{"id":7872,"date":"2017-08-30T16:54:51","date_gmt":"2017-08-30T19:54:51","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/por-que-conhecer-os-classicos-da-educacao-brasileira\/"},"modified":"2017-08-30T16:54:51","modified_gmt":"2017-08-30T19:54:51","slug":"por-que-conhecer-os-classicos-da-educacao-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/por-que-conhecer-os-classicos-da-educacao-brasileira\/","title":{"rendered":"Por que conhecer os cl\u00e1ssicos da educa\u00e7\u00e3o brasileira?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em minha primeira coluna para o UOL, propus uma quest\u00e3o: que educa\u00e7\u00e3o o Brasil quer e precisa? \u00c9 poss\u00edvel que cada um a tenha respondido individualmente a sua maneira, mas a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um campo que demanda respostas coletivas, sejam elas quais forem.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9 preciso que ela reflita consensos constru\u00eddos por todos, para ent\u00e3o concretiz\u00e1-la em pol\u00edticas de Estado. Dado que os desafios hist\u00f3ricos da educa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o s\u00e3o uma novidade, olhar para algumas das respostas que j\u00e1 foram dadas a esta pergunta pode ser mais valioso do que querer inventar a roda.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como define \u00cdtalo Calvino na obra parodiada no t\u00edtulo desta coluna (Por que ler os cl\u00e1ssicos?): &#8220;um cl\u00e1ssico \u00e9 um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer aquilo que tinha para dizer&#8221;. O mesmo se pode falar de alguns educadores brasileiros que j\u00e1 propuseram algumas respostas poss\u00edveis para essa quest\u00e3o desde que se iniciou o processo de forma\u00e7\u00e3o do Brasil, ou ao menos desde que a educa\u00e7\u00e3o passou a ser vista como parte fundamental de um projeto de na\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, os educadores An\u00edsio Teixeira, Fernando de Azevedo e Louren\u00e7o Filho e a poetisa Cec\u00edlia Meireles, entre outros, foram respons\u00e1veis por um dos grandes marcos da educa\u00e7\u00e3o brasileira: o Manifesto dos Pioneiros da Educa\u00e7\u00e3o Nova, lan\u00e7ado em 1932. Atuando como pensadores e &#8220;diretores de instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica&#8221; (nome da \u00e9poca para os secret\u00e1rios de educa\u00e7\u00e3o), foram os primeiros a defender um sistema p\u00fablico de ensino laico e aberto como forma de combater as desigualdades sociais, quando menos de 10% da popula\u00e7\u00e3o tinha acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e o ensino era dominado por grupos religiosos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A proposta inspirou experi\u00eancias importantes, como os Cieps (Centros Integrados de Educa\u00e7\u00e3o P\u00fablica) do Rio de Janeiro e a educa\u00e7\u00e3o integral que conhecemos hoje. A ideia de uma escola prim\u00e1ria capaz de cuidar desde a sa\u00fade at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 das crian\u00e7as foi defendida no livro Educa\u00e7\u00e3o N\u00e3o \u00e9 Privil\u00e9gio, cujo t\u00edtulo \u00e9 usado ainda hoje como reivindica\u00e7\u00e3o em manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. A for\u00e7a e inova\u00e7\u00e3o de suas propostas, embora nunca plenamente realizadas, mudaram a concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e ajudaram a fundar um ideal de escola p\u00fablica no Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O pensamento dos pioneiros da educa\u00e7\u00e3o influenciou uma segunda gera\u00e7\u00e3o e educadores, entre eles Darcy Ribeiro e Florestan Fernandes. O primeiro, al\u00e9m de ser um grande defensor dos povos ind\u00edgenas, foi o Ministro da Educa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por uma ampla reforma universit\u00e1ria que deu origem a in\u00fameras universidades, entre elas a UnB (Universidade de Bras\u00edlia).