{"id":809,"date":"2004-09-28T17:22:00","date_gmt":"2004-09-28T20:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2004\/09\/28\/para-construir-leitores\/"},"modified":"2004-09-28T17:22:00","modified_gmt":"2004-09-28T20:22:00","slug":"para-construir-leitores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/para-construir-leitores\/","title":{"rendered":"Para construir leitores"},"content":{"rendered":"<p>Ele j\u00e1 ajudou a construir centenas de casas, mas talvez nenhuma como a dele pr\u00f3prio, com 40 mil livros e um nome, Biblioteca Comunit\u00e1ria Tobias Barreto, localizada no bairro de Vila da Penha, no Rio de Janeiro. O pedreiro sergipano Evando dos Santos, 40, declamou poesias enquanto era entrevistado e, al\u00e9m do autor preferido \u2014o que deu nome \u00e0 casa-biblioteca\u2014, falou de Pablo Neruda, Che Guevara, Machado de Assis, Voltaire, Rams\u00e9s, Dom Pedro, Gabriela Mistral e Alu\u00edzio Azevedo. \u201cLivro para mim \u00e9 vida.\u201c\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Evando estudou na ro\u00e7a, na cidade de Aquidab\u00e3 (SE), at\u00e9 o que ele acredita ser o segundo ano do ensino fundamental. \u201cQuando eu ouvia falarem de l\u00edngua portuguesa, pensava que portuguesa era uma pessoa, acredita?\u201c Como n\u00e3o havia livros em sua casa e ele deixou cedo a escola, a possibilidade de que surgisse alguma intimidade com a leitura era remota. \u201cMeu \u00fanico contato era com a literatura de cordel, que eu ouvia nas ruas\u201c, conta.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Apesar das condi\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias e da pouca educa\u00e7\u00e3o formal, a erudi\u00e7\u00e3o do pedreiro e sua hist\u00f3ria s\u00e3o uma rara exce\u00e7\u00e3o no universo da leitura no Brasil \u2014Evando l\u00ea cerca de dez livros por m\u00eas, o que o coloca muito acima da m\u00e9dia de leitura dos brasileiros, que \u00e9 de 1,8 livro por pessoa, por ano, de acordo com a CBL (C\u00e2mara Brasileira do Livro). Al\u00e9m disso, a maioria das pessoas que, como ele, teve pouco ou quase nenhum acesso \u00e0 escola n\u00e3o consegue compreender o que l\u00ea. Apenas 25% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos s\u00e3o capazes de ler textos longos, localizar mais de uma informa\u00e7\u00e3o e estabelecer rela\u00e7\u00f5es entre diferentes textos, de acordo com o Inaf (Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional) de 2003, \u00edndice obtido a partir de pesquisa da ONG A\u00e7\u00e3o Educativa, em parceria com o Instituto Paulo Monte Negro, do Ibope.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Por n\u00e3o ter freq\u00fcentado a escola o quanto deveria e por n\u00e3o ter tido o est\u00edmulo para a leitura dentro de casa, Evando \u00e9 um anti-exemplo. Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, o gosto e o interesse pelos livros s\u00e3o adquiridos socialmente, apesar de a leitura ser um ato individual.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para Vera Masag\u00e3o, da ONG A\u00e7\u00e3o Educativa, o principal ambiente em que as pessoas podem ser acostumadas ao universo da leitura \u00e9 a escola, \u201ccom todas as defici\u00eancias que ela tem\u201c. Ao lado dela, est\u00e1 a fam\u00edlia. \u201cQuem nasceu em uma fam\u00edlia de leitores, independentemente do poder aquisitivo dessa fam\u00edlia, tem muita chance de se tornar um grande apreciador dos livros\u201c, acredita o presidente do Instituto Brasil Leitor, William Nacked. Um dado do Inaf parece sustentar essa opini\u00e3o: a m\u00e3e \u00e9 indicada por 41% dos entrevistados como uma das duas pessoas que mais influenciam o gosto pela leitura \u2014professores s\u00e3o citados por 36%, e o pai, por 24%.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O caminho, assim, \u00e9 de m\u00e3o dupla: se o n\u00edvel de letramento \u00e9 baixo, \u00e9 preciso realizar mudan\u00e7as no sistema de ensino. Se o cidad\u00e3o n\u00e3o consegue compreender o que l\u00ea e se n\u00e3o h\u00e1 o que ler nas casas das pessoas, o contato cada vez mais pr\u00f3ximo e freq\u00fcente com o livro, ainda que o mais simples poss\u00edvel, pode lev\u00e1-lo a querer se aprofundar no universo da leitura. