{"id":6879,"date":"2016-08-10T18:32:06","date_gmt":"2016-08-10T21:32:06","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/maria-helena-guimaraes-ha-um-tedio-generalizado-entre-os-alunos-do-ensino-medio\/"},"modified":"2016-08-10T18:32:06","modified_gmt":"2016-08-10T21:32:06","slug":"maria-helena-guimaraes-ha-um-tedio-generalizado-entre-os-alunos-do-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/maria-helena-guimaraes-ha-um-tedio-generalizado-entre-os-alunos-do-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Maria Helena Guimar\u00e3es: `H\u00e1 um t\u00e9dio generalizado entre os alunos do ensino m\u00e9dio`"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Logo que foi convidado a assumir o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em maio deste ano, o ent\u00e3o deputado Mendon\u00e7a Filho (DEM-PE) telefonou para a soci\u00f3loga Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro. Ela seria sua secret\u00e1ria executiva.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> No curr\u00edculo, ela tem a presid\u00eancia do INEP, a secretaria executiva do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e as secretarias de educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo e do Distrito Federal. \u00c9 o nome ideal para equilibrar a inexperi\u00eancia de Mendon\u00e7a Filho em Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na entrevista a seguir, Maria Helena detalha o que deve ocorrer nos pr\u00f3ximos meses com o ensino m\u00e9dio, etapa eleita prioridade pelo novo ministro da Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O ensino m\u00e9dio \u00e9 dono dos maiores \u00edndices de evas\u00e3o e de reprova\u00e7\u00e3o escolar. Em 2014, mais de 620 mil alunos abandonaram os estudos nessa etapa de ensino, segundo o Censo Escolar. \u00c9 o triplo do registrado no ensino fundamental. No \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb), o ensino m\u00e9dio alcan\u00e7ou apenas 3,7 pontos, em uma escala de 0 a 10.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os dados escancaram a realidade de um ensino m\u00e9dio falido, incapaz de cumprir metas e de atender \u00e0s necessidades de seus estudantes. Desde 2013, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei (6.840\/2013) com o objetivo de reformar essa etapa de ensino. Entre suas propostas est\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo dividido em \u00e1reas do conhecimento (linguagens, matem\u00e1tica, ci\u00eancias da natureza e ci\u00eancias humanas). A medida nasceu da cr\u00edtica \u00e0 exist\u00eancia de 13 disciplinas obrigat\u00f3rias que pouco conversam entre si. Uma jornada integral de no m\u00ednimo sete horas di\u00e1rias e a integra\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o profissional ao curr\u00edculo regular est\u00e3o entre as sugest\u00f5es do projeto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Maria Helena adianta que, nos pr\u00f3ximos dias, o MEC encaminhar\u00e1 ao Congresso um projeto de lei para alterar este que est\u00e1 em tr\u00e2mite. Uma das principais diferen\u00e7as propostas pelo novo documento ser\u00e1 a possibilidade de o estudante adquirir dois diplomas em tr\u00eas anos: um do ensino regular e outro do t\u00e9cnico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Hoje, isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Os alunos de ensino m\u00e9dio s\u00e3o obrigados a cumprir um curr\u00edculo comum a todos os estudantes, com 13 disciplinas e tr\u00eas anos de dura\u00e7\u00e3o. Aqueles que quiserem um certificado de forma\u00e7\u00e3o profissional \u2013 oferecido aos que cursam o ensino t\u00e9cnico em qualquer modalidade \u2013 devem enfrentar mais dois anos de estudo ou frequentar aulas em dois turnos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Outra medida j\u00e1 