{"id":8045,"date":"2017-11-06T15:24:46","date_gmt":"2017-11-06T17:24:46","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/campea-em-educacao-finlandia-agora-exporta-seu-modelo\/"},"modified":"2017-11-06T15:24:46","modified_gmt":"2017-11-06T17:24:46","slug":"campea-em-educacao-finlandia-agora-exporta-seu-modelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/campea-em-educacao-finlandia-agora-exporta-seu-modelo\/","title":{"rendered":"Campe\u00e3 em educa\u00e7\u00e3o, Finl\u00e2ndia agora exporta seu modelo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c0 primeira vista, a escola de ensino fundamental Siltam\u00e4en n\u00e3o tem nada de especial. \u00c9 uma das tr\u00eas de Siltam\u00e4ki, bairro essencialmente de classe m\u00e9dia, na zona norte de Helsinque, a capital da Finl\u00e2ndia. As 270 crian\u00e7as matriculadas ali, com idade de 7 a 15 anos, s\u00e3o as que moram nas vizinhan\u00e7as da escola, que \u00e9 p\u00fablica. Como boa parte das escolas fora do centro da capital, a Siltam\u00e4en tem um grande quintal e \u00e9 cercada por uma floresta. Mas ali ocorre um projeto experimental que, de certa forma, resume as ambi\u00e7\u00f5es que a Finl\u00e2ndia tem para o futuro de sua educa\u00e7\u00e3o, considerada uma das melhores do mundo.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Numa sala do segundo andar da escola fica o Fuse Studio, um programa desenvolvido pela universidade americana Northwestern, de Chicago, para estimular na garotada o interesse em ci\u00eancias, tecnologia, engenharia, design e matem\u00e1tica. A rotina dos estudantes no laborat\u00f3rio \u00e9 escolher desafios em \u00e1reas como rob\u00f3tica, biotecnologia, desenvolvimento de jogos e impress\u00e3o em 3D. A maioria dos desafios vem em kits para ser manipulados pelos estudantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando EXAME visitou a escola, no final de outubro, um grupo de alunos do 5o ano da professora Nina Orpana constru\u00eda um carrinho movido a energia solar. Eram meninos e meninas de 11 anos, sem uniformes e descal\u00e7os, que habilmente colocavam minipain\u00e9is fotovoltaicos na carroceria de carrinhos de pl\u00e1sticos. Uma lanterna potente era a fonte de energia que carregava a bateria e fazia o brinquedo se movimentar. Os alunos anotavam os dados de tempo de exposi\u00e7\u00e3o da luz e de velocidade do carrinho \u2014 conceitos de f\u00edsica que eles estavam aprendendo e nem percebiam. Outros grupos de estudantes faziam experimentos com luzes led e ringtones para celulares. A professora Nina vibrava a cada experi\u00eancia que dava certo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O laborat\u00f3rio come\u00e7ou a funcionar na escola no ano passado e, como atende \u00e0s diretrizes do novo curr\u00edculo nacional finland\u00eas, lan\u00e7ado em 2016, com grande \u00eanfase em tecnologia, dever\u00e1 ser adotado em outras unidades de ensino. \u201cO objetivo agora \u00e9 desenvolver nos alunos as compet\u00eancias exigidas para o s\u00e9culo 21\u201d, diz Ann-Mari Jaatinen, diretora da escola, que se dedicou durante dois anos para trazer o laborat\u00f3rio para a Siltam\u00e4en.