{"id":8200,"date":"2018-02-19T17:23:42","date_gmt":"2018-02-19T20:23:42","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/somente-15-dos-professores-da-rede-publica-que-ensinam-ingles-dominam-o-idioma\/"},"modified":"2018-02-19T17:23:42","modified_gmt":"2018-02-19T20:23:42","slug":"somente-15-dos-professores-da-rede-publica-que-ensinam-ingles-dominam-o-idioma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/somente-15-dos-professores-da-rede-publica-que-ensinam-ingles-dominam-o-idioma\/","title":{"rendered":"Somente 15% dos professores da rede p\u00fablica que ensinam ingl\u00eas dominam o idioma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cThe book is on the table\u201d (o livro est\u00e1 sobre a mesa) talvez seja a \u00fanica express\u00e3o a compor o repert\u00f3rio lingu\u00edstico de ingl\u00eas de boa parte dos brasileiros. Uma realidade muito dif\u00edcil de ser revertida, levando em considera\u00e7\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o dos professores dessa disciplina que atuam na rede p\u00fablica de ensino. O Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) estima que em torno de 85% dos docentes que d\u00e3o aulas de ingl\u00eas para alunos de escolas p\u00fablicas n\u00e3o dominam o idioma. A defici\u00eancia nos cursos oferecidos pelas universidades e a falta de oportunidades para praticar a l\u00edngua inglesa s\u00e3o as principais causas do problema.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u2014 Os professores que est\u00e3o preparados t\u00eam oportunidade de interc\u00e2mbio. Eles conseguem se inscrever nos editais porque atendem aos requisitos. O problema \u00e9 o restante, que n\u00e3o consegue sequer entrar na forma\u00e7\u00e3o continuada. Somente cerca de 15% dos professores que atuam na rede p\u00fablica nessa disciplina t\u00eam profici\u00eancia \u2014 afirma Silvia Donnini, diretora de Forma\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento dos Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A forma\u00e7\u00e3o insuficiente dos docentes da \u00e1rea fica expl\u00edcita nos dados do Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica 2017, divulgado em janeiro pelo MEC. Apenas 42% daqueles que lecionam ingl\u00eas no primeiro segmento do ensino fundamental t\u00eam forma\u00e7\u00e3o adequada para a \u00e1rea. A disciplina \u00e9 a pior no quesito de adequa\u00e7\u00e3o docente, que considera professores com licenciatura ou bacharelado com complementa\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica na mesma \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Ou seja, h\u00e1 docentes formados, por exemplo, para dar aulas de portugu\u00eas, mas que atuam como professores de ingl\u00eas. No segundo segmento do fundamental, do 6\u00ba ao 9\u00ba ano, o \u00edndice \u00e9 um pouco mais alto, mas ainda representa menos da metade dos docentes: 49,2%. Nessa etapa, a disciplina \u00e9 a segunda pior no que diz respeito \u00e0 adequa\u00e7\u00e3o, perdendo somente para artes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ter uma forma\u00e7\u00e3o considerada \u201cadequada\u201d na teoria, no entanto, n\u00e3o significa nenhuma garantia na pr\u00e1tica. A professora Amanda, que prefere usar esse nome fict\u00edcio, cursou Letras com \u00eanfase em l\u00edngua inglesa em uma universidade particular e, mesmo antes de chegar \u00e0s salas de aula, n\u00e3o se sentia preparada para ensinar o idioma a alunos mais velhos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u2014 Durante o curso na universidade, minha turma foi diminuindo consideravelmente. Acompanhar as aulas em ingl\u00eas era complicado. Os colegas que n\u00e3o tinham muitos conhecimentos do idioma entraram em contato com a coordena\u00e7\u00e3o, que obrigou os nossos professores a darem aulas em portugu\u00eas. Quem n\u00e3o busca uma forma\u00e7\u00e3o paralela n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o alguma de trabalhar como professor depois \u2014 desabafa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por se sentir insegura, ainda na universidade, Amanda procurou um curso de idiomas para complementar a forma\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, encontrou dificuldades quando tentou ensinar ingl\u00eas para estudantes que j\u00e1 tinham contato com a l\u00edngua.