{"id":4434,"date":"2013-09-13T20:07:07","date_gmt":"2013-09-13T23:07:07","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2013\/09\/13\/pressao-pela-alfabetizacao\/"},"modified":"2013-09-13T20:07:07","modified_gmt":"2013-09-13T23:07:07","slug":"pressao-pela-alfabetizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/pressao-pela-alfabetizacao\/","title":{"rendered":"Press\u00e3o pela alfabetiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Focar excessivamente o teste e prejudicar o processo de aprendizagem. Essa pode ser uma das consequ\u00eancias de avalia\u00e7\u00f5es de alfabetiza\u00e7\u00e3o aplicadas em larga escala e uma das preocupa\u00e7\u00f5es entre especialistas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Avalia\u00e7\u00e3o Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (ANA), prova do governo federal a ser aplicada, a partir deste ano, para os alunos do 3o ano do ensino fundamental da rede p\u00fablica. A ANA ser\u00e1 feita anualmente, perto do fim do per\u00edodo letivo, de modo censit\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p \/>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">As preocupa\u00e7\u00f5es entre especialistas s\u00e3o muitas. O professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Unicamp, Luiz Carlos de Freitas, teme que a ANA contribua para a press\u00e3o contra escolas, professores e alunos. `Vai aumentar a prescri\u00e7\u00e3o de materiais apostilados, desqualificando-se cada vez mais os profissionais que, em vez de exercitarem a reflex\u00e3o sobre a sua pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, ser\u00e3o instados a seguir receitas`, acredita. Para ele, avalia\u00e7\u00f5es de larga escala n\u00e3o necessitam ser censit\u00e1rias e nem anuais. `O que tem influenciado a exist\u00eancia de avalia\u00e7\u00f5es censit\u00e1rias \u00e9 a ideia de responsabilizar o professor e a escola individualmente. Essa `auditoria` permanente \u00e9 que exige esse modelo`, afirma.<\/span> <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong>Choro e cobran\u00e7a<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Jo\u00e3o Luiz Horta Neto, pesquisador do Inep e doutor em pol\u00edtica social, admite que dependendo da forma como se implementam os testes para avalia\u00e7\u00e3o, os professores podem se sentir pressionados a dar um foco excessivo no trabalho para o bom desempenho dos alunos &#8211; mas um bom resultado no teste n\u00e3o significa, necessariamente, que o processo educacional esteja acontecendo como deveria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Ele descreve o cen\u00e1rio que presenciou quando acompanhou a aplica\u00e7\u00e3o de testes do Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Saeb) &#8211; Provinha Brasil e Prova Brasil &#8211; em v\u00e1rios anos escolares. Segundo ele, nos anos iniciais as crian\u00e7as chegam a chorar quando n\u00e3o conseguem resolver todas as quest\u00f5es no tempo estipulado. `Voc\u00ea percebe que o ambiente fica tenso e a crian\u00e7a se cobra muito &#8211; e n\u00e3o sabemos se no momento anterior houve press\u00e3o da escola, da fam\u00edlia e do professor`, relata.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">A pesquisadora da coordena\u00e7\u00e3o geral de estudos educacionais da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, Patr\u00edcia Sim\u00f5es, teme que esse tipo de avalia\u00e7\u00e3o tenha um efeito de press\u00e3o indesejada tamb\u00e9m sobre o curr\u00edculo escolar. Em busca de obter bons resultados, os professores podem ser induzidos a montar aulas de `treinamento` para a prova. `E isso traz muitos danos para o processo de aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem escrita do aluno`, diz Patr\u00edcia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong>ANA x Provinha Brasil<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Por outro lado, para medir a alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; e mesmo que n\u00e3o houvesse uma meta definida de `idade certa` para esse processo -, n\u00e3o h\u00e1 como escapar das s\u00e9ries iniciais do ensino fundamental. A ANA est\u00e1 aliada ao Pacto Nacional pela Alfabetiza\u00e7\u00e3o na Idade Certa (Pnaic), que tem como meta a alfabetiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as at\u00e9 os 8 anos de idade, ao final do 3\u00ba ano do EF. Ana Paula Ribeiro, professora adjunta do Departamento de