{"id":430,"date":"2004-02-10T11:23:00","date_gmt":"2004-02-10T13:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2004\/02\/10\/um-olhar-de-professor-para-professor\/"},"modified":"2004-02-10T11:23:00","modified_gmt":"2004-02-10T13:23:00","slug":"um-olhar-de-professor-para-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/um-olhar-de-professor-para-professor\/","title":{"rendered":"Um olhar de professor para professor"},"content":{"rendered":"<p>Em cursos, palestras e semin\u00e1rios de que participa pelo pa\u00eds, a professora e escritora Nilma Gon\u00e7alves Lacerda vem debatendo o papel do professor e refor\u00e7ando a necessidade de que a reflex\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es do magist\u00e9rio seja feita pelo pr\u00f3prio educador. \u201cVenho buscando a face do professor perdida no espelho. Cec\u00edlia Meireles tem um poema bel\u00edssimo em que diz \u2018Eu n\u00e3o tinha esse rosto de hoje, assim t\u00e3o triste\u2019. E no final ela pergunta \u2018Em que espelho ficou perdida a minha face?\u2019. Eu quero responder a isso. Quero que a professora e o professor possam perguntar se o seu rosto est\u00e1 perdido. Se est\u00e1, vamos procurar, vamos restaurar. Vamos \tencontrar esse rosto e ver o que queremos fazer com ele &#8211; uma pl\u00e1stica, uma maquiagem, lav\u00e1-lo bem com \u00e1gua e sab\u00e3o\u201c, explica a professora. Com larga experi\u00eancia e atua\u00e7\u00e3o na escola p\u00fablica no ensino da L\u00edngua Portuguesa e da Literatura Brasileira, Nilma Lacerda j\u00e1 deu aulas em todos os n\u00edveis de ensino, desde a escola prim\u00e1ria, at\u00e9 a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, e cursos de forma\u00e7\u00e3o continuada a professores. Seja qual for o grau de instru\u00e7\u00e3o ou faixa et\u00e1ria dos alunos, a escritora se dedica \u00e0 tarefa de formar leitores. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o precisa ser dogm\u00e1tico, taxativo, n\u00e3o precisa ser um chato para levar algu\u00e9m a ser um\tleitor apaixonado. Voc\u00ea comenta o livro que leu, indica, e assim voc\u00ea est\u00e1 formando leitores conscientes, cr\u00edticos e apaixonados. A minha vida tem sido isso e eu continuo a formar leitores\u201c, diz. <BR><BR> A rela\u00e7\u00e3o de Nilma Lacerda com a literatura \u00e9 a de quem a estuda, a ensina, mas tamb\u00e9m a produz, sendo autora de ensaios, artigos e obras de fic\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as e adultos. Com especializa\u00e7\u00e3o de conhecimento em literatura para crian\u00e7as e jovens, a professora tamb\u00e9m d\u00e1 consultoria ao Programa Nacional de Incentivo \u00e0 Leitura (Proler) e \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Veja a entrevista: <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; Qual o objetivo dos cursos e palestras que desenvolve com os professores? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; Procuro levar o professor \u00e0 reflex\u00e3o do que ele representa na sociedade. Ao mesmo tempo em que est\u00e1 sendo destitu\u00eddo deste papel, ele \u00e9 cada vez mais implicado nele. O professor hoje n\u00e3o tem muito valor. De um lado, n\u00e3o tem muito poder, mas por outro, a sociedade cobra e espera que esse professor realize alguma mudan\u00e7a, algum deslocamento, algum tipo de renova\u00e7\u00e3o. Ainda existe essa confian\u00e7a da sociedade que entrega o seu filho a uma escola, a um professor, sobretudo nas escolas p\u00fablicas. E paradoxalmente h\u00e1 um descr\u00e9dito, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escola p\u00fablica, porque h\u00e1 uma trama contra o p\u00fablico neste pa\u00eds. H\u00e1 sempre um sentimento de que o p\u00fablico n\u00e3o vale, n\u00e3o atende t\u00e3o bem, n\u00e3o tem o mesmo m\u00e9rito daquilo que \u00e9 privado, daquilo