{"id":6845,"date":"2016-07-22T15:07:30","date_gmt":"2016-07-22T18:07:30","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/especialistas-desconstroem-os-5-principais-argumentos-do-escola-sem-partido\/"},"modified":"2016-07-22T15:07:30","modified_gmt":"2016-07-22T18:07:30","slug":"especialistas-desconstroem-os-5-principais-argumentos-do-escola-sem-partido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/especialistas-desconstroem-os-5-principais-argumentos-do-escola-sem-partido\/","title":{"rendered":"Especialistas desconstroem os 5 principais argumentos do Escola sem Partido"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O movimento Escola sem Partido nasceu em 2003, a partir de uma inciativa do procurador do estado de S\u00e3o Paulo, Miguel Nagib.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Durante anos, suas propostas n\u00e3o encontraram eco at\u00e9 que, em 2014, um encontro com a fam\u00edlia Bolsonaro mudou essa realidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nesse ano, o deputado estadual do Rio de Janeiro, Fl\u00e1vio Bolsonaro (PSC), pediu para que Miguel escrevesse um anteprojeto de lei. O texto foi, ent\u00e3o, apresentado pelo filho do deputado federal Jair Bolsonaro na Assembleia Estadual do Rio de Janeiro. O l\u00edder do movimento fez uma vers\u00e3o municipal que foi apresentada pelo outro irm\u00e3o da fam\u00edlia, Carlos Bolsonaro, na C\u00e2mara de Vereadores do Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nagib disponibilizou em seu site os dois anteprojetos e desde ent\u00e3o deputados e vereadores, em sua grande maioria ligados a bancadas religiosas, come\u00e7aram a propor leis em suas respectivas casas legislativas. O projeto j\u00e1 foi aprovado em ao menos tr\u00eas cidades, no estado de Alagoas e tramita em ao menos outros cinco estados e oito capitais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Diante desse hist\u00f3rico, o debate sobre o Escola sem Partido tem ganhado cada vez mais repercuss\u00e3o. Especialistas em educa\u00e7\u00e3o consideram as propostas do movimento como absurdas do ponto de vista educativo, inconstitucional do ponto de vista jur\u00eddico, e uma forma de censurar professores que seriam proibidos de expressarem seus pontos de vista ou interpreta\u00e7\u00f5es em sala de aula.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral perguntou a especialistas em educa\u00e7\u00e3o quais as raz\u00f5es pelas quais s\u00e3o contr\u00e1rios ao projeto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">#1. Educa\u00e7\u00e3o neutra<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O artigo segundo do projeto de lei dispon\u00edvel no site do Escola sem Partido define que a \u201cEduca\u00e7\u00e3o atender\u00e1 aos seguintes princ\u00edpios: neutralidade pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e religiosa do estado\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para o coordenador da Campanha Nacional pelo Direito a Educa\u00e7\u00e3o, Daniel Cara, a neutralidade absoluta \u00e9 imposs\u00edvel de ser atingida. \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel (ser neutro) porque qualquer tema que se aborde leva um ju\u00edzo de valor do professor, o que \u00e9 importante. O que ele n\u00e3o pode fazer \u00e9 limitar a aula a seu ju\u00edzo de valor. Determinar a neutralidade pol\u00edtica numa lei \u00e9 um equivoco absoluto\u201d, afirmou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ele cita como exemplo a forma de abordar nas aulas de Hist\u00f3ria a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e a proibi\u00e7\u00e3o do trabalho infantil. \u201cEm uma aula de Hist\u00f3ria, quando o professor aborda esses temas, mostrando-se favor\u00e1vel, j\u00e1 considero a exist\u00eancia de um ju\u00edzo de valor\u201d, afirmou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Daniel defende que o professor n\u00e3o pode ser impedido de apresentar sua vis\u00e3o de mundo, mas mostrar aos estudantes outras refer\u00eancias para que ele entenda os debates e posi\u00e7\u00f5es existentes em rela\u00e7\u00e3o a determinado assunto. \u201cO Paulo Freire dizia que os professores precisam apresentar suas leituras de mundo, mas n\u00e3o podem se limitar a elas\u201d, conclui Cara.