{"id":4157,"date":"2012-09-13T18:27:24","date_gmt":"2012-09-13T21:27:24","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2012\/09\/13\/brasil-investe-mais-em-educacao-mas-gasto-por-aluno-ainda-e-baixo-diz-ocde\/"},"modified":"2012-09-13T18:27:24","modified_gmt":"2012-09-13T21:27:24","slug":"brasil-investe-mais-em-educacao-mas-gasto-por-aluno-ainda-e-baixo-diz-ocde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/brasil-investe-mais-em-educacao-mas-gasto-por-aluno-ainda-e-baixo-diz-ocde\/","title":{"rendered":"Brasil investe mais em educa\u00e7\u00e3o, mas gasto por aluno ainda \u00e9 baixo, diz OCDE"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O anos 2000 aproximaram o Brasil dos pa\u00edses que mais investem verbas p\u00fablicas em educa\u00e7\u00e3o no mundo, mas a rela\u00e7\u00e3o de recursos por aluno, a precariedade do ensino superior e da pesquisa e a qualidade duvidosa ainda evidenciam o atraso do Pa\u00eds.<\/span><\/span><\/p>\n<p> <\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Essas s\u00e3o algumas das conclus\u00f5es tiradas da an\u00e1lise de 39 pa\u00edses feita pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) e reunidas em um relat\u00f3rio de 570 p\u00e1ginas sobre a educa\u00e7\u00e3o, publicado ontem em Paris.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Segundo seu autor, entre 2000 e 2009 o Brasil foi a na\u00e7\u00e3o &#8220;mais din\u00e2mica do mundo&#8221;, melhorando os ensinos fundamental e m\u00e9dio, mas piorando o superior. O estudo, elaborado por Andreas Schleicher, diretor adjunto da OCDE para Educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 o mais amplo levantamento anual comparativo sobre o estado da educa\u00e7\u00e3o no mundo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Conforme a institui\u00e7\u00e3o &#8211; que re\u00fane os pa\u00edses mais desenvolvidos do mundo -, o Brasil realizou um dos maiores aumentos de investimentos de seu Or\u00e7amento em educa\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de 2000 a 2009 entre as na\u00e7\u00f5es avaliadas &#8211; de 10,5% a 16,8% -, tornando-se o quarto no ranking e superando a m\u00e9dia, de 13%. Esse resultado foi poss\u00edvel pelo incremento de 149% dos investimentos por aluno no ensinos fundamental e m\u00e9dio, o que fez do Pa\u00eds o que mais elevou as despesas entre 2005 e 2009.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Ao longo da d\u00e9cada, o Brasil recuperou parte de seu d\u00e9ficit educacional investindo na \u00e1rea o equivalente a 5,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB), embora o dado ainda seja inferior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE, de 6,25%. No ensino prim\u00e1rio e secund\u00e1rio, esse porcentual j\u00e1 ultrapassa a m\u00e9dia &#8211; 4,23%, contra 4%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">D\u00e9ficit. As not\u00edcias ruins se concentram no que se refere ao ensino superior, segmento em que o Brasil \u00e9 o quarto pior da lista, com 0,8% do PIB. Nos anos 2000, o investimento brasileiro em universidades caiu 2% e n\u00e3o acompanhou o crescimento de 67% do n\u00famero de alunos. Os resultados s\u00e3o ainda mais prec\u00e1rios em pesquisa e desenvolvimento, \u00e1rea em que o Brasil \u00e9 o pior de uma lista de 36 pa\u00edses, com 0,4% do PIB investido.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O problema, adverte a OCDE, \u00e9 que o ensino superior exerce um papel econ\u00f4mico determinante no Brasil. De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o, o mercado de trabalho nacional \u00e9 o que apresenta a maior diferen\u00e7a entre quem conclui e quem n\u00e3o conclui a faculdade. Al\u00e9m de enfrentar um desemprego menor, quem tem curso superior ganha sal\u00e1rios melhores.