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Mas nem todos entre os que conseguem compreender, por exemplo, uma reportagem como esta chegam a ser um leitor voraz de livros. De acordo com a CBL, h\u00e1 no Brasil apenas 26 milh\u00f5es de leitores ativos, ou seja, l\u00eaem pelo menos quatro livros por ano. Al\u00e9m disso, somente um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o adulta alfabetizada aprecia a leitura de livros e, dos 2,4 livros per capita produzidos por ano no Brasil, apenas 0,7 s\u00e3o n\u00e3o-did\u00e1ticos, segundo o MEC.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Assim, h\u00e1 dois caminhos a serem seguidos: um que leve a literatura aos que n\u00e3o l\u00eaem e possuem baixo n\u00edvel de letramento e outro que direcione os leitores ativos a lerem ainda mais livros.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cPara aquele que n\u00e3o l\u00ea, n\u00e3o adianta querer unir forma e conte\u00fado. Ele nunca vai conseguir se interessar. Se voc\u00ea der algo que ele quer muito, vai funcionar. Ele tem de conviver com o objeto para saber o que pode encontrar nele\u201c, acredita Marino Lobello, vice-presidente da CBL. Para Evando dos Santos, o pedreiro dos 40 mil livros, o importante \u00e9 o leitor \u201cse achar\u201c. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode dar feijoada a quem s\u00f3 consegue comer caldo verde\u201c, brinca.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para despertar o interesse pela leitura em quem n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o, valem esfor\u00e7os como o da professora Maria do Socorro D \u00c1vila Oliveira, que coordena o Mala de Leitura, projeto do Centro dos Trabalhadores da Amaz\u00f4nia. Ela leva livros para comunidades do interior da floresta do Acre, como uma biblioteca ambulante. S\u00e3o duas horas de carro para ir de Rio Branco a Xapuri. De l\u00e1, Socorro pega um barco e, depois de dois dias, chega \u00e0 floresta, onde caminha por mais oito horas at\u00e9 a comunidade de S\u00e3o Jos\u00e9, que tem cerca de 40 habitantes. Na bagagem, duas malas de livros.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Segundo a professora, ainda que os livros sejam simples \u2014\u00e0s vezes de pequenas frases\u2014, s\u00e3o a \u201cisca\u201c para despertar o interesse. Prova disso \u00e9 que, em S\u00e3o Jos\u00e9, os moradores l\u00eaem at\u00e9 20 livros em dois meses \u2014tempo m\u00e9dio em que a mala fica na escola da regi\u00e3o, at\u00e9 que uma nova troca das obras seja feita. Nas comunidades, pais, filhos, tios, primos, todos l\u00eaem juntos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O resultado do esfor\u00e7o de Socorro faz com que ela defenda com propriedade a tese de que, tendo livros \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, as pessoas l\u00eaem. \u201cPodem come\u00e7ar aos poucos, mas logo descobrem o quanto esse h\u00e1bito pode ser agrad\u00e1vel.\u201c William Nacked, do IBL, concorda: aqueles que t\u00eam pouca instru\u00e7\u00e3o precisam descobrir o prazer da leitura sem compromisso, para assim adquirir o \u201cv\u00edcio\u201c.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Mas os integrantes do projeto Vamos Ler um Livro, do N\u00facleo Cultural For\u00e7a Ativa \u2014que nasceu no movimento hip hop e hoje realiza diversos projetos sociais e culturais em Cidade Tiradentes (zona leste de S\u00e3o Paulo), lutando principalmente contra o racismo\u2014 discordam dessa falta de compromisso com o que se l\u00ea. Para eles, mesmo quem possui pouca cultura liter\u00e1ria deve aprender a ser seletivo. \u201cQuando falamos de leitura, nos referimos \u00e0 busca de conhecimento, o que n\u00e3o se faz lendo  qualquer coisa . Existem leituras e leituras, e n\u00f3s incentivamos a leitura de autores preocupados em entender o Brasil e a sociedade de um modo geral\u201c, diz o porta-voz do grupo, Washington Lopes G\u00f3es, 28.