{"id":4067,"date":"2012-07-03T19:58:53","date_gmt":"2012-07-03T22:58:53","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2012\/07\/03\/pesquisas-relacionam-niveis-de-escolaridade-e-expectativa-de-vida\/"},"modified":"2012-07-03T19:58:53","modified_gmt":"2012-07-03T22:58:53","slug":"pesquisas-relacionam-niveis-de-escolaridade-e-expectativa-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/pesquisas-relacionam-niveis-de-escolaridade-e-expectativa-de-vida\/","title":{"rendered":"Pesquisas relacionam n\u00edveis de escolaridade e expectativa de vida"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Pesquisas internacionais t\u00eam refor\u00e7ado a hip\u00f3tese de que a educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de contribuir para a carreira profissional e a forma\u00e7\u00e3o das pessoas, pode trazer outro benef\u00edcio a longo prazo. Segundo estudos publicados recentemente, o tempo de escolaridade \u00e9 um fator importante para uma vida melhor e mais longa.<\/span><\/span><\/p>\n<p> <\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Uma experi\u00eancia implementada em escolas da Su\u00e9cia na d\u00e9cada de 50, com dura\u00e7\u00e3o de 13 anos, proporcionou a pesquisadores da Universidade de Estocolmo o m\u00e9todo ideal para verificar a influ\u00eancia de anos a mais de estudo sobre o tempo de vida. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Com o objetivo de avaliar o sistema escolar de nove anos antes de aplic\u00e1-lo em todo o Pa\u00eds, col\u00e9gios de 900 munic\u00edpios agregaram um ano extra ao programa escolar de ent\u00e3o; as crian\u00e7as ingressavam no ensino fundamental aos sete anos e cursavam nove s\u00e9ries em vez de oito. Ao mesmo tempo, alguns alunos seguiam matriculados no sistema convencional e atuavam como grupo de controle para fins comparativos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Cerca de 1,2 milh\u00e3o de crian\u00e7as nascidas entre 1943 e 1955 foram inclu\u00eddas na pesquisa, e nos 58 anos seguintes ao in\u00edcio da experi\u00eancia, 92 mil morreram. Dados sobre as causas e a idade da morte foram coletados at\u00e9 2007 por Anton Lager e Jenny Torssander, que analisaram os efeitos do `9\u00ba ano` sobre o risco de mortalidade dos participantes em um estudo, divulgado em maio no portal online da revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences. No grupo de pessoas que haviam cursado o ano adicional, os pesquisadores encontraram menor incid\u00eancia de mortes por c\u00e2ncer, acidentes, isquemia card\u00edaca e demais causas externas reconhecidamente ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Mas, embora a hip\u00f3tese que associa n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o e expectativa de vida n\u00e3o seja uma novidade, ainda \u00e9 dif\u00edcil explicar por que isso acontece. `Em toda associa\u00e7\u00e3o existem mecanismos. Nosso estudo \u00e9 bastante adequado para verificar se existe uma rela\u00e7\u00e3o causal verdadeira &#8211; e ele sugere que haja &#8211; mas n\u00e3o tanto para identificar qual \u00e9 o mecanismo exato`, explica Lager, do Centro de Estudos para Equidade na Sa\u00fade da universidade.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os benef\u00edcios da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o proporcionados pelo conhecimento em si, mas pela tradu\u00e7\u00e3o do que \u00e9 aprendido em cuidado com a pr\u00f3pria sa\u00fade e seguran\u00e7a, no caso dos acidentes. Para o pesquisador, n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o superiores resultam em empregos melhores, com sal\u00e1rios mais altos e na redu\u00e7\u00e3o do risco de v\u00edcios como cigarro e \u00e1lcool. Lager tamb\u00e9m n\u00e3o acredita que as diferen\u00e7as socioecon\u00f4micas entre pa\u00edses como Su\u00e9cia e Brasil produziriam resultados muito diversos se uma pesquisa semelhante fosse desenvolvida no Pa\u00eds. `As crian\u00e7as da pesquisa cresceram em condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e com um PIB como o do Brasil hoje`, afirma.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Pol\u00edticas p\u00fablicas<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os efeitos tardios da instru\u00e7\u00e3o adquirida nos anos iniciais sobre a expectativa de vida tamb\u00e9m foram estudados por Cleusa Ferri, professora afiliada da Escola Paulista de Medicina (USP). Cleusa foi coordenadora de um estudo que integra o programa 10\/66 DRG, formado por pesquisadores de diversos pa\u00edses dedicados ao estudo de doen\u00e7as cr\u00f4nicas como a dem\u00eancia e de mortalidade entre a popula\u00e7\u00e3o idosa.