tomada pelo MEC para alterar o ensino m\u00e9dio foi o adiamento da entrega da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para essa etapa. O novo prazo \u00e9 mar\u00e7o de 2017. At\u00e9 l\u00e1, espera-se ter tempo para aprovar a lei que dar\u00e1 uma nova estrutura ao ciclo. A vers\u00e3o final do documento para a educa\u00e7\u00e3o infantil e para o ensino fundamental dever\u00e1 ser definida at\u00e9 novembro deste ano. \u201cA partir do momento em que a Base estiver pronta e aprovada, investiremos na forma\u00e7\u00e3o continuada de professores\u201d, diz Maria Helena.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; O ensino m\u00e9dio brasileiro precisa ser reformulado?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro<\/strong> &#8211; H\u00e1 muito tempo defendo uma completa reformula\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio brasileiro. Todas as pesquisas mostram que h\u00e1 um t\u00e9dio generalizado entre os alunos dessa etapa. Eles acham o curr\u00edculo chato, cansativo e desmotivador. Isso acontece independentemente da escola ser p\u00fablica ou privada, pior ou melhor, cara ou barata. Hoje, os alunos t\u00eam outros objetivos do ponto de vista das linguagens. Eles se interessam, por exemplo, por uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica de rua, que incentiva o protagonismo juvenil. Como aproveitar esse interesse em algo que possa ser escrito pelos alunos, em uma autoria coletiva, sem seguir obrigatoriamente um ritual tradicional de produ\u00e7\u00e3o de texto? Os jovens est\u00e3o conectados a outra cultura. Vivem usando redes sociais e smartphones. As tecnologias foram t\u00e3o aceleradas e a din\u00e2mica da mudan\u00e7a foi t\u00e3o intensa, que n\u00e3o tem como um jovem se identificar com o modelo de ensino m\u00e9dio atual. Ele n\u00e3o atende \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es dos estudantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; Qual o principal problema do modelo atual de ensino m\u00e9dio?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; Nosso modelo, que aplica um ensino igual para todos os alunos, \u00e9 \u00fanico no mundo. Como apelidou Cl\u00e1udio Moura Castro, \u00e9 o \u201censino m\u00e9dio jabuticaba\u201d, s\u00f3 tem aqui. Em pa\u00edses como Fran\u00e7a, Inglaterra, Alemanha, Finl\u00e2ndia, Singapura e Austr\u00e1lia, o curr\u00edculo do ensino m\u00e9dio se diversifica e se flexibiliza quando alunos atingem os 15 anos de idade. O pr\u00f3prio Pisa (Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes) \u00e9 aplicado a jovens de 15 anos, exatamente porque na maioria dos pa\u00edses o curr\u00edculo \u00e9 igual para todos at\u00e9 essa faixa et\u00e1ria. Nos Estados Unidos, a parte obrigat\u00f3ria do curr\u00edculo, comum a todos, representa menos da metade da carga hor\u00e1ria. A outra metade \u00e9 composta por cursos eletivos, organizados pelos alunos de acordo com as suas prefer\u00eancias e interesses.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; Como o Brasil tem evolu\u00eddo no debate para redesenhar essa etapa de ensino?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; Esse debate \u00e9 antigo no Brasil, mas nunca avan\u00e7ou muito. As diretrizes curriculares de 2012 estabeleceram 13 disciplinas obrigat\u00f3rias para o ensino m\u00e9dio, sem considerar possibilidades de flexibiliza\u00e7\u00e3o do sistema. \u00c9 discutido no Congresso Nacional, desde 2013, o projeto de lei 6.840, que tem como objetivo reformular o ensino m\u00e9dio. Agora, ele est\u00e1 em etapa final de tramita\u00e7\u00e3o. Paralelamente, o Consed (Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o) mobilizou um grupo de trabalho \u2013 do qual j\u00e1 participei \u2013 para pensar em possibilidades de reforma. Agora, o ministro Mendon\u00e7a Filho quer encaminhar ao Congresso um projeto de lei substitutivo ao projeto 6.840. Esse novo documento incorpora recomenda\u00e7\u00f5es do Consed e v\u00e1rias sugest\u00f5es de especialistas envolvidos nas discuss\u00f5es sobre a reforma. A sugest\u00e3o est\u00e1 em fase final, j\u00e1 est\u00e1 no jur\u00eddico do MEC, e deve ser encaminhada em breve \u00e0 Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; Quais as principais mudan\u00e7as que o substitutivo ir\u00e1 propor?