{"id":427,"date":"2004-02-11T14:08:00","date_gmt":"2004-02-11T16:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2004\/02\/11\/pesquisa-mostra-abismo-entre-escolas-e-grupos-juvenis\/"},"modified":"2004-02-11T14:08:00","modified_gmt":"2004-02-11T16:08:00","slug":"pesquisa-mostra-abismo-entre-escolas-e-grupos-juvenis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/pesquisa-mostra-abismo-entre-escolas-e-grupos-juvenis\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra abismo entre escolas e grupos juvenis"},"content":{"rendered":"<p>Especialistas em educa\u00e7\u00e3o t\u00eam falado nos \u00faltimos anos que a escola eficiente ser\u00e1 aquela que, al\u00e9m de trabalhar o m\u00e1ximo poss\u00edvel com a experimenta\u00e7\u00e3o e trazer o curr\u00edculo para o cotidiano, ter\u00e1 de tirar proveito do que se chamaria de escolariza\u00e7\u00e3o da sociedade. Sob esse prisma, tornam-se bases de um fracasso escolar os dados levantados por 11 professores da rede p\u00fablica de S\u00e3o Paulo. A pesquisa \u201cA presen\u00e7a de grupos juvenis em escolas da Zona Leste\u201c mostra, sem d\u00favidas, que as escolas est\u00e3o desperdi\u00e7ando todo um arcabou\u00e7o cultural que turbinariam suas aulas. No total, foram identificados 900 estudantes que integram grupos juvenis, em 11 escolas da regi\u00e3o &#8211; alguns dos quais participam de mais de um grupo. A maioria dos entrevistados, participam de grupos esportivos (31%), seguidos dos grupos religiosos (29%) e art\u00edsticos (27%). Organiza\u00e7\u00f5es ambientais e pol\u00edtico\/partid\u00e1rios s\u00e3o minoria entre os grupos citados. At\u00e9 a\u00ed, poucos fatos novos. No entanto, quando questionados se a escola contribui para o desenvolvimento do grupo, mais da metade ou n\u00e3o sabe &#8211; um sinal da inefici\u00eancia do corpo docente &#8211; ou \u00e9 enf\u00e1tica ao dizer n\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o mostra-se ainda mais alarmante quando os estudantes afirmam que a escola os desconhece: de 900 entrevistados, apenas cinco dizem acreditar que a dire\u00e7\u00e3o conhece seu grupo juvenil; no caso dos professores esse n\u00famero sobe para 25. O estudo tem como base uma s\u00e9rie de oficinas realizadas pela ONG A\u00e7\u00e3o Educativa durante o ano de 2003, para professores de escolas estaduais da Zona Leste. Com a tem\u00e1tica cultura juvenil, os educadores se reuniam na Diretoria Leste 1 de Ensino (\u00f3rg\u00e3o da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o) em discuss\u00f5es sobre como levar \u00e0s escolas toda a pluralidade cultural existente em grupos jovens. Mesmo com o fim das atividades, os professores mantiveram os encontros, assessorados pela organiza\u00e7\u00e3o e pela diretoria de ensino. &nbsp;<br \/> \u201cA pesquisa nasceu da necessidade do grupo em planejar as a\u00e7\u00f5es das escola com base em informa\u00e7\u00f5es sobre nossos alunos\u201c, explica o professor de portugu\u00eas Lucimar Bivio, da E.E. Helena Lombardi Graga, Itaquera. Fazendo parte do grupo de investiga\u00e7\u00e3o, o educador se diz surpreso com a falta de conhecimento por parte dos professores. \u201cFazemos atividades dentro da escola atirando para todos os lados, na esperan\u00e7a de acertar pelo menos um dos alunos\u201c, conta. Na vis\u00e3o de Bivio, a pesquisa ir\u00e1 apontar os caminhos mais eficazes para tornar a escola mais aberta aos alunos. Assim, o ensino ser\u00e1 cada vez mais baseado em observa\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o, em que o aluno ser\u00e1 o protagonista e o professor ser\u00e1 um administrador dos conhecimentos criados por esses jovens.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> <B>Professores devem organizar a\u00e7\u00f5es conjuntas com estudantes<\/B> &nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<br \/> Quando se fala em Educa\u00e7\u00e3o Infantil, educadores e especialistas advertem as escolas sobre m\u00e9todos pedag\u00f3gicos mais eficientes durante as pr\u00e1ticas escolares. Teorias cognitivas mostram que ambientes l\u00fadicos, por exemplo, s\u00e3o mais eficazes para essa faixa et\u00e1ria. No entanto, quando se trata do Ensino M\u00e9dio, a situa\u00e7\u00e3o se inverte. Grande parte dos professores desconhecem os interesses de seus alunos, tal como as escolas ainda n\u00e3o organizam atividades objetivas a grupos juvenis. A pesquisa \u201cA presen\u00e7a de