{"id":4229,"date":"2012-11-29T19:35:58","date_gmt":"2012-11-29T21:35:58","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2012\/11\/29\/evasao-no-brasil-e-quase-tres-vezes-maior-do-que-a-media-de-29-paises-da-europa-aponta-estudo\/"},"modified":"2012-11-29T19:35:58","modified_gmt":"2012-11-29T21:35:58","slug":"evasao-no-brasil-e-quase-tres-vezes-maior-do-que-a-media-de-29-paises-da-europa-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/evasao-no-brasil-e-quase-tres-vezes-maior-do-que-a-media-de-29-paises-da-europa-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Evas\u00e3o no Brasil \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior do que a m\u00e9dia de 29 pa\u00edses da Europa, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Uma gera\u00e7\u00e3o de jovens brasileiros est\u00e1 ficando para tr\u00e1s na Educa\u00e7\u00e3o &#8211; e colocando em risco a pr\u00f3pria capacidade produtiva do pa\u00eds no futuro. A S\u00edntese de Indicadores Sociais 2012, divulgada\u00a0na \u00faltima quarta-feira, 28, \u00a0pelo IBGE, mostra que um ter\u00e7o dos jovens de 18 a 24 anos no pa\u00eds n\u00e3o completou o Ensino m\u00e9dio e nem estava frequentando a Escola em 2011. <\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>  <\/p>\n<p><span><span>\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>A taxa \u00e9 quase tr\u00eas vezes maior do que a m\u00e9dia de 29 pa\u00edses da Europa. O estudo aponta ainda desigualdades na qualidade das redes p\u00fablica e privada; e mostra que metade dos adolescentes de 15 a 17 anos n\u00e3o frequenta a Escola na idade certa.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Segundo o IBGE, a taxa de evas\u00e3o Escolar precoce de jovens de 18 a 24 anos &#8211; ou seja, o percentual da popula\u00e7\u00e3o nessa faixa que, al\u00e9m de n\u00e3o ter completado o n\u00edvel m\u00e9dio, n\u00e3o frequentava a Escola &#8211; foi de 43,8% em 2001 para 32,2% em 2011. Entre as mulheres, o percentual \u00e9 de 26,6%, mas chega a quase 40% no caso dos homens: 37,9%. Numa compara\u00e7\u00e3o com 30 pa\u00edses europeus, os percentuais masculino e feminino do Brasil s\u00e3o melhores apenas do que o de Malta. Su\u00ed\u00e7a, por exemplo, tem 5,7% e 6,8% para mulheres e homens, respectivamente.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Al\u00e9m da qualidade da Educa\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a de trabalho no pa\u00eds acaba sendo afetada pela Escolaridade dessa faixa et\u00e1ria, j\u00e1 que se trata da gera\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 o trabalhador adulto das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, sublinha Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Acredit\u00e1vamos que a taxa de evas\u00e3o dessa faixa (18 a 24 anos) estaria mais baixa, porque j\u00e1 teria dado tempo para o est\u00edmulo ao Ensino m\u00e9dio que o Fundeb trouxe a partir de 2007 fazer efeito &#8211; diz Cara. &#8211; \u00c9 preocupante, porque os jovens de hoje ser\u00e3o a for\u00e7a de trabalho adulta em 2040, quando o pa\u00eds ser\u00e1 formado majoritariamente de adultos e idosos. Ent\u00e3o, garantir uma melhor forma\u00e7\u00e3o para esses jovens \u00e9 garantir a pr\u00f3pria capacidade produtiva do pa\u00eds. O Brasil ainda n\u00e3o percebeu que est\u00e1 perdendo essa corrida contra o tempo; que aquela ideia de pa\u00eds do futuro vai deixar de existir, porque n\u00e3o teremos mais tantos jovens para isso, e grande parte de jovens que se tornar\u00e3o adultos e idosos n\u00e3o tem um m\u00ednimo de qualifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span><span>No n\u00edvel m\u00e9dio, fora da idade certa<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span><span>O combate \u00e0 evas\u00e3o no Ensino m\u00e9dio passaria, em grande medida, n\u00e3o s\u00f3 por a\u00e7\u00f5es como aumento de vagas fora do hor\u00e1rio noturno, mas por uma reformula\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo do Ensino m\u00e9dio.