{"id":8296,"date":"2018-04-06T14:40:48","date_gmt":"2018-04-06T17:40:48","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/pontos-da-bncc-do-ensino-medio-que-merecem-sua-atencao\/"},"modified":"2018-04-06T14:40:48","modified_gmt":"2018-04-06T17:40:48","slug":"pontos-da-bncc-do-ensino-medio-que-merecem-sua-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/pontos-da-bncc-do-ensino-medio-que-merecem-sua-atencao\/","title":{"rendered":"Pontos da BNCC do Ensino M\u00e9dio que merecem sua aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nesta semana, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) entregou ao Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino M\u00e9dio. O documento nasce com uma dif\u00edcil miss\u00e3o pela frente: estancar a evas\u00e3o e a queda nos \u00edndices de aprendizagem da etapa, al\u00e9m de torn\u00e1-la mais conectada com os jovens. Confira alguns pontos que merecem sua aten\u00e7\u00e3o nesse assunto.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c1reas do conhecimento<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A BNCC do Ensino M\u00e9dio organiza os conte\u00fados (compet\u00eancias e habilidades) por \u00e1reas do conhecimento (a saber: Linguagens, Ci\u00eancias da Natureza, Ci\u00eancias Humanas e Sociais e Matem\u00e1tica). Esse \u00e9 um arranjo muito interessante, porque est\u00e1 alinhado a uma concep\u00e7\u00e3o de ensino mais integrado, condizente com os desafios atuais que exigem a mobiliza\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de diversos conhecimentos. Al\u00e9m disso, essa organiza\u00e7\u00e3o incentiva a colabora\u00e7\u00e3o entre professores de diferentes \u00e1reas e disciplinas. Dito de outra maneira, professores de matem\u00e1tica e geografia, por exemplo, ser\u00e3o mais estimulados a trabalhar juntos em um t\u00f3pico sobre o espa\u00e7o em que a escola est\u00e1 inserida. A despeito dessa positiva transversalidade, \u00e9 v\u00e1lido ressaltar, por\u00e9m, tr\u00eas pontos. O primeiro \u00e9 a necessidade de outras mudan\u00e7as para que esse efeito positivo aconte\u00e7a (como a altera\u00e7\u00e3o na forma de funcionamento das escolas e a forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada de professores). O segundo \u00e9 que o CNE ter\u00e1 de avan\u00e7ar na especifica\u00e7\u00e3o das habilidades previstas no documento, que est\u00e3o ainda muito amplas e gen\u00e9ricas, e o terceiro \u00e9 que o MEC ter\u00e1 de criar pol\u00edticas de apoio e incentivi robustas, o que nos leva ao tema seguinte.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>A Base na pr\u00e1tica<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A reflex\u00e3o sobre como a Base do Ensino M\u00e9dio de fato chegar\u00e1 \u00e0s escolas diz respeito ao que chamamos, entre os especialistas, de implementa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica p\u00fablica. Em rela\u00e7\u00e3o a isso, muito falta ser explicado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No momento, h\u00e1 um processo de discuss\u00e3o t\u00e9cnica do que queremos em termos de conte\u00fado para o ensino de nossos jovens, de acordo com as legisla\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes e as melhores pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. No entanto, como dito no t\u00f3pico anterior, o novo arranjo de conte\u00fado e a reestrutura\u00e7\u00e3o dessa etapa exigir\u00e3o dispositivos de apoio e incentivo (inclusive de recursos e infraestrutura) que garantam uma adapta\u00e7\u00e3o das redes de ensino, com qualidade e equidade. Essa implementa\u00e7\u00e3o tem que estabelecer altas expectativas de aprendizagem para todos os jovens do Brasil, a despeito de suas caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas e \u00e9tnicas. Uma mudan\u00e7a de curr\u00edculo que n\u00e3o combata as desigualdades educacionais e sem as devidas provid\u00eancias de implementa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 fatalmente uma frustra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Professores<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Enquanto a Base do Ensino