Teoria e Pr\u00e1tica do Ensino da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC) e coordenadora adjunta do Pnaic no Estado, defende que quanto mais cedo, melhor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong>Matriz desconhecida<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">`Os modelos de avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica que existem hoje realizam avalia\u00e7\u00f5es ao final do 5\u00ba ano. Os problemas detectados nessa avalia\u00e7\u00e3o dificilmente s\u00e3o san\u00e1veis \u00e0quela altura. Quanto mais cedo os alunos forem avaliados, maiores ser\u00e3o as chances de terem garantidos os seus direitos de aprendizagem`, diz Ana Paula, referindo-se \u00e0 Prova Brasil aplicada no 5o ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Com a ANA, o Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Saeb) passa a ser composto pela Avalia\u00e7\u00e3o Nacional de Rendimento Escolar (Anresc ou Prova Brasil), pela Avalia\u00e7\u00e3o Nacional da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Aneb) e pela ANA. A nova avalia\u00e7\u00e3o foi decretada em junho, em duas portarias (do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e do Inep) publicadas no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o vai testar conhecimentos em leitura, escrita e matem\u00e1tica e ser\u00e1 aplicada de maneira censit\u00e1ria para as turmas regulares e de forma amostral para turmas multisseriadas. A matriz de refer\u00eancia da ANA, segundo o Inep, ser\u00e1 disponibilizada em breve, mas o Instituto informou que n\u00e3o h\u00e1 data definida para isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Para avaliar a alfabetiza\u00e7\u00e3o nos primeiros anos do ensino fundamental, o Saeb j\u00e1 contava com a Provinha Brasil, uma avalia\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica aplicada em duas etapas (no in\u00edcio e no fim do ano letivo) para os alunos do 2o ano. Segundo o Inep, a prova n\u00e3o sofrer\u00e1 altera\u00e7\u00f5es. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, a ANA foi criada para `avaliar a qualidade, a equidade e a efici\u00eancia` do ciclo de alfabetiza\u00e7\u00e3o das redes p\u00fablicas. J\u00e1 a Provinha Brasil \u00e9 um instrumento disponibilizado para o professor, com car\u00e1ter diagn\u00f3stico de sua turma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Integrada ao Saeb e aplicada desde 2008 para os alunos do 2o ano, a Provinha Brasil parece dividir opini\u00f5es. Para o professor Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp, a avalia\u00e7\u00e3o foi eficiente em evitar o ranqueamento e a press\u00e3o sobre o docente. `A prova vai direto ao pedag\u00f3gico, ao diagn\u00f3stico, provendo o professor de informa\u00e7\u00f5es sobre seus estudantes`, diz. J\u00e1 a pesquisadora da coordena\u00e7\u00e3o geral de estudos educacionais da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, Patr\u00edcia Sim\u00f5es, acredita que, para o professor, a avalia\u00e7\u00e3o externa nem sempre \u00e9 considerada melhor do que aquela desenvolvida no processo de ensino. `Os professores n\u00e3o utilizam os resultados das avalia\u00e7\u00f5es para repensar suas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. As provas s\u00e3o aplicadas como uma atividade obrigat\u00f3ria que deve ser cumprida por ser uma demanda do MEC, ou das secretarias estaduais ou municipais de educa\u00e7\u00e3o`, avalia Patr\u00edcia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong>O que avaliar<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Um dos maiores desafios no caso da avalia\u00e7\u00e3o nessa etapa \u00e9 como medir o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Como os alunos aprendem em ritmos diferentes corre-se o risco de fazer a medi\u00e7\u00e3o na prova em um momento em que o processo do aprendizado n\u00e3o est\u00e1 conclu\u00eddo. `A avalia\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 feita com a Provinha Brasil em dois momentos do 2o ano e, agora, com a ANA no 3o ano de escolaridade. Com isso, que tipo de mensagem \u00e9 passada para a escola? `Professores, voc\u00eas t\u00eam de se preparar para o teste porque \u00e9 ele que vai dizer se a crian\u00e7a est\u00e1 alfabetizada ou n\u00e3o&#8220;, diz Jo\u00e3o Luiz Horta Neto, do Inep.