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Pesquisas mostram que 40% dos que deixam a Escola resolvem sair porque n\u00e3o t\u00eam motiva\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o enxergam uma Escola que caiba em suas vidas &#8211; afirma o Educador Mozart Neves Ramos. &#8211; Com a popula\u00e7\u00e3o envelhecendo, n\u00e3o podemos desperdi\u00e7ar nenhum jovem. As turmas de EJA (Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos) precisam de mais investimento. As ind\u00fastrias j\u00e1 perceberam que h\u00e1 uma faixa de jovens que n\u00e3o estuda nem trabalha e que n\u00e3o consegue entrar no mercado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Al\u00e9m da evas\u00e3o, o Ensino m\u00e9dio enfrenta o fato de que h\u00e1 uma grande parcela de Alunos nesse n\u00edvel fora da idade certa. Segundo o IBGE, a taxa de frequ\u00eancia l\u00edquida (a taxa de jovens frequentando o n\u00edvel de Ensino na idade adequada) para os adolescentes de 15 a 17 anos em 2011 foi de 51,8% (em 2001, era de 37,3%) &#8211; significa que metade deles n\u00e3o frequenta na idade correta, o que tamb\u00e9m acaba favorecendo a evas\u00e3o. Segundo Cara, uma das metas do pr\u00f3ximo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), em an\u00e1lise no Congresso, \u00e9 que essa taxa fique em 85% em dez anos:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Se ficarmos no mesmo n\u00edvel de esfor\u00e7o dos \u00faltimos dez anos, por\u00e9m, daqui a dez anos subiremos cerca de 14 pontos (a diferen\u00e7a de 2001 para 2011) e alcan\u00e7aremos 65%, n\u00e3o 85%. O n\u00edvel de esfor\u00e7o desta d\u00e9cada vai ter de ser mais que o dobro que o da anterior.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>H\u00e1 dois anos, Dennis Messias, de 21, morador de Macei\u00f3, trocou a Escola pelo emprego de pintor e de gar\u00e7om. Fez at\u00e9 a antiga 5\u00aa s\u00e9rie em Escola municipal:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Escolhi sobreviver.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Hoje, Dennis est\u00e1 desempregado. N\u00e3o pensa em voltar para a Escola. Pablo Anthony de Almeida, de 16 anos, tamb\u00e9m desistiu dos estudos, este ano. Fez at\u00e9 o oitavo ano, ap\u00f3s uma caminhada de repet\u00eancias:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; \u00c9 dif\u00edcil. N\u00e3o tenho interesse.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Hans Myller Ten\u00f3rio da Silva, de 24 anos, est\u00e1 casado h\u00e1 seis. Tem um filho de 5 e uma menina que nasce at\u00e9 dezembro. Ele e a mulher, de 20, deixaram os estudos antes do fim do Ensino m\u00e9dio:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Se pudesse pedir algo para a presidente Dilma, pediria um trabalho urgente, minha filha nasce m\u00eas que vem.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span><span>Crian\u00e7as abaixo de 4 anos sem Escola<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span><span>O acesso ao Ensino superior melhorou, mas ainda h\u00e1 lacunas. Dos jovens pretos e pardos de 18 a 24 anos matriculados no pa\u00eds, o percentual deles no n\u00edvel superior subiu de 10,2% para 35,8%, mas ele ainda \u00e9 menor do que o que a popula\u00e7\u00e3o branca tinha em 2001.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; O avan\u00e7o dos negros nas universidades deve ter algum efeito das cotas, articuladas com o aumento da renda &#8211; diz Ana Saboia, coordenadora da pesquisa, lembrando que a dist\u00e2ncia entre brancos e negros ainda \u00e9 de dez anos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O IBGE aponta tamb\u00e9m que a desigualdade na qualidade do Ensino entre as redes p\u00fablica e privada no Brasil s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 pior, numa lista de 26 pa\u00edses, que as Panam\u00e1, Quirguist\u00e3o e Catar, segundo a avalia\u00e7\u00e3o internacional Pisa de 2009. Al\u00e9m disso, o \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica (Ideb) da rede p\u00fablica em 2011 \u00e9 pior do que o Ideb da rede privada em 2005, tanto nos anos iniciais do fundamental quanto nos finais e no n\u00edvel m\u00e9dio.