{"id":8304,"date":"2018-04-10T16:10:13","date_gmt":"2018-04-10T19:10:13","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-fim-das-disciplinas\/"},"modified":"2018-04-10T16:10:13","modified_gmt":"2018-04-10T19:10:13","slug":"o-fim-das-disciplinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-fim-das-disciplinas\/","title":{"rendered":"O fim das disciplinas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em 2015, o prestigioso jornal brit\u00e2nico \u201cThe Independent\u201d publicou que a <a href=\"https:\/\/www.independent.co.uk\/news\/world\/europe\/finland-schools-subjects-are-out-and-topics-are-in-as-country-reforms-its-education-system-10123911.html\">Finl\u00e2ndia iria acabar com a divis\u00e3o tradicional das disciplinas no curr\u00edculo de sua educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica<\/a>. Em poucos dias, a not\u00edcia teve repercuss\u00e3o mundial, e muitos a saudaram como um sopro de inova\u00e7\u00e3o, capaz de influenciar outros sistemas educacionais. Mas n\u00e3o era bem assim. Logo o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/noticia\/finlandia-desmente-fim-de-disciplinas-escolares.ghtml\">divulgou uma nota<\/a> alertando que o novo curr\u00edculo de fato buscava incentivar um trabalho mais interdisciplinar, mas n\u00e3o determinava o fim das disciplinas.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A ideia de buscar uma maior integra\u00e7\u00e3o entre os saberes n\u00e3o \u00e9 nova, mas, assim como a Finl\u00e2ndia, outros sistemas educacionais de ponta do mundo tentam caminhar nessa dire\u00e7\u00e3o, a mesma sinalizada na Base Nacional Curricular Comum do ensino m\u00e9dio, enviada pelo MEC para an\u00e1lise do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o na semana passada. Mesmo sendo um desejo de muitos educadores, implementar na pr\u00e1tica a medida em grandes sistemas educacionais acostumados por s\u00e9culos com a divis\u00e3o tradicional de disciplinas n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples, por depender de mudan\u00e7as significativas de pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas de milhares (no caso do Brasil, milh\u00f5es) de professores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Num <a href=\"http:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.3102\/0002831217700078\">artigo publicado<\/a> em agosto do ano passado no jornal da Associa\u00e7\u00e3o Americana de Pesquisa Educacional (Aera, na sigla em ingl\u00eas), David K. Cohen (Universidade de Michigan) e Jal D. Mehta (Harvard) fizeram uma extensa pesquisa na hist\u00f3ria das grandes reformas educacionais dos Estados Unidos para tentar identificar por que algumas foram bem-sucedidas, enquanto outras (a maioria) tiveram efeitos nulos ou limitados. Uma das conclus\u00f5es dos autores foi justamente que as pol\u00edticas que tentam alterar o modo como professores ensinam em sala de aula s\u00e3o as mais desafiadoras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A pesquisa at\u00e9 identificou alguns movimentos bem-sucedidos nesse aspecto. Mas eram, em sua maioria, reformas que atuarem no que eles chamaram de nichos, que funcionaram em alguns sistemas localizados, ou num conjunto de escolas adeptas de algum movimento espec\u00edfico (um dos exemplos citados \u00e9 o da pedagogia Montessori). No geral, as reformas bem-sucedidas (em maior ou menor escala) apresentavam caracter\u00edsticas como: o apoio intensivo aos professores em sua implementa\u00e7\u00e3o; atacavam problemas que educadores entendiam \u2013 ou foram convencidos \u2013 de que eram importantes resolver; tinham forte apoio popular; ou abra\u00e7avam valores consistentes com os de pais, educadores e alunos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entre as poucas reformas que conseguiram alterar positivamente pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas em maior escala, Cohen e Mehta citam casos de distritos escolares nos estados americanos da Calif\u00f3rnia e de Montgomery, onde foram oferecidos de forma intensiva materiais pedag\u00f3gicos, orienta\u00e7\u00e3o e oportunidades de aprendizado profissional que ajudaram a definir melhor o que os professores deveriam fazer e como. Mas isso foi feito, segundo os pesquisadores, de maneira respeitosa e colaborativa, permitindo que os professores tivessem papel ativo e se sentissem tamb\u00e9m respons\u00e1veis pelas mudan\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O estudo de Cohen e Mehta trata da realidade dos Estados Unidos, mas algumas de suas conclus\u00f5es servem tamb\u00e9m ao caso brasileiro. Principalmente esta de que, sem investir pesadamente na forma\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o dos professores, e sem que eles estejam convencidos das mudan\u00e7as, ser\u00e1 muito dif\u00edcil implementar mudan\u00e7as t\u00e3o profundas como as propostas na BNCC do ensino m\u00e9dio.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2015, o prestigioso jornal brit\u00e2nico \u201cThe Independent\u201d publicou que a Finl\u00e2ndia iria acabar com a divis\u00e3o tradicional das disciplinas no curr\u00edculo de sua educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. 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