{"id":4152,"date":"2012-09-12T18:10:27","date_gmt":"2012-09-12T21:10:27","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2012\/09\/12\/autores-de-acao-contra-lobato-querem-educacao-etnico-racial-para-professores\/"},"modified":"2012-09-12T18:10:27","modified_gmt":"2012-09-12T21:10:27","slug":"autores-de-acao-contra-lobato-querem-educacao-etnico-racial-para-professores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/autores-de-acao-contra-lobato-querem-educacao-etnico-racial-para-professores\/","title":{"rendered":"Autores de a\u00e7\u00e3o contra Lobato querem educa\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial para professores"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os autores da a\u00e7\u00e3o contra o uso do livro Ca\u00e7adas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, nas escolas brasileiras, querem mudan\u00e7as curriculares nos cursos que formam professores antes de as obras entrarem na rotina escolar das crian\u00e7as. <\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>  <\/p>\n<p><span><span>\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O investimento na forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada dos educadores em temas \u00e9tnicos-raciais \u00e9 o principal ponto da proposta de acordo, \u00e0 qual o iG teve acesso, que ser\u00e1 apresentada esta noite por eles ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>\u00c0s 19h30, representantes do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, da Secretaria de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial (Seppir), o professor Ant\u00f4nio Gomes da Costa Neto, que questionou a utiliza\u00e7\u00e3o do livro por conta de conte\u00fados racistas, e Humberto Adami, do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), co-autor da a\u00e7\u00e3o, participar\u00e3o de audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal (STF).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O encontro inusitado foi marcado pelo ministro Luiz Fux, relator da a\u00e7\u00e3o no STF, em junho. Segundo ele, o tema traz \u201cconflito em torno de preceitos normativos de magnitude constitucional, quais sejam, a liberdade de express\u00e3o e a veda\u00e7\u00e3o ao racismo\u201d e, por isso, a negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor sa\u00edda para encontrar um \u201cdesfecho conciliat\u00f3rio c\u00e9lere e proveitoso para o interesse p\u00fablico e nacional\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>A a\u00e7\u00e3o apresentada por Antonio Costa Neto e o Iara pediam a suspens\u00e3o da compra das obras ou a forma\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o dos educadores para utiliz\u00e1-las de forma adequada, al\u00e9m da fixa\u00e7\u00e3o de nota t\u00e9cnica nos livros. O conte\u00fado da proposta de concilia\u00e7\u00e3o que eles levar\u00e3o hoje \u00e0 audi\u00eancia concentra-se na segunda parte do pedido: o uso do livro nas escolas desde que os educadores estejam preparados para lidar com temas relacionados ao racismo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Neto conta que a proposta foi discutida em dois debates \u2013 um realizado pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental Educafro e outro pela seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil \u2013 e recebeu contribui\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Foi apresentada previamente ao pr\u00f3prio MEC e ao ministro Luiz Fux. \u201cAl\u00e9m disso, procuramos basear todas as nossas propostas nas leis e programas educacionais j\u00e1 existentes\u201d, afirma.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span><span>Professores, o alvo<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span><span>Os autores da a\u00e7\u00e3o querem que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o garanta recursos para aplica\u00e7\u00e3o da lei que inclui a educa\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial dentro das escolas e tamb\u00e9m nas universidades. Para eles, \u00e9 importante que, ainda na gradua\u00e7\u00e3o, os futuros professores tenham uma disciplina obrigat\u00f3ria sobre o tema, que deveria ser inclu\u00edda nas diretrizes curriculares nacionais para os cursos de pedagogia e licenciaturas de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Com isso, a oferta obrigat\u00f3ria da disciplina faria parte do Sinaes, o Sistema Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior. \u00c9 essa an\u00e1lise que garante \u00e0s institui\u00e7\u00f5es a atividade de cursos e c\u00e2mpus. As universidades precisam renovar as autoriza\u00e7\u00f5es de funcionamento de tempos em tempos. Neto acredita que as institui\u00e7\u00f5es s\u00f3 obedeceriam a determina\u00e7\u00e3o de criar a disciplina caso ela recebesse pontos na avalia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>O conte\u00fado de educa\u00e7\u00e3o e cultura africana e afro-brasileira faria parte tamb\u00e9m do Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade), de acordo com a proposta do Iara, nas avalia\u00e7\u00f5es das licenciaturas e gradua\u00e7\u00f5es formadoras de professores. A Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) tamb\u00e9m precisaria se envolver no controle, coordena\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o do tema nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>\u00a0<\/span><\/span>\u00a0<\/p>\n<p><span><span>Al\u00e9m disso, as institui\u00e7\u00f5es precisariam garantir cursos de atualiza\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o para que os educadores continuassem a forma\u00e7\u00e3o no tema ap\u00f3s deixarem a faculdade.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>\u201c\u00c9 importante deixar claro que a nota explicativa dos livros deve ser elaborada pelo MEC e n\u00e3o pela editora. Mas a nossa maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com forma\u00e7\u00e3o dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o. Essa forma\u00e7\u00e3o hoje n\u00e3o existe nas universidades e, por isso, detalhamos tanto essa necessidade. Acredito que vamos sair com o melhor acordo poss\u00edvel dessa audi\u00eancia, que \u00e9 um ato raro e, na nossa opini\u00e3o, um avan\u00e7o para a concilia\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>Para Neto, \u00e9 preciso garantir tamb\u00e9m, nesse acordo, um prazo m\u00e1ximo para aplica\u00e7\u00e3o das medidas \u2013 que ele sugere de dois anos \u2013 e a responsabiliza\u00e7\u00e3o de estores que n\u00e3o cumprirem as determina\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span><span>A pol\u00eamica<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span><span>Em outubro de 2010, o uso do livro de Monteiro Lobato se tornou o centro de uma pol\u00eamica sobre as obras liter\u00e1rias que poderiam fazer parte do cotidiano das crian\u00e7as brasileiras. O Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) publicou um parecer recomendando que os professores tivessem preparo para explicar aos alunos o contexto hist\u00f3rico em que foi produzido, por considerarem que h\u00e1 trechos racistas na hist\u00f3ria.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span>A primeira recomenda\u00e7\u00e3o dos conselheiros (parecer n\u00ba 15\/2010) era para n\u00e3o distribuir o livro nas escolas. Escritores, professores e f\u00e3s sa\u00edram em defesa de Monteiro Lobato . Com a pol\u00eamica acirrada em torno do tema, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca, Fernando Haddad, n\u00e3o aprovou o parecer e o devolveu ao CNE , que ent\u00e3o mudou o documento, recomendando que uma nota explicativa \u2013 sobre o conte\u00fado racista de trechos da obra \u2013 fizesse parte dos livros.<\/span><\/span><\/p>\n<p> <\/span><\/span> <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os autores da a\u00e7\u00e3o contra o uso do livro Ca\u00e7adas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, nas escolas brasileiras, querem mudan\u00e7as curriculares nos cursos que formam professores antes de as obras entrarem na rotina escolar das crian\u00e7as. \u00a0 O investimento na forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada dos educadores em temas \u00e9tnicos-raciais \u00e9 o principal ponto da proposta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-4152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}