{"id":5815,"date":"2014-11-11T22:24:09","date_gmt":"2014-11-12T00:24:09","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/livro-que-analisa-a-experiencia-de-paises-bem-sucedidos-na-educacao-mostra-que-nem-tudo-vale-a-pena-ser-copiado-afirma-antonio-gois\/"},"modified":"2014-11-11T22:24:09","modified_gmt":"2014-11-12T00:24:09","slug":"livro-que-analisa-a-experiencia-de-paises-bem-sucedidos-na-educacao-mostra-que-nem-tudo-vale-a-pena-ser-copiado-afirma-antonio-gois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/livro-que-analisa-a-experiencia-de-paises-bem-sucedidos-na-educacao-mostra-que-nem-tudo-vale-a-pena-ser-copiado-afirma-antonio-gois\/","title":{"rendered":"&#8220;Livro que analisa a experi\u00eancia de pa\u00edses bem-sucedidos na Educa\u00e7\u00e3o mostra que nem tudo vale a pena ser copiado&#8221;, afirma Ant\u00f4nio Gois"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9 comum que, diante de nossos p\u00edfios indicadores educacionais, miremos no exemplo de pa\u00edses bem-sucedidos em busca de solu\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se trata, neste caso, de complexo de vira-latas, pois n\u00e3o somos os \u00fanicos com essa obsess\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Em seu livro \u201cAs crian\u00e7as mais inteligentes do mundo\u201d, rec\u00e9m-lan\u00e7ado no Brasil, a jornalista norte-americana Amanda Ripley faz justamente isso ao investigar, a partir da experi\u00eancia de estudantes americanos em interc\u00e2mbio em outros pa\u00edses, por que outras na\u00e7\u00f5es conseguem resultados melhores do que os EUA, mesmo dispondo, em alguns casos, de menos recursos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Com base nos resultados do Pisa (exame internacional da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico), a autora escolheu investigar tr\u00eas pa\u00edses: Finl\u00e2ndia, Coreia do Sul e Pol\u00f4nia. Os dois primeiros sempre apareceram nessa avalia\u00e7\u00e3o entre os primeiros do ranking. No caso da Pol\u00f4nia, ela n\u00e3o chega a ficar entre os dez primeiros na lista de 65 na\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 destaque por ficar bem \u00e0 frente dos Estados Unidos, mesmo tendo \u00edndices de pobreza maiores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">O livro foi lan\u00e7ado nos Estados Unidos no ano passado, antes de a OCDE ter divulgado, em dezembro, o novo ranking do Pisa, que evidenciou ainda mais a boa performance dos pa\u00edses asi\u00e1ticos. A Finl\u00e2ndia, at\u00e9 ent\u00e3o o pa\u00eds mais badalado do mundo por seus bons resultados, registrou uma queda no ranking. Mas se manteve, assim como a Pol\u00f4nia, bem \u00e0 frente dos Estados Unidos, e h\u00e1 l\u00e9guas de dist\u00e2ncia acad\u00eamica do Brasil, o 58\u00ba entre 65 na\u00e7\u00f5es no desempenho em matem\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Tamb\u00e9m por causa desse protagonismo cada vez maior das na\u00e7\u00f5es asi\u00e1ticas no Pisa, o exemplo que mais chama a aten\u00e7\u00e3o no livro \u00e9 o da Coreia do Sul. Vai se enganar, no entanto, quem acha que encontrar\u00e1 na publica\u00e7\u00e3o um relato deslumbrado sobre o sistema educacional de l\u00e1. Um dos trechos mais interessantes da obra \u00e9 quando o estudante americano percebe alguns de seus colegas coreanos dormindo na aula do professor pela manh\u00e3. A cena contraria o estere\u00f3tipo de asi\u00e1ticos obcecados pelo estudo, mas tem uma explica\u00e7\u00e3o: depois de uma jornada de oito horas na escola, muitas das crian\u00e7as coreanas seguem estudando em estabelecimentos que lembram alguns de nossos cursinhos pr\u00e9-vestibulares. A jornada de estudo, em muitos casos, chega a 12 horas por dia, um exagero que preocupa seriamente autoridades sul-coreanas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Este efeito colateral perverso do sistema sul-coreano foi tema tamb\u00e9m de um recente artigo, que teve grande repercuss\u00e3o, publicado em agosto no \u201cThe New York Times\u201d. Nele, o editor de um site de not\u00edcias coreano nos EUA, Se-Woong Koo, descreve o sistema educacional de seu pa\u00eds como feudal: \u201cSer crian\u00e7a na Coreia do Sul ultimamente nada tem a ver com liberdade, escolhas pessoais ou felicidade. Ao contr\u00e1rio, tudo gira em torno de produ\u00e7\u00e3o, performance e obedi\u00eancia. A Coreia do Sul pode ter virado uma pot\u00eancia econ\u00f4mica, mas negligencia a felicidade de sua popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Essa constata\u00e7\u00e3o do exagero asi\u00e1tico, que se reflete nas altas taxas de suic\u00eddio de jovens por l\u00e1, j\u00e1 havia sido feita pela educadora Beatriz Cardoso, ao visitar pa\u00edses bem avaliados no Pisa para a s\u00e9rie \u201cDestino Educa\u00e7\u00e3o\u201d, exibida no canal Futura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Enxergar bem de perto o sistema desses pa\u00edses com bons resultados em testes internacionais traz algumas li\u00e7\u00f5es. Uma delas \u00e9 que rankings elaborados a partir de testes como o Pisa contam apenas uma parte da hist\u00f3ria e, por isso, precisam ser sempre relativizados. Exageros \u00e0 parte, no entanto, h\u00e1 li\u00e7\u00f5es a aprender de Coreia, Finl\u00e2ndia, Pol\u00f4nia e outras na\u00e7\u00f5es com bom desempenho. Em todos esses pa\u00edses, a sociedade valoriza a educa\u00e7\u00e3o. Isso se reflete no prest\u00edgio que d\u00e3o aos professores, que recebem sal\u00e1rios atrativos, s\u00e3o bem formados, mas tamb\u00e9m cobrados para que garantam o direito de alto aprendizado a todas as crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 comum que, diante de nossos p\u00edfios indicadores educacionais, miremos no exemplo de pa\u00edses bem-sucedidos em busca de solu\u00e7\u00f5es. 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