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>E, na Educa\u00e7\u00e3o infantil, o IBGE mostra que metade das crian\u00e7as de 4 anos est\u00e1 fora de Creche ou Pr\u00e9-Escola; no Chile, 75% delas frequentam institui\u00e7\u00e3o de Ensino; no M\u00e9xico, 99%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><strong>S\u00f3 55% das crian\u00e7as de quatro anos est\u00e3o na escola<\/strong> <\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Apesar do avan\u00e7o no acesso \u00e0 Creche no Brasil, o pa\u00eds ainda tem apenas 55,2% de suas crian\u00e7as de 4 anos matriculadas em algum estabelecimento de Ensino, taxa que \u00e9 a sexta pior numa compara\u00e7\u00e3o com 34 pa\u00edses. No M\u00e9xico, a cobertura Escolar nessa faixa et\u00e1ria \u00e9 de 99% e no Chile, de 75%. A m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE fica em torno de 80%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Com as crian\u00e7as fora da rede de Ensino, fica mais dif\u00edcil a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho, mostrou a S\u00edntese de Indicadores Sociais do IBGE. Das m\u00e3es que t\u00eam filhos at\u00e9 tr\u00eas anos frequentando Creche, 71,7% est\u00e3o trabalhando. Se nenhum filho nessa faixa et\u00e1ria est\u00e1 matriculado, a taxa cai para 43,9%. Se algum filho frequenta a Creche, mas n\u00e3o todos os que t\u00eam menos de tr\u00eas anos, a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho tamb\u00e9m \u00e9 baixa: 43,4%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Clara Ara\u00fajo, Professora de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais da Uerj e pesquisadora das quest\u00f5es de g\u00eanero, diz que essa correla\u00e7\u00e3o torna evidente a import\u00e2ncia da oferta de Creches:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; O trabalho feminino ainda \u00e9 marcado pela precariedade e informalidade ou em tempo parcial, por causa da responsabilidade \u00fanica do cuidado com os filhos. At\u00e9 cresce a participa\u00e7\u00e3o dos pais na tarefa, mas ainda \u00e9 uma atividade predominantemente feminina. Se algu\u00e9m tem que trabalhar menos para cuidar do filho, essa pessoa ser\u00e1 a mulher. A propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as nessa faixa et\u00e1ria alcan\u00e7adas por Creche ainda \u00e9 muito pequena.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Entre as crian\u00e7as de at\u00e9 tr\u00eas anos, 20,8% delas frequentavam institui\u00e7\u00f5es de Ensino em 2011, o dobro das 10,6% de 2001. Na faixa et\u00e1ria de quatro a cinco anos, a taxa subiu de 55% para 77,4%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span><span>Jornada dupla<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span><span>Amanda Teles, de 30 anos, \u00e9 uma das mulheres fora do mercado de trabalho para cuidar do filho, Vicente, de tr\u00eas anos. Sem dinheiro para colocar o menino numa Creche particular, n\u00e3o tem com quem deix\u00e1-lo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Minha m\u00e3e j\u00e1 cuida de outra neta e seria muito pesado ficar com duas crian\u00e7as pequenas e o pai dela, doente aos 86 anos. Ent\u00e3o, resolvi ficar em casa &#8211; afirma ela.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Amanda chegou a procurar Creches p\u00fablicas em Laranjeiras, onde mora, mas a maioria era para crian\u00e7as acima de tr\u00eas anos e outras exigiam como crit\u00e9rio para matr\u00edcula um rendimento familiar mais baixo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Em 2011, havia 48.642 Creches para 10,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as at\u00e9 tr\u00eas anos, das quais 20.048 (ou 41,2%) eram privadas e 28.594 (58,7%), p\u00fablicas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O levantamento do IBGE tamb\u00e9m mostra o tempo menor da mulher no trabalho remunerado. Os homens trabalham em m\u00e9dia 6,3 horas a mais que as mulheres. Por\u00e9m, quando se somam os afazeres dom\u00e9sticos, essa jornada feminina \u00e9 6,8 horas maior que a dos homens. Enquanto os homens trabalham 52,7 horas por semana, considerando o trabalho remunerado e os afazeres dom\u00e9sticos, as mulheres t\u00eam jornada de 58,5 horas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Para a soci\u00f3loga Ana Saboia, coordenadora geral da S\u00edntese de Indicadores Sociais, as pol\u00edticas p\u00fablicas est\u00e3o no caminho certo. No programa Brasil Carinhoso, a meta \u00e9 construir 6 mil Creches at\u00e9 2014.