por que eu pago. As pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta de que elas pagam pelo p\u00fablico. Todo mundo paga pelo p\u00fablico e o p\u00fablico precisa ser de responsabilidade e atua\u00e7\u00e3o de todos. E se a educa\u00e7\u00e3o anda ruim, o professor \u00e9 ruim, o professor \u00e9 que n\u00e3o faz bem o seu trabalho. Ningu\u00e9m reflete sobre as condi\u00e7\u00f5es do trabalho dele, sobre baixos sal\u00e1rios, sobre a desautoriza\u00e7\u00e3o que pesa sobre esse professor. Vivemos em um momento em que, no ensino privado, o aluno \u00e9 um cliente, ele paga e tem que ser respeitado como cliente, porque o cliente sempre tem raz\u00e3o. Isso me incomoda demais. Assim, os cursos e encontros com o magist\u00e9rio t\u00eam o objetivo de levar o professor a se olhar, e a ver no espelho o melhor retrato dele. Se conseguirmos fazer isso eu j\u00e1 vou estar satisfeita. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; A senhora percebe a necessidade de que seja feita uma reflex\u00e3o sobre o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; Essa reflex\u00e3o precisa ser feita pelo pr\u00f3prio professor. Porque em geral essa reflex\u00e3o existe, mas chega muito empacotada, muito fechada. Quando houve a publica\u00e7\u00e3o dos Par\u00e2metros Curriculares Nacionais, cada professor recebeu uma caixa com alguns par\u00e2metros. O professor nunca \u00e9 o remetente de uma correspond\u00eancia. Ele acaba sendo o destinat\u00e1rio. Eu quero o professor sendo remetente. E voc\u00ea s\u00f3 pode ser remetente, quando \u00e9 o autor do seu discurso, quando voc\u00ea se reconhece algu\u00e9m que tem uma opini\u00e3o e que precisa colocar essa opini\u00e3o em alguns lugares. Esta reflex\u00e3o visa a isso. E para isso eu quero dar alimento. Um alimento acad\u00eamico, um alimento art\u00edstico. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; Quando a senhora diz que quer que o professor veja o seu melhor retrato, \u00e9 poss\u00edvel definir o perfil \u201cideal\u201c do professor? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; N\u00e3o penso em um perfil ideal. A melhor imagem comporta aspectos negativos, que t\u00eam que ser conhecidos para serem revistos e melhorados. Eu penso sobretudo em um retrato bonito. Eu quero o professor, a professora, se vendo bonito e bonita neste espelho, se vendo aut\u00f4nomos, se vendo remetentes de uma carta, se vendo n\u00e3o s\u00f3 como executores de um projeto educacional que chega pronto e fechado, mas como mentores, revisores, atores fundamentais no processo educacional. O professor precisa revitalizar seu amor pr\u00f3prio, se olhar e ter orgulho da sua profiss\u00e3o, do seu trabalho. Venho buscando a face do professor perdida no espelho. Cec\u00edlia Meireles tem um poema bel\u00edssimo em que diz \u2018Eu n\u00e3o tinha esse rosto de hoje, assim t\u00e3o triste\u2019. E no final ela pergunta \u2018Em que espelho ficou perdida a minha face?\u2019. Eu quero responder a isso. Quero que a professora e o professor possam perguntar se o seu rosto est\u00e1 perdido. Se est\u00e1, vamos procurar, vamos restaurar. Vamos encontrar esse rosto e ver o que queremos fazer com ele &#8211; uma pl\u00e1stica, uma maquiagem, lav\u00e1-lo bem com \u00e1gua e sab\u00e3o. Os professores que fazem cursos comigo, \u00e9 que v\u00e3o responder a isso, eu n\u00e3o tenho resposta. Eu quero realmente que encontremos o melhor, mas vamos encontrar juntos e no final vamos ver o que fazer com este rosto que a gente encontra. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; Qual a import\u00e2ncia de que se trabalhe melhor a forma\u00e7\u00e3o do professor? Quais as principais defici\u00eancias que percebe na forma\u00e7\u00e3o do professor? