{"id":6346,"date":"2015-10-14T12:48:35","date_gmt":"2015-10-14T15:48:35","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/curriculo-de-historia-sem-tiradentes-e-criticado-por-ex-ministro-da-educacao\/"},"modified":"2015-10-14T12:48:35","modified_gmt":"2015-10-14T15:48:35","slug":"curriculo-de-historia-sem-tiradentes-e-criticado-por-ex-ministro-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/curriculo-de-historia-sem-tiradentes-e-criticado-por-ex-ministro-da-educacao\/","title":{"rendered":"Curr\u00edculo de hist\u00f3ria sem Tiradentes \u00e9 criticado por ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o e professor de \u00e9tica e filosofia Renato Janine Ribeiro criticou nesta sexta-feira (9) o trabalho de consultores que elaboraram o novo curr\u00edculo previsto para a disciplina de hist\u00f3ria na Base Nacional Comum (BNC).<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo Janine, a &#8220;falta de repert\u00f3rio b\u00e1sico&#8221; em hist\u00f3ria foi notada j\u00e1 na vers\u00e3o preliminar do documento, que n\u00e3o chegou a ser publicada para consulta p\u00fablica pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC). Segundo Janine, entre outros pontos, ele deixava de fora das aulas de hist\u00f3ria temas como a Inconfid\u00eancia Mineira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Professor de \u00e9tica e filosofia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Janine foi demitido pela presidente Dilma Rousseff na reforma ministerial anunciada no come\u00e7o do m\u00eas. Em seu lugar assumiu a pasta Aloizio Mercadante, sexto ministro em quatro anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Atualmente, as propostas para a Base Nacional Comum (BNC) est\u00e3o abertas para contribui\u00e7\u00f5es de professores por meio de site espec\u00edfico. A meta \u00e9 que seja aprovada at\u00e9 junho de 2016. O documento preliminar foi lan\u00e7ado em setembro sem o cap\u00edtulo que trataria da hist\u00f3ria, o que acabou sendo feito nos dias seguintes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Falhas na primeira vers\u00e3o<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O ex-ministro chegou a fazer um post em seu perfil no Facebook, na quinta-feira (8), no qual afirma que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o formulou o conte\u00fado, e que s\u00f3 o imprimiu com a ressalva de que o conte\u00fado seria revisto.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;O documento entregue, por\u00e9m, na sua primeira vers\u00e3o ignorava quase por completo o que n\u00e3o fosse Brasil e \u00c1frica. Pedi que o revissem. (&#8230;) Mas o grupo que elaborava a base n\u00e3o entendia assim. N\u00e3o havia sequ\u00eancia hist\u00f3rica. (&#8230;) Queriam partir do presente para ver o passado. No caso do Brasil, por exemplo, propunham a certa altura estudar revolu\u00e7\u00f5es com participa\u00e7\u00e3o de escravos ou \u00edndios. E deixavam de lado a Inconfid\u00eancia Mineira!&#8221;, escreveu o ministro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na primeira vers\u00e3o do texto publicado e atualmente aberto para contribui\u00e7\u00f5es, a Inconfid\u00eancia, que tem como l\u00edder Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, o Tiradentes, foi contemplada. A proposta agora para os professores \u00e9 &#8220;inferir, a partir de fontes diversas, as motiva\u00e7\u00f5es e as consequ\u00eancias&#8221; do movimento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Falta repert\u00f3rio b\u00e1sico<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Em entrevista ao G1, o ex-ministro voltou a afirmar que, na sua opini\u00e3o pessoal, a base curricular da disciplina deixou a desejar no repert\u00f3rio b\u00e1sico. &#8220;Fiz quest\u00e3o de deixar claro que a proposta n\u00e3o era oficial do governo, porque ela ia ser acusada pela falta desse repert\u00f3rio b\u00e1sico&#8221;, disse Janine.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Procurado pelo G1, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o disse que o programa curricular foi elaborado por professores de universidades federais, e que n\u00e3o comentaria a publica\u00e7\u00e3o feita pelo ex-ministro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Cronologia do debate<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo o fil\u00f3sofo, h\u00e1 muitas controv\u00e9rsias sobre o que ensinar em hist\u00f3ria. Mas, no caso do documento apresentado pelos especialistas, o programa n\u00e3o incluiu uma cronologia dos acontecimentos hist\u00f3ricos que forjaram as sociedades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;N\u00e3o havia Hist\u00f3ria Antiga, n\u00e3o havia Hist\u00f3ria Medieval. No caso do Brasil, o conte\u00fado partia de fen\u00f4menos atuais, como a discrimina\u00e7\u00e3o racial, e da\u00ed partia para a quest\u00e3o da escravid\u00e3o e dos ind\u00edgenas. Mas deixava de lado a economia colonial e o que seria uma cronologia. Muitas pessoas discordam dessa vis\u00e3o, porque ela n\u00e3o d\u00e1 ao aluno o repert\u00f3rio b\u00e1sico para discutir a hist\u00f3ria&#8221;, disse Janine.