{"id":3992,"date":"2012-04-02T17:22:23","date_gmt":"2012-04-02T20:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2012\/04\/02\/desafio-e-o-negocio-de-formar-leitores\/"},"modified":"2012-04-02T17:22:23","modified_gmt":"2012-04-02T20:22:23","slug":"desafio-e-o-negocio-de-formar-leitores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/desafio-e-o-negocio-de-formar-leitores\/","title":{"rendered":"Desafio e o neg\u00f3cio de formar leitores"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Enquanto o Fundo Nacional da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE) se encarrega de entregar para as bibliotecas de 148 mil escolas p\u00fablicas os mais de 10 milh\u00f5es de livros paradid\u00e1ticos que o MEC comprou em 2011, uma verdadeira opera\u00e7\u00e3o de guerra que envolve um grande dep\u00f3sito em Bras\u00edlia, os Correios e os mais diversos meios de transporte, editoras brasileiras est\u00e3o de dedos cruzados na esperan\u00e7a de terem ao menos um t\u00edtulo selecionado na edi\u00e7\u00e3o de 2013 do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). O per\u00edodo de inscri\u00e7\u00e3o das obras, exclusivamente liter\u00e1rias, foi encerrado este m\u00eas e o resultado deve sair em setembro.<\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/>  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A apreens\u00e3o \u00e9 justificada. A escolha de um \u00fanico t\u00edtulo, se tomado como exemplo o programa deste ano, pode representar um contrato de venda de 55.744 exemplares e um cheque de R$ 790.420,56, como foi o caso da Cortez, a editora que conseguiu o 2.\u00ba valor mais alto por um livro no PNBE 2012, mas que acabou ganhando na quantidade. Na negocia\u00e7\u00e3o, cada volume de Hist\u00f3rias de Quem Conta Hist\u00f3ria, antologia de contos organizada por Lenice Gomes e Fabiano Moraes e ilustrada por Ci\u00e7a Fittipaldi, saiu por R$ 13,80. O pre\u00e7o nas livrarias \u00e9 R$ 39. O contrato incluiu a produ\u00e7\u00e3o do livro no formato MecDaisy, para os deficientes visuais, uma exig\u00eancia desde 2011. O t\u00edtulo mais barato custou R$ 2,10.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O que cada editora chega a ganhar por edital \u00e9 p\u00fablico, mas a conta final n\u00e3o \u00e9 clara. Isso porque existe um n\u00famero limite de obras a serem inscritas e, na \u00e2nsia de terem mais t\u00edtulos selecionados, elas cedem os direitos de outros tantos t\u00edtulos para distribuidoras, gr\u00e1ficas ou escrit\u00f3rios de editora\u00e7\u00e3o. Usam tamb\u00e9m seus diversos selos e diferentes CNPJs. Assim, um livro \u00e0 venda nas livrarias com o logotipo de determinada editora estampado na capa ganhar\u00e1 o selo da nova detentora dos direitos antes de chegar \u00e0s bibliotecas escolares.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Karine Pansa, presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro, reconhece que muitos n\u00e3o veem com bons olhos a pr\u00e1tica, mas ela enxerga a\u00ed um novo modelo de neg\u00f3cio. \u201c\u00c0s vezes me pergunto o que h\u00e1 de errado nisso. Entendo que faz parte do neg\u00f3cio, porque a distribuidora vai ganhar menos, a editora vai ganhar menos e est\u00e1 se promovendo de alguma forma a viabiliza\u00e7\u00e3o desse neg\u00f3cio. N\u00e3o \u00e9 ilegal, faz parte de um novo modelo.\u201d<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cEssa \u00e9 uma coisa que se os editores quiserem fazer n\u00e3o temos como interferir, porque o autor entrega sua obra para quem ele quiser\u201d, explica Sonia Schwartz, coordenadora-geral dos programas do livro da FNDE, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por fazer o edital e acompanhar todas as etapas do processo, exceto a avalia\u00e7\u00e3o e a escolha dos felizardos, fun\u00e7\u00e3o do MEC. O programa existe desde 1998, mas j\u00e1 teve diferentes formata\u00e7\u00f5es &#8211; no come\u00e7o dos anos 2000 eram as crian\u00e7as, e n\u00e3o as bibliotecas, que ganhavam os livros.