{"id":6260,"date":"2015-09-10T18:06:31","date_gmt":"2015-09-10T21:06:31","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/base-nacional-reacende-debate-de-competencias-para-o-seculo-21\/"},"modified":"2015-09-10T18:06:31","modified_gmt":"2015-09-10T21:06:31","slug":"base-nacional-reacende-debate-de-competencias-para-o-seculo-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/base-nacional-reacende-debate-de-competencias-para-o-seculo-21\/","title":{"rendered":"Base Nacional reacende debate de compet\u00eancias para o s\u00e9culo 21"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Um debate recorrente no meio educacional chegou a um momento decisivo. No dia 16 o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o divulga para a sociedade o documento que vai subsidiar o debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNC).<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"> Prevista no Plano Nacional da Educa\u00e7\u00e3o, a base \u00e9 uma tentativa de definir o que deve ser ensinado no pa\u00eds, partindo de um pressuposto b\u00e1sico: quais s\u00e3o as compet\u00eancias e habilidades que um estudante brasileiro deve ter para navegar com autonomia no s\u00e9culo 21? Mais do que isso, quais s\u00e3o os conhecimentos e compet\u00eancias que os sistemas de ensino (p\u00fablicos e privados) tem a obriga\u00e7\u00e3o de garantir, como um direito dos alunos, um pr\u00e9-requisito para a cidadania plena?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para estimular a discuss\u00e3o da BNC, o Porvir lan\u00e7a hoje uma s\u00e9rie de reportagens que vai levantar aspectos relevantes a serem debatidos depois da divulga\u00e7\u00e3o do texto do MEC, com foco especial nas compet\u00eancias para a vida no s\u00e9culo 21. Nossa equipe ouviu duas dezenas de especialistas em educa\u00e7\u00e3o, gestores, empres\u00e1rios e formadores de opini\u00e3o do Brasil e do exterior para entender o que a sociedade espera que os alunos aprendam e que compet\u00eancias devem ser inclu\u00eddas no projeto final da BNC.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Dependendo do ponto de vista de quem a analisa, a BNC tem outros usos, para al\u00e9m da quest\u00e3o dos direitos. Um deles \u00e9 colocar o ensino brasileiro de fato no s\u00e9culo 21, um debate que est\u00e1 ocorrendo em boa parte do mundo. Pa\u00edses que lideram rankings de qualidade do ensino, como Finl\u00e2ndia, Estados Unidos, Canad\u00e1 e Austr\u00e1lia, passaram por processos recentes de defini\u00e7\u00e3o do seu curr\u00edculo nacional. Outros, como a Cor\u00e9ia do Sul, j\u00e1 admitem promover uma discuss\u00e3o semelhante para reorientar suas pol\u00edticas educacionais \u2013 no caso coreano, o modelo \u00e9 visto como excessivamente competitivo e conteudista, indutor do individualismo e da mera repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas, o que n\u00e3o prepara jovens para as demandas de um mundo no qual o trabalho em equipe, o esp\u00edrito colaborativo e a criatividade s\u00e3o cada vez mais valorizados dentro e fora do mercado de trabalho. A BNC, portanto, pode representar uma oportunidade para o Brasil cortar caminho e usar um atalho para se aproximar de sistemas de ensino consolidados h\u00e1 muito mais tempo e de <\/span><span style=\"font-size: 12pt;\">performance superior ao brasileiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Outro poss\u00edvel efeito positivo de uma BNC de qualidade \u00e9 o de \u201ceditar\u201d e dar foco ao curr\u00edculo, considerado extenso demais, particularmente no ensino m\u00e9dio. A grade engessada de disciplinas (o n\u00famero de mat\u00e9rias varia de 14 a 19) \u00e9 uma queixa recorrente de gestores escolares, ainda que, paradoxalmente, n\u00e3o exista um curr\u00edculo oficial, mas Diretrizes Curriculares, meros indicativos, do ponto de vista formal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A Lei de Diretrizes e Bases (LDB), a \u201cConstitui\u00e7\u00e3o\u201d da educa\u00e7\u00e3o brasileira, \u00e9 clara ao dizer que a escola tem autonomia para definir seu projeto pedag\u00f3gico. Trocando em mi\u00fados: a cr\u00edtica \u00e0 grade engessada procede, mas at\u00e9 hoje, para se mudar isso, bastava vontade, digamos, \u201cpol\u00edtico-pedag\u00f3gica\u201d. A quest\u00e3o \u00e9 que poucas escolas assumiram o desafio de propor solu\u00e7\u00f5es mais radicais, como o Projeto \u00c2ncora, em