{"id":8257,"date":"2018-03-19T18:09:15","date_gmt":"2018-03-19T21:09:15","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/alunos-querem-que-a-escola-reflita-a-vida-real-diz-brasileira-jurada-de-premio-da-unesco\/"},"modified":"2018-03-19T18:09:15","modified_gmt":"2018-03-19T21:09:15","slug":"alunos-querem-que-a-escola-reflita-a-vida-real-diz-brasileira-jurada-de-premio-da-unesco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/alunos-querem-que-a-escola-reflita-a-vida-real-diz-brasileira-jurada-de-premio-da-unesco\/","title":{"rendered":"Alunos querem que a escola reflita a vida real, diz brasileira jurada de pr\u00eamio da Unesco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A brasileira Lucia Dellagnelo ajudou a escolher dois entre 143 projetos de tecnologia na educa\u00e7\u00e3o que foram vencedores da mais recente edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Unesco, organismo da ONU para educa\u00e7\u00e3o e cultura.&nbsp;As iniciativas, praticadas na \u00cdndia e no Marrocos, receber\u00e3o pr\u00eamio de US$ 25 mil.&nbsp;Doutora e Mestre em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de Harvard, Dellagnelo foi secret\u00e1ria de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Sustent\u00e1vel em Santa Catarina de 2013 a 2015 e hoje \u00e9 diretora-presidente da ONG Centro de Inova\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Brasileira (Cieb).<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na premia\u00e7\u00e3o da Unesco, ela foi presidente do j\u00fari e representante da Am\u00e9rica Latina. Em entrevista \u00e0 BBC Brasil em S\u00e3o Paulo, Dellagnelo conta o que viu de mais inovador, entre tantas propostas mundo afora, para tornar a educa\u00e7\u00e3o mais igualit\u00e1ria, contempor\u00e2nea e qualificada usando a tecnologia. E opina sobre onde o Brasil vai bem e onde precisa melhorar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Leia os principais trechos da entrevista:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211;<\/strong> Quais foram os crit\u00e9rios para escolher os projetos premiados em Paris?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Lucia Dellagnelo &#8211; Muitas pesquisas mostram que, para a tecnologia ter um impacto positivo na educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante que seja trabalhada pelo menos em quatro dimens\u00f5es: vis\u00e3o clara do objetivo, &#8220;para que e como vou usar a tecnologia&#8221;; compet\u00eancia dos professores e gestores no uso daquela tecnologia; qualidade dos conte\u00fados e recursos educacionais digitais desenvolvidos; e infraestrutura. Procuramos avaliar quais projetos realmente contemplavam isso, mas tamb\u00e9m consideramos se aquela pol\u00edtica educacional era abrangente e de longo prazo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; O que seria esse longo prazo?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> Por exemplo, um dos premiados, o Marrocos, tem uma pol\u00edtica baseada nesses quatro pilares h\u00e1 mais de 15 anos. O pa\u00eds vem gradativamente implementando um plano chamado Genie, que sobreviveu a trocas pol\u00edticas e de gest\u00e3o. Se n\u00e3o for a longo prazo, \u00e9 dif\u00edcil correlacionar o uso de tecnologia com o impacto na qualidade. N\u00e3o \u00e9 pelo fato de usar um aplicativo ou uma plataforma adaptativa num ano que no seguinte ser\u00e3o vistas melhorias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; O projeto da \u00cdndia tamb\u00e9m tinha esse perfil?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> A \u00cdndia tem um problema muito s\u00e9rio: a evas\u00e3o no que seriam os nossos fundamental 2 e ensino m\u00e9dio. O jovem faz a escola prim\u00e1ria, aprende a ler e escrever, e depois tem muita dificuldade em seguir adiante n\u00e3o s\u00f3 por problemas econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m porque, em vilas muito pequenas e distantes dos grandes centros, n\u00e3o existe oferta de ensino m\u00e9dio. N\u00e3o h\u00e1 quem d\u00ea aula de f\u00edsica e qu\u00edmica nesses lugares, por exemplo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por meio de videoaulas \u00e0 dist\u00e2ncia, e usando uma parceria com a (universidade americana) MIT no desenvolvimento de tecnologia e laborat\u00f3rios virtuais, conseguiram baixar o \u00edndice de evas\u00e3o de jovens oferecendo um conte\u00fado de muita qualidade. O projeto, chamado CLIx, \u00e9 de um instituto, em parceria com governos locais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; O pr\u00eamio valorizou a inova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m? Videoaulas s\u00e3o usadas j\u00e1 h\u00e1 algum tempo em outros lugares.