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O grupo de rap Juventude Armada, cujos integrantes fazem parte do For\u00e7a Ativa, comp\u00f4s a can\u00e7\u00e3o \u201cVamos Ler um Livro\u201c, que d\u00e1 uma id\u00e9ia do trabalho realizado pelo n\u00facleo. Sem meias-palavras, a can\u00e7\u00e3o d\u00e1 o recado: \u201cChega de ler besteira\/ Chega de babaquice\/ Procure se informar\/ N\u00e3o seja o mestre da burrice\/ S\u00e3o tantos que falam merda\/ E isso enjoa, \u00e9 um tormento\/ Procure ler um livro\/ Pois \u00e9 a m\u00e1quina do tempo\u201c.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Se as palavras cantadas no rap s\u00e3o eficazes para instigar as pessoas \u00e0 leitura, mais uma vez a hist\u00f3ria de Evando dos Santos confirma que ouvir pode ser um bom come\u00e7o. Para ele, \u201c\u00e9 preciso dar livros \u00e0s pessoas e ensin\u00e1-las a gostar de ouvir hist\u00f3rias. Sem o contato humano, \u00e9 mais dif\u00edcil surgir o interesse pela leitura\u201c. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Depois da literatura de cordel que ouvia em Aquidaban, foi o pastor da igreja que, indicando-lhe a leitura dos salmos, \u201cque s\u00e3o poesia doce como o mel\u201c, fez com que Evando passasse da curiosidade \u00e0 pr\u00e1tica. Mas o impulso que o levou \u00e0 paix\u00e3o pela literatura foi dado por um colega de trabalho. \u201cNa hora do almo\u00e7o, todo dia, ele ficava quieto em um canto, s\u00e9rio, lendo, e n\u00e3o gostava que ningu\u00e9m chegasse perto. De repente, levantava e dizia:  Hoje declamarei Shakespeare, falarei de Leonardo da Vinci . E eu l\u00e1 sabia quem era esse Shakespeare? E ele dizia:  Prestem aten\u00e7\u00e3o, ou\u00e7am. S\u00f3 se aprende ouvindo . Com isso, esse homem me arrebatou o esp\u00edrito!\u201c, conta Evando, que ent\u00e3o come\u00e7ou a comprar livros.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Mas n\u00e3o \u00e9 preciso esperar o rompante po\u00e9tico de um colega de trabalho para ouvir a declama\u00e7\u00e3o de poesias ou a leitura de um conto. \u00c9 poss\u00edvel participar de saraus e recitais de hist\u00f3rias em locais como a pra\u00e7a Benedito Calixto, em S\u00e3o Paulo \u2014onde todos os s\u00e1bados acontece o projeto Autor na Pra\u00e7a\u2014, e bibliotecas onde contadores de hist\u00f3rias, atores e jogadores de RPG procuram estreitar o contado das pessoas com os livros.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cN\u00e3o basta a estante com livros, isso n\u00e3o garante a forma\u00e7\u00e3o de leitores. Criando estrat\u00e9gias de apropria\u00e7\u00e3o do leitor com o espa\u00e7o da leitura conseguimos formar o h\u00e1bito\u201c, acredita Durvalina Soares Silva, coordenadora do setor de Bibliotecas P\u00fablicas e do de Bibliotecas Infanto-Juvenis da Prefeitura de S\u00e3o Paulo. Ela comenta que, nos saraus, a produ\u00e7\u00e3o local vem \u00e0 tona, \u201ce as pessoas n\u00e3o saem mais da biblioteca, assumem um v\u00ednculo que tamb\u00e9m \u00e9 afetivo\u201c.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> E como fazer o leitor ativo, que l\u00ea quatro livros por ano, passar a ler oito? Para Lobello, esse p\u00fablico carece de polimento. O vice-presidente da CBL acredita que essas pessoas difundem o h\u00e1bito da leitura e s\u00e3o perme\u00e1veis a campanhas promocionais \u2014como cole\u00e7\u00f5es a pre\u00e7os acess\u00edveis e livros de bolso.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A rec\u00e9m-criada biblioteca Embarque na Leitura, instalada pelo IBL na esta\u00e7\u00e3o Para\u00edso do Metr\u00f4, em S\u00e3o Paulo, quer fazer isso. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Os passageiros que circulam diariamente por ali \u2014s\u00e3o cerca de 250 mil\u2014 podem retirar um livro de gra\u00e7a. A m\u00e9dia de cadastros tem sido de 300 por dia.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Mais convidativa aos leitores tamb\u00e9m espera ficar a Biblioteca Mario de Andrade, em S\u00e3o Paulo, a segunda maior do pa\u00eds, que est\u00e1 passando por uma reforma para ampliar as possibilidades de atendimento ao p\u00fablico. Por enquanto, problemas estruturais come\u00e7am a ser resolvidos, alguns graves, como o mofo na sala de mapas. Para o ano que vem, pretende-se ampliar o sal\u00e3o de leitura da biblioteca e construir um novo audit\u00f3rio, entre outras reformas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cA pessoa quer ser bem atendida em uma biblioteca, ter livros novos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, um bom lugar para ler. Nenhum desses aspectos funciona no Brasil atualmente\u201c, acredita Jos\u00e9 Castilho Marques Neto, diretor da Mario. Dados do Inaf mostram que mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o (34%) afirma nunca ter ido a uma biblioteca. Nas classes D e E, esse percentual \u00e9 de 49%.