{"id":4223,"date":"2012-11-23T17:39:08","date_gmt":"2012-11-23T19:39:08","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2012\/11\/23\/brasil-ainda-tem-129-milhoes-de-analfabetos-segundo-ibge\/"},"modified":"2012-11-23T17:39:08","modified_gmt":"2012-11-23T19:39:08","slug":"brasil-ainda-tem-129-milhoes-de-analfabetos-segundo-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/brasil-ainda-tem-129-milhoes-de-analfabetos-segundo-ibge\/","title":{"rendered":"Brasil ainda tem 12,9 milh\u00f5es de analfabetos, segundo IBGE"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Segundo a \u00faltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu de 9,7% em 2009 para 8,6% em 2011, totalizando 12,9 milh\u00f5es de brasileiros. A maior propor\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 verificada na Regi\u00e3o Nordeste: 16,9%. Ainda de acordo com a Pnad 2011, 96,1% dos analfabetos do pa\u00eds t\u00eam 25 anos ou mais. Mais da metade deles se concentram na faixa acima de 50 anos.<\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>  <\/p>\n<p><span><span>\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Ler placas, n\u00famero do \u00f4nibus, pedir documentos, pagar contas no caixa eletr\u00f4nico. Essas, como tantas outras do chamado mundo letrado, s\u00e3o tarefas simples do cotidiano. Simples, apenas para aqueles que dominam plenamente duas habilidades b\u00e1sicas: ler e escrever.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>J\u00e1 o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) divulgado neste ano, realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG A\u00e7\u00e3o Educativa, mostra que apenas um em cada quatro brasileiros tem dom\u00ednio pleno de habilidades b\u00e1sicas de leitura, escrita e matem\u00e1tica. Al\u00e9m disso, a propor\u00e7\u00e3o de pessoas que atingem o n\u00edvel pleno de alfabetismo est\u00e1 estagnada h\u00e1 10 anos em 25%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>\u00a0<\/span><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><span><span>O Inaf divide os participantes em quatro n\u00edveis: analfabetos, alfabetizados em n\u00edvel rudimentar, alfabetizados em n\u00edvel b\u00e1sico e alfabetizados em n\u00edvel pleno, sendo os dois primeiros n\u00edveis considerados como analfabetismo funcional.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Especialistas em alfabetiza\u00e7\u00e3o ressaltam que ser analfabeto ou analfabeto funcional na idade adulta tem ra\u00edzes na aus\u00eancia ou na inefici\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica. Eles afirmam que o compromisso no letramento das crian\u00e7as \u00e9, principalmente, da escola. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><\/span><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><span><span>\u201cA partir do momento que elas passam a ter contato com a l\u00edngua escrita, \u00e9 dever da unidade de ensino ensinar a ler e escrever\u201d, afirma o coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria (Cenpec), Antonio Batista. \u201c\u00c9 um momento curricularmente previsto. A alfabetiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a base de tudo e \u00e9 surpreendente que tanta gente ainda n\u00e3o tenha entendido isso.\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Maria do Ros\u00e1rio Longo Mortatti, professora titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Mar\u00edlia, e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (ABAlf), destaca que o acesso ao mundo da leitura e escrita tornou-se, no decorrer do s\u00e9culo XX, um direito subjetivo do cidad\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><\/span><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><span><span>\u201cQuanto mais se demora para trazer o prazer da leitura para a vida de uma pessoa, mais doloroso \u00e9 esse processo. N\u00e3o pode ser uma tarefa pesada\u201d, explica ela, que, assim como Batista, destaca que esse \u00e9 um papel da escola.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>\u201cSer\u00e1 que a escola n\u00e3o poderia enfatizar que ler e escrever \u00e9 prazeroso e que \u00e9 algo que permanece na vida de uma pessoa ap\u00f3s o t\u00e9rmino dos estudos? Alfabetiza\u00e7\u00e3o tem a ver com a forma\u00e7\u00e3o de um ser humano completo, \u00e9 uma caracter\u00edstica da condi\u00e7\u00e3o humana.\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span><span>Dificuldades<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span><span>Entre as dificuldades enfrentadas por um adulto que, quando crian\u00e7a, n\u00e3o foi alfabetizado plenamente, est\u00e1 o acesso a textos mais complexos, como os demandados em cursos de n\u00edvel superior, exemplifica a professora Maria do Ros\u00e1rio. \u201cN\u00e3o basta formarmos alunos alfab\u00e9ticos: temos de formar leitores e autores\u201d, sintetiza.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O processo, segundo Bia Gouveia, coordenadora de projetos do Instituto Avisa L\u00e1, parte de uma Educa\u00e7\u00e3o Infantil de qualidade, quando se oportunizam boas intera\u00e7\u00f5es e a crian\u00e7a tem contato com os primeiros saberes culturais. \u201cIsso tudo ajuda o aluno a entrar no Ensino Fundamental com um corpo de conte\u00fados e algum reconhecimento de linguagens\u201d, afirma. Segundo ela, desde o primeiro ano dessa etapa de ensino, o aluno deve ser incentivado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Bia ainda afirma que muito do que \u00e9 feito na escola hoje n\u00e3o tem conex\u00e3o pr\u00e1tica com a realidade dos alunos. \u201cQuando sai da escola, eles encontram diversos tipos de texto e artigos dos quais n\u00e3o conseguem fazer uso, o que prejudica a sua participa\u00e7\u00e3o social\u201d, explica. \u201cO que vai acontecer \u00e9 que esse estudante apode se tornar algu\u00e9m que n\u00e3o se comunica bem oralmente, por escrito e em grupo, sem conseguir expressar e defender corretamente seus desejos e ideias e sem ser um usu\u00e1rio competente da l\u00edngua.\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Dessa forma, segundo ela, a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com a realidade, por meio da cultura, do mercado de trabalho e das informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis \u2013 como as jornal\u00edsticas, por exemplo \u2013 fica defasada. Regina Scarpa, consultora pedag\u00f3gica da Funda\u00e7\u00e3o Victor Civita, concorda.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>\u201cEstar alfabetizado \u00e9 cada vez mais necess\u00e1rio para se conquistar uma cidadania plena, uma vez que vivemos em meio a rela\u00e7\u00f5es complexas e diversificadas \u2013 inclusive por meio da tecnologia. Navegar na internet, participar de uma rede social e at\u00e9 sacar dinheiro de um caixa eletr\u00f4nico se tornam tarefas dif\u00edceis. Quando a pessoa finalmente consegue ler e compreender o que aparece na tela, a sess\u00e3o j\u00e1 expirou\u201d, exemplifica. \u201cN\u00e3o ser alfabetizado \u00e9 uma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 vida.\u201d<br \/><\/span><\/span><\/p>\n<p> <\/span><\/span> <\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo a \u00faltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu de 9,7% em 2009 para 8,6% em 2011, totalizando 12,9 milh\u00f5es de brasileiros. A maior propor\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 verificada na Regi\u00e3o Nordeste: 16,9%. 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