Fundamental funcionou como rearranjo e adi\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis a uma sala, a do Ensino M\u00e9dio significa uma reconstru\u00e7\u00e3o completa do c\u00f4modo, pois vem acompanhada da reforma aprovada em 2016 (MP n\u00ba 746\/2016). Tamanha mudan\u00e7a desafiar\u00e1 todos os profissionais da etapa, especialmente os professores. Diante disso, \u00e9 preciso incluir e preparar os docentes em tr\u00eas dimens\u00f5es: envolv\u00ea-los nas audi\u00eancias p\u00fablicas de discuss\u00e3o da Base (haver\u00e1 5 nos pr\u00f3ximos meses), alinhar a forma\u00e7\u00e3o docente aos novos desafios interdisciplinares e garantir uma ampla participa\u00e7\u00e3o na adapta\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos locais \u00e0 Base. Precisamos evitar a todo custo que os novos curr\u00edculos sejam apenas despachados aos docentes, pois ser\u00e3o eles os respons\u00e1veis por colocar em movimento os novos formatos e metodologias, que acompanham uma aprendizagem mais transversal. Sem os professores, a Base do Ensino M\u00e9dio estar\u00e1 fadada ao fracasso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Divis\u00e3o em partes flex\u00edveis e comuns (obrigat\u00f3rias)<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Assim como determinado pela lei da reforma, o novo Ensino M\u00e9dio ter\u00e1 uma parte flex\u00edvel (formada por itiner\u00e1rios formativos) e uma comum a todos os alunos do Brasil. Embora essa composi\u00e7\u00e3o seja desej\u00e1vel e alinhada ao que se faz Assim como determinado pela lei da reforma, o novo Ensino M\u00e9dio ter\u00e1 uma parte flex\u00edvel (formada por itiner\u00e1rios formativos) e uma comum a todos os alunos do Brasil. Embora essa composi\u00e7\u00e3o seja desej\u00e1vel e alinhada ao que se faz Assim como determinado pela lei da reforma, o novo Ensino M\u00e9dio ter\u00e1 uma parte flex\u00edvel (formada por itiner\u00e1rios formativos) e uma comum a todos os alunos do Brasil. Embora essa composi\u00e7\u00e3o seja desej\u00e1vel e alinhada ao que se faz em pa\u00edses refer\u00eancia em excel\u00eancia, nessa etapa de ensino, ainda falta clareza sobre quais conte\u00fados compor\u00e3o a parte comum e ser\u00e3o obrigat\u00f3rios a todas as escolas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A MP n\u00ba 746 j\u00e1 definiu que os conhecimentos relacionados a portugu\u00eas e matem\u00e1tica ser\u00e3o obrigat\u00f3rios nos tr\u00eas anos da etapa, mas n\u00e3o ficou expl\u00edcita no texto entregue pelo MEC a obrigatoriedade dos demais saberes. Esse \u00e9 um dos aspectos que precisar\u00e3o ser melhor esclarecidos e definidos nas discuss\u00f5es sobre o documento no CNE.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Reconhecimento das juventudes<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O texto da Base reconhece que o Ensino M\u00e9dio tem de acolher as juventudes (assim, no plural). O documento tamb\u00e9m trata o jovem como algu\u00e9m que tem algo a dizer sobre seu tempo, com expectativas originais para sua vida, a sociedade e o mundo. Esse reconhecimento \u00e9 fundamental para que as escolas e a aprendizagem dos estudantes estejam conectadas \u00e0 diversidade de projetos de vida e identidades juvenis. Nesse sentido, a Base acerta ao fortalecer as opini\u00f5es dos jovens e suas vis\u00f5es de mundo, o que precisa ser considerado e incorporado na adapta\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos escolares regionais. Uma escola que acolhe as diversidades e combate todos os preconceitos trabalha a favor da forma\u00e7\u00e3o integral e, assim, cumprir\u00e1 sua miss\u00e3o: ser o ber\u00e7o de uma sociedade mais produtiva, equitativa e justa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta semana, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) entregou ao Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino M\u00e9dio. O documento nasce com uma dif\u00edcil miss\u00e3o pela frente: estancar a evas\u00e3o e a queda nos \u00edndices de aprendizagem da etapa, al\u00e9m de torn\u00e1-la mais conectada com os jovens. 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