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u2014 Se voc\u00ea trabalha com crian\u00e7as at\u00e9 o 5\u00ba ano, \u00e9 mais f\u00e1cil porque, mesmo que elas fa\u00e7am um curso de ingl\u00eas, dificilmente estar\u00e3o no n\u00edvel intermedi\u00e1rio. J\u00e1 no ensino m\u00e9dio, o aluno sabe que a gram\u00e1tica do professor est\u00e1 errada. Quando eu peguei uma turma nessa fase, passei a me sentir muito insegura, ent\u00e3o larguei no final do ano letivo. Preferi trabalhar s\u00f3 com educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Para Silvia Donnini, do MEC, melhorar esse quadro passa por uma reformula\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo das universidades:<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u2014 No Brasil, a forma\u00e7\u00e3o, em geral, \u00e9 bastante te\u00f3rica e menos focada em quest\u00f5es de conversa\u00e7\u00e3o e profici\u00eancia. Isso n\u00e3o corresponde \u00e0 demanda da pr\u00e1tica em sala de aula, que \u00e9 uma abordagem comunicativa. Precisamos fazer uma revis\u00e3o do curr\u00edculo dos cursos de licenciatura e corrigir este problema, que tem sido muito comum. O professor de l\u00edngua inglesa n\u00e3o \u00e9 um falante de l\u00edngua inglesa. Isso faz com que o estudante n\u00e3o tenha uma refer\u00eancia de conversa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Essa revis\u00e3o est\u00e1 na mira do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), inst\u00e2ncia respons\u00e1vel por fazer as modifica\u00e7\u00f5es desses par\u00e2metros. Antes disso, \u00e9 necess\u00e1rio que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino m\u00e9dio, prevista para ser entregue ao \u00f3rg\u00e3o em mar\u00e7o, seja finalizada. A forma\u00e7\u00e3o das universidades, em geral, prioriza uma abordagem que se distancia, sobretudo, dos novos objetivos tra\u00e7ados pela Base do ensino fundamental, j\u00e1 homologada pelo MEC. O documento, inclusive, aponta o idioma como a l\u00edngua estrangeira a ser ensinada nas escolas a partir do 6\u00ba ano. Antes n\u00e3o havia essa especifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u2014 A BNCC assinala uma \u00eanfase maior na conversa\u00e7\u00e3o e nas quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas, e defende que o aluno tenha contato com a l\u00edngua real, o ingl\u00eas falado no mundo, n\u00e3o s\u00f3 nos pa\u00edses onde \u00e9 l\u00edngua materna\u2014 explica Ivan Cl\u00e1udio Siqueira, membro do CNE, que participou da confec\u00e7\u00e3o da Base relativa ao ingl\u00eas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Baixa carga hor\u00e1ria<\/span><\/strong><br \/><span style=\"font-size: 12pt;\">O educador admite, entretanto, que h\u00e1 muitos obst\u00e1culos a serem transpostos para garantir que, ao final do ensino fundamental, os alunos tenham uma forma\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria no idioma. Um deles \u00e9 o pouco tempo de aula de l\u00edngua estrangeira que os alunos t\u00eam por semana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u2014 Ao final do fundamental, o estudante deveria de fato estar no n\u00edvel b\u00e1sico, o que seria equivalente ao A2 na escala de profici\u00eancia, e ter condi\u00e7\u00f5es de se apresentar, entender coisas relativas \u00e0 idade. Mas isso est\u00e1 muito relacionado ao contato que ele tem com a l\u00edngua. Se depender apenas dos cem minutos semanais de aula, o aluno aprende e esquece \u2014 analisa Ivan.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Jodie Gray, diretora de desenvolvimento da English UK, uma associa\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica de centros de ensino de ingl\u00eas, afirma que tornar o idioma a l\u00edngua estrangeira a ser ensinada nas escolas \u00e9 uma decis\u00e3o importante, mas que precisa vir acompanhada de outras estrat\u00e9gias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u2014 Ainda que n\u00e3o esperemos que todo mundo no Brasil se torne fluente e viaje ao redor do mundo, aumentar o n\u00edvel de ingl\u00eas quando as pessoas terminam a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica \u00e9 um ponto de partida. Uma das solu\u00e7\u00f5es \u00e9 fazer uma abordagem mista, em que os docentes melhorem o ingl\u00eas com uma metodologia de aprendizagem on-line e tamb\u00e9m presencial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para ela, o treinamento inicial de pequenos grupos poderia ajudar nessa tarefa:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u2014 \u00c9 preciso melhorar as habilidades de linguagem dos docentes e depois pensar sobre metodologia de ensino. Quando h\u00e1 treinamento para um pequeno n\u00famero de professores, eles se tornam refer\u00eancia e podem ensinar outros. H\u00e1 um efeito cascata. \u00c9 sustent\u00e1vel para o futuro e tem custo baixo.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cThe book is on the table\u201d (o livro est\u00e1 sobre a mesa) talvez seja a \u00fanica express\u00e3o a compor o repert\u00f3rio lingu\u00edstico de ingl\u00eas de boa parte dos brasileiros. Uma realidade muito dif\u00edcil de ser revertida, levando em considera\u00e7\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o dos professores dessa disciplina que atuam na rede p\u00fablica de ensino. 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