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> A fun\u00e7\u00e3o maior do pr\u00eamio \u00e9 dar visibilidade a projetos que est\u00e3o acontecendo e mostrar que, \u00e0s vezes, uma tecnologia pode n\u00e3o ser uma grande inova\u00e7\u00e3o num pa\u00eds e ser em outro. Para uma popula\u00e7\u00e3o isolada, que n\u00e3o tem nem luz el\u00e9trica, que precisa usar gerador para acessar a internet, o impacto da videoaula \u00e9 muito diferente.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tem um projeto chin\u00eas, de que gostei muito tamb\u00e9m, em que um professor da capital, identificado como muito capaz, dava aulas interativas \u00e0s vezes para 300 crian\u00e7as espalhadas em v\u00e1rios lugares do pa\u00eds. Ao mesmo tempo, formava o professor dessa vila, que estava l\u00e1 assistindo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sim, a videoaula n\u00e3o \u00e9 uma tecnologia revolucion\u00e1ria &#8211; existe isso no Amazonas, inclusive -, mas tivemos que usar essa relatividade na vota\u00e7\u00e3o: a tecnologia proposta resolve algo que n\u00e3o estaria sendo resolvido se n\u00e3o existisse?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para mim, fica claro que tem solucionado um problema real, que \u00e9 o acesso a professores qualificados. Porque o pr\u00eamio tamb\u00e9m tem esse vi\u00e9s: toda crian\u00e7a e jovem do mundo, independentemente do pa\u00eds, da cultura e da l\u00edngua que fala, tem direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Como a gente faz a tecnologia trabalhar a favor desse direito? (&#8230;) Tentamos mostrar pol\u00edticas mais amplas de uso de tecnologia que foram incorporadas, de certa maneira, pelo poder p\u00fablico &#8211; nacional, estadual ou local -, fazendo uma mudan\u00e7a sist\u00eamica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Projetos brasileiros tamb\u00e9m concorreram?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> Sim, mas eles n\u00e3o ficaram entre os 25 finalistas. Acho que uma das raz\u00f5es \u00e9 o fato de serem voltados a grupos muito espec\u00edficos. Um era de educa\u00e7\u00e3o ambiental que usava tecnologia, por\u00e9m estava muito pautado por visitas presenciais. Um outro, de uma professora de acessibilidade, focava na tecnologia para pessoas com defici\u00eancia auditiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Voc\u00ea foi jurada representando a Am\u00e9rica Latina. Qual a situa\u00e7\u00e3o do Brasil no continente em termos de tecnologia educacional?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> Tem pa\u00edses que est\u00e3o melhores do que a gente nesse quesito, como Uruguai, Chile e Costa Rica. O Uruguai adotou o projeto Plan Ceibal, cujo lema \u00e9 &#8220;um computador por aluno&#8221;. \u00c9 um pa\u00eds superpequeno, de 3,5 milh\u00f5es de habitantes, parece muito mais f\u00e1cil fazer isso. Mas esse mesmo projeto, que conta com cento e poucos funcion\u00e1rios, tamb\u00e9m cuida de toda a tecnologia educacional: compra, distribui e faz manuten\u00e7\u00e3o de computadores, al\u00e9m de capacitar professores e fazer parcerias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O pa\u00eds tinha, por exemplo, um grande problema com professores de ingl\u00eas na \u00e1rea rural. Fizeram um conv\u00eanio com o Reino Unido e todas as aulas de ingl\u00eas s\u00e3o dadas a partir de Londres, com o professor tamb\u00e9m ali, aprendendo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; A experi\u00eancia chilena \u00e9 parecida?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> L\u00e1 houve um desenvolvimento diferente. O centro de inova\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o se chama Enlaces e era uma rede de universidades que fazia pesquisa e experi\u00eancias em tecnologia educacional. Depois de alguns anos, ele foi incorporado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o como um departamento que s\u00f3 cuida disso. Na Costa Rica, \u00e9 uma funda\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que tamb\u00e9m recebe a atribui\u00e7\u00e3o do governo de cuidar de toda a tecnologia educacional, treinar os professores, comprar computadores e tal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Onde o Brasil est\u00e1 pecando?