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">#2. Estudantes s\u00e3o folhas em branco<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O movimento liderado por Nagib parte do pressuposto de que os estudantes s\u00e3o \u201cfolhas em branco\u201d e que professores se aproveitam da audi\u00eancia cativa dos alunos para incentivar que eles sigam por um determinado caminho ideol\u00f3gico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cO professor n\u00e3o se aproveitar\u00e1 da audi\u00eancia cativa dos alunos, para promover os seus pr\u00f3prios interesses, opini\u00f5es, concep\u00e7\u00f5es ou prefer\u00eancias ideol\u00f3gicas, religiosas, morais, politicas e partid\u00e1rias\u201d, define o artigo 5\u00ba do projeto de lei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para especialistas, o primeiro erro \u00e9 acreditar que o estudante \u00e9 uma folha em branco incapaz de formar seu ju\u00edzo sobre o mundo a partir de experi\u00eancias, refer\u00eancias e saberes que traz consigo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cCada estudante chega \u00e0 escola com sua hist\u00f3ria, aprendizados, religi\u00e3o, cultura familiar. O que a escola faz \u00e9 ensinar a refletir, a duvidar, a perguntar, a querer saber mais. N\u00e3o existe isso do professor fazer \u2018cabe\u00e7a do estudante\u2019. \u00c0 medida que o estudante l\u00ea, pesquisa, escreve e se aprofunda, ele vai dando sentido pra hist\u00f3ria dele. Escola \u00e9 o lugar de muitas opini\u00f5es. De ouvir a do outro e formar a pr\u00f3pria\u201d, afirmou Pilar Lacerda, diretora da Funda\u00e7\u00e3o SM.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na vis\u00e3o dela, o que n\u00e3o pode acontecer dentro da sala de aula \u00e9 o professor tentar impor somente sua vis\u00e3o. \u201c\u00c9 por meio da escuta de todas as opini\u00f5es, leituras, excurs\u00f5es, filmes e exposi\u00e7\u00f5es, que o estudante come\u00e7a a ter seu pr\u00f3prio repert\u00f3rio, fruto de uma \u2018mistura\u2019 entre a escola, a fam\u00edlia, a comunidade, a igreja e os amigos. Claro que o professor deve ter sua opini\u00e3o. Mas o papel dele \u00e9 mostrar todos os lados e incentivar que todos os pensamentos, todas as cores, estejam ali, dentro da sala de aula. Errado \u00e9 sair \u2018catequizando\u2019 o outro, seja na escola, na igreja ou em uma aldeia\u201d, concluiu Pilar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Natacha Costa, diretora da Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz acredita que existe uma assimetria entre estudante e professor, mas que isso n\u00e3o significa que os estudantes s\u00e3o vazios e absorvam tudo o que o docente diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cO aluno n\u00e3o \u00e9 uma folha em branco, pois \u00e9 um sujeito social, traz uma hist\u00f3ria, concep\u00e7\u00f5es e ideias e isso precisa ser reconhecido. A escola precisa trabalhar para que esse jovem ou essa crian\u00e7a formule mais hip\u00f3teses, desenvolva racioc\u00ednio l\u00f3gico e autonomia sobre o processo educativo. O papel da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 garantir as experi\u00eancias para que ele desenvolva uma vis\u00e3o pr\u00f3pria sobre o mundo\u201d, afirmou Natacha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">#3. \u201cMeus filhos, minhas regras\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os defensores do Escola sem Partido defendem que o estudante tem que receber uma educa\u00e7\u00e3o que esteja de acordo com os princ\u00edpios da fam\u00edlia do aluno. \u201c[A escola] respeitar\u00e1 os direitos dos pais dos alunos a que seus filhos recebam educa\u00e7\u00e3o religiosa e moral que esteja de acordo com as suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es\u201d, estipula o inciso 5\u00ba do artigo 5\u00ba do projeto de lei.