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Florestan Fernandes, por sua vez, atuou como soci\u00f3logo e professor universit\u00e1rio. Na educa\u00e7\u00e3o, foi respons\u00e1vel por elaborar um diagn\u00f3stico substancial sobre a situa\u00e7\u00e3o educacional do pa\u00eds, identificando os obst\u00e1culos hist\u00f3ricos e sociais ao desenvolvimento da ci\u00eancia e da cultura na sociedade brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nos anos 1960, ganha for\u00e7a a pedagogia cr\u00edtica, que prop\u00f5e que a emancipa\u00e7\u00e3o dos estudantes deve ser o principal objetivo da educa\u00e7\u00e3o. Entre seus grandes autores est\u00e1 o fil\u00f3sofo e patrono da educa\u00e7\u00e3o brasileira, Paulo Freire. Reconhecido no mundo todo como um dos grandes pensadores da hist\u00f3ria da pedagogia, ele criou um m\u00e9todo de alfabetiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1rio ao propor um princ\u00edpio fundamental: o de que o aluno chega \u00e0 escola com uma cultura pr\u00f3pria e de que ela deveria ser parte de sua educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na mesma \u00e9poca, a educadora Maria Nilde Mascellani coordenava a cria\u00e7\u00e3o dos gin\u00e1sios vocacionais no estado de S\u00e3o Paulo. As unidades se propunham a oferecer educa\u00e7\u00e3o em tempo integral para o que hoje s\u00e3o os anos finais do ensino fundamental, respeitando a voca\u00e7\u00e3o do aluno e de sua comunidade e garantindo forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e preofissional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os nomes citados n\u00e3o t\u00eam a pretens\u00e3o de esgotar as refer\u00eancias poss\u00edveis. De toda forma, s\u00e3o alguns exemplos dos muitos educadores que ajudaram a formar um pensamento educacional brasileiro. Parte dessa produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel em dom\u00ednio p\u00fablico. Se suas propostas n\u00e3o resolveram todos os problemas de nossa educa\u00e7\u00e3o, ajudaram a construir o que \u00e9 hoje a escola brasileira e trouxeram avan\u00e7os significativos num pa\u00eds marcado pela exclus\u00e3o e desigualdade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Num momento em que criticar a escola p\u00fablica virou lugar comum para alguns setores da sociedade com grande espa\u00e7o na m\u00eddia e em que o pensamento sobre educa\u00e7\u00e3o produzido em alguns poucos centros de estudos no exterior parece dominar as propostas para \u00e1rea, reconhecer a contribui\u00e7\u00e3o dos grandes nomes que influenciaram nossa educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. Ainda que a produ\u00e7\u00e3o internacional traga referenciais importantes para o debate, n\u00e3o podemos esperar s\u00f3 dela as respostas para quest\u00f5es que s\u00e3o muito nossas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">As pol\u00edticas propostas no passado por esses e outros tantos educadores s\u00e3o o melhor ponto de partida para entender nossos desafios presentes e possibilidades futuras. Da mesma forma que devemos conhec\u00ea-los, precisamos (re)conhecer o saber constru\u00eddo pelos milhares de educadores an\u00f4nimos que reinventam a cada dia, no cotidiano das escolas e universidades, a educa\u00e7\u00e3o brasileira. Afinal, ainda que alguns grupos tentem silenci\u00e1-los, s\u00e3o eles e seus alunos que conhecem essa realidade melhor do que ningu\u00e9m. Se quisermos avan\u00e7ar numa educa\u00e7\u00e3o de qualidade para todos, precisamos aprender a ouvi-los.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em minha primeira coluna para o UOL, propus uma quest\u00e3o: que educa\u00e7\u00e3o o Brasil quer e precisa? \u00c9 poss\u00edvel que cada um a tenha respondido individualmente a sua maneira, mas a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um campo que demanda respostas coletivas, sejam elas quais forem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-7872","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7872\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}