{"id":7728,"date":"2017-07-24T15:00:56","date_gmt":"2017-07-24T18:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/especialista-fala-sobre-a-hora-certa-de-conhecer-as-letras\/"},"modified":"2017-07-24T15:00:56","modified_gmt":"2017-07-24T18:00:56","slug":"especialista-fala-sobre-a-hora-certa-de-conhecer-as-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/especialista-fala-sobre-a-hora-certa-de-conhecer-as-letras\/","title":{"rendered":"Especialista fala sobre a hora certa de conhecer as letras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um momento de mudan\u00e7a de perspectivas de mundo para a crian\u00e7a. Descobrir o que as letras, juntas, s\u00e3o capazes de dizer abre a mente para a escrita e a leitura, duas formas muito importantes de comunica\u00e7\u00e3o do ser humano. Entretanto, a idade adequada para que esse processo aconte\u00e7a est\u00e1 longe de ser um consenso.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Dar letramento para uma crian\u00e7a com menos de 7 anos \u00e9 como se tent\u00e1ssemos cozinhar numa panela que n\u00e3o est\u00e1 pronta&#8221;, defende a professora Camila Fornaziero, da Escola Waldorf Micael de Sorocaba. &#8220;Uma coisa \u00e9 apresentar as letras, outra coisa \u00e9 fazer um trabalho sistem\u00e1tico de alfabetiza\u00e7\u00e3o&#8221;, pondera o professor M\u00e1rcio Ant\u00f4nio Gatti, vice-chefe do Departamento de Ci\u00eancias Humanas e Educa\u00e7\u00e3o (DCHE) do campus de Sorocaba da UFSCar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Desde 2006, a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Brasileira estabelece a obrigatoriedade de matr\u00edcula das crian\u00e7as, no ensino fundamental, j\u00e1 aos 6 anos. Isso significa come\u00e7ar a alfabetiza\u00e7\u00e3o nesta idade e t\u00ea-la concretizada at\u00e9 os 8 anos (final do 3\u00ba ano do ensino fundamental), como preconiza o Pacto Nacional pela Alfabetiza\u00e7\u00e3o na Idade Certa. O impacto da antecipa\u00e7\u00e3o da entrada das crian\u00e7as no ensino fundamental, ainda que h\u00e1 mais de dez anos em vigor, segue sendo motivo de debates. E, agora, o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) j\u00e1 analisa nova proposta, do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estuda que o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o seja antecipado para o 2\u00ba ano do ensino fundamental, quando as crian\u00e7as geralmente t\u00eam 7 anos. Na contram\u00e3o dessa discuss\u00e3o, educadores de linhas diversas, como a Pedagogia Waldorf, por exemplo, defendem esticar &#8220;para cima&#8221; essa idade na qual a crian\u00e7a alcan\u00e7a o dom\u00ednio completo do ler e escrever. Mas, afinal, h\u00e1 idade certa para alfabetizar?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A discuss\u00e3o sobre a precocidade da alfabetiza\u00e7\u00e3o passa, quase sempre, pela defesa da educa\u00e7\u00e3o infantil voltada exclusivamente ao l\u00fadico, \u00e0 brincadeira. E se para as crian\u00e7as na primeira inf\u00e2ncia, imitar \u00e9 parte desse mundo em descoberta, apresentar as letras aos pequenos antes dos 7 anos, para a Pedagogia Waldorf, por exemplo, \u00e9 um erro. &#8220;At\u00e9 as hist\u00f3rias que os professores contam n\u00e3o s\u00e3o lidas. Se o adulto (professor) n\u00e3o quer estimular a alfabetiza\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o pode ficar lendo e trazendo conte\u00fados abstratos para suas crian\u00e7as&#8221;, defende Camila. Para a Pedagogia Waldorf, os primeiros 7 anos de vida das crian\u00e7as devem ser focados no desenvolvimento sadio do corpo. &#8220;Os \u00f3rg\u00e3os est\u00e3o sendo formados, c\u00e9lulas est\u00e3o sendo criadas, e se a energia dessa crian\u00e7a for usada para aprender coisas abstratas, como letras, palavras, frases, for\u00e7as se retiram do desenvolvimento e s\u00e3o dirigidas para atividades cognitivas, prejudicando o desenvolvimento sadio de \u00f3rg\u00e3os e c\u00e9lulas. A crian\u00e7a hiper estimulada fica desvitalizada&#8221;, explica Camila. Gatti