S\u00e3o Paulo, que aboliu aulas tradicionais e provas e d\u00e1 ao aluno liberdade para decidir seus caminhos de aprendizagem, ajudado por um tutor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na verdade, a BNC ser\u00e1 uma ferramenta que vai ajudar a orientar a constru\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo das mais de 190 mil escolas de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do pa\u00eds, espalhadas de Norte a Sul, p\u00fablicas ou particulares. Pelo menos essa \u00e9 a atribui\u00e7\u00e3o legal prevista para ela no Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE). Ao contr\u00e1rio das Diretrizes Curriculares, a BNC ter\u00e1 for\u00e7a de lei, o que torna seu debate ainda mais relevante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ex-presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Dirigentes Municipais de Educa\u00e7\u00e3o (Undime), Cleuza Repulho acredita que o processo de discuss\u00e3o da BNC e do peso das compet\u00eancias para o s\u00e9culo 21 ser\u00e1 t\u00e3o relevante quanto \u201cdif\u00edcil\u201d. \u201cA constru\u00e7\u00e3o de consensos na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo complicado. Vai levar tempo, mas \u00e9 algo do qual n\u00e3o podemos fugir\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Cleuza ressalta que n\u00e3o est\u00e1 acompanhando de perto a elabora\u00e7\u00e3o do texto-base, preparado por um grupo de 116 especialistas indicados por universidades federais, sistemas de ensino e entidades como a pr\u00f3pria Undime. Mesmo de longe, por\u00e9m, j\u00e1 alerta para o risco de \u201cretrocessos\u201d. \u201cAlguns grupos querem usar o debate que o MEC est\u00e1 iniciando como pretexto para reabrir a discuss\u00e3o sobre se a Base Comum \u00e9 v\u00e1lida, desej\u00e1vel ou n\u00e3o. Isso \u00e9 inadmiss\u00edvel: a constru\u00e7\u00e3o da Base est\u00e1 prevista em lei, n\u00e3o tem como voltar atr\u00e1s. Precisamos olhar daqui para a frente.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">E olhando daqui para a frente, Cleuza, qual a compet\u00eancia n\u00e3o-cognitiva espec\u00edfica que voc\u00ea gostaria de ver ressaltada na BNC? \u201cN\u00e3o gosto de dizer que uma \u00e9 mais importante do que a outra, todas s\u00e3o bastante revelantes. Mas eu diria que \u00e9 a autonomia, formar pessoas que v\u00e3o poder fazer escolhas corretas ao longo da vida \u2013 e n\u00e3o falo s\u00f3 da vida escolar, acad\u00eamica\u201d, diz. \u201cPrecisamos formar gente aut\u00f4noma que consiga identificar quais s\u00e3o suas verdadeiras paix\u00f5es e correr atr\u00e1s do que for necess\u00e1rio para concretiz\u00e1-las. Sejam ocupa\u00e7\u00f5es bem-remuneradas ou n\u00e3o, isso importa menos do que elas fazerem sentido para o projeto de vida daquele indiv\u00edduo.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Psic\u00f3loga, consultora de carreiras e colunista do site do jornal O Estado de S. Paulo, Cl\u00e1udia Gon\u00e7alves acha que o pensamento cr\u00edtico e a capacidade de se adaptar \u00e0 diversidade (de g\u00eanero, \u00e9tnica e religiosa) e a situa\u00e7\u00f5es novas de trabalho ser\u00e3o a chave para o sucesso profissional neste s\u00e9culo. \u201cO sujeito precisa ter fundamentos de l\u00f3gica, saber pensar. O que voc\u00ea tem atualmente \u00e9 uma avalanche de not\u00edcias r\u00e1pidas, superficiais. Isso s\u00f3 n\u00e3o basta e \u00e9 justamente a\u00ed que o jovem de hoje em dia rateia um pouco.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quanto \u00e0 capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, Cl\u00e1udia afirma que as empresas esperam dos funcion\u00e1rios que saibam navegar em um mundo mais complexo, no qual as fronteiras entre \u00e1reas antes estanques se dilu\u00edram. \u201cVoc\u00ea j\u00e1 v\u00ea isso acontecendo na forma\u00e7\u00e3o em cursos cl\u00e1ssicos de MBA como o de Yale. L\u00e1, a organiza\u00e7\u00e3o do curso ainda mant\u00e9m algumas disciplinas tradicionais, como Finan\u00e7as e Marketing, s\u00f3 que o enfoque mudou completamente. Agora os alunos aprendem Marketing, por exemplo, do ponto de vista de diversos atores, do fabricante, do consumidor, do distribuidor\u201d, diz. \u201cVoc\u00ea precisa ter clareza de qual \u00e9 o seu jogo, \u00e9 tudo mais integrado. Mesmo um profissional liberal, como um m\u00e9dico, precisa saber mais do que seu conhecimento t\u00e9cnico. Ele precisa conhecer o perfil do paciente, as grandes tend\u00eancias do mercado no qual se especializou.