{"id":4351,"date":"2013-05-21T20:34:19","date_gmt":"2013-05-21T23:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2013\/05\/21\/com-precos-ate-50-menores-do-que-no-brasil-graficas-chinesas-seduzem-editoras-nacionais\/"},"modified":"2013-05-21T20:34:19","modified_gmt":"2013-05-21T23:34:19","slug":"com-precos-ate-50-menores-do-que-no-brasil-graficas-chinesas-seduzem-editoras-nacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/com-precos-ate-50-menores-do-que-no-brasil-graficas-chinesas-seduzem-editoras-nacionais\/","title":{"rendered":"Com pre\u00e7os at\u00e9 50% menores do que no Brasil, gr\u00e1ficas chinesas seduzem editoras nacionais"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Nos \u00faltimos meses, toneladas e toneladas de livros impressos na China desembarcaram nos portos do Brasil. Foram milhares. A editora Cosac Naify trouxe t\u00edtulos como \u201cLinha do tempo do design gr\u00e1fico do Brasil\u201d, de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos. A Companhia das Letras, \u201cAsterios Polyp\u201d, de David Mazzucchelli. A Sextante imprimiu em territ\u00f3rio chin\u00eas livros da cole\u00e7\u00e3o 1001, conhecida por t\u00edtulos como \u201c1001 lugares para conhecer antes de morrer\u201d. E a Record tamb\u00e9m foi atr\u00e1s. Trouxe, de navio, lan\u00e7amentos como \u201cHist\u00f3ria da beleza\u201d, de Umberto Eco, e \u201cDiablo III \u2014 O livro de Caim\u201d, de Deckard Cain. Todas essas editoras enxergaram l\u00e1, do outro lado mundo, uma forma de reduzir pela metade o custo de produ\u00e7\u00e3o e de, assim, levar \u00e0s livrarias obras 50% mais baratas do que se tivessem sido impressas em territ\u00f3rio nacional.<\/span><\/p>\n<p> <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Segundo dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, o Brasil importou da China 13,5 mil toneladas de livros no ano passado \u2014 o equivalente, em peso, a quase 3,5 milh\u00f5es de exemplares de \u201cCinquenta tons de cinza\u201d, da Intr\u00ednseca. Foram cerca de 2 mil toneladas a mais do que em 2011. O total de 2012 supera em quatro vezes o volume de livros que veio da Europa, regi\u00e3o que ocupa o segundo lugar no ranking das importa\u00e7\u00f5es de livro.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">O salto alertou a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Gr\u00e1fica (Abigraf), j\u00e1 pressionada pelo crescimento da venda de ebooks no pa\u00eds. O mercado estima que, em mar\u00e7o, 150 mil livros digitais tenham sido comercializados no Brasil \u2014 dez vezes mais do que em setembro, pouco antes de a Apple abrir sua loja virtual no pa\u00eds. De olho nos n\u00fameros, a Abigraf solicitou reuni\u00f5es tanto com a Receita Federal quanto com o Minist\u00e9rio da Fazenda. Na pauta: as chances de ter uma pol\u00edtica mais protecionista. O debate, no entanto, segue em aberto.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 A gente optou por imprimir alguns livros na China porque, em v\u00e1rios casos, aqui no Brasil, eles seriam completamente invi\u00e1veis. \u00c9 o que ocorre com \u201cLinha do tempo do design gr\u00e1fico do Brasil\u201d \u2014 conta Aline Valle, gerente de produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica da Cosac. \u2014 Se tivesse sido impressa aqui, a edi\u00e7\u00e3o custaria R$ 400.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">No site da editora, na tarde de ontem, a obra sa\u00eda por R$ 212.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">O interesse na China \u00e9 tanto que, em novembro, a Cosac mandou Aline \u00e0 regi\u00e3o para conhecer e estreitar la\u00e7os. A preocupa\u00e7\u00e3o da editora era, sobretudo, n\u00e3o fechar contratos com empresas que usassem, por exemplo, m\u00e3o de obra em situa\u00e7\u00e3o irregular. Aline conta ao GLOBO que n\u00e3o viu nada parecido com isso nas empresas que visitou e que a Cosac s\u00f3 imprime em gr\u00e1ficas que tenham condi\u00e7\u00f5es de trabalho internacionalmente certificadas.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 Os n\u00fameros da cole\u00e7\u00e3o 1001 s\u00e3o um \u00f3timo exemplo de como o baixo custo de produ\u00e7\u00e3o pode gerar grandes resultados (de venda) \u2014 diz Tom\u00e1s Pereira, s\u00f3cio-fundador da Sextante. \u2014 A s\u00e9rie foi lan\u00e7ada a R$ 59,90, quando custaria, normalmente, quase R$ 100 (se feita no Brasil).<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Prazo de entrega \u00e9 visto como inconveniente<\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Rodar livros na China tornou-se atraente at\u00e9 para empresas de menor porte, como a editora de George Ermakoff.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 Tenho quatro livros prontos para serem impressos l\u00e1. Vale muito a pena \u2014 conta o editor. \u2014 Trazer da China, de navio, um livro de arte que pese mais ou menos 1,5 quilo custa US$ 0,40, ou R$ 1. \u00c9 o mesmo valor cobrado no trajeto de caminh\u00e3o entre S\u00e3o Paulo e Rio. A vantagem fica no custo da impress\u00e3o. Na China, ele \u00e9 50% menor.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Ermakoff diz ainda que nem a Lei Rouanet nem a Lei do ICMS do Rio de Janeiro \u2014 ambas de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural \u2014 fazem refer\u00eancia a impress\u00f5es no exterior.