{"id":5598,"date":"2014-02-21T18:27:27","date_gmt":"2014-02-21T21:27:27","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2014\/02\/21\/a-crianca-o-livro-digital-e-o-futuro-da-leitura\/"},"modified":"2014-02-21T18:27:27","modified_gmt":"2014-02-21T21:27:27","slug":"a-crianca-o-livro-digital-e-o-futuro-da-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/a-crianca-o-livro-digital-e-o-futuro-da-leitura\/","title":{"rendered":"A crian\u00e7a, o livro digital e o futuro da leitura"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">A Feira do Livro de Frankfurt est\u00e1 no Brasil esta semana para debater temas como a tecnologia aplicada ao mercado editorial e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a leitura infantojuvenil, o novo perfil das editoras e a intera\u00e7\u00e3o entre empresas de tecnologia, editoras e escolas. Esta \u00e9 a terceira vez que eles organizam, no Pa\u00eds, a Contec. Hoje, a confer\u00eancia est\u00e1 sendo realizada em Canoas, no Rio Grande do Sul. Na ter\u00e7a, os profissionais se reuniram em S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Na edi\u00e7\u00e3o paulista, houve quem defendesse, de forma ferrenha, o e-book e, principalmente, os aplicativos; quem pregasse a uni\u00e3o entre papel e digital na cria\u00e7\u00e3o de um produto h\u00edbrido e quem refor\u00e7asse a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com o objeto livro e com os mediadores de leitura. Embora alguns dos palestrantes discordassem, o debate foi tranquilo e em nada lembrou o hist\u00f3rico bate-boca entre o escritor e cr\u00edtico Alberto Manguel e a editora inglesa Kate Wilson, da Nosy Crow, na Jornada de Literatura de Passo Fundo, em 2011.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">S\u00f3 para lembrar: Ela tinha acabado de mostrar para a plateia um livro digital da Cinderela cheio de penduricalhos. Manguel, autor de Os Livros e os Dias e de Todos os Homens s\u00e3o Mentirosos, entre outros, se exaltou e disse: \u201cEu n\u00e3o sabia que faria parte dessa discuss\u00e3o a deforma\u00e7\u00e3o do leitor defendida com argumentos comerciais, de vender este ou aquele produto. O livro n\u00e3o \u00e9 um produto comercial. \u00c9 nocivo que uma crian\u00e7as de tr\u00eas ou quatro anos seja introduzida \u00e0 leitura dessa forma, aprendendo a ler na tela. Aprender a ler \u00e9 outra coisa\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">O jornalista americano Todd Oppenheimer, autor do livro The Flickering Mind: Saving Education from the False Promise of Technology, faria o papel de Manguel na Contec, mas em cima da hora ele cancelou sua viagem ao Brasil. Fiz uma pequena entrevista com ele na semana passada, que entraria na mat\u00e9ria Feira de Frankfurt debate o futuro do livro digital, publicada na ter\u00e7a-feira no Caderno 2. Com sua desist\u00eancia, a entrevista n\u00e3o cabia mais na mat\u00e9ria. Mas vale a leitura:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Considerando o processo de aprendizagem e o desenvolvimento de consci\u00eancia cr\u00edtica, quais s\u00e3o os pr\u00f3s e contras do uso da tecnologia nas escolas e no dia a dia?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">A internet \u00e9 inegavelmente uma grande fonte de informa\u00e7\u00e3o e com o passar do tempo s\u00f3 melhora e se enriquece. Mas seu surgimento aponta para um novo desafio que as escolas n\u00e3o t\u00eam prestado muita aten\u00e7\u00e3o: como avaliar com sabedoria a informa\u00e7\u00e3o da internet.