{"id":4388,"date":"2013-07-31T18:55:47","date_gmt":"2013-07-31T21:55:47","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2013\/07\/31\/para-especialistas-ensino-medio-esta-distante-da-vida-de-jovens\/"},"modified":"2013-07-31T18:55:47","modified_gmt":"2013-07-31T21:55:47","slug":"para-especialistas-ensino-medio-esta-distante-da-vida-de-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/para-especialistas-ensino-medio-esta-distante-da-vida-de-jovens\/","title":{"rendered":"Para especialistas, Ensino M\u00e9dio est\u00e1 distante da vida de jovens"},"content":{"rendered":"<p \/>Um programa curricular r\u00edgido, pouco atraente e desatualizado. Para especialistas, boa parte dos problemas no Ensino M\u00e9dio brasileiro \u2014 indicador que mais contribui para frear o desenvolvimento humano em grande parte dos munic\u00edpios do pa\u00eds \u2014 pode ser explicada pela falta de qualidade na educa\u00e7\u00e3o e da dist\u00e2ncia do ensino em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade vivida pelos jovens.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Dados do IDH para os 5.565 munic\u00edpios do pa\u00eds (IDHM), divulgados ontem pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mostram que na faixa et\u00e1ria entre 18 a 20 anos, 58,99% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinham conclu\u00eddo o Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos (Pisa), prova internacional realizada pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), j\u00e1 tinha mostrado, em 2009, um retrato pouco favor\u00e1vel ao pa\u00eds em uma compara\u00e7\u00e3o internacional. O Brasil ficou na 53\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 65 pa\u00edses, atr\u00e1s de outras na\u00e7\u00f5es latino-americanas, como M\u00e9xico, Uruguai e Chile, entre outras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u2018No fundo, h\u00e1 aulas chatas\u2019<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Pisa mostrou um quadro de desigualdade regional. Pelo indicador, o Rio de Janeiro ocupa a oitava posi\u00e7\u00e3o, bem pr\u00f3ximo da m\u00e9dia nacional, mas que, na compara\u00e7\u00e3o internacional, o classificaria atr\u00e1s de Trinidad e Tobago, por exemplo. O Distrito Federal, que aparece no topo da classifica\u00e7\u00e3o brasileira, tem a mesma pontua\u00e7\u00e3o que o Chile, o 44\u00ba colocado no ranking de todos os pa\u00edses. As disparidades tamb\u00e9m foram retratadas dos recentes dados do IDHM. O Distrito Federal lidera o ranking, e Alagoas aparece na \u00faltima posi\u00e7\u00e3o entre as unidades da federa\u00e7\u00e3o quando se avalia a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) Simon Schwartzman adota um tom grave para falar da evolu\u00e7\u00e3o dos indicadores de qualidade da educa\u00e7\u00e3o. Para ele, a falta de qualidade experimentada em sala de aula resulta de uma combina\u00e7\u00e3o de professores mal formados e de infraestrutura prec\u00e1ria de escolas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Estamos muito atrasados em termos de qualidade. Faltam conhecimentos m\u00ednimos em linguagem, matem\u00e1tica e ci\u00eancias \u2014 diagnostica. \u2014 Existem alguns casos pontuais de escolas que conseguem bons resultados, mas que, quando somados, n\u00e3o mudam o quadro da educa\u00e7\u00e3o como um todo. Eles s\u00e3o fruto muito mais de um esfor\u00e7o pr\u00f3prio dos diretores e professores do que de uma organiza\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os \u2014 acrescenta.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Francisco Soares, estudioso do tema, critica:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o se pode abrir m\u00e3o da dimens\u00e3o da qualidade. As pessoas est\u00e3o entrando na universidade com curr\u00edculos rid\u00edculos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Mesmo entre os especialistas que veem avan\u00e7os na educa\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas, como Sergei Soares, do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), os altos \u00edndices de repet\u00eancia ainda mostram um quadro inc\u00f4modo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 No fundo, h\u00e1 aulas chatas, como pouca aplicabilidade, e a adolesc\u00eancia \u00e9 uma idade chata \u2014 afirma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Soares, da UFMG, considera que falta uma atua\u00e7\u00e3o mais forte da universidade na forma\u00e7\u00e3o dos alunos que entram no Ensino Superior. Ele cita os casos de pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Norte e, diz que h\u00e1 possibilidade de forma\u00e7\u00e3o complementar e aulas introdut\u00f3rias em alguns cursos como um exemplo a ser seguido.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 A universidade n\u00e3o pode mais esperar que o aluno v\u00e1 chegar prontinho. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, a universidade vai dizer se voc\u00ea precisa estudar uma determinada mat\u00e9ria, segundo a sua \u00e1rea de trabalho, e dar essa oportunidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito a Educa\u00e7\u00e3o (rede que envolve ONGs, movimentos sociais, sindicatos, conselheiros de educa\u00e7\u00e3o em 22 estados), Daniel Cara, defende uma reformula\u00e7\u00e3o do programa curricular, para que esteja mais pr\u00f3ximo do novo jovem.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Os jovens n\u00e3o conseguem se identificar no Ensino M\u00e9dio. No Chile, Uni\u00e3o Europeia, Estados Unidos, em v\u00e1rios pa\u00edses, tentam compreender quem \u00e9 o novo jovem. \u00c9 preciso ter uma flexibilidade e n\u00e3o considerar que s\u00e3o todos homog\u00eaneos, como no atual Ensino M\u00e9dio \u2014 diz Cara.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u2018\u00c9 preciso ouvir a sociedade\u2019<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo Cara, o desafio adicional \u00e9 incluir jovens e professores no debate desse novo modelo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Alguns dizem que ele precisa ser mais profissionalizante, mas antes de debater curr\u00edculos, \u00e9 preciso ouvir a sociedade. At\u00e9 agora, a regra sempre foi implementar reformas curriculares de cima para baixo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A comerci\u00e1ria Rose Monteiro, de 40 anos, moradora de Niter\u00f3i \u2014 cidade classificada como de \u201calto n\u00edvel de desenvolvimento humano\u201d no IDHM, o melhor desempenho no estado \u2014 critica a realidade de muitas escolas p\u00fablicas do munic\u00edpio fluminense. Ela conta que foi incentivada pelos pais a estudar, mas n\u00e3o completou o Ensino Superior. Hoje, acompanha os estudos das sobrinhas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Eu estudei em col\u00e9gio p\u00fablico e uma das minhas sobrinhas estuda hoje no mesmo col\u00e9gio(Machado de Assis, no Fonseca). O ensino da cidade n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom quanto este dado mostra, n\u00e3o. Minha sobrinha ficou quase dois meses sem professora de matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um programa curricular r\u00edgido, pouco atraente e desatualizado. 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