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; A sociedade brasileira sofreu uma grande perda com a revoga\u00e7\u00e3o da lei que obrigava o professor a ter forma\u00e7\u00e3o de n\u00edvel superior. Quando se subtrai a forma\u00e7\u00e3o superior para o professor, investimentos s\u00e3o retirados, exig\u00eancias s\u00e3o retiradas e valor \u00e9 retirado do trabalho e da figura do professor. Mesmo com todos os problemas que o Brasil tem, era poss\u00edvel que os professores tivessem essa forma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o era para se realizar em dois anos, quatro ou cinco anos, mas \u00e9 uma meta poss\u00edvel. Vemos que o professor de escola p\u00fablica est\u00e1 querendo complementar a sua forma\u00e7\u00e3o e h\u00e1 uma reivindica\u00e7\u00e3o muito grande para isso. O magist\u00e9rio \u00e9 a classe profissional que mais se preocupa com a forma\u00e7\u00e3o continuada. O meu trabalho na forma\u00e7\u00e3o continuada \u00e9 justamente o de levar mais suporte a esse professor, falar de uma bibliografia recente, porque sou algu\u00e9m que vive em uma metr\u00f3pole e tem acesso a informa\u00e7\u00e3o, que tem acesso a bibliografias, algu\u00e9m que pode comprar livros, que pode ir a confer\u00eancias com convidados internacionais ou de outras universidades, algu\u00e9m que se desloca pelo pa\u00eds e v\u00ea o que est\u00e1 acontecendo e pode estar trocando isso, estabelecendo uma rede. Como estou nessa locomo\u00e7\u00e3o constante, eu posso realmente estar continuando a rede, levando aos professores com que tenho contato as informa\u00e7\u00f5es a que estou tendo acesso. E at\u00e9 confirmar as a\u00e7\u00f5es que o professor est\u00e1 fazendo. No Congresso de leitura de Campinas, que re\u00fane 3 mil professores do pa\u00eds todo, o professor est\u00e1 l\u00e1 para peguntar: \u201cO que eu fa\u00e7o na minha turma est\u00e1 certo? \u00c9 por a\u00ed que devo ir? Eu vou obter o melhor resultado desta forma?\u201c. O meu engajamento em projetos de forma\u00e7\u00e3o continuada do professor visa exatamente a trocar com este professor e aprender com ele, que ensina com muita compet\u00eancia o pr\u00f3prio trabalho que est\u00e1 fazendo. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; A senhora, al\u00e9m de professora, \u00e9 escritora. Existe alguma rela\u00e7\u00e3o entre estas duas atividades: ensinar e escrever? O que veio primeiro &#8211; a forma\u00e7\u00e3o como professora ou escritora? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; Primeiro eu me acreditei professora, para depois me descobrir escritora. Eu sou professora da L\u00edngua Portuguesa e de Literatura Brasileira, ent\u00e3o vou me ocupando da l\u00edngua, da linguagem, ensinando o menino a escrever. \u00c9 claro que lidando com a escrita de uma forma profissional, isso talvez tenha permitido me olhar com mais clareza. Talvez. Eu fazia muitos jogos com meus alunos, lia muita literatura, conversava muito com eles e isso alimentava e alimenta a minha escrita at\u00e9 hoje. Mas eu acredito que a pessoa que eu sou, estivesse na profiss\u00e3o em que eu estivesse, estaria escrevendo. Como professora, a escrita ganha compet\u00eancia ensa\u00edstica, para o cotidiano, para o exerc\u00edcio pol\u00edtico, digamos assim. Ano passado fiz uma oficina na Secretaria Municipial de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, com os coordenadores pedag\u00f3gicos, que teve o nome \u201cEu n\u00e3o gosto de ler e tenho horror de escrever\u201c. Dei esse t\u00edtulo muito espontaneamente, depois achei horr\u00edvel e agressivo, mas n\u00e3o me deixaram alterar, porque acharam muito bom. Fazendo a oficina perguntei quem dizia essa frase e a primeira resposta foi: o aluno. Logo, come\u00e7aram a aparecer aqui e ali, as pessoas dizendo que era o professor. Os professores acabam n\u00e3o reconhecendo que, em grande parte, n\u00e3o gostam de ler, e t\u00eam horror de escrever, porque a escrita \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o da subjetividade e quando se exp\u00f5e, a pessoa corre riscos. Por isso a nossa escola nunca trabalhou bem a quest\u00e3o da escrita. Isso est\u00e1 sempre sendo objeto de estudo, mas ainda n\u00e3o est\u00e1 bem resolvido. Acho que talvez em lugar nenhum esteja plenamente resolvido, porque \u00e9 uma quest\u00e3o existencial, uma quest\u00e3o filos\u00f3fica e social. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; Por que a escola n\u00e3o trabalha bem a escrita? O livro n\u00e3o \u00e9 valorizado na forma\u00e7\u00e3o do estudante? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; Muita coisa est\u00e1 se fazendo para o acesso das crian\u00e7as e dos jovens ao livro de qualidade. Mas o contato com o livro vem de uma valoriza\u00e7\u00e3o. O livro \u00e9 um objeto cultural. A leitura n\u00e3o \u00e9 um ato espont\u00e2neo. Ela \u00e9 um ato de muita dificuldade, ela requer uma capacita\u00e7\u00e3o, ela requer sofistica\u00e7\u00e3o. Este valor est\u00e1 em cria\u00e7\u00e3o na sociedade brasileira de uma forma que, embora mais evidente hoje, ainda \u00e9 lenta para as nossas necessidades. A leitura vai te permitir uma an\u00e1lise cr\u00edtica da realidade e a interven\u00e7\u00e3o nessa realidade, a cria\u00e7\u00e3o de caminhos para causar deslocamentos nesta realidade. E isso est\u00e1 em curso ainda na sociedade brasileira. N\u00f3s precisamos, por exemplo, uma quest\u00e3o pela qual estou me batendo e refletindo: o professor precisa de tempo para ler. E esse tempo vem com sal\u00e1rios melhores. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; O que significa dizer que a leitura n\u00e3o \u00e9 espont\u00e2nea? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; A fam\u00edlia e a escola precisam transmitir \u00e0 crian\u00e7a o valor de um livro, e esse ato n\u00e3o \u00e9 da ordem da natureza, n\u00e3o \u00e9 como beber \u00e1gua, que voc\u00ea tem necessidade e \u00e9 um ato animal. Eu sempre digo que a esp\u00e9cie humana n\u00e3o precisa da arte para viver. A arte \u00e9 sup\u00e9rflua. E eu sempre assustava muito os meus alunos de literatura porque eu come\u00e7ava dizendo isso. Para viver, a esp\u00e9cie humana precisa do abrigo, do alimento, da \u00e1gua. E no entanto, tendo abrigo alimento e \u00e1gua, se cria um pote para pegar \u00e1gua na fonte e transportar at\u00e9 onde estamos. E vamos fazer um desenho nele, vamos fazer uma al\u00e7a mais bonita, vamos usar um porque \u00e9 mais bonito que o outro, e a\u00ed n\u00f3s j\u00e1 estamos falando da necessidade de est\u00e9tica, da beleza, da cria\u00e7\u00e3o, da presen\u00e7a do sujeito nestes objetos de uso cotidiano. \u00c9 a arte come\u00e7ando a se manifestar. Se a arte vai surgindo como um produto do humano, ent\u00e3o a literatura e o livro s\u00e3o produtos culturais. E \u00e9 preciso ir transmitindo essa heran\u00e7a, esse conhecimento \u00e0 comunidade, \u00e0s pessoas. Voc\u00ea aprende muito mais rapidamente a andar ereto, a falar. O ato de ler \u00e9 bastante elaborado, sofisticado, ele \u00e9 um ato dif\u00edcil, ele precisa ter a sustenta\u00e7\u00e3o junto \u00e0 crian\u00e7a de pessoas adultas e em quem ela reconhe\u00e7a um afeto e uma autoridade, para que essas pessoas lhe mostrem a beleza que est\u00e1 nesse ato, a for\u00e7a, a necessidade. Muitas vezes h\u00e1 essa concep\u00e7\u00e3o err\u00f4nea do ato da leitura e da escrita. A leitura n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, n\u00e3o \u00e9 natural. Precisa ser ensinada e muito bem ensinada para que a crian\u00e7a se torne leitora e tamb\u00e9m escritora do seu desejo, da sua vontade, das suas ang\u00fastias e dos seus prazeres. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; Como e onde se forma a crian\u00e7a leitora? O papel da fam\u00edlia \u00e9 definitivo? O papel do professor \u00e9 definitivo? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; Sempre \u00e9 dif\u00edcil falar em definitivo. O ideal \u00e9 que a forma\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a leitora se fizesse na fam\u00edlia. Assim como deveria transmitir valores de conviv\u00eancia, deveria ter como projeto \u00e9tico, apresentar o livro \u00e0 crian\u00e7a, atrav\u00e9s de hist\u00f3rias agrad\u00e1veis, de hist\u00f3rias que s\u00e3o uma grande heran\u00e7a da humanidade, como Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho. A fam\u00edlia que coloca desde cedo o livro como um objeto do universo da crian\u00e7a, est\u00e1 mostrando ao seu filho que ali h\u00e1 coisas boas e prazerosas para ela. A realidade brasileira \u00e9 de pobreza e priva\u00e7\u00e3o majoritariamente. Os livros est\u00e3o ausentes da maior parte das casa da sociedade brasileira, seja pela pobreza, seja pela falta de valor. H\u00e1 at\u00e9 casas burguesas em que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea livros, porque n\u00e3o foi um valor constru\u00eddo. Os livros devem ser uma realidade para toda fam\u00edlia, em todo lugar do mundo. Mas sabemos que n\u00e3o \u00e9 assim porque a palavra escrita, a leitura, e o livro s\u00e3o uma forma de poder. \u00c9 poder pol\u00edtico, \u00e9 poder econ\u00f4mico, \u00e9 possibilidade de transforma\u00e7\u00e3o, \u00e9 possibilidade de questionamento, e \u00e9 claro que as elites dirigentes v\u00e3o sempre controlar isso, como a Igreja controlou na Idade M\u00e9dia o acesso aos livros, as elites v\u00e3o controlar isso de uma s\u00e9rie de formas \u00e0s vezes muito sutis. Se a fam\u00edlia, privada do acesso ao livro, n\u00e3o faz isso, a escola precisa assumir esse papel. E o central nesse papel \u00e9 a consci\u00eancia do valor das bibliotecas p\u00fablicas e escolares, porque voc\u00ea pode nao ter o dinheiro para comprar este livro, mas precisa ter o acesso a ele garantido. O povo tem vontade, tem necessidade e precisa ter garantido este acesso. E na forma\u00e7\u00e3o do leitor, o professor no Brasil tem um papel muito importante, e que se desempenha de uma s\u00e9rie de formas, inclusive com um gesto simples, como o professor que anda sempre com um livro e comenta o que leu. Voc\u00ea n\u00e3o precisa ser dogm\u00e1tico, taxativo, n\u00e3o precisa ser um chato para levar algu\u00e9m a ser um leitora apaixonado. Voc\u00ea comenta o que leu, indica, e assim voc\u00ea est\u00e1 formando leitores conscientes, cr\u00edticos e apaixonados. O ato de ler \u00e9 de aprendizado, ele \u00e9 ensinado. E como tudo que nos \u00e9 ensinado na vida, \u00e9 por uma pessoa ou uma institui\u00e7\u00e3o que tem significado. Ent\u00e3o voc\u00ea se permite aprender o que t\u00eam a ensinar para voc\u00ea. Foi como permiti que muitos professores me ensinassem a paix\u00e3o de ler, a paix\u00e3o de escrever, a paix\u00e3o de ensinar e de aprender coisas com outros. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; Em sala de aula, como a senhora percebe a aceita\u00e7\u00e3o do jovem em rela\u00e7\u00e3o ao livro? Fala-se muito da leitura obrigat\u00f3ria. Ela aproxima ou afasta o estudante dos livros? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; Eu nunca trabalhei com leitura obrigat\u00f3ria e sempre formei leitores e tive grande respostas. Nunca tive problema de recusa, de resist\u00eancia de meus alunos \u00e0 leitura, em todos os n\u00edveis. \u00c9 claro que n\u00e3o \u00e9 todo mundo que vai ser um grande leitor apaixonado, porque a\u00ed entram as escolhas individuais. Mas \u00e9 preciso garantir que todos os cidad\u00e3os tenham acesso a este aprendizado, para que fa\u00e7am a sua escolha. Se o aluno achar que ler d\u00e1 muito trabalho, e que ele prefere ver