{"id":5642,"date":"2014-04-03T18:47:55","date_gmt":"2014-04-03T21:47:55","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2014\/04\/03\/inovar-no-aprendizado-e-possivel\/"},"modified":"2014-04-03T18:47:55","modified_gmt":"2014-04-03T21:47:55","slug":"inovar-no-aprendizado-e-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/inovar-no-aprendizado-e-possivel\/","title":{"rendered":"Inovar no aprendizado \u00e9 poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">O dia \u00e9 7 de setembro de 1822. Eu e meus colegas estamos cavalgando atr\u00e1s de Dom Pedro de Alc\u00e2ntara de Bragan\u00e7a, que segue para o riacho Ipiranga. A nossa expectativa \u00e9 que iremos vivenciar um momento \u00fanico na hist\u00f3ria do Pa\u00eds\u201d. O cen\u00e1rio dessa passagem aconteceu h\u00e1 quase dois s\u00e9culos, mas pode ser recontado na sala de aula por meio de pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas diferenciadas como o role playing game, ou RPG, um jogo que consiste basicamente na cria\u00e7\u00e3o e na interpreta\u00e7\u00e3o de personagens em um universo fict\u00edcio ou n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Inovar, seja com materiais tradicionais do ambiente educacional, como l\u00e1pis e papel, ou com as novas tecnologias, como os computadores e os celulares, \u00e9 algo estritamente necess\u00e1rio para que o professor compreenda os alunos que est\u00e3o presentes hoje nas escolas e torne suas aulas mais atrativas para esse novo p\u00fablico. \u201cO que eu vejo como mais relevante mesmo \u00e9 trazer o contexto em que essas crian\u00e7as vivem para dentro da sala de aula. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Quando voc\u00ea afasta a tecnologia da escola, voc\u00ea cria um mundo \u00e0 parte do mundo em que elas vivem, porque, hoje em dia, as crian\u00e7as t\u00eam celulares com acesso \u00e0 internet, computadores em casa, notebooks. \u00c9 um mundo que elas j\u00e1 conhecem. Ent\u00e3o porque n\u00e3o utilizar, dentro da escola, uma ferramenta que elas j\u00e1 t\u00eam, j\u00e1 conhecem e gostam de usar?\u201d, indaga Mariana Ferreira Gomes Correa, pesquisadora da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Guilherme Xavier, desenvolvedor de jogos, escritore CEO da Donsoft Entertainment, concorda: \u201cA escola absorver para si, para sua pr\u00e1tica, quest\u00f5es oriundas de uma sociedade informativa, que \u00e9 essa que a gente est\u00e1 vivendo, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio, mas tamb\u00e9m fundamental\u201d. A Profiss\u00e3o Mestre conversou com os educadores durante a III Feira Cultural do Livro de Ouro Preto Conex\u00e3o @OuroPreto, em novembro de 2013, onde ambos ministraram oficinas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Se existe o consenso de que as novas tecnologias devem ser inseridas no cotidiano escolar, h\u00e1 tamb\u00e9m um grande obst\u00e1culo: Como o professor pode capacitar-se e diminuir a lacuna em conhecimento sobre tecnologias que existe entre alunos e docentes? \u00c9 algo que pode ser solucionado por meio do empirismo. \u201cO processo de reciclagem passa pelo interesse em saber o que est\u00e1 acontecendo, em ver o que os alunos est\u00e3o usando. Do ponto de vista de um profissional que tem que estar sempre antenado, isso \u00e9 extremamente necess\u00e1rio\u201d, atesta Xavier. Essa pr\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 defendida por Tulio Drumond, diretor de programas e roteirista da Rede Minas de televis\u00e3o, outro palestrante do evento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">\u201c\u00c9 um processo de aprendizagem um pouco diferente do tradicional. \u00c9 preciso que a pessoa veja o que \u00e9 assimil\u00e1vel, para ela, da tecnologia. N\u00e3o h\u00e1 um m\u00e9todo criado para todas as disciplinas, mas para cada uma \u00e9 preciso que o professor encontre qual \u00e9 a interface, a nova m\u00eddia ou o elemento tecnol\u00f3gico que possa ajud\u00e1-lo na sua did\u00e1tica\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Outro risco existente no uso de aparelhos tecnol\u00f3gicos em sala de aula \u00e9 a distra\u00e7\u00e3o, que ainda \u00e9 vista por muitos como um problema, mas que pode ser ben\u00e9fica: \u201cTodos n\u00f3s, quando usamos o computador para trabalhar, paramos para ver o e-mail, damos uma olhada para ver se tem uma notifica\u00e7\u00e3o no Facebook. Eu acho que esses momentos, esses intervalos s\u00e3o necess\u00e1rios. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">A mente humana n\u00e3o consegue se focar por uma, duas horas direto, sem um intervalo\u201d, afirma Mariana. J\u00e1 para Xavier e Drumond, a alternativa \u00e9 fazer com que os alunos se apropriem da tecnologia para aprenderem at\u00e9 mesmo durante o descanso. \u201cAntes de buscar uma rela\u00e7\u00e3o antag\u00f4nica entre o conte\u00fado program\u00e1tico e algo que distraia o aluno, \u00e9 preciso pensar em como o aluno, distraindo-se, pode estar aprendendo; como esse aprendizado pode ser algo t\u00e3o natural para o aluno como quando ele era beb\u00ea e aprendeu a andar, falar, brincar\u201d, explica o desenvolvedor. J\u00e1 Drumond acredita que, como os alunos j\u00e1 s\u00e3o acostumados com os dispositivos, a aprendizagem \u00e9 menos trabalhosa: \u201cEu enxergo como sa\u00edda para o professor trazer esse aluno com essa interface para dentro da sala de aula e propor desafios mais din\u00e2micos, porque o aluno passa a ver outro uso para aquela determinada interface, para aquele hardware\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Confira a seguir sugest\u00f5es de atividades que utilizam tanto as novas tecnologias como os materiais j\u00e1 tradicionais da sala de aula.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Criatividade com o computador<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">O computador j\u00e1 \u00e9 um elemento bastante comum nas escolas. Segundo dados da pesquisa TIC Educa\u00e7\u00e3o 2012, realizada pelo Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), a ferramenta est\u00e1 presente em todas as 856 institui\u00e7\u00f5es entrevistadas e, entre elas, 74% contam tamb\u00e9m com computadores port\u00e1teis (notebooks e netbooks). Mesmo assim, o que se v\u00ea ainda s\u00e3o professores que utilizam os PCs apenas para mostrar apresenta\u00e7\u00f5es de slides ou v\u00eddeos, muitas vezes ignorando a interatividade e o imediatismo que a ferramenta prop\u00f5e.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Mariana Correa, pesquisadora da PUC-Rio, defende que o bom uso dos computadores passa n\u00e3o s\u00f3 pela aula expositiva, mas tamb\u00e9m pelos momentos em que os alunos \u201cp\u00f5em a m\u00e3o na massa\u201d. \u201c\u00c9 v\u00e1lido ter um momento expositivo, com certeza, mas o mais interessante \u00e9 que o aluno possa mexer nisso. No curso, eu estava mostrando para os professores uma ferramenta colaborativa que a gente pode usar: o Google Drive (drive.google.com), no qual voc\u00ea tem, digamos, um pacote Office, podendo criar documentos, planilhas etc. Na sala de aula, voc\u00ea pode criar um texto colaborativo, com todo mundo escrevendo em tempo real ali.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Voc\u00ea vai ver a contribui\u00e7\u00e3o de cada um, enquanto est\u00e1 construindo aquele momento\u201d, exemplifica Mariana, que defende que o ideal n\u00e3o \u00e9 um computador por aluno, mas que v\u00e1rios estudantes utilizem a mesma m\u00e1quina. \u201cAssim, voc\u00ea promove o trabalho n\u00e3o s\u00f3 com a tecnologia, mas ao mesmo tempo est\u00e1 tendo uma discuss\u00e3o, porque todos eles est\u00e3o participando\u201d, justifica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Mariana tamb\u00e9m acredita que o professor n\u00e3o deve procurar plataformas espec\u00edficas para a educa\u00e7\u00e3o, mas sim adaptar e utilizar as ferramentas que j\u00e1 est\u00e3o presentes em seu dia a dia. \u201cQuando voc\u00ea tem que trazer uma tecnologia exclusivamente para a sala de aula, h\u00e1 todo um processo de aprendizado daquela ferramenta que est\u00e1 dissociado do que voc\u00ea j\u00e1 faz. Sugiro que o professor use o YouTube, o Google, o Google Drive e as ferramentas inclu\u00eddas ali\u201d, afirma a pesquisadora, que vai al\u00e9m e indica uma proposta diferenciada: \u201cPor que n\u00e3o usamos as videoconfer\u00eancias