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; Uma delas \u00e9 a flexibiliza\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio a partir da segunda metade do 2\u00ba ano. Atualmente, o aluno que quer um diploma de curso t\u00e9cnico \u2013 que oferece forma\u00e7\u00e3o profissional \u2013 precisa cursar tr\u00eas anos de ensino m\u00e9dio regular e mais, em m\u00e9dia, dois anos de t\u00e9cnico. \u00c9 poss\u00edvel, tamb\u00e9m, fazer isso de forma concomitante: o ensino regular em um per\u00edodo e o curso t\u00e9cnico em outro. A sugest\u00e3o \u00e9 mudar esse modelo. Para se formar no ensino t\u00e9cnico, o estudante dever\u00e1 cursar o curr\u00edculo regular, aquele que \u00e9 comum a todos, por um ano e meio. Essa etapa dever\u00e1 abordar o que \u00e9 essencial. A partir da\u00ed, ele poder\u00e1 optar por um curso t\u00e9cnico, com um ano e meio ou dois anos de dura\u00e7\u00e3o. Ou seja, em cerca de tr\u00eas anos, ter\u00e1 dois diplomas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; E quais ser\u00e3o as possibilidades oferecidas aos alunos que n\u00e3o quiserem se formar em um curso t\u00e9cnico?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; O que prop\u00f5e o projeto de lei 6.840 sobre a divis\u00e3o do curr\u00edculo por \u00e1reas de conhecimento permanece. A partir da segunda metade do ensino m\u00e9dio, o estudante poder\u00e1 escolher itiner\u00e1rios formativos diversificados. Depois de cursar durante um ano, um ano e meio, aquilo que \u00e9 comum a todos, ele poder\u00e1 se aprofundar na \u00e1rea que escolher: exatas, ci\u00eancias sociais ou ci\u00eancias da sa\u00fade, por exemplo. Se o aluno optar por se aprofundar em ci\u00eancias sociais, ele provavelmente ter\u00e1 uma carga hor\u00e1ria maior de hist\u00f3ria, filosofia, sociologia, atualidades. A ideia \u00e9 que l\u00edngua portuguesa e matem\u00e1tica continuem sendo ensinadas de forma aprofundada at\u00e9 o final do ensino m\u00e9dio, independentemente da escolha do aluno.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; A Base vai legislar sobre todas as etapas do ensino m\u00e9dio ou apenas sobre a primeira, comum a todos os estudantes?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; Essa \u00e9 uma discuss\u00e3o que ainda est\u00e1 sendo feita pelo comit\u00ea gestor em parceria com especialistas. Uma das propostas \u00e9 que a Base contemple at\u00e9 o final do 1\u00ba ano do ensino m\u00e9dio, quando os alunos t\u00eam 15 anos de idade. \u00c9 assim na Austr\u00e1lia. A partir da\u00ed, caber\u00e1 a cada sistema de ensino definir os itiner\u00e1rios formativos, ou seja, as possibilidades de estudo que se abrem a partir do final da etapa comum a todos. A Base poder\u00e1 determinar, tamb\u00e9m, o curr\u00edculo aprofundado em portugu\u00eas e em matem\u00e1tica que deve permanecer at\u00e9 o final do ensino m\u00e9dio. Isso ainda n\u00e3o est\u00e1 decidido. Vamos preparar a terceira vers\u00e3o da Base englobando educa\u00e7\u00e3o infantil e ensino fundamental. Queremos incluir tamb\u00e9m o 1\u00ba ano do ensino m\u00e9dio, que ser\u00e1 igual para todos os alunos. Para a segunda etapa do ensino m\u00e9dio, quando haver\u00e1 possibilidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o, queremos esperar a aprova\u00e7\u00e3o do projeto de lei que reformular\u00e1 o ciclo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; Na pr\u00e1tica, como isso ser\u00e1 implementado?