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Este ano, foram investidos R$ 60,8 milh\u00f5es na compra dos livros que v\u00e3o atender 22 milh\u00f5es de alunos da Educa\u00e7\u00e3o Infantil, da 1.\u00aa a 5.\u00aa s\u00e9rie do Ensino Fundamental e da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos. Contando a distribui\u00e7\u00e3o e o controle de qualidade, que \u00e9 feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas, o total chega a R$ 81.797.946,11 &#8211; o mercado editorial brasileiro \u00e9 estimado pela Fipe em R$ 4,2 milh\u00f5es. Em 2013, ser\u00e1 a vez dos estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do M\u00e9dio receberem os acervos que variam, dependendo do edital, de 25 a 60 obras.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Na mira. Esses n\u00fameros superlativos n\u00e3o passaram despercebidos pelos grandes grupos editoriais internacionais, que garantem o seu quinh\u00e3o comprando editoras brasileiras, como foi o caso da espanhola Santillana, hoje dona da Moderna e da Objetiva, ou iniciando opera\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds. Maior grupo editorial do mundo, a Person j\u00e1 estava no mercado de did\u00e1ticos do Brasil por meio do sistema de ensino SEB (COC, Dom Bosco, Pueri Domus e Name) quando comprou, em 2011, atrav\u00e9s da subsidi\u00e1ria Penguin, 45% da Companhia das Letras. Para al\u00e9m do prest\u00edgio internacional, o neg\u00f3cio vai inserir a Companhia no ainda mais lucrativo mercado de did\u00e1ticos.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Edi\u00e7\u00f5es SM e Leya s\u00e3o outros dois bons exemplos de editoras rec\u00e9m-chegadas que j\u00e1 encontraram espa\u00e7o nas concorridas listas do governo. Quem experimentou, mas desistiu porque n\u00e3o entendeu o funcionamento do burocr\u00e1tico processo, foi a francesa Hachette, 6.\u00aa no ranking das maiores editoras. Em janeiro, no entanto, um funcion\u00e1rio dela esteve em S\u00e3o Paulo em busca de parceiros.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Participar de um edital desses \u00e9 recompensado, mas sofrido. \u201cTem que seguir os par\u00e2metros preestabelecidos, caso contr\u00e1rio seu livro est\u00e1 desclassificado. \u00c9 um trabalho gigantesco que mexe muito com as editoras. Voc\u00ea mobiliza todo mundo e \u00e9 uma decis\u00e3o do tipo faz ou n\u00e3o faz\u201d, comenta Karine Pansa, agora como dona da Girassol, de livros infantis.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Marcos Pereira j\u00e1 fez e n\u00e3o faz mais. At\u00e9 o fim dos anos 90 ele era dono da Salamandra, presen\u00e7a constante nas listas governamentais at\u00e9 hoje, mas a vendeu para a Moderna. Agora ele dirige, ao lado do irm\u00e3o Tom\u00e1s, a best-seller Sextante. \u201cQuando optamos por uma linha mais comercial, sa\u00edmos desse meio porque o governo n\u00e3o vai comprar O Monge e o Executivo. Deveria, mas n\u00e3o vai\u201d, diz. Ele concorda que n\u00fameros enchem os olhos e que talvez tivesse sido mais acertado criar um selo para esse segmento, mas n\u00e3o tem do que reclamar. Pereira conta que a Sextante vende anualmente cerca de 5 milh\u00f5es. \u201cO governo n\u00e3o compra o C\u00f3digo Da Vinci, mas o mercado compra e j\u00e1 comprou 1,8 milh\u00e3o de exemplares.