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Na opini\u00e3o de Pedro Corr\u00eaa do Lago, presidente da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro, um fator \u00e9 fundamental para despertar o apetite pela leitura: o acesso aos livros e a outras formas de texto impresso. \u201c\u00c9 um caso t\u00edpico em que a oferta pode criar a demanda\u201c, diz Lago, que est\u00e1 \u00e0 frente do projeto Fome de Livro, do governo federal, que pretende zerar o n\u00famero de munic\u00edpios brasileiros sem biblioteca.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O diretor da escola de Estudos Tecnol\u00f3gicos da Universidade de Michigan, nos EUA, Morell Boone, fez um trabalho sobre as bibliotecas das universidades. Ele acredita que a biblioteca do futuro, que j\u00e1 \u00e9 realidade em diversos pa\u00edses, como disse ao Sinapse, \u201cdeve equilibrar dois mundos: o da livraria como deposit\u00f3rio de livros e como um lugar que ofere\u00e7a uma gama de op\u00e7\u00f5es para o consumidor\u201c.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Em Ribeir\u00e3o Preto (314 km ao norte de S\u00e3o Paulo), das 72 bibliotecas comunit\u00e1rias instaladas pela prefeitura desde 2001, aquelas em que a comunidade promove a\u00e7\u00f5es culturais s\u00e3o as que mais fortemente podem promover o h\u00e1bito da leitura, acredita Christina Tavares, presidente do Instituto do Livro, organismo vinculado \u00e0 Secretaria Municipal de Cultura da cidade e respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o do programa.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Instaladas em escolas, ONGs, igrejas, bases comunit\u00e1rias e associa\u00e7\u00f5es de moradores, cada nova biblioteca possui um acervo de cerca de 850 t\u00edtulos, que totalizam aproximadamente 2.500 exemplares. O dado mais animador, para Tavares, foi o obtido h\u00e1 duas semanas, a partir de uma pesquisa realizada pelo Instituto do Livro: mostrou que a m\u00e9dia de leitura da popula\u00e7\u00e3o de Ribeir\u00e3o foi de sete livros em 2003. \u201cA parceria com essas entidades garante o car\u00e1ter p\u00fablico das bibliotecas, j\u00e1 que todas, mesmo as que ficam em escolas, s\u00e3o abertas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. E em boa parte dos casos a solicita\u00e7\u00e3o vem da pr\u00f3pria comunidade, o que j\u00e1 indica que o espa\u00e7o n\u00e3o ficar\u00e1 dado \u00e0s moscas\u201c, diz.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Outra a\u00e7\u00e3o recente aconteceu em julho, no Rally dos Sert\u00f5es. Participantes da competi\u00e7\u00e3o distribu\u00edram pelo percurso 5.000 livros \u2014al\u00e9m de 500 obras em braile\u2014 da escritora Patr\u00edcia Secco, 41. A autora j\u00e1 escreveu mais de 90 livros e distribuiu, em sete anos de trabalho, cerca de 16 milh\u00f5es de exemplares das obras.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O livro, como objeto vivo dentro da sociedade, aproxima as pessoas. \u201cPessoas que l\u00eaem, quando pr\u00f3ximas de outras que n\u00e3o l\u00eaem, geram interesse pela leitura\u201c, acredita Vera Masag\u00e3o. Nesse sentido, mais uma vez a hist\u00f3ria do pedreiro funciona como coluna vertebral desse corpo chamado leitura. Todo final de ano \u2014e o evento j\u00e1 est\u00e1 na sua quinta edi\u00e7\u00e3o\u2014, ele realiza a \u201cfeijoada liter\u00e1ria\u201c, para cerca de 160 pessoas. \u201cTodo mundo se alimenta muito. De comida e de poesia\u201c, brinca.