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Pobreza al\u00e9m da renda <\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Sem paredes. A casa de Rosana, que mora com a filha Maria Vit\u00f3ria em Teresina, n\u00e3o tem telhado nem paredes completas: &#8220;Se chover, fica toda molhada, mas aqui est\u00e1 muito seco&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Efr\u00e9m Ribeiro<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span><span>Retratos do Brasil<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span><span>Rio e Teresina N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 renda que conta para se ter uma vida digna. Num entendimento mais amplo da pobreza, o IBGE uniu car\u00eancias sociais \u00e0s de renda e verificou que 22,4% da popula\u00e7\u00e3o podem ser considerados vulner\u00e1veis, de acordo com a S\u00edntese de Indicadores Sociais 2012, divulgada ontem pelo instituto. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>\u00a0<\/span><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><span><span>Acesso a Educa\u00e7\u00e3o, seguridade social, a domic\u00edlio decente e a servi\u00e7os b\u00e1sicos, al\u00e9m da renda, comp\u00f5em o indicador de vulnerabilidade calculado pela primeira vez pelo IBGE. Se forem considerados os brasileiros que t\u00eam renda suficiente (ou seja, ganham mais do que R$ 370 por m\u00eas), por\u00e9m sofrem com algum tipo de car\u00eancia social, chega a 36% a parcela de brasileiros em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. S\u00e3o 66 milh\u00f5es de brasileiros na popula\u00e7\u00e3o de 184 milh\u00f5es que vive em domic\u00edlio permanente.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Segundo a publica\u00e7\u00e3o, &#8220;foram selecionado indicadores de car\u00eancias sociais que identificam elementos m\u00ednimos de direito, sem os quais n\u00e3o se pode assegurar que as pessoas possam exercer sua dignidade, segundo o marco jur\u00eddico nacional&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Fizemos uma abordagem de direitos humanos, de direito a uma vida digna, que tenha prote\u00e7\u00e3o em caso de doen\u00e7a ou desemprego, uma janela de oportunidade de alcan\u00e7ar uma ocupa\u00e7\u00e3o mais qualificada com acesso \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es dignas de habita\u00e7\u00e3o &#8211; afirmou Barbara Cobo, pesquisadora do instituto.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8220;mais f\u00e1cil reduzir pobreza de renda&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O Professor da UnB e especialista em pobreza e desigualdade Marcelo Medeiros, diz que essa forma de medi\u00e7\u00e3o da pobreza \u00e9 o caminho do Brasil, que j\u00e1 venceu a fome e deve levar \u00e0 pobreza extrema a n\u00edveis residuais.<br \/>&#8211; Os n\u00fameros mostram que o acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o acompanhou o excelente desempenho da economia. O ideal \u00e9 que o Estado fosse na frente. Ningu\u00e9m est\u00e1 ignorando as melhoras que houve, mas poderiam ter sido muito maiores.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>A situa\u00e7\u00e3o melhorou quando se olha para dez anos atr\u00e1s, segundo a coordenadora geral da S\u00edntese, Ana Saboia. Ela exemplifica com a parcela de 58,4% da popula\u00e7\u00e3o que sofria com pelo menos uma das car\u00eancias listadas. H\u00e1 dez anos, a participa\u00e7\u00e3o desse grupo era de 70,1%:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Houve uma melhora muito grande nesses indicadores.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Diante do diagn\u00f3stico de que a pobreza n\u00e3o se restringe \u00e0 quest\u00e3o da renda, o Professor da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade de Ribeir\u00e3o Preto (FEA\/RP) Daniel dos Santos diz que o desafio para reduzi-la \u00e9 ainda maior:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; \u00c9 muito mais f\u00e1cil reduzir pobreza de renda do que lidar com outras car\u00eancias, como Educa\u00e7\u00e3o e acesso a servi\u00e7os p\u00fablicos, por exemplo. A renda \u00e9 mais vol\u00e1til, \u00e9 mais f\u00e1cil de subir, uma canetada resolve ao se entregar um cart\u00e3o para cada um que precise de aumento de renda. J\u00e1 melhorar a Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo mais longo e que exige mais perseveran\u00e7a.