{"id":5895,"date":"2015-02-20T14:48:52","date_gmt":"2015-02-20T16:48:52","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/estudantes-nao-veem-tecnologia-como-parte-do-aprendizado\/"},"modified":"2015-02-20T14:48:52","modified_gmt":"2015-02-20T16:48:52","slug":"estudantes-nao-veem-tecnologia-como-parte-do-aprendizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/estudantes-nao-veem-tecnologia-como-parte-do-aprendizado\/","title":{"rendered":"Estudantes n\u00e3o veem tecnologia como parte do aprendizado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Alunos de classes populares ainda n\u00e3o veem a presen\u00e7a de aparelhos tecnol\u00f3gicos em sala de aula como parte do processo de aprendizagem. Principalmente em escolas p\u00fablicas, estudantes manuseiam aparelhos celulares sem a orienta\u00e7\u00e3o ou interven\u00e7\u00e3o de seus professores, apesar da proibi\u00e7\u00e3o de sua utiliza\u00e7\u00e3o por lei.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9 o que mostra pesquisa de mestrado de Andr\u00e9 Toreli Salatino, na Faculdade da Educa\u00e7\u00e3o (FE) da USP. O pesquisador acompanhou regularmente dezenas de estudantes de uma escola p\u00fablica. A ideia do trabalho foi compreender as tens\u00f5es que conformam a experi\u00eancia escolar contempor\u00e2nea, a forma como os jovens vivenciam mundos culturais e tecnol\u00f3gicos distantes entre si.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo o estudo, \u00e9 do professor a responsabilidade de tentar criar situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem que incluam a utiliza\u00e7\u00e3o dos diversos aparelhos tecnol\u00f3gicos, j\u00e1 que as tecnologias n\u00e3o fazem nada por si mesmas. Esses jovens n\u00e3o mobilizam as novas tecnologias para constru\u00edrem rela\u00e7\u00f5es com os saberes escolares, em grande parte utilizam seus celulares para se ausentarem daquele mundo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Com foco no processo de aprendizagem, cabe ao professor avaliar, em sua realidade concreta, se a implementa\u00e7\u00e3o dos aparelhos tecnol\u00f3gicos contribuem para que os alunos criem uma rela\u00e7\u00e3o com o conte\u00fado de sua disciplina.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Durante um ano letivo, Salatino observou tr\u00eas turmas do ensino m\u00e9dio de um col\u00e9gio da periferia da cidade de S\u00e3o Paulo, na zona leste. O acompanhamento n\u00e3o se deu apenas em sala de aula, mas tamb\u00e9m em outros espa\u00e7os escolares, como o p\u00e1tio em hor\u00e1rio de intervalo entre as aulas e per\u00edodos de entrada e sa\u00edda. Esses espa\u00e7os se mostraram interessantes por tamb\u00e9m participarem do mundo de exibi\u00e7\u00e3o produzido com esses aparelhos tecnol\u00f3gicos, em meio \u00e0 experi\u00eancia escolar desses jovens.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Metodologia<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A metodologia do trabalho teve inspira\u00e7\u00e3o da etnografia, m\u00e9todo utilizado pela antropologia na coleta de dados. O pesquisador tentou compreender essa cultura escolar espec\u00edfica a partir do significado constru\u00eddo pelos jovens em sua rela\u00e7\u00e3o com celulares e aparelhos eletr\u00f4nicos em geral e com a escola dos dias atuais. Essa an\u00e1lise se deu por interm\u00e9dio de um trabalho de campo prolongado com jovens de classes populares.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Foram aplicados question\u00e1rios fechados a todos os alunos presentes nas turmas, cujas respostas foram comparadas com dados estat\u00edsticos publicados por diferentes institutos internacionais que tinham por objeto a rela\u00e7\u00e3o dos jovens com a tecnologia. Para amenizar a dist\u00e2ncia entre \u201caquilo que somos\u201d e \u201caquilo que dizemos que somos\u201d, buscou-se refletir sobre o que as a\u00e7\u00f5es desses alunos t\u00eam a dizer sobre a sociedade em que est\u00e3o inseridos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Resultado<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Por mais que a coopera\u00e7\u00e3o entre docente e tecnologia para auxiliar no progresso do ensino seja importante, n\u00e3o se pode deixar iludir. Em determinadas situa\u00e7\u00f5es, ser\u00e1 dif\u00edcil introduzir recursos tecnol\u00f3gicos, mesmo porque a cultura brasileira n\u00e3o tem a aprendizagem como valor. Grande parte dos estudantes de classes populares n\u00e3o compreende o ensino em institui\u00e7\u00f5es escolares como meio de ascens\u00e3o social. Muitos, ali\u00e1s, observam a promessa da escola como ilus\u00e3o, pela pr\u00f3pria experi\u00eancia com pessoas que conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio e mesmo assim n\u00e3o galgaram condi\u00e7\u00f5es financeiras melhores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">De acordo com Salatino, n\u00e3o significa, por\u00e9m, que a proibi\u00e7\u00e3o de telefones celulares em sala de aula seja o suficiente. Durante o percurso escolar esses alunos distraem-se com ou sem a presen\u00e7a de recursos tecnol\u00f3gicos, embora os aparelhos tecnol\u00f3gicos levem essa dispers\u00e3o para outra escala. \u201cTemos que considerar que a proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o retirou os aparelhos da escola\u201d, lembra o pesquisador, \u201cpois a din\u00e2mica de leis no Brasil \u00e9 abstrata, constitu\u00edda de cima para baixo e despreocupada com sua implementa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alunos de classes populares ainda n\u00e3o veem a presen\u00e7a de aparelhos tecnol\u00f3gicos em sala de aula como parte do processo de aprendizagem. 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