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> N\u00e3o temos essa incorpora\u00e7\u00e3o em larga escala da tecnologia nas escolas brasileiras. Oferecemos solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas de vanguarda, as empresas brasileiras n\u00e3o deixam nada a desejar nesse ponto, mas temos iniciativas isoladas no dia a dia escolar. Por qu\u00ea?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Entre outros motivos, a nossa infraestrutura n\u00e3o \u00e9 a melhor e o nosso professor n\u00e3o sabe incluir a tecnologia na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica dele. Um dos diferenciais do projeto marroquino premiado foi a cria\u00e7\u00e3o, em parceria com a Coreia do Sul, de centros de forma\u00e7\u00e3o profissional para professores em v\u00e1rias regi\u00f5es. O Brasil est\u00e1 precisando disso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Para implementar pol\u00edticas p\u00fablicas, s\u00e3o necess\u00e1rios bons gestores. Como estamos nessa categoria?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> Temos excelentes gestores p\u00fablicos. O problema \u00e9 que a gest\u00e3o p\u00fablica \u00e9 confundida com a pol\u00edtica. Quando h\u00e1 troca de governo, \u00e0s vezes um excelente gestor vai para um cargo totalmente secund\u00e1rio para dar lugar a um afilhado pol\u00edtico. Ent\u00e3o h\u00e1 uma desvaloriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Mas fico bastante impressionada quando vou a Bras\u00edlia e encontro jovens comprometidos e bem formados eticamente. Acho que est\u00e1 surgindo uma nova gera\u00e7\u00e3o. Se conseguissem diminuir a inger\u00eancia pol\u00edtica&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Professores jovens t\u00eam mais facilidade para implementar a tecnologia na sala de aula?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> Se faz diferen\u00e7a a gera\u00e7\u00e3o digital do professor? N\u00e3o necessariamente. N\u00e3o \u00e9 pelo fato de usar constantemente a tecnologia na sua vida que um professor jovem vai saber ensinar com tecnologia. N\u00e3o est\u00e1 correlacionado diretamente com a idade, e sim com se formar para fazer isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Mas uma aula, hoje, pode ser atraente se o professor usar somente lousa e pincel at\u00f4mico?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> H\u00e1 \u00f3timos professores que n\u00e3o usam muito a tecnologia, mas o que n\u00e3o se pode continuar fazendo \u00e9 dar aquela aula tradicional na qual o professor transmite o conhecimento e acha que seus alunos est\u00e3o passivamente absorvendo o conte\u00fado. Os nativos digitais t\u00eam um spam de aten\u00e7\u00e3o muito curto. Fala-se em 10 a 15 minutos. Se o professor ficar falando uma hora, eles focar\u00e3o apenas 25% desse tempo no que ele falou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Hoje, o que se defende \u00e9 a aprendizagem ativa, na qual o estudante tem de botar a m\u00e3o na massa, experimentar, tentar resolver um problema real com aquela informa\u00e7\u00e3o, com aquele conhecimento, para realmente poder aprender. E tem a quest\u00e3o da contemporaneidade. Os alunos querem que a escola reflita minimamente o que \u00e9 a vida fora dela, uma vida permeada por tecnologia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; \u00c9 preciso recorrer ao que h\u00e1 de mais moderno para cativar a aten\u00e7\u00e3o deles?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio nada muito sofisticado. Fui dar uma palestra no Esp\u00edrito Santo faz alguns dias e l\u00e1 havia uma professora de uma escola do interior do Estado que usa um aplicativo gratuito chamado Remind. Essa professora monta a sala dela na plataforma, inclui todos os alunos, cujos e-mails est\u00e3o cadastrados, e planeja a aula com uma sugest\u00e3o de leitura. Como praticamente todos os estudantes t\u00eam celular, vai fazendo perguntas via smartphone: &#8220;Gente, s\u00f3 pra ver se leram mesmo, qual o nome do cara que fez tal coisa?&#8221;. Pega as respostas, mas n\u00e3o precisa ficar corrigindo uma a uma. O pr\u00f3prio aplicativo diz quantos e quais acertaram.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A\u00ed ela organiza a sala pelos grupos de alunos que sabe que j\u00e1 aprenderam esse conte\u00fado e para quem ela pode dar uma nova tarefa, e por aqueles que precisam de uma aten\u00e7\u00e3o especial. Ou seja, usando um aplicativo gratuito, sem uma infraestrutura do outro mundo, est\u00e1 fazendo uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Essa intera\u00e7\u00e3o poderia acontecer apenas no plano virtual?