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Nessa dilui\u00e7\u00e3o de fronteiras entre as \u00e1reas, a consultora ressalta a import\u00e2ncia da empatia, do saber se colocar no lugar do outro. \u201cVamos pensar nas eternas brigas entre \u00e1reas, departamento de marketing versus o de finan\u00e7as\u201d, diz. \u201cSempre foi quase como um cl\u00e1ssico Corinthians e Palmeiras, havia muita rivalidade. Hoje n\u00e3o cabe mais isso, \u00e9 preciso ter pessoas dos dois lados capazes de entender o que \u00e9 importante para um e para outro e chegar a uma solu\u00e7\u00e3o que contente a todos.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Professor do Instituto de F\u00edsica da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e consultor da Unesco (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura), Lu\u00eds Carlos de Menezes \u00e9 um entusiasta da discuss\u00e3o das compet\u00eancias para o s\u00e9culo 21 no contexto da BNC, mas prefere passar ao largo das caracter\u00edsticas normalmente associadas e elas (trabalho em grupo, empatia e resili\u00eancia para superar adversidades) e falar de aspectos \u2013 ou nomenclaturas \u2013 j\u00e1 incorporados h\u00e1 mais tempo ao cotidiano da escola. \u201cSem garantir que a crian\u00e7a ou jovem tenha alegria de pertencer \u00e0 escola voc\u00ea n\u00e3o chega a lugar nenhum\u201d, afirma. \u201cDa mesma forma que uma crian\u00e7a cuja autoestima \u00e9 massacrada nos anos iniciais de forma\u00e7\u00e3o ter\u00e1 muito mais dificuldade de se tornar um adulto pleno.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Quando menciona autoestima, Menezes fala em processos abrangentes, que devem estar no cerne do curr\u00edculo nacional. Um sujeito com autoestima, por exemplo, se reconhece como dono de sua trajet\u00f3ria, como ator de sua vida. Isso tem efeitos mais profundos no processo de ensino do que pode parecer \u00e0 primeira vista. \u201cUma pessoa assim n\u00e3o encara o conhecimento como algo gerado pelo outro, algo externo a ela, que precisa ser decorado, memorizado. Ela valoriza sua hist\u00f3ria de vida, a dos seus pais e av\u00f3s, do seu bairro ou cidade e coloca essas viv\u00eancias no centro do seu processo de forma\u00e7\u00e3o\u201d, diz. \u201cOs chamados conte\u00fados cognitivos deixam de ser um fim em si mesmo para se tornarem ferramentas, instrumentos para aquela pessoa atingir seus objetivos.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O que Menezes prop\u00f5e \u00e9 um resgate dos prim\u00f3rdios da educa\u00e7\u00e3o. Os tutores gregos n\u00e3o eram contratados pelas fam\u00edlias abastadas para formar fil\u00f3sofos (ainda que poucas ocupa\u00e7\u00f5es possam ser t\u00e3o relevantes quanto esta). Estavam l\u00e1 para garantir que futuros pol\u00edticos, administradores ou mesmo l\u00edderes militares tivessem uma forma\u00e7\u00e3o ampla, capaz de faz\u00ea-los pensar com profundidade por si mesmos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ao contr\u00e1rio do que possa parecer, a argumenta\u00e7\u00e3o de Menezes n\u00e3o exclui a necessidade de enfatizar na BNC as compet\u00eancias para mundo do trabalho. \u201cPelo contr\u00e1rio, acho at\u00e9 que esse aspecto costuma ser subestimado aqui no Brasil, muito por conta da nossa tradi\u00e7\u00e3o excessivamente te\u00f3rica. Sou totalmente a favor de que o estudante saia do ensino b\u00e1sico capacitado para trabalhar ou seguir na carreira acad\u00eamica.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Apesar do seu apoio incondicional \u00e0 inclus\u00e3o de compet\u00eancias que extrapolem os conte\u00fados acad\u00eamicos no \u201canteprojeto\u201d da BNC, Menezes teme que o documento do MEC acabe de alguma forma engessando o debate. \u201cMeu medo \u00e9 de que saia de l\u00e1 um tratado de 200 p\u00e1ginas. Acho que o texto-base deveria conter princ\u00edpios que todos pudessem assimilar, abrindo de fato um debate o mais aberto poss\u00edvel.