para falar com profissionais de \u00e1reas espec\u00edficas que n\u00e3o podem vir para a sala de aula dar uma palestra? Se voc\u00ea fizer uma videoconfer\u00eancia, eles estar\u00e3o dispon\u00edveis para atender \u00e0s d\u00favidas dos alunos. A gente tem essa possibilidade de aproximar as pessoas que normalmente nunca ter\u00edamos contato\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\"><strong>Vivenciando a Hist\u00f3ria<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Criado em 1974, o role playing game, ou RPG, \u00e9 um jogo que consiste basicamente na cria\u00e7\u00e3o e na interpreta\u00e7\u00e3o de personagens em um universo fict\u00edcio ou n\u00e3o. Os jogadores obedecem \u00e0s instru\u00e7\u00f5es do mestre do jogo, que \u00e9 quem conta a hist\u00f3ria e dita os rumos do jogo. Por causa dessa estrutura simples, mas vers\u00e1til, o RPG pode ser uma boa alternativa tamb\u00e9m para quem quer inovar na sala de aula, sem nem mesmo precisar das novas tecnologias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Para Tiago Silv\u00e9rio, pesquisador da PUC-Rio e que tamb\u00e9m palestrou na III Feira Cultural do Livro de Ouro Preto Conex\u00e3o @OuroPreto, o jogo se encaixa no cotidiano da escola. \u201cO RPG pode muito bem ser aplicado na escola, principalmente para aulas de Hist\u00f3ria, de Reda\u00e7\u00e3o e de Portugu\u00eas\u201d, afirma Silv\u00e9rio, que sugere um importante momento hist\u00f3rico do Brasil como pano de fundo para uma partida de RPG em sala de aula: a independ\u00eancia do Brasil. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">\u201cE se eu falar que voc\u00eas est\u00e3o no Brasil Imperial, cada um com o seu cavalo, indo junto de Dom Pedro. Eu lhes dou a op\u00e7\u00e3o: o que voc\u00eas v\u00e3o fazer? Eu posso criar uma narrativa. \u2018N\u00f3s vamos seguir Dom Pedro\u2019. Ent\u00e3o eles seguem Dom Pedro e eu vou narrando o que est\u00e1 acontecendo, o ambiente etc. Estou botando eles na hist\u00f3ria. Eu n\u00e3o estou contando a hist\u00f3ria para eles, a hist\u00f3ria \u00e9 deles, eles s\u00e3o parte da hist\u00f3ria e [o fato de] estarem inclusos nisso torna a coisa mais interessante. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 ouvindo, voc\u00ea est\u00e1 participando e isso \u00e9 legal para todo mundo: crian\u00e7a, adolescente, adulto, idoso\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">O ponto positivo para o jogo em quest\u00e3o \u00e9 que ele n\u00e3o necessita de aparatos tecnol\u00f3gicos (pelo menos n\u00e3o na hora de jogar). Basta o professor pesquisar e compreender a ess\u00eancia do RPG. \u201cO professor deve tamb\u00e9m perder o preconceito sobre o RPG, buscar livros sobre o jogo para saber o que \u00e9 e como usar. RPG n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, pois qualquer um sabe contar uma hist\u00f3ria\u201d, complementa Silv\u00e9rio. O pesquisador destaca tamb\u00e9m que a atividade pode tanto ter um olhar did\u00e1tico como ser um momento mais l\u00fadico, de lazer. \u201cSe o professor quer contar uma hist\u00f3ria, um fato que aconteceu no Brasil, ele pode dizer o que est\u00e1 acontecendo, dependendo do que aconteceu na realidade, baseado em fatos. Agora, se ele quiser fazer uma atividade l\u00fadica, para estimular a criatividade das crian\u00e7as ou ent\u00e3o incentivar adolescentes e adultos a pensarem como crian\u00e7as, o que \u00e9 uma coisa muito boa, o professor pode dar a eles a liberdade de criar\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia \u00e9 7 de setembro de 1822. Eu e meus colegas estamos cavalgando atr\u00e1s de Dom Pedro de Alc\u00e2ntara de Bragan\u00e7a, que segue para o riacho Ipiranga. A nossa expectativa \u00e9 que iremos vivenciar um momento \u00fanico na hist\u00f3ria do Pa\u00eds\u201d. O cen\u00e1rio dessa passagem aconteceu h\u00e1 quase dois s\u00e9culos, mas pode ser recontado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-5642","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5642","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5642"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5642\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}