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O professor de Filosofia da Universidade de S\u00e3o Paulo e ex-ministro da educa\u00e7\u00e3o, Renato Janine Ribeiro, escreveu um texto nas redes sociais manifestando-se contrariamente a essa ideia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cUm princ\u00edpio do Escola sem Partido \u00e9 que n\u00e3o se poder\u00e1 ensinar nada que enfrente os valores da fam\u00edlia do aluno. Quer dizer, se o pai ou m\u00e3e for machista, racista \u2013 de forma indireta que seja \u2013 a escola n\u00e3o poder\u00e1 ensinar a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem? A extrema direita o que quer? \u201c, afirmou o ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ainda de acordo com Janine, \u00e9 lament\u00e1vel que, atualmente, o debate p\u00fablico sobre educa\u00e7\u00e3o esteja sendo dominado pelo assunto, em um contexto no qual h\u00e1 in\u00fameras prioridades que n\u00e3o est\u00e3o sendo visibilizadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cO pior da \u201cescola sem partido\u201d \u00e9 que desvia a aten\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es realmente educacionais \u2013 e educativas! Desvia a aten\u00e7\u00e3o de nossas falhas na alfabetiza\u00e7\u00e3o, s\u00f3 para come\u00e7ar. Em 2015 divulguei nossos dados: 22% das crian\u00e7as n\u00e3o sabem ler direito ao fim do 3\u00ba ano (na rede p\u00fablica), 35% n\u00e3o sabem escrever, 57% fazer as opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas. Em vez de valorizar a alfabetiza\u00e7\u00e3o e tanta coisa mais, querem criminalizar o ensino\u201d, afirmou Janine.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">#4. \u201cIdeologia de g\u00eanero\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nos \u00faltimos anos, o Brasil vem fazendo um intenso debate sobre o papel da escola e da educa\u00e7\u00e3o na problematiza\u00e7\u00e3o das desigualdades entre homens e mulheres, e tamb\u00e9m no combate \u00e0 homofobia, \u00e0 transfobia e \u00e0 viol\u00eancia contra mulheres, gays, l\u00e9sbicas, transg\u00eaneros e transexuais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Os defensores do Escola sem Partido tamb\u00e9m prop\u00f5em que todos esses debates sejam exclu\u00eddos do ambiente escolar. Assim como integrantes de bancadas religiosas, tais como Marco Feliciano (PSC-SP), esses debates se inserem dentro do que chamam de \u201cideologia de g\u00eanero\u201d que teria, como objetivo, entre outras coisas, influenciar a orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero dos estudantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cO poder p\u00fablico n\u00e3o se imiscuir\u00e1 na op\u00e7\u00e3o sexual dos alunos nem permitir\u00e1 qualquer pr\u00e1tica capaz de comprometer, precipitar ou direcionar o natural amadurecimento e desenvolvimento da sua personalidade em harmonia com a respectiva identidade biol\u00f3gica de sexo, sendo vedada, especialmente, a aplica\u00e7\u00e3o de postulados da teoria ou \u2018ideologia de g\u00eanero\u2019\u201d, prev\u00ea o Projeto de Lei 193\/2016 do senador Magno Malta.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cA escola \u00e9 um ambiente privilegiado para que crian\u00e7as e jovens aprendam conceitos que ir\u00e3o lhes auxiliar a entender o mundo. Uma proposta de discuss\u00e3o de g\u00eanero na escola ambiciona incluir g\u00eanero como ferramenta que nos ajuda a entender o mundo e tomar uma posi\u00e7\u00e3o a respeito das diversas viol\u00eancias que produzimos, reproduzimos e sofremos\u201d, afirmou o doutorando em antropologia social da USP, Bernado Fonseca, no artigo Por que ideologia de g\u00eanero? Precisamos falar sobre isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">#5. Censura<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Outra proposta do Escola sem Partido \u00e9 afixar nas escolas do pa\u00eds cartazes com os deveres do professor com, no m\u00ednimo, 70 cent\u00edmetros de altura por 50 cent\u00edmetros de largura, e fonte com tamanho compat\u00edvel com as dimens\u00f5es adotadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Deveres do professor<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">I \u2013 O Professor n\u00e3o se aproveitar\u00e1 da audi\u00eancia cativa dos alunos, para promover os seus