{"id":5308,"date":"2005-04-18T16:06:00","date_gmt":"2005-04-18T19:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2005\/04\/18\/editoras-acusam-o-governo-de-so-comprar-didaticos-mais-baratos\/"},"modified":"2005-04-18T16:06:00","modified_gmt":"2005-04-18T19:06:00","slug":"editoras-acusam-o-governo-de-so-comprar-didaticos-mais-baratos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/editoras-acusam-o-governo-de-so-comprar-didaticos-mais-baratos\/","title":{"rendered":"Editoras acusam o governo de s\u00f3 comprar did\u00e1ticos mais baratos"},"content":{"rendered":"<p>Editoras acusam o governo estadual de optar por livros did\u00e1ticos mais baratos e induzi-las a fabricar produtos com poucas p\u00e1ginas e de pior qualidade. S\u00e3o Paulo \u00e9 o \u00fanico Estado em que a compra n\u00e3o \u00e9 gerenciada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC). No restante do Pa\u00eds, as escolas escolhem duas op\u00e7\u00f5es de livros que pretendem adotar e a primeira delas s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 adquirida pelo MEC quando h\u00e1 problemas nas negocia\u00e7\u00f5es com as editoras. Aqui, a escolha \u00e9 feita toda pela internet; as escolas indicam uma primeira e uma segunda op\u00e7\u00e3o e o Estado compra sempre a obra mais barata. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O pre\u00e7o dos livros \u00e9 determinado pela quantidade dos cadernos tipogr\u00e1ficos, que s\u00e3o blocos com um certo n\u00famero de p\u00e1ginas. Portanto, quanto mais fino, mais barato \u00e9 o livro did\u00e1tico. \u201cSe voc\u00ea tem um \u00f3timo livro de 200 p\u00e1ginas, voc\u00ea \u00e9 obrigado a reduzir se o outro que est\u00e1 concorrendo com o seu tem 150 p\u00e1ginas\u201c, diz Jo\u00e3o Arinos, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), que congrega cerca de 30 empresas que publicam obras did\u00e1ticas. \u201cQuem tem livro grosso n\u00e3o vende para S\u00e3o Paulo.\u201c \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>ESCOLHA AUTOM\u00c1TICA \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> A concorr\u00eancia entre os livros \u00e9 feita apenas na internet. Segundo a coordenadora do Programa Nacional do Livro Did\u00e1tico (PNLD) na Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Aid\u00ea Magalh\u00e3es Benfatti, \u00e9 o computador que escolhe automaticamente o mais barato entre os dois sugeridos pelos professores. O Estado n\u00e3o fica sequer sabendo se o livro comprado foi a primeira ou a segunda op\u00e7\u00e3o do professor. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> No processo do PNLD, os pre\u00e7os dos livros &#8211; em m\u00e9dia R$ 4 cada um &#8211; s\u00e3o negociados previamente pelo pr\u00f3prio MEC, mesmo no caso de S\u00e3o Paulo. Isso porque todos os Estados usam um mesmo cat\u00e1logo de livros para cada disciplina que foram avaliados por uma equipe externa de especialistas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O PNLD foi elaborado dando import\u00e2ncia para a escolha feita pelos profissionais que trabalham nas escolas, mas ela \u00e9 sempre limitada ao cat\u00e1logo. Segundo o MEC, a segunda op\u00e7\u00e3o existe apenas por \u201cquest\u00e3o log\u00edstica\u201c. A praxe \u00e9 comprar e enviar \u00e0s escolas em todos os munic\u00edpios as obras indicadas como primeira op\u00e7\u00e3o. O que S\u00e3o Paulo faz separadamente, desde 1995 e por vontade do pr\u00f3prio Estado, \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o da escolha e o envio. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cTanto faz para o professor se mandamos o primeiro ou o segundo escolhido, os dois s\u00e3o bons\u201c, diz Aid\u00ea. \u201cO Estado de S\u00e3o Paulo tem de usar da melhor forma poss\u00edvel o dinheiro p\u00fablico.\u201c O conv\u00eanio com o MEC prev\u00ea R$ 86 milh\u00f5es para o processo paulista. Segundo ela, as editoras t\u00eam \u201c\u00f3dio mortal\u201c do que \u00e9 feito por aqui porque \u201cn\u00e3o se \u00e9 obrigado a comprar a primeira op\u00e7\u00e3o\u201c. Aid\u00ea sustenta que essa obrigatoriedade no resto do Pa\u00eds propicia o lobby de editoras, que convencem professores a escolher em primeira op\u00e7\u00e3o o livro publicado por elas e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de o governo n\u00e3o adquiri-lo. O mercado de livros did\u00e1ticos \u00e9 animador: as compras de livros pelo MEC atingem milh\u00f5es de unidades, quantia comparada apenas a best-sellers de autores como Paulo Coelho. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> TRUQUE <\/B>\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O presidente da Editora Nova Gera\u00e7\u00e3o, Arnaldo Saraiva, classifica o processo feito em S\u00e3o Paulo de \u201cburro e antidemocr\u00e1tico\u201c. Ele enviou 50 mil panfletos a escolas p\u00fablicas em que se l\u00ea \u201cS\u00e3o Paulo, o Estado mais atrasado do Brasil\u201c. O livro de Hist\u00f3ria que publica, chamado Nova Hist\u00f3ria Cr\u00edtica, foi o mais pedido este ano nas escolas do Pa\u00eds para alunos de 5.\u00aa a 8.\u00aa s\u00e9rie; 3,5 milh\u00f5es de unidades foram compradas da editora. Em S\u00e3o Paulo, \u00e9 o oitavo da lista, com cerca de 25 mil livros. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Durante o processo de sele\u00e7\u00e3o, ele tamb\u00e9m enviou material aos professores, aconselhando-os a indicar um livro mais grosso como segunda op\u00e7\u00e3o, caso quisessem realmente receber o Nova Hist\u00f3ria Cr\u00edtica. Seu livro tem 1.206 p\u00e1ginas e \u00e9 o segundo mais grosso do cat\u00e1logo da disciplina. \u201cTive de ensinar um truque\u201c, diz. De acordo com ele, h\u00e1 editoras elaborando cole\u00e7\u00f5es inteiras com livros finos, apenas para vender em S\u00e3o Paulo. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O presidente do sindicato dos professores do Estado (Apeoesp), Carlos Ramiro, diz que o melhor livro n\u00e3o \u00e9 mais fino ou o mais grosso e sim aquele que o professor escolheu, porque est\u00e1 ligado \u00e0 sua forma de ensinar. Mesmo assim, para ele, a segunda op\u00e7\u00e3o n\u00e3o necessariamente \u00e9 pior que a primeira ou distante da did\u00e1tica do professor. \u201cMas a secretaria precisa avis\u00e1-lo de que n\u00e3o mandar\u00e1 sua primeira op\u00e7\u00e3o\u201c, diz. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O PNLD compra novos livros a cada tr\u00eas anos para alunos de 1.\u00aa a 4.\u00aa s\u00e9rie e de 5.\u00aa a 8.\u00aa s\u00e9rie. Em 2005, houve compras apenas para o segundo grupo. Nos intervalos do processo, os livros devem ser reaproveitados pelos alunos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Ao comparar as compras em S\u00e3o Paulo e no Brasil, h\u00e1 constata\u00e7\u00f5es curiosas. O livro mais pedido no Pa\u00eds na \u00e1rea chamada Ci\u00eancia, da editora Positivo, est\u00e1 em \u00faltimo na lista dos dez mais pedidos em S\u00e3o Paulo. O campe\u00e3o no Estado \u00e9 Ci\u00eancias, Novo Pensar n\u00e3o-Consum\u00edvel, da editora FTD. Sua avalia\u00e7\u00e3o feita pelos especialistas contratados pelo MEC diz que \u201ca obra apresenta algumas imprecis\u00f5es de informa\u00e7\u00e3o e inadequa\u00e7\u00f5es (&#8230;) que podem comprometer a compreens\u00e3o de um ou outro conceito\u201c. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Ao mesmo tempo, os avaliadores dizem que a metodologia do livro Novo Praticando Matem\u00e1tica, da Editora do Brasil, l\u00edder em S\u00e3o Paulo e no resto do Pa\u00eds, \u201cn\u00e3o estimula a participa\u00e7\u00e3o do aluno na constru\u00e7\u00e3o mais aut\u00f4noma do seu conhecimento (&#8230;) Dessa maneira, fica limitada a compreens\u00e3o do papel da matem\u00e1tica para a constru\u00e7\u00e3o da cidadania\u201c. Os professores t\u00eam acesso \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es antes de escolher os livros. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <a href=\"http:\/\/www4.estado.com.br\/ep\/ep.asp?name_final=Estado_20050418_A-1%BA%20Caderno_016_pagina&#038;doble=\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia mais&#8230;<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editoras acusam o governo estadual de optar por livros did\u00e1ticos mais baratos e induzi-las a fabricar produtos com poucas p\u00e1ginas e de pior qualidade. S\u00e3o Paulo \u00e9 o \u00fanico Estado em que a compra n\u00e3o \u00e9 gerenciada pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC). 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