\u201d<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">N\u00e3o \u00e9 o foco da Sextante, mas \u00e9 um bom neg\u00f3cio para grandes editoras como Companhia das Letras, \u00c1tica, SM, FTD e WMF Martins Fontes, para citar algumas das que faturaram mais de R$ 1 milh\u00e3o no edital que est\u00e1 sendo conclu\u00eddo, e \u00e9 imprescind\u00edvel para as independentes. Metade do que a Hedra ganha desde que foi criada h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada vem dessas vendas para escolas, conta o propriet\u00e1rio Jorge Sallum. Com a ideia de ampliar ainda mais esse porcentual, ele criou no come\u00e7o do ano a Hedra Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Se por um lado o programa profissionalizou a edi\u00e7\u00e3o de obras infantis e juvenis e viabilizou a sobreviv\u00eancia de algumas casas, por outro as editorias se tornaram ref\u00e9ns de temas, modismos e li\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil a literatura infantil libertar-se de sua parceria com a escola e, atrav\u00e9s desta, com a educa\u00e7\u00e3o. As boas obras, incluindo-se aqui as divertidas e ligeiras, tratam sempre de quest\u00f5es fundamentais da humanidade\u201d, diz a pesquisadora Marisa Lajolo. Para ela, uma boa biblioteca deve ter todos os tipos de livros. \u201cDesde os adotados e indicados pela escola at\u00e9 &#8211; e mesmo sobretudo &#8211; o que a comunidade da escola quer ler. Penso, por exemplo, em best-sellers, geralmente ausentes de acervos escolares.\u201d<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Quem escolhe quais livros o MEC vai comprar para abastecer as bibliotecas e salas de leitura das escolas p\u00fablicas s\u00e3o, segundo o edital, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que formam equipes com professores do seu quadro funcional, professores convidados de outras institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e professores da rede p\u00fablica de ensino.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">No lote que est\u00e1 sendo entregue neste momento est\u00e3o hist\u00f3rias cl\u00e1ssicas, velhas conhecidas das prateleiras das bibliotecas, como Os Tr\u00eas Porquinhos e A Cigarra E A Formiga, e obras mais recentes. Como Treinar o Seu Drag\u00e3o, s\u00e9rie adaptada para o cinema, \u00e9 uma delas. Algumas curiosidades da lista: foram comprados tr\u00eas livros baseados na hist\u00f3ria da Chapeuzinho Vermelho para alunos de creches e dos anos iniciais, e os jovens e adultos que voltaram \u00e0 sala de aula v\u00e3o treinar a leitura com Branca de Neve Em Cordel. Mas v\u00e3o ler tamb\u00e9m Guimar\u00e3es Rosa, Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, entre outros.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Procurado ao longo da semana pelo Sab\u00e1tico para discorrer sobre os objetivos, metas, crit\u00e9rios de escolha e comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o, o MEC apenas destacou por e-mail, por meio de sua assessoria de imprensa, pontos do edital que tratam do assunto.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Qualidade. Fernando Paix\u00e3o trabalhou na \u00c1tica por 35 anos e acompanhou as mudan\u00e7as do setor. \u201cNa medida em que a literatura se transforma em mercado, e isso envolve grandes n\u00fameros, as editoras acabam fazendo mais do mesmo e isso n\u00e3o \u00e9 bom. Um segue a receita do outro. \u00c9 din\u00e2mico, mas acho que cada vez menos os projetos liter\u00e1rios s\u00e3o pensados com mais anteced\u00eancia\u201d, comenta.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Jorge Sallum v\u00ea melhoras na produ\u00e7\u00e3o, contudo faz ressalvas. \u201cO Brasil se tornou uma excel\u00eancia em livro infantil por causa do PNBE. \u00c9 bom para as escolas e \u00e9 bom para as editoras, mas vejo uma distor\u00e7\u00e3o: muitas editoras que n\u00e3o faziam livro infantil come\u00e7aram a fazer e abandonaram seus projetos originais. O Pa\u00eds n\u00e3o pode viver s\u00f3 de livro infantil. Costumo dizer que o PNBE infantilizou um pouco o mercado editorial.\u201d<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Bruno Lerner, 35 anos de mercado e superintendente da Melhoramentos, lamenta a onda do politicamente correto e conta que por causa de um \u00fanico palavr\u00e3o em Meu P\u00e9 De Laranja Lima, cl\u00e1ssico de Jos\u00e9 Mauro de Vasconcelos, perdeu uma grande venda. Diz tamb\u00e9m que o equil\u00edbrio entre oferta e procura ainda n\u00e3o \u00e9 o ideal.