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A motiva\u00e7\u00e3o de professores, assistentes e diretores de escolas, como a vista na Siltam\u00e4en, \u00e9 o que move praticamente todo o sistema educacional da Finl\u00e2ndia. O pa\u00eds n\u00f3rdico de 5,5 milh\u00f5es de habitantes, que passa quase metade do ano coberto por neve, coleciona indicadores de educa\u00e7\u00e3o e de qualifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o invej\u00e1veis. Hoje, 99% dos jovens concluem o ensino m\u00e9dio, o maior \u00edndice global. No Brasil, s\u00f3 59% completam essa fase at\u00e9 os 19 anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No Pisa, <a href=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2017\/10\/q50a_finlandia.png\">teste educacional aplicado pela OCDE<\/a> \u2014 associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane 34 economias ricas \u2014 para avaliar a compet\u00eancia de jovens de 15 anos em matem\u00e1tica, leitura e ci\u00eancias em 70 pa\u00edses, os finlandeses t\u00eam aparecido entre os melhores do mundo. Embora nas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es suas notas tenham ca\u00eddo, eles arrebataram o quarto lugar no ranking de leitura, o quinto no de ci\u00eancias e o 11o no de matem\u00e1tica \u2014 os estudantes brasileiros transitaram entre a 59a e a 65a posi\u00e7\u00e3o na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do teste. A Finl\u00e2ndia tamb\u00e9m est\u00e1 entre os cinco pa\u00edses mais inovadores do planeta. Segundo o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, o pa\u00eds \u00e9 o n\u00famero 1 em capital humano, liderando o ranking de 130 pa\u00edses em tr\u00eas categorias, que variam de zero a 54 anos, de um total de cinco categorias por idade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A hist\u00f3ria de sucesso da Finl\u00e2ndia come\u00e7ou nos anos 60, \u00e9poca em que o ent\u00e3o pa\u00eds pobre come\u00e7ou a reverter os lucros da ind\u00fastria de papel e celulose \u2014 ainda hoje uma das mais importantes de sua economia \u2014 para o financiamento das primeiras pol\u00edticas de bem-estar social. Nos anos 70, uma reforma implantou o ensino gratuito universal e lan\u00e7ou as bases da forma\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3o de obra qualificada. Essa evolu\u00e7\u00e3o foi essencial para que, nos anos 90, aflorasse uma ind\u00fastria de telecomunica\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. Da\u00ed despontou o fen\u00f4meno Nokia, uma empresa centen\u00e1ria (nascida como fabricante de papel) que dominou o mercado de celulares no mundo no come\u00e7o dos anos 2000.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Se a educa\u00e7\u00e3o ajudou a transformar a Finl\u00e2ndia numa economia menos dependente de recursos naturais e cada vez mais voltada para o conhecimento, agora ela dever\u00e1 ajudar o pa\u00eds \u2014 que celebra em 2017 o centen\u00e1rio de sua independ\u00eancia \u2014 a dar outro salto. Se todo o mundo olha para a Finl\u00e2ndia como um exemplo, por que n\u00e3o vender suas melhores li\u00e7\u00f5es para quem quiser comprar?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O sucesso educacional da Finl\u00e2ndia remonta a muito antes dos primeiros iPads entrarem nas salas de aula. Em 1957, quando a televis\u00e3o chegou ao pa\u00eds e a perspectiva de produ\u00e7\u00e3o audiovisual local era nula devido ao tamanho da popula\u00e7\u00e3o, um dilema se colocou: dublar ou legendar os programas estrangeiros. A segunda op\u00e7\u00e3o acabou prevalecendo devido ao duplo benef\u00edcio que traria aos finlandeses: melhorar a habilidade de leitura e fazer com que os cidad\u00e3os ouvissem l\u00ednguas estrangeiras. \u201cEssa foi uma pol\u00edtica que n\u00e3o custou quase nada e foi decisiva para melhorar a capacidade de leitura da popula\u00e7\u00e3o\u201d, lembra <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/revista-exame\/mais-dinheiro-nao-faz-um-professor-ser-melhor-diz-educador\/\">Pasi Sahlberg, ex-professor na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e um dos mais renomados educadores finlandeses.