grupos juvenis em escolas da Zona Leste\u201c, realizada em 11 escolas da Zona Leste de S\u00e3o Paulo, \u00e9 prova disso. Segundo o estudo, apesar da escola ser o espa\u00e7o privilegiado para o encontro destes jovens, para eles, a institui\u00e7\u00e3o desconhece sua exist\u00eancia: 14,6% dos estudantes afirmaram que ningu\u00e9m na escola sabe que eles participam de grupos; e 41,11% acham que apenas os alunos o sabem. Na opini\u00e3o da soci\u00f3loga Ana Paula Corti, assessora da ONG A\u00e7\u00e3o Educativa e coordenadora da pesquisa, os dados s\u00e3o preciosos para nortear as atividades escolares do educadores. \u201cO objetivo aqui \u00e9 identificar os jovens para que se organizem a\u00e7\u00f5es conjuntas, mais significativas tanto para o professor, quanto para os estudantes\u201c, cr\u00ea. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Assim, a efetividade das pr\u00e1ticas escolares est\u00e1 diretamente ligada, segundo Ana Paula, \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do aluno como sujeito mais complexo, que necessita ser integrado ao processo educativo como tal. \u201cProfessores n\u00e3o podem mais pensar que o estudante est\u00e1 pronto para aprender, como se fosse uma m\u00e1quina. Devem construir pontes de interesses entre o que ensinam e os jovens, para reconstruir rela\u00e7\u00f5es e a efetividade das pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas \u201c. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> E n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil chegar a conclus\u00e3o que a falta dessas \u201cpontes\u201c s\u00e3o as bases das frustra\u00e7\u00f5es que afligem educadores e alunos. \u201cDe um lado o professor se frustra ao n\u00e3o conseguir atingir o aluno. De outro, o estudante que n\u00e3o aprende e n\u00e3o se identifica com a escola\u201c, explica Ana Paula. De acordo com estudo, levar esses grupos para dentro das escolas parece ser mais f\u00e1cil do que se imagina. A maioria dos grupos (29,38%) re\u00fanem-se nas escolas, em igrejas (24,79%), ou ent\u00e3o, na casa de um dos componentes (18,38%) para realizar suas atividades. A freq\u00fc\u00eancia destes encontros varia bastante, mas 57% dos entrevistados afirmaram que seu grupo encontra-se todos os dias, ou pelo menos duas vezes por semana.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> <B>Jovens querem se aproximar de escolas<\/B> &nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<br \/> Se por um lado os jovens sentem-se completamente desconhecidos dentro das escolas, s\u00e3o confiantes que essa situa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 mudar. A pesquisa \u201cA presen\u00e7a de grupos juvenis em escolas da Zona Leste\u201c, a mesma que apontou o abismo entre escolas e grupos juvenis, tamb\u00e9m indica que os jovens demonstram vontade de inverter esse distanciamento. Questionados se gostariam de desenvolver atividades organizadas por seu grupo na escola, 65,56% responderam que sim. Dentre as atividades, o campeonato esportivo foi o mais citado (34,66%), mas 19,33% gostariam de realizar apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais e outros 17,28% gostariam de realizar festivais de m\u00fasica. Debates, grupos de estudo, pesquisas e oficinas tamb\u00e9m foram citados. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Segundo a soci\u00f3loga Ana Paula Corti, coordenadora da pesquisa, falta apenas as escolas chamarem esses jovens para conversar. \u201cO estudo mostra que os alunos est\u00e3o dispostos\u201c. Para se ter uma id\u00e9ia, a pr\u00e1tica esportiva (26,95%), a religi\u00e3o (18,34%), a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica (18,24%), a sexualidade (8,12%) e o preconceito (6,61%) s\u00e3o os assuntos que mais mobilizam discuss\u00f5es e a\u00e7\u00f5es dos jovens. No entanto, para eles, a escola desenvolve poucas atividades e trata apenas pontualmente tais assuntos. Um equ\u00edvoco. Afinal, s\u00e3o excelentes temas transversais.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialistas em educa\u00e7\u00e3o t\u00eam falado nos \u00faltimos anos que a escola eficiente ser\u00e1 aquela que, al\u00e9m de trabalhar o m\u00e1ximo poss\u00edvel com a experimenta\u00e7\u00e3o e trazer o curr\u00edculo para o cotidiano, ter\u00e1 de tirar proveito do que se chamaria de escolariza\u00e7\u00e3o da sociedade. 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