{"id":3936,"date":"2012-02-13T16:40:38","date_gmt":"2012-02-13T18:40:38","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2012\/02\/13\/alunos-do-ensino-medio-querem-aulas-direcionadas-para-o-mercado\/"},"modified":"2012-02-13T16:40:38","modified_gmt":"2012-02-13T18:40:38","slug":"alunos-do-ensino-medio-querem-aulas-direcionadas-para-o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/alunos-do-ensino-medio-querem-aulas-direcionadas-para-o-mercado\/","title":{"rendered":"Alunos do ensino m\u00e9dio querem aulas direcionadas para o mercado"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Fazer um curso profissionalizante antes ou depois das aulas, estudar em uma escola que proporcione est\u00e1gio em empresas, sentar em cadeiras mais confort\u00e1veis e que os professores expliquem melhor as mat\u00e9rias. Essas s\u00e3o algumas das principais expectativas dos alunos de ensino m\u00e9dio da rede estadual, segundo uma pesquisa feita com quatro mil estudantes, pelo Instituto Mapear, para a Secretaria estadual de Educa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O estudo mostrou ainda que, apesar das conhecidas mazelas do ensino p\u00fablico, os estudantes est\u00e3o sonhando mais alto. Perguntados sobre o futuro, 66% t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de cursar uma faculdade, contra 58% da pesquisa de 2008. E a quase totalidade deles (95%) pretende completar o ensino m\u00e9dio. J\u00e1 46% dos matriculados planejam fazer um curso t\u00e9cnico ou profissionalizante. Em 2008, eram 34%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Para Nilma Fontanive, coordenadora do Centro de Avalia\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Cesgranrio, os alunos est\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o certa: <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u2014 Os estudantes est\u00e3o apontando o caminho para o fim do ensino enciclop\u00e9dico. Um curso t\u00e9cnico seria muito mais \u00fatil e de grande valia na hora de entrar no mercado de trabalho. Mesmo com os planos de continuar estudando, 55% gostariam de come\u00e7ar a trabalhar ap\u00f3s a conclus\u00e3o do ensino m\u00e9dio. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Dahin Germano, de 16 anos, que estuda no Col\u00e9gio Estadual Compositor Luiz Carlos da Vila, em Manguinhos, \u00e9 um dos que gostariam de entrar na faculdade. Mas ele tamb\u00e9m quer sair da escola com uma carreira:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0\u2014 Seria bom ter aulas profissionalizantes, pois j\u00e1 sair\u00edamos com uma profiss\u00e3o. A escola at\u00e9 oferece cursos e atividades fora do hor\u00e1rio de aula, mas n\u00e3o fa\u00e7o por falta de interesse mesmo admite Dahin, que aponta os pontos positivos e negativos que v\u00ea na escola. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u2014 Todas as salas t\u00eam ar-condicionado, mas as cadeiras precisam melhorar. S\u00e3o desconfort\u00e1veis demais. A did\u00e1tica dos professores tamb\u00e9m precisa mudar. Sei que o conte\u00fado das aulas tem que ser cumprido, mas eles correm e explicam tudo muito r\u00e1pido.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Rio tem \u00edndice ruim no MEC &#8211; Do total dos entrevistados, 67% consideram o ensino p\u00fablico estadual de qualidade. Para 13%, ele \u00e9 excelente; enquanto para 54% \u00e9 bom e para apenas 4%, ruim. A boa avalia\u00e7\u00e3o feita pelos alunos, no entanto, contrasta com dados divulgados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Em outubro de 2009, o Estado do Rio teve o segundo pior \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb) no pa\u00eds: 2,8, ficando atr\u00e1s apenas do Piau\u00ed. A m\u00e9dia nacional foi 3,6. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Meses depois, o governador S\u00e9rgio Cabral passou para o secret\u00e1rio estadual de Educa\u00e7\u00e3o, Wilson Risolia, a tarefa de colocar o estado entre os cinco primeiros em 2014. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o foram divulgados novos dados do Ideb, que \u00e9 o resultado da jun\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o com as notas dos alunos em testes de Portugu\u00eas e Matem\u00e1tica. Para Celso Niskier, educador e presidente do Conselho Empresarial de Educa\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Comercial do Rio, os alunos n\u00e3o sabem avaliar o ensino que recebem:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u2014 A falta de capacidade cr\u00edtica faz com que o aluno n\u00e3o perceba se est\u00e1 recebendo realmente a educa\u00e7\u00e3o que merece. Eles s\u00f3 v\u00e3o perceber isso quando tentarem entrar no mercado de trabalho \u2014 observa Niskier, acrescentando que a escola \u00e9 vista pelos jovens como um mal necess\u00e1rio. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u2014 \u00c9 preciso fazer algo urgente para despertar o interesse pela educa\u00e7\u00e3o. As aulas devem ser mais prazerosas e atrativas. Para isso, o professor \u00e9 fundamental. Um mau professor pode provocar o desinteresse. Atualmente, vejo um profissional que finge que ensina e um aluno que finge que aprende. Mariana Andrade, de 18 anos, sabe bem o que \u00e9 isso. Ela n\u00e3o esconde que j\u00e1 matou algumas aulas porque o professor n\u00e3o tinha uma boa did\u00e1tica. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u2014 As aulas tinham que ser \u00a0mais realistas. Eu n\u00e3o sei para que aprender um monte de f\u00f3rmulas de opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas. Queria saber como usar isso no dia a dia. Alguns professores s\u00f3 leem um texto e passam o exerc\u00edcio sem explicar nada. Isso faz com que a gente perca o interesse pela escola \u2014 diz ela, que tamb\u00e9m estuda no col\u00e9gio Compositor Luiz Carlos da Vila. Ainda de acordo com a pesquisa, 85% dos alunos estariam dispostos a cursar o ensino m\u00e9dio integrado (com curso de capacita\u00e7\u00e3o profissional). Atualmente, o Rio possui apenas oito escolas com cursos profissionalizantes. Segundo a Secretaria estadual de Educa\u00e7\u00e3o, a meta \u00e9 ampliar a oferta e ter cinco mil alunos cursando este segmento.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A pesquisa revela que dois cursos atraem mais de 20% dos alunos de todas as regi\u00f5es: o de Montagem e Manuten\u00e7\u00e3o de Computadores e o de Administra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Um pouco abaixo da prefer\u00eancia, mas ainda com \u00edndices superiores a 20% na capital e na periferia, destacam-se os cursos de T\u00e9cnico em Enfermagem e de Turismo e Hotelaria. Tamb\u00e9m aluna do col\u00e9gio Compositor Luiz Carlos da Vila, Camila Em\u00edlia, de 17 anos, ainda n\u00e3o sabe qual carreira seguir. Como tem aptid\u00e3o em inform\u00e1tica, acha que um curso t\u00e9cnico nessa \u00e1rea iria despertar seu interesse pelas aulas: \u2014 Sei que vai ser dif\u00edcil entrar em uma universidade p\u00fablica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Terminando o ensino m\u00e9dio com uma profiss\u00e3o j\u00e1 \u00e9 meio caminho para fazer uma particular \u2014 conta a aluna, que destaca um ponto negativo na escola. \u2014 O almo\u00e7o \u00e9 ao meio-dia. Como entro \u00e0s 13h, at\u00e9 as 17h40m n\u00e3o como mais nada. As aulas j\u00e1 s\u00e3o chatas e com a barriga vazia fica pior ainda \u2014 reclama. O levantamento mostrou ainda que o n\u00edvel de escolaridade dos pais dos alunos da rede aumentou: 10% dos pais t\u00eam ensino superior, contra 6% em 2008. Tamb\u00e9m aumentou o \u00edndice dos que completaram o ensino m\u00e9dio: 38% das m\u00e3es e 35% dos pais.<\/span><\/span> <br \/>\u00a0<\/p>\n<p> <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazer um curso profissionalizante antes ou depois das aulas, estudar em uma escola que proporcione est\u00e1gio em empresas, sentar em cadeiras mais confort\u00e1veis e que os professores expliquem melhor as mat\u00e9rias. 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