<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Hoje, a Finl\u00e2ndia \u00e9 uma das na\u00e7\u00f5es com maior \u00edndice de leitura da Europa: s\u00e3o 70 milh\u00f5es de livros emprestados das bibliotecas p\u00fablicas num pa\u00eds de 5 milh\u00f5es de pessoas. Ao longo de d\u00e9cadas, a Finl\u00e2ndia construiu um sistema que prima pela qualidade na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento e pelo bem-estar das crian\u00e7as. Elas come\u00e7am a ser alfabetizadas aos 7 anos. Antes disso, passam por creches e pr\u00e9-escolas em que o foco \u00e9 nada al\u00e9m de brincar, especialmente ao ar livre. O inverno glacial n\u00e3o \u00e9 desculpa para ficarem trancadas. A rotina \u00e9 a mesma at\u00e9 quando o term\u00f4metro registra 15 graus negativos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nas escolas da Finl\u00e2ndia, os alunos n\u00e3o cumprem longas jornadas de aulas, t\u00eam pouca li\u00e7\u00e3o de casa e as provas n\u00e3o s\u00e3o o principal instrumento de avalia\u00e7\u00e3o \u2014 ao contr\u00e1rio do sistema adotado pelos atuais campe\u00f5es do Pisa, os asi\u00e1ticos, que imp\u00f5em press\u00e3o e carga pesada de testes e tarefas. No pa\u00eds n\u00f3rdico, h\u00e1 uma ampla oferta de cursos de l\u00ednguas \u2014 as crian\u00e7as come\u00e7am a aprender ingl\u00eas aos 9 anos \u2014 e de aulas de artes, artesanato, esportes e economia dom\u00e9stica. \u201cO objetivo n\u00e3o \u00e9 formar apenas estudantes competentes, mas cidad\u00e3os capazes de cuidar de si mesmos e dos outros\u201d, diz a psic\u00f3loga mineira Juliene Ferreira, que est\u00e1 fazendo doutorado em educa\u00e7\u00e3o na Universidade de Tampere.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As aulas s\u00e3o cada vez mais interdisciplinares. O novo curr\u00edculo nacional prop\u00f5e, por exemplo, que disciplinas como ci\u00eancia, matem\u00e1tica e m\u00fasica possam ter aulas integradas em um projeto. Antes mesmo da mudan\u00e7a, os professores j\u00e1 colocavam em pr\u00e1tica duas vezes ao ano m\u00f3dulos de \u201caulas sobre fen\u00f4menos\u201d, que combinam conte\u00fados para tratar de temas do cotidiano. Com o novo curr\u00edculo, essa abordagem vai al\u00e9m. Nove entre dez finlandeses dizem que n\u00e3o ligam para as coloca\u00e7\u00f5es do pa\u00eds no Pisa, mas as mudan\u00e7as curriculares miram as novas compet\u00eancias globais que o pr\u00f3prio exame deve come\u00e7ar a avaliar em 2018.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na sala de aula, por\u00e9m, o mantra entre os educadores continua o mesmo: ningu\u00e9m pode ser deixado para tr\u00e1s. Toda escola tem professores respons\u00e1veis por cuidar dos alunos com necessidades especiais \u2014 sejam elas dificuldades de ordem acad\u00eamica ou problemas emocionais que afetem a rotina escolar dos estudantes. \u201cO que diferencia a Finl\u00e2ndia no Pisa n\u00e3o \u00e9 ter um grande n\u00famero de alunos com alt\u00edssimo desempenho, mas haver uma parcela muito pequena que vai mal\u201d, diz o professor Veli-Matti Harjula, da escola de ensino fundamental Merilahden, na zona leste de Helsinque, uma regi\u00e3o com alta presen\u00e7a de imigrantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os professores t\u00eam lugar de destaque na sociedade finlandesa. A carreira \u00e9 valorizada e, para pisar numa sala de aula, \u00e9 preciso ter mestrado. Em 2015, a taxa de aprova\u00e7\u00e3o nos cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores foi de 4,2%. Ou seja, l\u00e1 \u00e9 mais dif\u00edcil ser professor prim\u00e1rio do que ser m\u00e9dico, cujo \u00edndice de aprova\u00e7\u00e3o nas faculdades \u00e9 de 8,8%. Embora n\u00e3o recebam sal\u00e1rios extraordin\u00e1rios, os vencimentos mensais de 2 800 euros permitem uma confort\u00e1vel vida de classe m\u00e9dia. \u201cExiste uma grande confian\u00e7a da sociedade nas escolas e nos professores. Ningu\u00e9m duvida que o filho recebe a melhor educa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel\u201d, diz Marita M\u00e4kinen, vice-reitora da Faculdade- de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Tampere.