 muito importante que todos venham para a audi\u00eancia com o texto lido\u201d, defende.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Como participar da discuss\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O CNE est\u00e1 organizando, at\u00e9 o final de agosto, uma audi\u00eancia p\u00fablica em cada regi\u00e3o do pa\u00eds para debater a BNCC do Ensino M\u00e9dio. A pr\u00f3xima est\u00e1 prevista para o dia 8 de junho em S\u00e3o Paulo. J\u00e1 est\u00e3o marcadas as datas para as demais: 5 de julho em Fortaleza; 10 de agosto em em Bel\u00e9m do Par\u00e1 e a \u00faltima no dia 29 do mesmo m\u00eas em Bras\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nas audi\u00eancias, o p\u00falpito \u00e9 aberto a quem quiser expressar sua opini\u00e3o sobre a BNCC, desde que se inscreva previamente e respeite o tempo de 3 minutos por pessoa. Os participantes podem, tamb\u00e9m, levar documentos por escrito que s\u00e3o protocolados no ato da audi\u00eancia, e analisados posteriormente pelos membros do conselho. \u201cTem um enorme valor aquilo que \u00e9 recebido pelos conselheiros atrav\u00e9s de documentos mais substanciados. Porque em 3 minutos a pessoa consegue fazer uma s\u00edntese da sua defesa, mas o seu racioc\u00ednio, aquilo que ela acredita pode ser explicitado nesses documentos\u201d, defende Cesar Callegari.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">H\u00e1, ainda, uma novidade nas audi\u00eancias sobre a BNCC do Ensino M\u00e9dio: o lan\u00e7amento, anunciado pelo presidente do CNE Eduardo Deschamps, de uma nova <a href=\"http:\/\/cnebncc.mec.gov.br\/\">plataforma online<\/a> para quem quiser enviar suas contribui\u00e7\u00f5es por escrito sobre a BNCC. \u201cA plataforma colabora com a agilidade na sistematiza\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m na quest\u00e3o da seguran\u00e7a, com mecanismos de identifica\u00e7\u00e3o. No ano passado, percebemos que havia muitas mensagens parecidas, ou iguais, o que levantava a suspeita de que havia rob\u00f4s digitais enviando essas mensagens\u201d, afirmou Eduardo Deschamps.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cComo falar da Base Nacional sendo que quem vai praticar essas habilidades n\u00e3o est\u00e1 aqui presente?\u201d. 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