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Outra quest\u00e3o a ser considerada \u00e9 qual ser\u00e1 o conceito norteador da avalia\u00e7\u00e3o das habilidades de leitura e escrita. `Diferentes defini\u00e7\u00f5es levam a diferentes indicadores, diferentes matrizes e diferentes itens nos instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o`, diz Patr\u00edcia Sim\u00f5es. Alguns testes avaliam compet\u00eancias associadas a elementos importantes da alfabetiza\u00e7\u00e3o, como habilidades consideradas perif\u00e9ricas \u00e0 leitura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">A falta de informa\u00e7\u00e3o sobre as matrizes de refer\u00eancia da ANA gera incertezas sobre qual conceito prevalecer\u00e1. Patr\u00edcia lembra que em documentos do MEC, como os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais e os cadernos de orienta\u00e7\u00e3o dos avaliadores da Provinha Brasil, s\u00e3o utilizados os termos `alfabetiza\u00e7\u00e3o` e `letramento`. `Mas, ao se analisar o instrumento da Provinha Brasil observa-se uma \u00eanfase na avalia\u00e7\u00e3o de habilidades de dom\u00ednio do c\u00f3digo escrito`, diz Patr\u00edcia. `Como consequ\u00eancia, a proposta de classifica\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de desenvolvimento da linguagem escrita apresentada para a Provinha Brasil parece confusa. Priorizam a avalia\u00e7\u00e3o das habilidades de decodifica\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o de letras, s\u00edlabas e palavras em detrimento do conhecimento de g\u00eaneros textuais e fun\u00e7\u00f5es da linguagem escrita`, completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong>Como usar os resultados<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Para Gisele Carvalho, pedagoga e mestra em educa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de Avalia\u00e7\u00e3o e Pol\u00edticas P\u00fablicas pela Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei (MG), o potencial de informa\u00e7\u00e3o que avalia\u00e7\u00f5es em larga escala produzem \u00e9 muito importante para auxiliar governos, escolas e professores a planejarem suas a\u00e7\u00f5es. `Tais informa\u00e7\u00f5es permitem identificar necessidades de aprendizagem e de investimentos diversos. Os efeitos desse tipo de avalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o m\u00faltiplos, embora dependam n\u00e3o s\u00f3 dos usos pedag\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m dos usos pol\u00edticos dos resultados e informa\u00e7\u00f5es coletados`, diz. `Cabe \u00e0s escolas aplic\u00e1-la, corrigi-la e utilizar pedagogicamente os resultados &#8211; este \u00faltimo, julgo ainda, \u00e9 um desafio`, completa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Segundo Ana Paula Ribeiro, o modelo de avalia\u00e7\u00f5es em larga escala com aplica\u00e7\u00f5es censit\u00e1rias leva os resultados a ser socializados mais rapidamente e de forma mais intelig\u00edvel aos professores e gestores. `Assim, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 mais efetiva e o uso dos resultados \u00e9 orientado para a dimens\u00e3o pedag\u00f3gica, o que \u00e9 um importante diferencial em rela\u00e7\u00e3o aos modelos amostrais`, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Os primeiros instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o da alfabetiza\u00e7\u00e3o no Brasil s\u00e3o do final dos anos 1980, lembra Jo\u00e3o Luiz Horta Neto, pesquisador do Inep. As primeiras aplica\u00e7\u00f5es de pesquisas no \u00e2mbito nacional, desenvolvidas pela Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, foram em 1988. Segundo Horta, a preocupa\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca era identificar se estava acontecendo algum problema na alfabetiza\u00e7\u00e3o e, caso estivesse ocorrendo, verificar como o sistema educacional poderia atuar junto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de professores &#8211; tanto na inicial quanto na continuada. `As avalia\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinham por objetivo classificar escola ou premiar professor, e tamb\u00e9m n\u00e3o se comentava que havia uma idade certa para a crian\u00e7a estar alfabetizada. Hoje a \u00eanfase \u00e9 totalmente diferente`, diz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Para Sandra Z\u00e1kia Sousa, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, a iniciativa de criar a ANA faz parte da cren\u00e7a de que provas externas e em larga escala t\u00eam potencial de ser um meio