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Coordenador da Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, Daniel Cara \u00e9 ainda mais c\u00e9tico do que Menezes sobre o debate da BNC. Daniel elogia, com ressalvas, o modelo adotado pelo MEC na prepara\u00e7\u00e3o do texto-base, que juntou especialistas de refer\u00eancia do ensino superior com professores envolvidos no cotidiano escolar, al\u00e9m de outros atores, como representantes de estudantes. \u201cO modelo \u00e9 melhor do que o testado em iniciativas anteriores, embora eu tenha informa\u00e7\u00f5es de que os professores acabaram sendo menos ouvidos do que o pessoal do ensino superior. Mas minha principal preocupa\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do que for decidido, ao efeito que isso vai ter na sala de aula\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Daniel credita parte dessa dificuldade de engajar os professores \u00e0 \u201cdesconfian\u00e7a\u201d dos educadores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pauta \u201ccompet\u00eancias para o s\u00e9culo 21 e\/ou compet\u00eancias socioemocionais\u201d. \u201cTanto uma quanto a outra acendem um sinal de alerta na cabe\u00e7a dos professores. Muito deles veem ambas como uma prioridade exclusiva das grandes funda\u00e7\u00f5es privadas, associada a m\u00e9tricas e padr\u00f5es de desempenho que os educadores enxergam como algo concebido sem consist\u00eancia pedag\u00f3gica\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Daniel acha que a resist\u00eancia ao termo \u201ccompet\u00eancia socioemocional\u201d \u00e9 at\u00e9 maior, porque os educadores consideram que h\u00e1 uma tentativa de apresentar o tema como se fosse algo in\u00e9dito. \u201cQuem \u00e9 professor h\u00e1 anos j\u00e1 viu esse filme, com outros nomes. Nos Par\u00e2metros e nas Diretrizes j\u00e1 se falava na forma\u00e7\u00e3o valorativa, algo que est\u00e1 na origem mesma da institui\u00e7\u00e3o escola. N\u00e3o digo que n\u00e3o haja contribui\u00e7\u00f5es novas nesse campo, mas desconsiderar tudo que j\u00e1 foi discutido antes s\u00f3 real\u00e7a o p\u00e9 atr\u00e1s de parte dos educadores.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Para o diretor geral do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi, mais importante do que escolher algumas compet\u00eancias para serem ensinadas \u00e9 atualizar os m\u00e9todos de ensino. Lucchesi comanda uma estrutura que trabalha hoje no pa\u00eds de forma transversal as compet\u00eancias para o s\u00e9culo 21, com a metodologia do ensino baseado em projetos e alto poder de engajamento. Prova disso \u00e9 o sucesso da recente edi\u00e7\u00e3o brasileira do World Skills, realizada no m\u00eas passado em S\u00e3o Paulo. O evento mais parecia uma sucess\u00e3o de reality shows, com jovens atarefados correndo de um lado para o outro para terminar as provas a tempo \u2013 e tudo isso em clima de Copa do Mundo, com direito a torcida organizada de cada pa\u00eds e, pelo menos no caso da competi\u00e7\u00e3o de jardinagem, transmiss\u00e3o ao vivo da TV japonesa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u201cO que o aluno brasileiro tem hoje no ensino tradicional? Uma professora (ou professor) que muitas vezes despeja conte\u00fado em sala de aula de forma desinteressante. E a culpa n\u00e3o \u00e9 dela. A professora s\u00f3 reproduz o que aprendeu na faculdade, uma forma\u00e7\u00e3o deficiente, ideol\u00f3gica \u00e0 be\u00e7a em alguns casos, que n\u00e3o a preparou para enfrentar 40 pares de olhos na sala de aula\u201d, diz Lucchesi. \u201cAcho que o modelo que n\u00f3s adotamos no Senai, de teoria e pr\u00e1tica, muito mais eficiente. Voc\u00ea at\u00e9 ret\u00e9m uma parcela do que v\u00ea e ouve, s\u00f3 que \u00e9 uma parcela pequena. Mas quando voc\u00ea ouve e depois aplica aquele conhecimento em alguma atividade pr\u00e1tica, o n\u00edvel de aprendizado \u00e9 muito maior, fica com voc\u00ea para a vida inteira.\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A cren\u00e7a de Lucchesi cai como uma luva para a gera\u00e7\u00e3o dos makers, os jovens que p\u00f5em a m\u00e3o na massa e aprendem dessa forma. \u00c9 uma garotada que est\u00e1 usando a conectividade e ferramentas de fabrica\u00e7\u00e3o digital para, por exemplo, reinventar produtos com impressoras 3D ou montar rob\u00f4s que ajudam pessoas com defici\u00eancias. Sem deixar de se divertir com os m\u00eames mais legais da semana e outras intera\u00e7\u00f5es em redes sociais. Com criatividade, tem lugar para todo mundo no s\u00e9culo 21.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um debate recorrente no meio educacional chegou a um momento decisivo. 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