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 Consultei v\u00e1rios advogados e especialistas sobre isso. Ainda assim, para me proteger, s\u00f3 imprimo na China as obras que n\u00e3o t\u00eam lei de incentivo.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Quanto \u00e0 qualidade do que vem de l\u00e1, as editoras brasileiras dizem n\u00e3o ter queixas.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 O papel chin\u00eas tem boa qualidade, e o ajuste de cores \u00e9 muito bom \u2014 acrescenta Ermakoff, que lan\u00e7ar\u00e1 nos pr\u00f3ximos meses \u201cGenevi\u00e8ve Naylor \u2014 Uma fot\u00f3grafa norte-americana no Brasil\u201d e \u201cParc Royal\u201d, ambos vindos da \u00c1sia.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">S\u00f4nia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e vice-presidente da Record, editora que tem seu pr\u00f3prio parque gr\u00e1fico, faz eco:<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 O padr\u00e3o de qualidade deles \u00e9 espetacular. Quanto mais caprichado for o acabamento do livro, mais vantajoso \u00e9 imprimir na China. Os gr\u00e1ficos chineses j\u00e1 frequentam feiras internacionais, oferecendo o servi\u00e7o. \u00c9 comum v\u00ea-los em Bolonha (It\u00e1lia) e Frankfurt (Alemanha).<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Imprimir na China tem, entretanto, pelo menos um inconveniente: o prazo. Entre a entrega dos arquivos na gr\u00e1fica chinesa (via internet) e a chegada dos livros \u00e0s prateleiras brasileiras, podem se passar at\u00e9 120 dias. S\u00f3 o trajeto de navio leva, em m\u00e9dia, um m\u00eas e meio. A solu\u00e7\u00e3o chinesa n\u00e3o \u00e9, portanto, interessante para os best-sellers, que precisam ser repostos com agilidade, sob o risco de fracassar ante a busca dos leitores.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 \u00c9 por isso que a gente s\u00f3 faz impress\u00e3o na China em situa\u00e7\u00f5es bastante espec\u00edficas, como \u00e9 o caso das coedi\u00e7\u00f5es internacionais, que n\u00e3o permitem que as obras sejam impressas aqui \u2014 explica Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, empresa que trouxe da \u00c1sia t\u00edtulos como \u201cO livro da psicologia\u201d, \u201cO livro da economia\u201d e \u201cO livro da filosofia\u201d.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Por coedi\u00e7\u00e3o entende-se uma obra de origem estrangeira impressa em diversas l\u00ednguas ao mesmo tempo e num mesmo lugar. A decis\u00e3o sobre o local, nesse caso, cabe \u00e0 editora dona do t\u00edtulo. E a\u00ed a escolha tem sido quase sempre a China. Ao falar sobre o crescimento das impress\u00f5es chinesas, os editores brasileiros fazem essa ressalva. Est\u00e3o computadas a\u00ed muitas coedi\u00e7\u00f5es internacionais, cada vez mais frequentes no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 A situa\u00e7\u00e3o tem diversos componentes. O que tira a competitividade da ind\u00fastria gr\u00e1fica brasileira \u00e9, sobretudo, o custo de opera\u00e7\u00e3o e a m\u00e3o de obra \u2014 afirma F\u00e1bio Mortara, presidente da Abigraf, lembrando que o setor investiu US$ 1,2 bilh\u00e3o em maquin\u00e1rio no ano passado e que usa equipamentos semelhantes aos dos chineses (vindos da Europa).<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>20 mil aqui, 100 mil l\u00e1<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">Segundo Mortara, enquanto o Brasil tem 20 mil gr\u00e1ficas operando, a China possui 100 mil, e h\u00e1 not\u00edcias de que o Estado chin\u00eas subsidie a ind\u00fastria milenar de seu pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">O que mais preocupa a associa\u00e7\u00e3o da classe \u00e9 a possibilidade de o maior comprador de livros do Brasil \u2014 o governo federal \u2014 adquirir material impresso na China em detrimento do mercado brasileiro.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 Por ano, o governo federal compra um ter\u00e7o dos exemplares que circulam no pa\u00eds. S\u00e3o cerca de 150 milh\u00f5es de livros did\u00e1ticos \u2014 diz Mortara. \u2014 Em 2012, quando vimos que a disputa com a China se agravaria, conseguimos que o governo concordasse em s\u00f3 comprar material impresso aqui. At\u00e9 agora, para 2013, n\u00e3o temos qualquer garantia.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: small;\">\u2014 A gente n\u00e3o tem nenhuma inten\u00e7\u00e3o de prejudicar o mercado brasileiro. Prezamos por nossas parcerias com as gr\u00e1ficas nacionais. E seria \u00f3timo se pud\u00e9ssemos fazer tudo, a um bom custo, no Brasil. Mas tamb\u00e9m estamos tentando fechar nossas contas \u2014 pondera Aline Valle, da Cosac, que lan\u00e7ou mais de 20 t\u00edtulos nos primeiros quatro meses do ano, 13 deles made in China.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos meses, toneladas e toneladas de livros impressos na China desembarcaram nos portos do Brasil. Foram milhares. A editora Cosac Naify trouxe t\u00edtulos como \u201cLinha do tempo do design gr\u00e1fico do Brasil\u201d, de Chico Homem de Melo e Elaine Ramos. A Companhia das Letras, \u201cAsterios Polyp\u201d, de David Mazzucchelli. 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