televis\u00e3o, eu tenho que acatar e respeitar isso, embora eu v\u00e1 continuar a mostrar que se ele ler, ele poder\u00e1 dialogar com a televis\u00e3o que ele v\u00ea. Eu gosto demais de trabalhar com o jovem, porque ele \u00e9 rebelde, ele \u00e9 cr\u00edtico, mas ele quer fazer. O jovem quer atuar no presente e no futuro. E voc\u00ea fica muito jovem trabalhando com ele. A turma se engajava, lia, debatia, constru\u00eda textos, sa\u00eda para fazer filmes, fazia cartazes, debatia com o escritor. E isso na escola p\u00fablica. Trabalhei tr\u00eas anos na escola privada de ensino fundamental e m\u00e9dio e tamb\u00e9m fizemos muitas coisas com o livro. Escrevemos outros textos, debatemos, fizemos pe\u00e7as teatrais, fizemos excurs\u00f5es, sempre com o livro nos motivando. E na universidade, aos meus alunos de Literatura eu digo que eles t\u00eam que ler muito. Grande parte, eu percebia que lia por prazer. E muita gente ia confessando que ganhou este prazer em um trabalho em que fizemos, o que \u00e9 um retorno muito gratificante. Mas para isso \u00e9 fundamental que o professor seja um leitor apaixonado, que a leitura tenha um valor para ele, o valor desse partilhar de experi\u00eancias do humano, da solid\u00e3o do humano. Porque somos solit\u00e1rios, estamos sozinhos, por mais que tenhamos namorados, namoradas, maridos, amante, dentro de n\u00f3s somos ocos. E ocos de perguntas, de buscas, de realiza\u00e7\u00f5es, de perplexidades. N\u00e3o precisamos s\u00f3 ter pessoas queridas em nossa volta, nos dando for\u00e7a para irmos vencendo estes ocos. Os livros v\u00e3o trazer quest\u00f5es semelhantes \u00e0s nossas e nos identificamos com o personagem. A literatura \u00e9 um dos lugares em que o professor encontra respostas. Como o professor que enfrenta problemas perdendo alunos para o tr\u00e1fico. Um texto liter\u00e1rio pode ajud\u00e1-lo, um filme, um quadro, uma m\u00fasica, um rap mesmo, pode ajudar este ser humano a ir acomodando as ang\u00fastias, e ir sabendo como lidar com elas. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; Que tipo de livro deve ser indicado nas escolas? Qualquer leitura \u00e9 v\u00e1lida? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; Qualquer leitura \u00e9 v\u00e1lida com o mediador do lado. Muitas vezes voc\u00ea s\u00f3 consegue formar o leitor, se voc\u00ea reconhece a leitura que ele escolhe. N\u00e3o se pode recusar a leitura que o aluno te traz. Voc\u00ea acha que tem que mandar toda a turma ler um livro e fazer uma prova. Por que? Por que cada aluno n\u00e3o pode escolher o livro que quer ler? Porque o aluno vai ler um livro e comentar com outro colega. Isso \u00e9 muito mais importante do que fazer a prova, a tarefa. Se voc\u00ea deixa que ele fale, voc\u00ea mostra que \u00e9 bom. \u00c9 fundamental para a leitura este espa\u00e7o na sala de aula. Mas como vou saber que meu aluno leu? Ele vai contar para voc\u00ea e para o colega o que leu. Mas, e se ele ler um livro fino? E da\u00ed? H\u00e1 contos de Kafka de dez linhas que s\u00e3o obras-primas. Temos muito medo, porque a escola quer sempre enquadrar, fechar, disciplinar, gradear. O professor tem que estar esclarecido, apaixonado, tem que ter tempo para ler, tem que ter dinheiro para entrar na livraria e levar o livro para casa, tem que ler com paix\u00e3o, reler, riscar, carregar o livro junto ao peito para o aluno ver, conversar sobre aquele livro e acatar as escolhas dos alunos. Nessa troca de conversas sobre os livros, vai haver um momento em que o professor vai poder dizer \u201cE se todos lerem agora esse livro, para todo mundo discutir e ver o ponto de vista?