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Se o aluno n\u00e3o estudou a Idade M\u00e9dia, o Renascimento, a Col\u00f4nia, mas apenas estudou esses per\u00edodos em fun\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o, fica muito dif\u00edcil ter depois condi\u00e7\u00f5es de discutir isso. Por isso que, quando saiu o primeiro projeto deles, eu pedi que fosse reavaliado, e que eles tentassem algo com repert\u00f3rio com base no conhecimento da hist\u00f3ria.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ressalva<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Janine afirmou que, embora tenha pedido altera\u00e7\u00f5es, houve muita resist\u00eancia do grupo de especialistas em implementar mudan\u00e7as no curr\u00edculo. &#8220;Aceitei a publica\u00e7\u00e3o como estava, mas sabendo que depois isso traria problemas. Por isso fizemos quest\u00e3o, quando publicamos a base de hist\u00f3ria, de lembrar que n\u00e3o era um documento do MEC, mas que era um documento que o MEC disponibilizava, examinado por pessoas externas ao MEC, e que o MEC discutiria&#8221;, lembrou ele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Pedi que especialistas fossem reunidos para discutir essa base. Dizer se concordavam ou n\u00e3o. Essas s\u00e3o as medidas que eu tomei para que fosse preservada a base e que ela tivesse discuss\u00e3o.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para o ex-ministro, o estudo de hist\u00f3ria mudou muito nas \u00faltimas d\u00e9cadas. &#8220;Hoje uma hist\u00f3ria factual n\u00e3o \u00e9 mais valorizada, como aprender que no ano 1789 houve a Inconfid\u00eancia<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mineira. Hoje na hist\u00f3ria se procura mais entender o que foi, e quais s\u00e3o os processos que levaram a um revolta, a uma independ\u00eancia.&#8221; Por\u00e9m, ele diz que o enfoque do ensino deve mudar, mas os temas n\u00e3o devem ser exclu\u00eddos do repert\u00f3rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;H\u00e1 pessoas que acham que voc\u00ea n\u00e3o deve estudar a lista de nomes de fara\u00f3s do Egito. Esse tipo de hist\u00f3ria j\u00e1 est\u00e1 superado, mas isso n\u00e3o significa que o Egito esteja superado&#8221;, afirmou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">No caso do documento apresentado na BNC, Janine diz que \u00e9 a favor dos novos itens inclusos, como revoltas que s\u00e3o menos conhecidas e que antes n\u00e3o figuraram nos conte\u00fados ensinados em sala de aula. Mas, de acordo com ele, \u00e9 preciso oferecer um contexto mais amplo aos estudantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Sou a favor de estudar todo esse elemento revoltoso que sai da hist\u00f3ria oficial, mas precisa ter uma base pra pessoas ter uma no\u00e7\u00e3o e possam inclusive ter uma interpreta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Especialistas de cada \u00e1rea<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O ex-ministro explicou que, em todas as \u00e1reas da BNC, especialistas com experi\u00eancia dentro da sala de aula foram convidados para elaborar as propostas preliminares que foram lan\u00e7adas em setembro, e agora recebem contribui\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Em cada \u00e1rea foram convidados especialistas, dando particular \u00eanfase \u00e0s pessoas que est\u00e3o na sala de aula. Isso foi muito importante, para n\u00e3o impor de cima pra baixo uma regra para todo o sistema educacional, mas partir de pessoas que t\u00eam experi\u00eancias com os alunos.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A palavra final, por\u00e9m, ser\u00e1 do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE), que deve aprovar a proposta final da BNC em 2016.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o e professor de \u00e9tica e filosofia Renato Janine Ribeiro criticou nesta sexta-feira (9) o trabalho de consultores que elaboraram o novo curr\u00edculo previsto para a disciplina de hist\u00f3ria na Base Nacional Comum (BNC).<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-6346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6346\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}