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; Esse projeto vai exigir uma transi\u00e7\u00e3o de acordo com a realidade de cada estado. Uma escola poder\u00e1 oferecer aprofundamento s\u00f3 em ci\u00eancias exatas e da natureza, por exemplo. Ela pode n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de oferecer cursos voltados para letras e ci\u00eancias sociais, modalidades que ser\u00e3o ofertadas por outra institui\u00e7\u00e3o. No caso dos cursos t\u00e9cnicos, pode ser que o estado j\u00e1 tenha uma estrutura para ofertar o ensino, de maneira articulada. Explico: at\u00e9 a metade do 2\u00ba ano do ensino m\u00e9dio, o aluno pode estudar em uma escola p\u00fablica. Depois, ele pode passar a frequentar uma escola do Sistema S ou uma escola t\u00e9cnica da rede estadual, da rede federal. Diferentes combina\u00e7\u00f5es ser\u00e3o poss\u00edveis. \u00c9 importante deixar claro: isso n\u00e3o ser\u00e1 feito de um dia para o outro. Ningu\u00e9m vai resolver todos os problemas hist\u00f3ricos estruturais do ensino m\u00e9dio rapidamente. Vamos abrir um novo caminho para essa etapa de ensino.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA <\/strong>&#8211; O projeto de lei 6.840 prop\u00f5e a jornada integral para o ensino m\u00e9dio. A senhora concorda com isso?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; O ministro Mendon\u00e7a Filho \u00e9 um grande defensor da jornada integral. Mas a implementa\u00e7\u00e3o desse modelo vai depender muito das condi\u00e7\u00f5es de cada estado. Hoje, as 20 mil escolas p\u00fablicas de ensino m\u00e9dio no Brasil t\u00eam, em m\u00e9dia, 4 horas de aula por dia. \u00c9 pouco. Para oferecer 6 ou 7 horas de aula \u00e9 necess\u00e1rio um investimento muito alto em contrata\u00e7\u00e3o de professores, com jornada \u00fanica e dedica\u00e7\u00e3o exclusiva. Nem todas as redes t\u00eam recursos suficientes para isso. Apenas 15% dos recursos do Fundeb (Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e de Valoriza\u00e7\u00e3o dos Profissionais da Educa\u00e7\u00e3o) v\u00eam do governo federal. Os 85% restantes s\u00e3o recursos estaduais e municipais. Ent\u00e3o, n\u00e3o existe milagre. A amplia\u00e7\u00e3o da jornada vai exigir um investimento elevad\u00edssimo. \u00c9 um processo importante e desej\u00e1vel, mas dever\u00e1 acontecer aos poucos, de acordo com as possibilidades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; Muitos dos problemas do ensino m\u00e9dio s\u00e3o fruto de falhas acumuladas nas etapas de ensino anteriores&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; \u00c9 evidente que os anos anteriores n\u00e3o preparam bem os alunos para o ensino m\u00e9dio, seja ele qual for: o que temos hoje ou o reformado. Apenas 47% das crian\u00e7as que acabam de cursar o 3\u00ba ano do ensino fundamental est\u00e3o alfabetizadas em n\u00edvel adequado. Aos 8 anos, muitas n\u00e3o saber ler e escrever. Essas defici\u00eancias v\u00e3o sendo acumuladas ao longo da vida escolar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; E o que o MEC tem feito para resolver essas defici\u00eancias?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; A primeira coisa \u00e9 aprova\u00e7\u00e3o da Base Nacional Comum Curricular, que est\u00e1 na reta final de reda\u00e7\u00e3o. O texto ser\u00e1 encaminhado ao Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), que vai discutir a Base para depois aprov\u00e1-la. A segunda coisa \u00e9 o Pnaic (Pacto Nacional pela Alfabetiza\u00e7\u00e3o na Idade Certa), que existe desde 2011. No ano passado, o programa ofereceu mais de 620 mil bolsas para capacitar professores de ensino fundamental, das redes municipal e estadual. Fora os professores das universidades, que