{"id":6868,"date":"2016-08-05T15:54:21","date_gmt":"2016-08-05T18:54:21","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/por-que-o-jovem-nao-conclui-o-ensino-medio\/"},"modified":"2016-08-05T15:54:21","modified_gmt":"2016-08-05T18:54:21","slug":"por-que-o-jovem-nao-conclui-o-ensino-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/por-que-o-jovem-nao-conclui-o-ensino-medio\/","title":{"rendered":"Por que o jovem n\u00e3o conclui o Ensino M\u00e9dio?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O n\u00famero preocupa: 15 milh\u00f5es de jovens entre 18 e 29 anos n\u00e3o conclu\u00edram o Ensino M\u00e9dio no Brasil em 2014, segundo mostra um estudo in\u00e9dito realizado pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria).<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> De acordo com a pesquisa,pouco mais da metade (62%) dos jovens terminaram a etapa da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Uma estat\u00edstica que alarma, mas que j\u00e1 foi pior \u2013 em 2005, o percentual ficava em torno de 46,8%.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esses jovens podem ser divididos em dois grupos: os que abandonaram a escola e os que continuaram a estudar, mas estavam defasados nas s\u00e9ries escolares. Infelizmente, o primeiro grupo \u00e9 maioria (79%). Entre aqueles que permanecem na escola, cerca de 82% cursavam o Ensino M\u00e9dio, 17%, o Fundamental e 1%, a alfabetiza\u00e7\u00e3o de jovens e adultos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Dados como esses mostram como a etapa continua marcada pela evas\u00e3o e pela distor\u00e7\u00e3o idade-s\u00e9rie. \u201cA inefici\u00eancia do sistema escolar \u00e9 evidenciada pela reprova\u00e7\u00e3o. Os jovens nessa faixa et\u00e1ria que ainda est\u00e3o na escola sofreram v\u00e1rias reprova\u00e7\u00f5es e todos os estudos mostram que reprova\u00e7\u00e3o gera mais reprova\u00e7\u00e3o e n\u00e3o aprendizado\u201d, analisa Ant\u00f4nio Augusto Gomes Batista, coordenador de pesquisa do Cenpec.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para o pesquisador, reprovar deixa os alunos cada vez mais desestimulados, deslocados e, portanto, distantes da escola. \u201cN\u00e3o se trata de uma defesa da aprova\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, mas de que a escola tenha mecanismos de monitoramento para intervir quando perceber que o aluno n\u00e3o est\u00e1 aprendendo. O professor s\u00f3 descobre que o aluno n\u00e3o sabe e toma medidas praticamente no final do ano, quando n\u00e3o h\u00e1 mais nada que possa ser feito\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ant\u00f4nio Augusto Gomes Batista, coordenador de pesquisa do Cenpec<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Outro conhecimento importante trazido pela pesquisa foi o perfil dos jovens que n\u00e3o conclu\u00edram o Ensino M\u00e9dio e n\u00e3o voltaram a estudar. A maioria \u00e9 do sexo masculino (56,8%), negra (67,3%), de baixa renda (41,1% entre os 25% mais pobres) e de trabalhadores (65,8%).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Sobre a maioria masculina, \u00e9 poss\u00edvel apontar como causa o estigma de que meninos mais pobres, brancos ou negros, s\u00e3o violentos e que fazem resist\u00eancia \u00e0 escola. \u201cH\u00e1 um mito muito arraigado em nossa sociedade de que esses meninos n\u00e3o devem ser confiados. Isso gera uma internaliza\u00e7\u00e3o dessa imagem que os segrega\u201d, diz Batista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Uma segunda raz\u00e3o est\u00e1 na pr\u00f3pria socializa\u00e7\u00e3o masculina, baseada em uma cultura que nega tudo que \u00e9 aparentemente feminino. \u201cPara ser macho, homem de verdade, \u00e9 preciso aderir a certa cultura de transgress\u00e3o, de nega\u00e7\u00e3o de valores tidos como mais femininos como a organiza\u00e7\u00e3o, a dedica\u00e7\u00e3o, a disciplina. At\u00e9 coisas como ter letra boa, falar portugu\u00eas padr\u00e3o ou a leitura s\u00e3o vistos por muitos jovens como algo feminino. Ent\u00e3o, h\u00e1 a nega\u00e7\u00e3o da cultura escolar por ser \u2018feminina\u2019\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O abandono escolar relacionado \u00e0 baixa renda familiar per capita est\u00e1 ligada \u00e0 necessidade de complementar a renda da casa, isto \u00e9, ao ingresso no mercado de trabalho. \u201cOutro fato que dificulta sua reten\u00e7\u00e3o \u00e9 que aqueles que abandonam a escola t\u00eam rendimento maior do que aqueles que continuam estudando e trabalhando. Embora com o passar do tempo o rendimento caia gradativamente e isso se inverta\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A raz\u00e3o da alta presen\u00e7a de negros, por sua vez, est\u00e1 nas ra\u00edzes que sustentam as desigualdades raciais no pa\u00eds. \u201cH\u00e1 estudos que mostram que os professores, muitas vezes sem se darem conta, tendem a privilegiar os alunos brancos. Por exemplo, na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, d\u00e3o mais afeto aos brancos do que aos negros, na hora de chamar algu\u00e9m para falar chamam os brancos. etc. Os alunos negros s\u00e3o como que invis\u00edveis, como se eles fossem piores do que os outros\u201d. Em outras palavras, h\u00e1 na escola um racismo silencioso, uma prefer\u00eancia no cuidado, na cobran\u00e7a, na hora de dar privil\u00e9gios aos alunos de acordo com sua ra\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Diante de tantos obst\u00e1culos, quais estrat\u00e9gias podem influenciar esses jovens a permanecerem na escola? Para Batista, a principal \u00e9 mudar a cren\u00e7a de que a reprova\u00e7\u00e3o \u00e9 educativa. \u201cO que precisamos s\u00e3o desses mecanismos de repara\u00e7\u00e3o de aprendizagem, tentar intervir ao longo do ano antes que seja tarde demais\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Outro ponto importante \u00e9 que, ao longo do Ensino M\u00e9dio, os jovens est\u00e3o construindo sua identidade pessoal, tentando descobrir quais s\u00e3o seus talentos, desejos, futuro. Esse \u00e9 um momento excepcional para os processos de aprendizagem, durante o qual os alunos mais querem saber sobre si e o mundo que os cerca.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Se a escola auxiliar esse processo de constru\u00e7\u00e3o, ela se torna um espa\u00e7o com o qual o jovem pode contar. \u201cEsse \u00e9 o grande ant\u00eddoto do abandono, mas para isso a escola tem que pensar sem preconceitos. O importante \u00e9 procurar dar respostas para esses anseios tendo em vista o mercado de trabalho, mas sem abandonar outras coisas que s\u00e3o essenciais ao aluno, como estar junto a outros jovens, se divertir e conhecer o mundo atrav\u00e9s das ci\u00eancias, das artes, etc.\u201d, conclui.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero preocupa: 15 milh\u00f5es de jovens entre 18 e 29 anos n\u00e3o conclu\u00edram o Ensino M\u00e9dio no Brasil em 2014, segundo mostra um estudo in\u00e9dito realizado pelo Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-6868","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Por que o jovem n\u00e3o conclui o Ensino M\u00e9dio? 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