{"id":4437,"date":"2013-09-17T20:10:06","date_gmt":"2013-09-17T23:10:06","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2013\/09\/17\/o-desafio-da-classe-digital\/"},"modified":"2013-09-17T20:10:06","modified_gmt":"2013-09-17T23:10:06","slug":"o-desafio-da-classe-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-desafio-da-classe-digital\/","title":{"rendered":"O desafio da classe digital"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Embora a tecnologia esteja disseminada fora da escola, aplic\u00e1-la em sala de aula ainda \u00e9 um desafio para os educadores. Mesmo em S\u00e3o Paulo, a maior cidade da Am\u00e9rica do Sul, s\u00e3o poucos os col\u00e9gios que aplicam \u2013 com planejamento, sele\u00e7\u00e3o adequada de materiais e capacita\u00e7\u00e3o de professores \u2013 recursos digitais al\u00e9m do uso simples de computador e iPad. <\/span><\/p>\n<p \/> <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">`Infelizmente, o uso da tecnologia com qualidade em sala de aula ainda \u00e9 pequeno. Isso acontece por dois motivos principais: o primeiro, a falta de capacita\u00e7\u00e3o dos professores para utiliza\u00e7\u00e3o das tecnologias digitais; segundo, a falta de infraestrutura tecnol\u00f3gica adequada nas escolas, como Wi-fi de qualidade`, explica Martha Gabriel, pesquisadora em tecnologias da educa\u00e7\u00e3o e autora do livro <a href=\"mailto:Educ@r\">Educ@r<\/a> \u2013 A Revolu\u00e7\u00e3o Digital na Educa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Para Martha, a falta de treinamento \u00e9, entre os dois fatores, o maior gargalo. `Professores capacitados superaram infraestrutura deficiente, mas nenhuma infra, por melhor que seja, \u00e9 usada \u2013 e bem aproveitada \u2013 sem capacita\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Segundo ela, embora o uso da tecnologia ainda parte mais da a\u00e7\u00e3o individual do professor do que das escolas, as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o se mobilizando, no Brasil e no exterior, para abra\u00e7ar o digital n\u00e3o apenas na sala, mas em um projeto educacional mais amplo. Abismo. As institui\u00e7\u00f5es, por sua vez, relatam resist\u00eancia dos docentes mais antigos e observam que h\u00e1 um fosso entre as pr\u00e1ticas ensinadas aos novos professores nas universidades e a realidade da sala. `H\u00e1 um descompasso geracional. Ainda se usa muito a tecnologia para replicar modelos que n\u00e3o d\u00e3o certo. A escola tem de formar o aluno para que ele traga a demanda tech e use a favor do conhecimento. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">\u00c9 dif\u00edcil fazer, mas muito pior n\u00e3o fazer`, afirma Valdenice Minatel, coordenadora do Departamento de Tecnologia Educacional do Col\u00e9gio Dante Alighieri. <\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Na tentativa de driblar os obst\u00e1culos, algumas escolas criaram coordenadorias espec\u00edficas para a tecnologia educacional, como o Col\u00e9gio Porto Seguro. `Para cada R$ 1 que gastamos com aparelhos digitais, outros R$ 5 s\u00e3o investidos na forma\u00e7\u00e3o dos docentes. \u00c9 um desafio. Ainda n\u00e3o sabemos se os alunos aprendem mais dessa forma, vamos descobrir na pr\u00e1tica`, diz Renata Pastore, diretora de Tecnologia Educacional do Porto. Nesse col\u00e9gio, os alunos de 5 e 6 anos transformaram tabuleiros usados no aprendizado das sequ\u00eancias num\u00e9ricas, feitos por eles com cartolinas, em jogos eletr\u00f4nicos. Fotografaram os desenhos das trilhas, gravaram os \u00e1udios e montaram os jogos com a ajuda de um aplicativo gratuito. <\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">`Fiquei muito feliz ao ver meus alunos participando ativamente de todas as etapas do aprendizado. Al\u00e9m dos objetivos da Matem\u00e1tica, eles estavam aprendendo, em uma \u00fanica atividade, Linguagens e Inform\u00e1tica`, diz a professora Maria Fernanda Reis Balugani. No Porto, alunos de 2 e 3 anos interpretam textos com aux\u00edlio da tecnologia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Ap\u00f3s lerem O Caso do Bolinho, da escritora Tatiana Belinky, eles jogaram games, desenvolvidos pelas professoras, com os elementos da obra. Muitos ajudavam os colegas a completar o jogo nos tablets, recontando uns para os outros a hist\u00f3ria. No Col\u00e9gio Santa Maria, no Jardim Marajoara, as crian\u00e7as do 4.\u00ba ano do fundamental fizeram interpreta\u00e7\u00e3o de texto em outro formato. Primeiro, aprenderam a programar hist\u00f3rias em quadrinhos virtuais. Depois, recontaram contos da escritora Ana Maria Machado. <\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">`A gente deu uma adaptada nas falas para ficar mais atual`, conta Matheus Siqueira de Azevedo, de 9 anos. Stop motion. Tamb\u00e9m no Santa Maria, a professora do 8.\u00ba ano Andreia Pistori, de Artes, tratou de Modernismo e Abstracionismo no Brasil de um jeito diferente. Pediu que os alunos fizessem filmes em stop motion (t\u00e9cnica de anima\u00e7\u00e3o quadro a quadro, feita com sequ\u00eancias de fotografias) da obra A Morte do Abaporu, de Tarsila do Amaral. Eles modelaram em massinha os elementos da pintura. `N\u00e3o deixei de dar a teoria, mas ensino os alunos sobre arte na pr\u00e1tica e de uma forma totalmente nova para eles. No Col\u00e9gio Pueri Domus, o professor de Biologia Gabriel Antonini passou um longo per\u00edodo fazendo testes e curadoria do material tecnol\u00f3gico que apresentaria aos alunos.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"> `N\u00e3o basta ser bonito, tem de acrescentar.` Foi com um aplicativo 4D que ele conquistou tanto alunos \u2013 da sua sala e de outras \u2013 quanto pais. Apontando a c\u00e2mera do celular ou do tablet para um desenho impresso em uma folha sulfite, ele consegue mostrar diversos sistemas do corpo humano em 4D.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"> `Consigo explicar de uma forma muito melhor, j\u00e1 que \u00e9 proibido no Brasil a disseca\u00e7\u00e3o de mam\u00edferos`, diz. Thales C\u00e9sar Giriboni, de 16 anos, do Dante, se interessou tanto por tecnologia que passou a desenvolv\u00ea-la para os professores e colegas. Ele construiu uma agenda eletr\u00f4nica capaz de sincronizar os dados personalizados dos alunos, como compromissos di\u00e1rios e planos de estudo, com as tarefas de toda a turma. `Quem perdeu a aula, pode ver depois o que foi ensinado, se foi dada prova ou n\u00e3o.` Giriboni foi o que os educadores chamam de `protagonista` do pr\u00f3prio conhecimento. \u00c9 exatamente isso, apostam, que a tecnologia com qualidade dentro da sala de aula poder\u00e1 disseminar.<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora a tecnologia esteja disseminada fora da escola, aplic\u00e1-la em sala de aula ainda \u00e9 um desafio para os educadores. 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