{"id":5801,"date":"2014-10-17T17:49:20","date_gmt":"2014-10-17T20:49:20","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/pesquisa-revela-entraves-para-a-utilizacao-de-recursos-digitais-abertos-na-sala-de-aula\/"},"modified":"2014-10-17T17:49:20","modified_gmt":"2014-10-17T20:49:20","slug":"pesquisa-revela-entraves-para-a-utilizacao-de-recursos-digitais-abertos-na-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/pesquisa-revela-entraves-para-a-utilizacao-de-recursos-digitais-abertos-na-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"Pesquisa revela entraves para a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos digitais abertos na sala de aula"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Estudo da A\u00e7\u00e3o Educativa mapeou e analisou 22 portais de recursos educacionais digitais, que, se bem utilizados, podem contribuir para a mudan\u00e7a de paradigma do aprendizado.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">A A\u00e7\u00e3o Educativa lan\u00e7ou neste m\u00eas um estudo que traz um panorama sobre os Recursos Educacionais Abertos (REA) no Brasil, com o objetivo de identificar oportunidades e desafios para o uso e a apropria\u00e7\u00e3o desses recursos em l\u00edngua portuguesa. Realizado entre mar\u00e7o e agosto de 2014, com apoio da Wikimedia Foundation, o mapeamento &#8220;Recursos Educacionais Abertos no Brasil: o campo, os recursos e sua apropria\u00e7\u00e3o em sala de aula&#8221;, analisou 22 portais de recursos educacionais online e entrevistou 30 pessoas, entre pensadores que lidam direta ou indiretamente com REA, produtores de conte\u00fados educacionais digitais e gestores p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Jamila Venturini, coordenadora da pesquisa, explica que o conceito de REA est\u00e1 ligado \u00e0 ideia de acesso, uso, adapta\u00e7\u00e3o e redistribui\u00e7\u00e3o gratuitos por terceiros, mediante nenhuma ou poucas restri\u00e7\u00f5es. Dados do estudo mostram, no entanto, que grande parte dos recursos dispon\u00edveis nos portais analisados n\u00e3o possui licen\u00e7as que permitam aplicar esse conceito na pr\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Dos 231 materiais analisados, 43,7% possuem direito autoral padr\u00e3o (todos os direitos reservados), 13,4% apresentam direito autoral padr\u00e3o, mas com inten\u00e7\u00e3o de flexibilizar, 22% optaram por um licenciamento flex\u00edvel, mas que n\u00e3o permite o uso do material para fins comerciais, e 10,8% s\u00e3o de dom\u00ednio p\u00fablico, enquanto apenas 4,3% oferecem os recursos de forma totalmente livre.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Quando falamos em licen\u00e7a autoral padr\u00e3o com a inten\u00e7\u00e3o de flexibilizar, na pr\u00e1tica s\u00e3o recursos que t\u00eam todos os seus direitos reservados. H\u00e1 v\u00e1rias iniciativas, tanto p\u00fablicas como privadas, que manifestam em sua descri\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o a inten\u00e7\u00e3o de fazer esses conte\u00fados circularem e de promover o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas elas precisam usar licen\u00e7as apropriadas para dar seguran\u00e7a ao usu\u00e1rio&#8221;, pontua Jamila.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">A pesquisadora acrescenta que existe uma confus\u00e3o sobre a ideia de abertura e acesso. Um dos entrevistados, por exemplo, afirmou que seus conte\u00fados s\u00e3o abertos como na TV aberta, pois podem ser acessados. &#8220;Os REA est\u00e3o embasados na circula\u00e7\u00e3o livre do conhecimento. Falamos em abertura no sentido de se apropriar realmente daquele conte\u00fado, e n\u00e3o apenas consumi-lo&#8221;, esclarece.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Transforma\u00e7\u00e3o da escola<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">A ideia de que a institui\u00e7\u00e3o escolar deve ser transformada \u00e9 um dos pontos centrais da pesquisa e h\u00e1 um consenso entre os entrevistados de que os REA podem colaborar positivamente com essa mudan\u00e7a, que afetaria as estruturas escolares. &#8220;Muitos entrevistados pontuaram que essa transforma\u00e7\u00e3o tem a ver com uma mudan\u00e7a na cultura escolar, na rela\u00e7\u00e3o entre professor e aluno e na supera\u00e7\u00e3o da recep\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o do conhecimento&#8221;, destaca Jamila.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Alessandro Freitas, professor de hist\u00f3ria da rede estadual de S\u00e3o Paulo, concorda que a vis\u00e3o dentro da sala de aula precisa ser renovada. Para ele, o modelo atual acaba sendo uma forma de agress\u00e3o \u00e0 realidade dos alunos, que n\u00e3o veem mais sentido na escola, e provoca um desgaste entre os jovens e os professores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Os alunos t\u00eam fora da escola uma vida cercada por tecnologia e quando ele entra na sala de aula \u00e9 obrigado a largar tudo aquilo que faz parte da vida dele. Muitas pessoas t\u00eam uma vis\u00e3o pessimista de que o aluno n\u00e3o quer mais aprender. N\u00e3o \u00e9 bem assim. A partir do momento em que o aluno consegue se identificar com aquilo, ele vai pesquisar, se aprofundar e dar os resultados esperados&#8221;, pondera.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Professor autor<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">A possibilidade de criar um material com o qual tenha identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das vantagens dos Recursos Educacionais Abertos, na opini\u00e3o de Alessandro Freitas. &#8220;O material did\u00e1tico \u00e9 feito sem a participa\u00e7\u00e3o do professor e do pr\u00f3prio aluno, que s\u00e3o os principais sujeitos da educa\u00e7\u00e3o. Muitas vezes n\u00e3o h\u00e1 identifica\u00e7\u00e3o com aquele material e o professor \u00e9 obrigado a us\u00e1-lo, mesmo discordando da vis\u00e3o de um autor&#8221;, afirma. O professor de hist\u00f3ria acredita que selecionar esses materiais e adapt\u00e1-los junto com os alunos, daria a chance aos professores de se aproximar dos estudantes, al\u00e9m de inserir os jovens no centro do aprendizado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo Priscila Gonsales, diretora-executiva do Instituto Educadigital e membro da comunidade REA Brasil, os professores t\u00eam usado frequentemente objetos digitais gratuitos e at\u00e9 mesmo criado novos recursos, mas eles compartilham pouco aquilo o que produzem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Dados da pesquisa TIC Educa\u00e7\u00e3o de 2013, realizada pelo Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), confirmam a fala de Priscila. Do total de professores de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica entrevistados, 96% utilizaram recursos online para elaborar suas aulas e 88% deles fizeram adapta\u00e7\u00f5es no conte\u00fado. No entanto, apenas 21% dos educadores publicaram seus materiais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Os professores n\u00e3o se reconhecem como autores. A autoria vem sempre de fora para dizer como o professor tem que dar aula. Por isso \u00e9 importante valorizar o ponto de vista pedag\u00f3gico que os REA e a cultural digital proporcionam&#8221; , afirma Priscila. O grande desafio, para ela, \u00e9 que os professores entendam melhor como usar esses recursos digitais para tamb\u00e9m se tornarem produtores de conte\u00fado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da A\u00e7\u00e3o Educativa mapeou e analisou 22 portais de recursos educacionais digitais, que, se bem utilizados, podem contribuir para a mudan\u00e7a de paradigma do aprendizado.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5801","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5801"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5801\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}