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com toda a aten\u00e7\u00e3o que o modelo finland\u00eas vem atraindo, governo, universidades e iniciativa privada passaram a ver a educa\u00e7\u00e3o como um produto de exporta\u00e7\u00e3o a ser vendido para o mundo todo. Hoje, o pa\u00eds j\u00e1 contabiliza cerca de 200 milh\u00f5es de euros por ano em receitas relacionadas a servi\u00e7os educacionais, mas estimativas apontam que esse valor deve chegar a 1 bilh\u00e3o de euros nos pr\u00f3ximos anos. \u201cA educa\u00e7\u00e3o pode ser a nova Nokia da Finl\u00e2ndia\u201d, diz Pekka Saavalainen, presidente da Universidade da Finl\u00e2ndia, um cons\u00f3rcio de tr\u00eas universidades federais que tem cursos reconhecidos na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o de professores, e est\u00e1 focado em vender servi\u00e7os para outros pa\u00edses.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Desde junho, um grupo de 120 professores da Ar\u00e1bia Saudita vem fazendo treinamento em diferentes unidades do cons\u00f3rcio. Eles ficar\u00e3o na Finl\u00e2ndia por seis meses. O contrato firmado com o governo da Ar\u00e1bia Saudita incluiu a vinda dos familiares dos professores, trazendo 400 pessoas para o pa\u00eds. H\u00e1 basicamente dois modelos sendo testados. O de treinamento nas geladas terras finlandesas, como o que est\u00e1 sendo feito com os sauditas, e o de forma\u00e7\u00e3o no pa\u00eds interessado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O cons\u00f3rcio j\u00e1 tem acordo com 11 pa\u00edses, entre eles o Brasil. O grupo de ensino superior Anima, de Belo Horizonte, com 80.000 alunos, contratou a Universidade da Finl\u00e2ndia para dar treinamento a 40 professores brasileiros de diferentes \u00e1reas por um per\u00edodo de um ano, que envolve cursos online e tr\u00eas m\u00f3dulos de uma semana de aulas presenciais no Brasil. Duas educadoras finlandesas j\u00e1 vieram para a primeira rodada presencial por aqui. Foram investidos 500.000 reais no projeto. \u201cQuando voc\u00ea tem como refer\u00eancia seu vizinho, o m\u00e1ximo que vai conseguir \u00e9 ser o melhor do bairro. Por isso, precisamos olhar para os melhores do mundo\u201d, diz Daniel Castanho, presidente da Anima Educa\u00e7\u00e3o, que embarcou no final de outubro para uma visita \u00e0 Finl\u00e2ndia. A ideia \u00e9 renovar o contrato para uma nova turma de professores da Anima \u2014 no total, o grupo tem 3.500 docentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Castanho, por\u00e9m, v\u00ea a possibilidade de usar a metodologia para dar treinamento a professores de fora da Anima e tenta amarrar uma parceria com os finlandeses. \u201cPoder\u00edamos criar uma plataforma de -treinamento para capacitar mais de 100.000 professores brasileiros.\u201d Ideias como essa s\u00e3o exatamente o que os finlandeses querem ouvir. \u201cAs rela\u00e7\u00f5es entre Brasil e Finl\u00e2ndia nunca foram t\u00e3o fortes como s\u00e3o agora\u201d, disse a EXAME a ministra da Educa\u00e7\u00e3o e da Cultura Sanni Grahn Laasonen, que veio ao Brasil em 2016.