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Computadores tamb\u00e9m podem ser boas ferramentas para despertar a criatividade \u2013 de novo, se usados da maneira correta. O problema \u00e9 que a maior parte das escolas e dos alunos o usam do jeito errado. Nos primeiros anos, quando a experi\u00eancia t\u00e1til \u00e9 crucial, o uso \u00e9 excessivo. Nos anos mais avan\u00e7ados (ensino fundamental e acima), os jovens deveriam aprender como os computadores funcionam, como program\u00e1-los, como constru\u00ed-los, como consert\u00e1-los, etc. As escolas n\u00e3o fazem isso e simplesmente aceitam os computadores como sistemas de distribui\u00e7\u00e3o do que quer que esteja na moda ou de interesse comercial. \u00c9 uma pena, e uma terr\u00edvel ironia, j\u00e1 que o principal argumento para que haja computadores nas escolas \u00e9 que eles ajudam a preparar o aluno para o futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">O uso de tecnologia nas escolas \u00e9 irrevers\u00edvel?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">N\u00e3o acho que seja absolutamente irrevers\u00edvel, mas \u00e9 pouco prov\u00e1vel que diminua por enquanto. A longo prazo, por\u00e9m, acredito que esse uso ser\u00e1 menor. Isso, quando n\u00f3s, aos poucos, formos percebendo a vasta gama de habilidades humanas que estamos perdendo e descobrirmos que estamos criando uma gera\u00e7\u00e3o de aut\u00f4matos que mal consegue ter rela\u00e7\u00f5es pessoais ao vivo \u2013 e que geralmente tem medo disso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Quais s\u00e3o os principais desafios para o sistema educacional na era da tecnologia?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">O primeiro \u00e9 preservar, nos jovens, a capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, a criatividade e o esfor\u00e7o pessoal (ao inv\u00e9s de esperar que as informa\u00e7\u00f5es e a divers\u00e3o cheguem prontos, num click, at\u00e9 eles). O segundo \u00e9 preservar o interesse deles em outras pessoas (e n\u00e3o em aparelhos eletr\u00f4nicos). Este \u00faltimo item ser\u00e1 mais importante na pr\u00f3xima d\u00e9cada \u00e0 medida que nossas vidas se tornam mais multiculturais e cruzadas. O profissional de sucesso de amanh\u00e3 ser\u00e1 aquele capaz de entender outras culturas e capaz de resolver problemas com criatividade e baseado num profundo conhecimento de hist\u00f3ria, filosofia, antropologia, entre outras ci\u00eancias. A tecnologia ajuda em algumas dessas habilidades. Mas a maioria delas requer leitura, conversa inteligente (cara a cara, e n\u00e3o tela a tela) e trabalho paciente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 experi\u00eancia de leitura, o senhor acredita que aplicativos funcionam como livros tradicionais? Eles deixam espa\u00e7o para imagina\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: 12pt;\">Depende do aplicativo. A maioria n\u00e3o porque acaba fazendo muito do trabalho que a imagina\u00e7\u00e3o humana deve fazer por conta pr\u00f3pria, tornando, assim, a imagina\u00e7\u00e3o de um jovem pregui\u00e7osa e deficiente. Pense nos programas de r\u00e1dio. Por muito tempo eles foram chamados de \u201cteatro da mente\u201d porque provocam a imagina\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de preench\u00ea-la. Bons audiolivros tamb\u00e9m fazem isso \u2013 e a\u00ed est\u00e1 a boa tecnologia, e um bom jeito de ler. Al\u00e9m disso, acredito que devemos ser cuidadosos ao deixar a tecnologia bagun\u00e7ar muito com a narrativa tradicional. H\u00e1 um motivo para que essa narrativa seja o m\u00e9todo dominante de contar hist\u00f3ria desde que os humanos come\u00e7aram a conversar. Muitos aplicativos prometem romper com o modelo tradicional com a ideia de que se tornar\u00e3o superiores. Na maioria dos casos, essas inova\u00e7\u00f5es n\u00e3o passam de novidade. E essas novidades n\u00e3o duraram por um simples motivo: elas s\u00e3o complicadas \u2013 ou, mais frequentemente, s\u00e3o simplesmente chatas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Feira do Livro de Frankfurt est\u00e1 no Brasil esta semana para debater temas como a tecnologia aplicada ao mercado editorial e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a leitura infantojuvenil, o novo perfil das editoras e a intera\u00e7\u00e3o entre empresas de tecnologia, editoras e escolas. Esta \u00e9 a terceira vez que eles organizam, no Pa\u00eds, a Contec. 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