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Evando, ainda que diga que s\u00f3 ele entende o que escreve, j\u00e1 produziu sua autobiografia \u2014\u201cAs Aventuras do Pedreiro Maluquinho por Livro\u201c\u2014 e reuniu pessoas da regi\u00e3o onde mora para organizar o livro \u201cA Hist\u00f3ria da Penha Escrita pelos Moradores\u201c, que tem 120 p\u00e1ginas e 44 fotos. \u201cTamb\u00e9m estamos escrevendo o  Dicion\u00e1rio das Pessoas Importantes Desconhecidas , em que vamos contar a hist\u00f3ria do coveiro, do pedreiro, do porteiro, da faxineira&#8230; J\u00e1 temos 240 hist\u00f3rias, e queremos chegar a 2.000\u201c, diz o pedreiro, que conta com o apoio de estudantes de escolas da regi\u00e3o.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O administrador de empresas Marcelo Sanuto, 50, foi contaminado por Evando: os primeiros 500 livros com os quais abriu, em sua casa, o que atualmente \u00e9 a Biblioteca Comunit\u00e1ria Paulo Freire, que tem acervo de 12 mil exemplares, foram doados pelo pedreiro. \u201cSempre quis montar uma biblioteca comunit\u00e1ria. Soube do trabalho do Evando, e foi a\u00ed que tudo come\u00e7ou\u201c, conta Sanuto, que organizou no in\u00edcio do projeto, em 1999, no bairro de Caxias, no Rio, um mutir\u00e3o liter\u00e1rio que arrecadou 1.050 livros.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cMuitas pessoas tinham os livros guardados como objetos que ocupavam espa\u00e7o. Queremos difundir a id\u00e9ia de que, se eu d\u00f4o livros que tenho guardados, pessoas que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 leitura ter\u00e3o a oportunidade de l\u00ea-los\u201c, diz Sanuto. Ele tamb\u00e9m seguiu o exemplo de Evando \u2014que ajudou a montar outras 18 bibliotecas na Baixada Fluminense, tamb\u00e9m nascidas nas casas das pessoas\u2014 e j\u00e1 doou obras para abrir tr\u00eas bibliotecas em bairros vizinhos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Em 1999, moradores de grandes resid\u00eancias de Moema, bairro de classe m\u00e9dia alta de S\u00e3o Paulo, estavam migrarando para edif\u00edcios, justamente quando o ge\u00f3grafo Aziz Ab Saber, do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da USP, decidiu montar bibliotecas comunit\u00e1rias. Com o apoio de \u201cagitadores culturais\u201c, montou postos de coleta em farm\u00e1cias, bares e at\u00e9 em uma academia de gin\u00e1stica. \u201cAs pessoas n\u00e3o tiveram d\u00favidas: doaram os livros. Ele ajudou a estruturar 21 bibliotecas comunit\u00e1rias, que t\u00eam ao todo cerca de 40 mil obras, instaladas em escolas de samba, cursos pr\u00e9-vestibular populares e associa\u00e7\u00f5es de moradores, entre outros locais da capital paulista.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Essas iniciativas, somadas \u00e0s a\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es, governos e empresas, podem de fato fazer com que o livro chegue at\u00e9 as pessoas, e n\u00e3o h\u00e1 outra maneira de criar condi\u00e7\u00f5es para formar futuros leitores. Com os livros \u00e0 m\u00e3o e com atividades que desenvolvam nas pessoas o interesse por manuse\u00e1-los, folhe\u00e1-los, absorv\u00ea-los, talvez muitas casas passem a ter, al\u00e9m dos tijolos manuseados por Evando dos Santos, um d\u00e9cimo dos 40 mil livros que, hoje, s\u00e3o como novas paredes na casa do pedreiro.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Ele n\u00e3o p\u00e1ra a\u00ed \u2014outras paredes est\u00e3o nos seus planos. Quer montar uma faculdade comunit\u00e1ria que conta at\u00e9 com projeto arquitet\u00f4nico de Oscar Niemeyer. Mas seu principal sonho \u00e9 ver os livros t\u00e3o difundidos quanto um prato de arroz e feij\u00e3o. Em \u201cA Vida de Galileu\u201c, pe\u00e7a do escritor alem\u00e3o Bertolt Brecht, Galileu Galilei diz ao seu assistente Andrea: \u201cPonha o leite na mesa, mas n\u00e3o feche os livros\u201c. A cena se assemelha ao desejo de Evando e de outras pessoas, que aguardam o dia em que a literatura fa\u00e7a de fato parte da rotina \u2014e da cesta b\u00e1sica\u2014 das pessoas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>Os n\u00fameros das letras\u00a0<\/B><br \/> \u00a0<br \/> <B>Na popula\u00e7\u00e3o brasileira, de 15 a 64 anos:<\/B>\u00a0<br \/> 8% s\u00e3o analfabetos\u00a0<br \/> 30% localizam informa\u00e7\u00f5es simples em uma frase\u00a0<br \/> 37% localizam informa\u00e7\u00e3o em texto curto\u00a0<br \/> 25% estabelecem rela\u00e7\u00f5es entre textos longos\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>Quantos