tamb\u00e9m receberam bolsa para realizar essa capacita\u00e7\u00e3o. No total, houve um investimento alt\u00edssimo, de mais de 2 bilh\u00f5es de reais. O problema \u00e9 que os resultados disso t\u00eam sido pequenos ou nulos, de acordo com os resultados da Prova Brasil. Ainda n\u00e3o temos uma avalia\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do Pnaic. A \u00fanica que temos foi feita pela organiza\u00e7\u00e3o Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, que apresentar\u00e1 os resultados agora, em agosto. O fato \u00e9 que o programa n\u00e3o funciona bem e precisa ser reformulado. Estamos trabalhando nisso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; Como ser\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o desse Comit\u00ea Gestor da Base Nacional Comum Curricular e Reforma do Ensino M\u00e9dio?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; O comit\u00ea, composto por secret\u00e1rios do MEC, est\u00e1 encarregado de receber e organizar as sugest\u00f5es recebidas a partir da segunda vers\u00e3o da Base. Ele tamb\u00e9m vai convidar especialistas e consultores para discutir o encaminhamento do curr\u00edculo do ensino m\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; A Base vai exigir uma aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de professores, de acordo com as novas determina\u00e7\u00f5es?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; Tenho certeza de que vai exigir uma forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para os professores. A partir do momento em que a Base estiver pronta e aprovada, acredito que ser\u00e1 fundamental investir na forma\u00e7\u00e3o continuada para professores [a forma\u00e7\u00e3o que acontece, continuamente, depois que o profissional j\u00e1 \u00e9 formado, para atualizar seus conhecimentos]. A forma\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 o mais importante para implementar qualquer mudan\u00e7a curricular.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>\u00c9POCA<\/strong> &#8211; A senhora acha que o Brasil vai conseguir colocar em pr\u00e1tica toda essa teoria?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Maria Helena<\/strong> &#8211; Para conseguirmos fazer isso em m\u00e9dio e longo prazos, precisamos queimar as primeiras etapas: a aprova\u00e7\u00e3o do projeto de lei que mudar\u00e1 o ensino m\u00e9dio e a finaliza\u00e7\u00e3o da Base Nacional Comum Curricular. A Base tamb\u00e9m \u00e9 essencial para renovar a forma\u00e7\u00e3o dos professores, inicial ou continuada. Os docentes recebem uma forma\u00e7\u00e3o inicial muito fr\u00e1gil, incapaz de promover uma educa\u00e7\u00e3o diferente, mais inovadora e criativa. A escola precisa incentivar a toler\u00e2ncia, o pluralismo de ideias, a conviv\u00eancia com as diferen\u00e7as. Nossos professores n\u00e3o est\u00e3o preparados para trabalhar com essa realidade. \u00c9 claro que o problema n\u00e3o est\u00e1 no professor, mas nas institui\u00e7\u00f5es que os formam. Faltam aos professores a possibilidade de fazer uma resid\u00eancia pedag\u00f3gica, um est\u00e1gio supervisionado. Al\u00e9m disso, o professor precisar\u00e1 sempre de forma\u00e7\u00e3o continuada. N\u00e3o tem como imaginar que um educador, por melhor que seja sua faculdade formadora, poder\u00e1 dispensar a forma\u00e7\u00e3o continuada para aprimorar seu trabalho. A forma\u00e7\u00e3o de pro<\/span><span style=\"font-size: 12pt;\">fessores \u00e9 o nosso maior desafio.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo que foi convidado a assumir o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em maio deste ano, o ent\u00e3o deputado Mendon\u00e7a Filho (DEM-PE) telefonou para a soci\u00f3loga Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro. 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