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos do domic\u00edlio foi a principal car\u00eancia identificada, um reflexo da baixa cobertura do saneamento b\u00e1sico no Brasil. Da popula\u00e7\u00e3o, 32,2% n\u00e3o t\u00eam acesso a servi\u00e7os como saneamento adequado, \u00e1gua encanada, lixo coletado ou luz el\u00e9trica. Em 2001, eram 40,9% da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O atraso educacional melhorou na d\u00e9cada estudada. Baixou de 39,3% para 31,2%. O acesso \u00e0 seguridade social, com a formaliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho e a amplia\u00e7\u00e3o dos programas sociais, ai,emtpi, mas ainda n\u00e3o \u00e9 realidade para 21,3% da popula\u00e7\u00e3o. Em 2001, eram 36,4%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Na fragilidade de renda, s\u00e3o 29,8% contra 30,2% uma d\u00e9cada antes. Com esses indicadores, o IBGE constatou que apenas 34,2% da popula\u00e7\u00e3o podem ser considerados n\u00e3o vulner\u00e1veis.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>A casa de Rosana Dias, de 24 anos, no povoado \u00c1rvores Verde, na zona rural de Teresina, \u00e9 como na can\u00e7\u00e3o de Vin\u00edcius de Moraes: n\u00e3o tem paredes completas, n\u00e3o tem telhado, n\u00e3o tem nada.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Seu marido, o pedreiro Alexandre Vieira Cardoso, ganha uma m\u00e9dia de R$ 700 por m\u00eas, mas n\u00e3o tem emprego formal. O casal tem uma filha, Maria Vit\u00f3ria, de cinco meses, e uma casa praticamente aberta porque as paredes de taipa (argila) n\u00e3o est\u00e3o complestas e o sol e a chuva entram pelos dois \u00fanicos c\u00f4modos. O \u00fanico eletrodom\u00e9stico na casa \u00e9 um geladeira velha.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>A fam\u00edlia n\u00e3o tem fog\u00e3o (os alimentos s\u00e3o preparados num fogareiro improvisado de tijolos no ch\u00e3o), nem televis\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>&#8211; Se chover a casa vai ficar toda molhada por causa dos ventos, mas no Piau\u00ed est\u00e1 muito seco e n\u00e3o est\u00e1 chovendo &#8211; diz Rosana, que estudou at\u00e9 o 3\u00ba ano do Ensino fundamental.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span><span>Educa\u00e7\u00e3o brasileira registra avan\u00e7os na \u00faltima d\u00e9cada<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span><span>A S\u00edntese de Indicadores Sociais (SIS) 2012, divulga pelo IBGE nesta quarta-feira (28), mostrou que, de um modo geral, houve melhorias significativas na educa\u00e7\u00e3o brasileira, na d\u00e9cada 2001 a 2011. Entre as \u00e1reas que tiveram os melhores resultados, a educa\u00e7\u00e3o infantil (0 a 5 anos) foi um dos destaques, com o percentual de crian\u00e7as na escola subindo de 25,8% para 40,7%. J\u00e1 a escolariza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de 6 a 14 anos est\u00e1 praticamente universalizada, alcan\u00e7ando 98,2% em 2011.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Entre os adolescentes com idades de 15 a 17 anos, 83,7% frequentavam a rede de ensino em 2011, percentual um pouco maior se comparado a 2001 (81%). Mesmo assim, apenas 51,6% deles estavam na s\u00e9rie adequada para a idade. O avan\u00e7o na taxa de frequ\u00eancia desses jovens ao ensino m\u00e9dio foi mais significativo entre aos que pertencem \u00e0s fam\u00edlias com menores rendimentos (de 13,0%, em 2001, para 36,8%, em 2011) e entre os pretos e pardos (de 24,4% para 45,3%).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>J\u00e1 a propor\u00e7\u00e3o de jovens estudantes (18 a 24 anos) que cursavam o n\u00edvel superior cresceu de 27,0% para 51,3%, entre 2001 e 2011, sendo que, entre os estudantes pretos ou pardos nessa faixa et\u00e1ria, a propor\u00e7\u00e3o cresceu de 10,2% para 35,8%<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p> <\/span><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma gera\u00e7\u00e3o de jovens brasileiros est\u00e1 ficando para tr\u00e1s na Educa\u00e7\u00e3o &#8211; e colocando em risco a pr\u00f3pria capacidade produtiva do pa\u00eds no futuro. A S\u00edntese de Indicadores Sociais 2012, divulgada\u00a0na \u00faltima quarta-feira, 28, \u00a0pelo IBGE, mostra que um ter\u00e7o dos jovens de 18 a 24 anos no pa\u00eds n\u00e3o completou o Ensino m\u00e9dio e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-4229","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4229"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4229\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}