livros cada pessoa l\u00ea por ano:<\/B>\u00a0<br \/> 7 na Fran\u00e7a\u00a0<br \/> 5,1 nos EUA\u00a0<br \/> 5 na It\u00e1lia\u00a0<br \/> 4,9 na Inglaterra\u00a0<br \/> 1,8 no Brasil\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>No Brasil:<\/B>\u00a0<br \/> 16% da popula\u00e7\u00e3o det\u00e9m 73% dos livros\u00a0<br \/> de 1995 a 2003, a venda de livros caiu 50%, e o n\u00famero de t\u00edtulos lan\u00e7ados, 13%\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>Da popula\u00e7\u00e3o adulta alfabetizada do pa\u00eds:<\/B>\u00a0<br \/> um ter\u00e7o aprecia a leitura de livros\u00a0<br \/> 61% tem muito pouco ou nenhum contato com livro\u00a0<br \/> 47% possui no m\u00e1ximo dez livros em casa\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Fontes: CBL, IBL, BNDES, MEC e Inaf\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>Dicas<\/B>\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>Para gostar de ler<\/B>\u00a0<br \/> Se h\u00e1 algu\u00e9m na fam\u00edlia que l\u00ea, aproveite: essa pessoa pode indicar um bom caminho para voc\u00ea se familiarizar com os livros.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Grupos de discuss\u00e3o liter\u00e1ria e sites de literatura na internet podem ajud\u00e1-lo a descobrir livros que possam interess\u00e1-lo.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Participe de encontros com escritores e palestras sobre literatura em institutos culturais, casas de cultura e bibliotecas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Se voc\u00ea \u00e9 do tipo que gosta de saber sobre a vida dos famosos, leia uma biografia. Se \u00e9 leitor voraz de jornais, experimente livros de cr\u00f4nicas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Uma pe\u00e7a ou um filme cuja hist\u00f3ria foi baseada em um livro pode lev\u00e1-lo a procurar a obra original.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Freq\u00fcente sebos, livrarias e bibliotecas. A proximidade com os livros pode come\u00e7ar a seduzi-lo.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>Para as crian\u00e7as aprenderem\u00a0<\/B><br \/> \u00a0<br \/> Reserve algumas horas por dia para a leitura em fam\u00edlia. Fa\u00e7a com que a crian\u00e7a aprecie o momento e n\u00e3o o encare como uma obriga\u00e7\u00e3o.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Freq\u00fcente livrarias e bibliotecas com a crian\u00e7a e leve-a para eventos de contadores de hist\u00f3rias ou conte-as voc\u00ea mesmo. Fa\u00e7a disso um programa de lazer.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Converse com as crian\u00e7as sobre livros e pe\u00e7a-lhes que comentem a hist\u00f3ria que acabaram de ler. Isso estimula a forma\u00e7\u00e3o do pensamento cr\u00edtico.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Em anivers\u00e1rios de crian\u00e7as, d\u00ea livros.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Estabele\u00e7a hor\u00e1rios fixos para computador, videogame e TV. Tente dosar essas atividades com a leitura.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jogos com palavras e frases tamb\u00e9m podem estimular o h\u00e1bito pela leitura.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Leia mais\u00a0<br \/> <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/sinapse\/ult1063u930.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Uma vida pelos livros<\/a>\u00a0<br \/> <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/sinapse\/ult1063u929.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Na inf\u00e2ncia, menos TV e mais livros<\/a><br \/> <a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha\/sinapse\/ult1063u928.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">70 anos de paix\u00e3o<\/a><br \/> <a href=\"http:\/\/polls.folha.com.br\/poll\/0427002\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Enquete: \u201cLer \u00e9.\u201c<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele j\u00e1 ajudou a construir centenas de casas, mas talvez nenhuma como a dele pr\u00f3prio, com 40 mil livros e um nome, Biblioteca Comunit\u00e1ria Tobias Barreto, localizada no bairro de Vila da Penha, no Rio de Janeiro. 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