concorda que estimular a alfabetiza\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o infantil pode sim ser considerada uma atitude precoce, capaz de comprometer o desenvolvimento de outras quest\u00f5es mais importantes neste per\u00edodo da inf\u00e2ncia. Entretanto, o docente da UFSCar pondera que h\u00e1 diferen\u00e7as entre apresentar as letras a uma crian\u00e7a na primeira inf\u00e2ncia e efetivamente ensin\u00e1-la a ler e a escrever. &#8220;Uma coisa \u00e9 fazer um trabalho, por exemplo, de consci\u00eancia fonol\u00f3gica, no qual as crian\u00e7as passam a compreender que certas palavras s\u00e3o produzidas com o mesmo som e que umas rimam com as outras. Outra coisa \u00e9 o trabalho sistem\u00e1tico de tentar compreender a correspond\u00eancia entre letras e sons da l\u00edngua portuguesa, de compreender e se apropriar do sistema de escrita alfab\u00e9tico ortogr\u00e1fico.&#8221; Gatti concorda que, se inserida no mundo letrado, \u00e9 quase certo que a crian\u00e7a acaba se interessando &#8220;naturalmente&#8221; pelas letras. Ele reflete, entretanto, que oferecer conhecimento para sanar essa curiosidade n\u00e3o precisa ser considerado um crime. &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio entender se n\u00e3o \u00e9 uma press\u00e3o, mas se \u00e9 um interesse natural, n\u00e3o vejo como precoce. O que de fato n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel \u00e9 estipular metas ou qualquer trabalho sistem\u00e1tico de alfabetiza\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o infantil, substituindo, por exemplo, o direito \u00e0 brincadeira, a socializa\u00e7\u00e3o, o desenvolvimento de outras habilidades.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Gatti explica que alfabetiza\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem s\u00e3o coisas que andam juntas. &#8220;Se pensamos que com 6 anos a crian\u00e7a j\u00e1 adquiriu, de certa maneira, a l\u00edngua materna, ou ao menos a parte mais dura, isto \u00e9, a fonologia, a sintaxe e a morfologia, digamos que para ela fica mais f\u00e1cil adquirir a escrita.&#8221; Por outro lado, alerta o professor, for\u00e7ar o processo com crian\u00e7as menores pode ser danoso, exatamente porque estas ainda est\u00e3o consolidando a pr\u00f3pria aquisi\u00e7\u00e3o da l\u00edngua materna.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Cada vez mais cedo<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;N\u00e3o gosto de pensar em uma idade correta, mas \u00e9 \u00f3bvio que antecipar demais \u00e9 ruim&#8221;, avalia Gatti, sobre a tend\u00eancia de colocar as crian\u00e7as &#8220;oficialmente&#8221; em fase de alfabetiza\u00e7\u00e3o cada vez mais cedo. &#8220;Costumo dizer aos meus alunos que fazemos pequenas maldades com as crian\u00e7as. Coloc\u00e1-las t\u00e3o cedo em salas de alfabetiza\u00e7\u00e3o talvez seja uma delas. Por outro lado, a coisa tem que come\u00e7ar em algum lugar, n\u00e3o \u00e9?&#8221;, questiona. &#8220;Para a Pedagogia Waldorf essa antecipa\u00e7\u00e3o [de ingresso das crian\u00e7as no ensino fundamental] foi um verdadeiro crime contra a inf\u00e2ncia. Hoje temos crian\u00e7as de 5 anos que v\u00e3o para o ensino fundamental, e delas \u00e9 exigido um comportamento que muitas vezes elas n\u00e3o conseguem corresponder, e ent\u00e3o v\u00eam os diagn\u00f3sticos precoces e err\u00f4neos de hiperatividade e d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pena&#8221;, reflete Camila.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um momento de mudan\u00e7a de perspectivas de mundo para a crian\u00e7a. Descobrir o que as letras, juntas, s\u00e3o capazes de dizer abre a mente para a escrita e a leitura, duas formas muito importantes de comunica\u00e7\u00e3o do ser humano. Entretanto, a idade adequada para que esse processo aconte\u00e7a est\u00e1 longe de ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-7728","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7728\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}