pr\u00f3prios interesses, opini\u00f5es, concep\u00e7\u00f5es ou prefer\u00eancias ideol\u00f3gicas, religiosas, morais, pol\u00edticas e partid\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">II &#8211; O Professor n\u00e3o favorecer\u00e1, n\u00e3o prejudicar\u00e1 e n\u00e3o constranger\u00e1 os alunos em raz\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, ideol\u00f3gicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">III &#8211; O Professor n\u00e3o far\u00e1 propaganda pol\u00edtico-partid\u00e1ria em sala de aula nem incitar\u00e1 seus alunos a participar de manifesta\u00e7\u00f5es, atos p\u00fablicos e passeatas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">IV &#8211; Ao tratar de quest\u00f5es pol\u00edticas, s\u00f3cio-culturais e econ\u00f4micas, o professor apresentar\u00e1 aos alunos, de forma justa \u2013 isto \u00e9, com a mesma profundidade e seriedade \u2013, as principais vers\u00f5es, teorias, opini\u00f5es e perspectivas concorrentes a respeito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">V &#8211; O Professor respeitar\u00e1 o direito dos pais a que seus filhos recebam a educa\u00e7\u00e3o moral que esteja de acordo com suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">VI &#8211; O Professor n\u00e3o permitir\u00e1 que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela a\u00e7\u00e3o de estudantes ou terceiros, dentro da sala de aula.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para Daniel Cara, essa proposta criar\u00e1 uma esp\u00e9cie de tribunal pedag\u00f3gico e \u00e9 uma forma de censura. \u201cFixar cartazes cria uma esp\u00e9cie de tribunal pedag\u00f3gico. Se eu n\u00e3o tiver liberdade para expor honestamente, n\u00e3o serei um bom professor. A educa\u00e7\u00e3o precisa ser honesta e a honestidade n\u00e3o pode ser encurralada por um tribunal pedag\u00f3gico dos pais\u201d, afirmou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da rede Professores Contra o Escola Sem Partido, Fernando Penna, acredita que a pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o prevista no PL cria um ambiente prop\u00edcio para a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ele questiona, por exemplo, como um professor faria para respeitar absolutamente todas as convic\u00e7\u00f5es de todas as fam\u00edlias.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cQualquer um que tenha um m\u00ednimo de experi\u00eancia em sala de aula nas escolas brasileiras de hoje sabe que \u00e9 imposs\u00edvel respeitar essa proibi\u00e7\u00e3o sem comprometer completamente o processo de ensino-aprendizagem. Como evitar a realiza\u00e7\u00e3o de atividades que possam estar em conflito com as convic\u00e7\u00f5es religiosas ou morais de pais e respons\u00e1veis de todos os alunos? As salas de aula recebem grupos completamente heterog\u00eaneos de alunos advindas das fam\u00edlias mais diversas. Evitar contradizer qualquer convic\u00e7\u00e3o religiosa e moral iria efetivamente impedir que o professor realizasse discuss\u00f5es important\u00edssimas e, at\u00e9 mais do que isso, destruiria o car\u00e1ter educativo de escola\u201d, afirmou Penna que, recentemente, participou de um debate com Miguel Nagib no canal Futura.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cEssa proibi\u00e7\u00e3o \u00e9 inconstitucional, basta ler o artigo 205 da nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal: \u2018A educa\u00e7\u00e3o, direito de todos e dever do Estado e da fam\u00edlia, ser\u00e1 promovida e incentivada com a colabora\u00e7\u00e3o da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exerc\u00edcio da cidadania e sua qualifica\u00e7\u00e3o para o trabalho\u2019\u201d, completou o docente.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O movimento Escola sem Partido nasceu em 2003, a partir de uma inciativa do procurador do estado de S\u00e3o Paulo, Miguel Nagib.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-6845","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Especialistas desconstroem os 5 principais argumentos do Escola sem Partido &raquo; 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