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Publicado em fevereiro no jornal de livre-acesso PLoS Medicine, o estudo analisou o efeito de fatores socioecon\u00f4micos &#8211; desde aqueles determinados em etapas iniciais da vida, como a educa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 outros definidos mais adiante, como profiss\u00e3o e aposentadoria &#8211; sobre as taxas de mortalidade em idosos da Am\u00e9rica Latina, \u00cdndia e China.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">`No entanto, quando analisamos de forma a levar todos estes fatores em considera\u00e7\u00e3o juntos, observamos que a educa\u00e7\u00e3o afeta os n\u00edveis de mortalidade no idoso independentemente destes outros fatores que ocorrem posteriormente`, explica a professora. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A conclus\u00e3o de que a vari\u00e1vel instru\u00e7\u00e3o era a \u00fanica que se mantinha associada \u00e0s taxas de mortalidade aponta para a import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para melhorar &#8211; e prolongar &#8211; a vida das pessoas. `Este achado sugere que acesso universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o pode proporcionar benef\u00edcios substanciais \u00e0 sa\u00fade de gera\u00e7\u00f5es futuras`, afirma Cleusa.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Outro motivo para o investimento na \u00e1rea se deve aos ind\u00edcios verificados pelo estudo de que, provavelmente, a expectativa de vida estaria muito mais relacionada a fatores externos, como os n\u00edveis de desenvolvimento socioecon\u00f4mico de cada pa\u00eds, do que a caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas individuais entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Brasil<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os n\u00fameros do \u00faltimo censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) apontam um crescimento tanto da educa\u00e7\u00e3o quanto da expectativa de vida no Pa\u00eds: em 2010, o percentual de pessoas sem instru\u00e7\u00e3o ou com o ensino fundamental incompleto foi de 50,2% &#8211; \u00edndice que, em 2000, era de 65,1% -, e a esperan\u00e7a de vida ao nascer aumentou cerca de tr\u00eas anos no mesmo per\u00edodo. No entanto, os dados n\u00e3o permitem conclus\u00f5es precisas, pois n\u00e3o existem cruzamentos ou estudos que explorem especificamente a rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o e \u00edndices de mortalidade no Brasil.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Apesar disso, a coleta de dados sobre a situa\u00e7\u00e3o escolar do Pa\u00eds \u00e9 reconhecidamente relevante: al\u00e9m de medir os n\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o dos brasileiros, as pesquisas sobre educa\u00e7\u00e3o fornecem dados explicativos para outras \u00e1reas. `A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um tema muito importante pelo escopo b\u00e1sico que ela d\u00e1 para o entendimento de vari\u00e1veis como trabalho e sa\u00fade`, explica Vanderli Guerra, pesquisadora do IBGE.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Vanderli comenta que, com base nos resultados das pesquisas, o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o normalmente tem rela\u00e7\u00e3o direta com o rendimento m\u00e9dio dos indiv\u00edduos. Em sua pesquisa, a professora Cleusa tamb\u00e9m cita um estudo semelhante desenvolvido em Bambu\u00ed (MG), no qual n\u00edveis de escolaridade mais baixos se apresentaram como um dos aspectos associados a taxas maiores de mortalidade entre idosos.<br \/><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas internacionais t\u00eam refor\u00e7ado a hip\u00f3tese de que a educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de contribuir para a carreira profissional e a forma\u00e7\u00e3o das pessoas, pode trazer outro benef\u00edcio a longo prazo. Segundo estudos publicados recentemente, o tempo de escolaridade \u00e9 um fator importante para uma vida melhor e mais longa. 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