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Para Nelson Cardoso Amaral, professor da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), a queda do investimento precisa ser vista em rela\u00e7\u00e3o ao aumento do n\u00famero de matriculados. &#8220;Houve um aumento do investimento bruto, at\u00e9 por conta do Reuni (programa de expans\u00e3o do ensino superior do governo Lula). Isso foi bom, porque muitos chegaram ao ensino superior. O problema \u00e9 que os valores gastos n\u00e3o foram suficientes para que n\u00e3o baixasse o valor por aluno. Isso precisa ser cuidado, porque n\u00e3o podemos deixar a qualidade cair.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Outra m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que o acr\u00e9scimo de recursos na educa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m verificado em v\u00e1rios pa\u00edses emergentes, como a R\u00fassia, n\u00e3o eliminou o retardo da \u00e1rea. No ensino pr\u00e9-prim\u00e1rio, a m\u00e9dia de gastos anuais por estudante do Brasil foi a terceira pior dentre 34 pa\u00edses &#8211; de US$ 1.696, comparado a US$ 6.670 da m\u00e9dia da OCDE. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O mesmo d\u00e9ficit acontece no ensino prim\u00e1rio, no qual o Pa\u00eds investe US$ 2.405, contra US$ 7.719 da m\u00e9dia, o quarto pior resultado entre os 35 pa\u00edses avaliados. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 pior no ensino secund\u00e1rio, no qual o investimento \u00e9 de US$ 2.235 &#8211; o terceiro pior -, contra US$ 9.312 da m\u00e9dia de 37 pa\u00edses avaliados.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Embora a taxa de escolariza\u00e7\u00e3o tenha aumentado na \u00faltima d\u00e9cada, mais de um em cada cinco brasileiros entre 15 e 29 anos n\u00e3o vai \u00e0 escola nem tem emprego.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Para o autor do estudo, os dados relativos ao Pa\u00eds revelam um cen\u00e1rio contradit\u00f3rio. Se o Brasil investe mais nos ensinos fundamental e m\u00e9dio, o mesmo n\u00e3o acontece no superior e na pesquisa. E a melhora dos \u00edndices \u00e9 relativa, pois na maior parte dos par\u00e2metros, o Pa\u00eds n\u00e3o chegou ao padr\u00e3o m\u00e9dio dos pa\u00edses reputados pela qualidade do ensino.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">&#8220;Por registrar mais investimento, mais participa\u00e7\u00e3o, mais alunos na escola, mais pessoas completando a forma\u00e7\u00e3o, diria que o Brasil \u00e9 o pa\u00eds mais din\u00e2mico do relat\u00f3rio&#8221;, disse Schleicher ao Estado. Para ele, o aumento do investimento no ensino b\u00e1sico \u00e9 &#8220;um sucesso&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Mas mais dinheiro n\u00e3o \u00e9 tudo. &#8220;Melhorar a qualidade \u00e9 um ponto cr\u00edtico que ficou para tr\u00e1s. H\u00e1 indicadores positivos de que a qualidade melhora, mas ainda precisa avan\u00e7ar muito mais.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Sem compara\u00e7\u00e3o. Para o professor Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, \u00e9 preciso cuidado para que os n\u00fameros do aumento n\u00e3o sinalizem mais que a realidade. &#8220;Diferentemente das na\u00e7\u00f5es europeias, o Brasil ainda tem problemas como a car\u00eancia de instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, crian\u00e7as fora da escola. \u00c9 claro que, nesse cen\u00e1rio, \u00e9 preciso investir mais.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Uma compara\u00e7\u00e3o justa dos investimentos, explica, s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel a m\u00e9dio prazo, quando o Brasil alcan\u00e7ar a universaliza\u00e7\u00e3o do atendimento &#8211; desde a creche at\u00e9 a Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA) -, infraestrutura b\u00e1sica, como o laborat\u00f3rio de ci\u00eancias e plano de carreira docente.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O anos 2000 aproximaram o Brasil dos pa\u00edses que mais investem verbas p\u00fablicas em educa\u00e7\u00e3o no mundo, mas a rela\u00e7\u00e3o de recursos por aluno, a precariedade do ensino superior e da pesquisa e a qualidade duvidosa ainda evidenciam o atraso do Pa\u00eds. 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