\u201c. Aquele que n\u00e3o quiser, voc\u00ea pergunta se ele que ler um outro para ver se o tema \u00e9 semelhante ou diferente. Se voc\u00ea deixar o adolescente escolher, ele vai escolher. E ele pode at\u00e9 burlar no in\u00edcio, mas a maior parte do grupo vai se engajar, e como ele quer estar no grupo, ele vai participar tamb\u00e9m. Ele vai falar, e depois pode escrever sobre o que leu. Voc\u00ea vai perguntar se ele gostou do que leu e o porqu\u00ea. Essas s\u00e3o formas muito mais produtivas, muito mais apaixonantes, que d\u00e3o muito mais resultado para formar leitores que permane\u00e7am leitores pela vida afora. Mas a escola tem muitas dificuldade de lidar com a liberdade, com o riso, com a alegria. Com liberdade se produz conhecimento no prazer, e em uma a\u00e7\u00e3o que se mostra concreta e com repercuss\u00f5es sociais, inclusive. <BR><BR> Folha Dirigida &#8211; Os livros para jovens e crian\u00e7as devem ter algum tipo de adapta\u00e7\u00e3o na linguagem, como o uso de linguagem coloquial e g\u00edrias, a fim de torn\u00e1-los mais atraentes? Devem ser usados livros voltados para a faixa et\u00e1ria do aluno ou cl\u00e1ssicos da literatura brasileira? <BR><BR> Nilma Lacerda &#8211; Essa \u00e9 uma quest\u00e3o trabalhosa. Os cl\u00e1ssicos t\u00eam um lugar important\u00edssimo e t\u00eam que estar na leitura do jovem, sim. E isso come\u00e7a por acatar a leitura que o jovem traz. \u00c9 evidente que se voc\u00ea est\u00e1 na escola, \u00e9 um professor, um formador, voc\u00ea vai oferecendo informa\u00e7\u00f5es e trocas, que fazem com que o estudante v\u00e1 tendo acesso \u00e0 grande literatura. Porque quando vai \u00e0 escola, o aluno quer ter acesso \u00e0 heran\u00e7a da humanidade, ao que de melhor foi produzido em cinco mil anos de hist\u00f3ria escrita. \u00c9 a isso que todo pai e toda m\u00e3e, por mais simples que seja, quer que o filho tenha acesso, para que ele seja aut\u00f4nomo na vida. Se os pais querem isso e o filho quer isso, n\u00f3s temos que dar isso. E completo. Por que a minha filha que pertence \u00e0 burguesia pode ler a Divina Com\u00e9dia de Dante? Ela pode ler Homero e o filho do pobre n\u00e3o pode? Pode sim. E isso \u00e9 um problema de professor. \u00c9 o professor que tem que ser bem formado. E isso depende do momento em que este jovem est\u00e1. Eu n\u00e3o sou contra as adapta\u00e7\u00f5es das obras que realmente sejam muito complexas.  O professor pode dar um conto de Shaekespeare adaptado para o menino de 9 anos. Se ele for bem acompanhado, ele vai ter vontade de ler o original com 15 anos, com 18, com 50. J\u00e1 trabalhamos Heidegger, que \u00e9 um dos maiores fil\u00f3sofos do s\u00e9culo XX, em uma escola municipal, com alunos pobres. E estes alunos moradores de favela dialogaram com Heidegger e escreveram sobre o que eles leram. Fizemos uma sele\u00e7\u00e3o de fragmentos e lemos com eles, explicando, trazendo vocabul\u00e1rio. E ao final o aluno pode entender perfeitamente o que Heidegger dizia naqueles fragmentos e pode inclusive analisar at\u00e9 que ponto aquilo que o fil\u00f3sofo propunha se encontrava na vida deles. Eu tenho isso escrito e publicado. Ent\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea que \u00e9 poss\u00edvel, \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de clareza ideol\u00f3gica e decis\u00e3o pol\u00edtica. E se voc\u00ea realiza isso plenamente, est\u00e1 fazendo revolu\u00e7\u00e3o, est\u00e1 dando acesso a todas as pessoas aos destinos da na\u00e7\u00e3o. E tem muito professor fazendo este trabalho.\t<BR><BR>\t  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em cursos, palestras e semin\u00e1rios de que participa pelo pa\u00eds, a professora e escritora Nilma Gon\u00e7alves Lacerda vem debatendo o papel do professor e refor\u00e7ando a necessidade de que a reflex\u00e3o sobre as condi\u00e7\u00f5es do magist\u00e9rio seja feita pelo pr\u00f3prio educador. \u201cVenho buscando a face do professor perdida no espelho. 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