indutor de qualidade do ensino e da aprendizagem. `Al\u00e9m de n\u00e3o ser poss\u00edvel fazer essa associa\u00e7\u00e3o direta &#8211; haja vista os persistentes dados de fracasso escolar, apesar da institui\u00e7\u00e3o do Saeb h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas &#8211; vale comentar poss\u00edveis desservi\u00e7os desta iniciativa nos anos iniciais da escolariza\u00e7\u00e3o`, afirma. Sandra tem divulgado em seus trabalhos que a concep\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o cujo foco seja o desempenho em testes desloca a discuss\u00e3o, indesejadamente, da qualidade do ensino do \u00e2mbito pol\u00edtico e p\u00fablico para o \u00e2mbito t\u00e9cnico e individual. `Isso tende a ativar mecanismos que estimulam a competi\u00e7\u00e3o entre escolas e redes de ensino`, aponta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong>Log\u00edstica da prova preocupa<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">De acordo com informa\u00e7\u00e3o publicada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, a Avalia\u00e7\u00e3o Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (ANA) ser\u00e1 realizada entre os dias 11 e 21 de novembro deste ano. O Inep, entretanto, n\u00e3o divulgou os valores de custo da avalia\u00e7\u00e3o e, segundo o Instituto, ainda est\u00e3o sendo definidos os requisitos para a contrata\u00e7\u00e3o da empresa que vai aplicar a prova. Segundo informa\u00e7\u00e3o do blog Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa, escrito por Beatriz Rey no site da revista Educa\u00e7\u00e3o, alguns t\u00e9cnicos do Inep apontaram a necessidade de dedicar mais tempo para a elabora\u00e7\u00e3o das matrizes de refer\u00eancia da ANA, al\u00e9m da prepara\u00e7\u00e3o dos itens e question\u00e1rios socioecon\u00f4micos e da etapa de pr\u00e9-teste. Tamb\u00e9m alertaram sobre poss\u00edveis dificuldades log\u00edsticas, sobretudo para que as empresas que forem contratadas encaminhem em tempo o material para a an\u00e1lise do Instituto.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\"><strong>Avalia\u00e7\u00f5es estaduais<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Al\u00e9m dos testes em n\u00edvel nacional para a alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; Provinha Brasil e, agora, a ANA -, alguns estados aplicam suas pr\u00f3prias avalia\u00e7\u00f5es na rede p\u00fablica. Ana Paula Ribeiro, professora adjunta da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC), cita como exemplo os Estados do Piau\u00ed e da Bahia, al\u00e9m do pr\u00f3prio Cear\u00e1, considerado o `ber\u00e7o` do programa federal de alfabetiza\u00e7\u00e3o na idade certa. Em 2008, o Piau\u00ed criou o Programa Palavra de Crian\u00e7a &#8211; baseado nos resultados da Provinha Brasil &#8211; para ter seu pr\u00f3prio modelo de uso dos resultados da avalia\u00e7\u00e3o. Em 2011, a Bahia firmou o Pacto Todos pela Escola que, entre outras a\u00e7\u00f5es, avalia os alunos do 2\u00ba ano do ensino fundamental com a Provinha Brasil &#8211; aplicando e consolidando os dados com uma equipe externa \u00e0 escola. Minas Gerais foi pioneira, no \u00e2mbito estadual, ao utilizar avalia\u00e7\u00f5es para a alfabetiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 no final dos anos 1980. <\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Hoje, conta com o Proalfa &#8211; um programa similar \u00e0 ANA em rela\u00e7\u00e3o ao formato e periodicidade da prova: anual, censit\u00e1ria, aplicada para os alunos do 3o ano. E S\u00e3o Paulo, que tamb\u00e9m conta com seu pr\u00f3prio mecanismo de avalia\u00e7\u00e3o da alfabetiza\u00e7\u00e3o &#8211; o Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o de Rendimento Escolar do Estado de S\u00e3o Paulo (Saresp) &#8211; abaixou no \u00faltimo m\u00eas de julho sua meta de `idade certa` para alfabetiza\u00e7\u00e3o de 8 para 7 anos. Com isso, os estudantes da rede p\u00fablica paulista do 2o ano tamb\u00e9m ser\u00e3o submetidos pela primeira vez \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do Saresp no final deste ano letivo. A Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo n\u00e3o informou qual ser\u00e1 o crit\u00e9rio para considerar os alunos de 7 anos alfabetizados.<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Focar excessivamente o teste e prejudicar o processo de aprendizagem. 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