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cFazemos um bocado de pesquisa e vemos que esses meninos querem mais hist\u00f3rias centradas no dia a dia deles e nem sempre \u00e9 o que acaba indo para os programas. Essa dist\u00e2ncia diminuiu nos \u00faltimos anos, mas ainda existe.\u201d A Melhoramentos tem Ziraldo e Ruth Rocha entre seus autores, no entanto investe tamb\u00e9m em gente nova. \u201cToni Brand\u00e3o e Tiago de Melo Andrade s\u00e3o nomes novinhos que foram despontando e j\u00e1 vendem no n\u00edvel de um Ziraldo em algumas licita\u00e7\u00f5es\u201d. Breno credita a escolha de um autor \u00e0 qualidade de seu trabalho, \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o das editoras nas escolas, setor que cresceu muito nos \u00faltimos anos, e \u00e0 disponibilidade do escritor para visitar escolas.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Ilan Brenman, autor do best-seller At\u00e9 As Princesas Soltam Pum, publicou, em 15 anos de carreira, 50 t\u00edtulos por diversas editoras, que venderam mais de 500 mil exemplares &#8211; muitas vezes um escritor nacional de livro adulto n\u00e3o consegue esgotar a primeira tiragem de 2 mil. Ele n\u00e3o abre m\u00e3o do contato com as crian\u00e7as. \u201cO autor infantil e juvenil tem que ir onde os leitores est\u00e3o. Temos um papel central na forma\u00e7\u00e3o desses futuros leitores, que acham que escritor ou \u00e9 velho ou j\u00e1 morreu\u201d, comenta.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Mas s\u00f3 o esfor\u00e7o do governo, das editoras e dos autores n\u00e3o garante que o brasileiro seguir\u00e1 lendo quando acabar os estudos. Segundo a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 48% dos leitores est\u00e3o estudando e 84% dos n\u00e3o leitores j\u00e1 sa\u00edram da escola. O professor foi indicado por 45% dos entrevistados como o maior incentivador da leitura. A m\u00e9dia de leitura \u00e9 de 4 livros ao ano.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cQue escola \u00e9 essa que n\u00e3o consegue criar leitores para a vida inteira e fazer o sujeito sentir que a leitura e a biblioteca s\u00e3o coisas dele?\u201d, questiona Maria Antonieta Cunha, diretora do Livro, Leitura e Literatura do Minist\u00e9rio da Cultura. Como fazer? \u201c\u00c9 fundamental que a escola tenha moderadores de leitura verdadeiros, que s\u00e3o os que conseguem fazer o olhinho da crian\u00e7a brilhar com a hist\u00f3ria e passar adiante seu entusiasmo. Depois, \u00e9 fundamental que o livro responda a esse entusiasmo.\u201d E vale tudo, do cl\u00e1ssico \u00e0 literatura de entretenimento.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00cdsis Val\u00e9ria Gomes, diretora da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), concorda que a raiz da leitura est\u00e1 na escola. \u201cO professor tem que ser leitor e tem que ter o livro na m\u00e3o porque a crian\u00e7a tem que conviver com o objeto livro\u201d, diz. Mas a forma\u00e7\u00e3o de professores j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p> <\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o Fundo Nacional da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE) se encarrega de entregar para as bibliotecas de 148 mil escolas p\u00fablicas os mais de 10 milh\u00f5es de livros paradid\u00e1ticos que o MEC comprou em 2011, uma verdadeira opera\u00e7\u00e3o de guerra que envolve um grande dep\u00f3sito em Bras\u00edlia, os Correios e os mais diversos meios de transporte, editoras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3992","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3992","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3992"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3992\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3992"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3992"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3992"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}