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo:<\/strong> Parece um paradoxo, mas, quanto mais a gente usa a tecnologia, mais a gente valoriza na educa\u00e7\u00e3o os momentos presenciais. Mas esses momentos presenciais n\u00e3o s\u00e3o apenas transmiss\u00e3o de conhecimento. S\u00e3o reflex\u00e3o, atividades pr\u00e1ticas, colabora\u00e7\u00e3o entre os estudantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; E d\u00e1 para ter s\u00f3 tecnologia, sem professor?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> N\u00e3o. Essa \u00e9 uma coisa que as pesquisas est\u00e3o mostrando. Tr\u00eas relat\u00f3rios publicados no final do ano passado mostram que \u00e9 muito importante colocar a tecnologia na m\u00e3o do professor, e n\u00e3o direto e somente no colo dos alunos. Entre todas as vari\u00e1veis, talvez a qualidade do professor e da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica dele seja a vari\u00e1vel mais forte para associar o n\u00edvel de aprendizagem da crian\u00e7a e do jovem ao mundo tecnol\u00f3gico. Algu\u00e9m precisa ensinar a eles as implica\u00e7\u00f5es e o funcionamento daquela ferramenta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; O aluno precisa entender de algoritmo?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo:<\/strong> A Base Nacional Comum Curricular (documento rec\u00e9m-aprovado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, com as diretrizes b\u00e1sicas de o que deve ser ensinado nas escolas do pa\u00eds) tem uma compet\u00eancia geral que fala em &#8220;utilizar tecnologias de forma cr\u00edtica, significativa, reflexiva e \u00e9tica nas diversas pr\u00e1ticas do cotidiano, incluindo as escolares, para se comunicar&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O Cieb insistiu que &#8220;utilizar&#8221; n\u00e3o \u00e9 suficiente. Tem de compreender e tamb\u00e9m criar tecnologias. O aluno hoje precisa saber minimamente como programar e entender a l\u00f3gica da programa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 que todo muito vai virar programador, mas o aluno tem de entender o algoritmo por tr\u00e1s de um Facebook, de um Google, para compreender como a tecnologia est\u00e1 recomendando coisas que ele acha m\u00e1gicas: &#8220;Ah, como ele sabia que eu queria comprar isso?&#8221; Ao entrar na internet, est\u00e1 se deixando rastro. Esse rastro esta sendo cada vez mais explorado por empresas para o marketing, por exemplo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Intelig\u00eancia Artificial \u00e9 um conceito acess\u00edvel?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> Sim, o aluno precisa entender o que \u00e9 Intelig\u00eancia Artificial, compreender como \u00e9 alimentada &#8211; algu\u00e9m forneceu aquele dado, \u00e0s vezes sua pr\u00f3pria pegada digital, seu comportamento nas redes sociais. Parece um ambiente neutro. Como eu n\u00e3o vejo um interlocutor na minha frente, posso falar qualquer coisa e a qualquer hora. A pegada digital, a reputa\u00e7\u00e3o digital s\u00e3o valores que os professores precisam ensinar para os alunos. Tem que ensinar tamb\u00e9m a usar as redes sociais para fazer mobiliza\u00e7\u00f5es, para fazer sua voz ser ouvida.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>BBC Brasil &#8211; Alguns youtubers brasileiros t\u00eam cerca de 20 milh\u00f5es de seguidores entre crian\u00e7as e jovens. Qual \u00e9 a melhor estrat\u00e9gia em sala de aula para lidar com a influ\u00eancia deles?<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Dellagnelo &#8211;<\/strong> A fun\u00e7\u00e3o do professor \u00e9 ouvir o que esse youtuber est\u00e1 transmitindo e dizer, se for o caso, &#8220;vamos aprofundar, vamos discutir isso aqui&#8221;. A tecnologia permite mais equidade &#8211; alunos de diferentes regi\u00f5es conseguem receber a mesma educa\u00e7\u00e3o &#8211; e contemporaneidade. Mas \u00e9 o professor quem precisa fazer essa ponte. \u00c9 papel dele ajudar os alunos a entender esse mundo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A brasileira Lucia Dellagnelo ajudou a escolher dois entre 143 projetos de tecnologia na educa\u00e7\u00e3o que foram vencedores da mais recente edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00eamio Unesco, organismo da ONU para educa\u00e7\u00e3o e cultura.&nbsp;As iniciativas, praticadas na \u00cdndia e no Marrocos, receber\u00e3o pr\u00eamio de US$ 25 mil.&nbsp;Doutora e Mestre em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de Harvard, Dellagnelo foi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-8257","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8257\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}