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A marca Finl\u00e2ndia na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o tem sido explorada tamb\u00e9m pelas startups de tecnologia. Por muito tempo, a Nokia foi um dos s\u00edmbolos da inova\u00e7\u00e3o industrial do pa\u00eds, mas a companhia entrou atrasada na onda de smartphones e perdeu relev\u00e2ncia \u2014 ainda que tente agora se reerguer. No entanto, a empresa ajudou a formar uma m\u00e3o de obra supercapacitada no setor de telecomunica\u00e7\u00f5es, e as novas gera\u00e7\u00f5es est\u00e3o cada vez mais interessadas em empreender no pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Estima-se que apenas em Helsinque estejam instaladas 500 startups que queiram ser como a Rovio, empresa finlandesa de games, dona do jogo Angry Birds. A Rovio acabou de abrir o capital e \u00e9 avaliada em 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares. Parte das startups mira o gigantesco mercado global de educa\u00e7\u00e3o, estimado em 6 trilh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano, tr\u00eas vezes o que movimenta a inform\u00e1tica no mundo. \u201cAssim como o Vale do Sil\u00edcio, a Finl\u00e2ndia desenvolveu um ecossistema de educa\u00e7\u00e3o com as melhores escolas, os melhores professores e as melhores pr\u00e1ticas. \u00c9 natural que as tecnologias inovadoras para o ensino tamb\u00e9m saiam daqui\u201d, diz Antii Korhonen, um dos fundadores da aceleradora xEdu. Criada h\u00e1 dois anos, a xEdu tem 40 startups do setor de educa\u00e7\u00e3o sendo preparadas para se transformar em grandes empresas. \u201cAs edutechs s\u00e3o as novas fintechs\u201d, diz Korhonen, referindo-se \u00e0s empresas financeiras, estrelas entre as startups.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Uma delas \u00e9 a Seppo, plataforma de games voltada para a educa\u00e7\u00e3o. A empresa foi criada em 2011 pelo professor de hist\u00f3ria Riku Alkio ap\u00f3s uma excurs\u00e3o a Roma, na It\u00e1lia, em que ele levou 24 alunos de 17 anos. Para tornar a viagem mais interessante, surgiu a ideia de fazer um jogo inspirado no popular reality show americano Amazing Race, em que os competidores solucionam desafios pelos locais onde passam. No jogo criado por Alkio, os alunos procuravam objetos de arte e identificavam estilos arquitet\u00f4nicos nas igrejas romanas. \u201cMesmo ap\u00f3s o fim das atividades escolares, os alunos queriam continuar jogando. Percebi que ali havia um neg\u00f3cio a ser desenvolvido.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Hoje, a Seppo j\u00e1 \u00e9 utilizada por mais de 200.000 estudantes de 1.000 escolas em 20 pa\u00edses, incluindo o Brasil. Aqui, a plataforma foi adotada pela faculdade Eniac, de Guarulhos, e j\u00e1 foi testada pelo Senai do Paran\u00e1, que negocia um contrato. O modelo \u00e9 de assinatura por parte da escola, que paga de acordo com a estimativa de usu\u00e1rios. A conex\u00e3o de cada estudante ao site custa, em m\u00e9dia, 5 euros por ano. Na plataforma, h\u00e1 jogos prontos dispon\u00edveis \u2014 como o de biologia para ser utilizado no Parque Ibirapuera, em S\u00e3o Paulo, onde alunos de 11 anos identificam sementes, \u00e1rvores e animais \u2014 e op\u00e7\u00f5es para professores constru\u00edrem jogos personalizados. Os finlandeses nunca imaginaram que a educa\u00e7\u00e3o que tanto os orgulha pudesse chegar t\u00e3o longe e alcan\u00e7ar tantas mentes. E, de quebra, render um bom dinheiro.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 primeira vista, a escola de ensino fundamental Siltam\u00e4en n\u00e3o tem nada de especial. \u00c9 uma das tr\u00eas de Siltam\u00e4ki, bairro essencialmente de classe m\u00e9dia, na zona norte de Helsinque, a capital da Finl\u00e2ndia. 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