{"id":387,"date":"2003-06-26T16:05:00","date_gmt":"2003-06-26T19:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2003\/06\/26\/igualdade-na-diversidade\/"},"modified":"2003-06-26T16:05:00","modified_gmt":"2003-06-26T19:05:00","slug":"igualdade-na-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/igualdade-na-diversidade\/","title":{"rendered":"Igualdade na diversidade"},"content":{"rendered":"<p>Levantamento do Unicef mostra que fatores como ra\u00e7a, sexo e localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica podem tornar muito dif\u00edcil a vida de crian\u00e7as e adolescentes \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Uma das marcas registradas da popula\u00e7\u00e3o brasileira, a diversidade, pode ser uma barreira social no pa\u00eds. N\u00fameros levantados pelo relat\u00f3rio \u201cSitua\u00e7\u00e3o da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia Brasileira\u201c, levantamento in\u00e9dito do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef ) a partir de dados do Censo 2000, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), mostram que fatores como ra\u00e7a, sexo, localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, tempo de estudo da m\u00e3e ou o fato de serem portadoras de alguma defici\u00eancia podem tornar muito dif\u00edcil a vida de crian\u00e7as e jovens. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Os resultados deste levantamento e os caminhos que podem ser seguidos para superar os problemas ser\u00e3o analisados de hoje at\u00e9 sexta-feira no 1\u00ba Semin\u00e1rio Crian\u00e7a Esperan\u00e7a &#8211; Igualdade na Diversidade, promovido pelo Unicef e pela Rede Globo, em Bras\u00edlia. Mais de cinq\u00fcenta especialistas no assunto, t\u00e9cnicos de governos e representantes de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, al\u00e9m de Rigoberta Mench\u00fa Tum, Pr\u00eamio Nobel da Paz em 1992, e Reiko Niimi, representante do Unicef no Brasil, v\u00e3o discutir por que uma crian\u00e7a brasileira pode ser praticamente condenada a viver mal pelo resto da vida apenas por ser n\u00e3o ser branca ou ser filha de uma mulher que estudou durante poucos anos. O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses com maior diversidade racial e cultural, o que \u00e9 considerado por estudiosos como uma grande riqueza nacional. A quest\u00e3o \u00e9 que isso vale apenas para o discurso. Na pr\u00e1tica, esta diversidade n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 valorizada, mas tamb\u00e9m \u00e9 punida pelo preconceito e pela discrimina\u00e7\u00e3o. Uma crian\u00e7a negra tem menos chances de estudar que uma branca; uma portadora de defici\u00eancia ter\u00e1 maior dificuldade para conseguir emprego que um n\u00e3o-portador; algu\u00e9m que nasceu na zona rural tem maior probabilidade de ser pobre do que algu\u00e9m que nasceu na cidade. A conclus\u00e3o \u00e9 que o acesso aos direitos sociais \u00e9 mais restrito a quem n\u00e3o \u00e9 branco, nascido no meio urbano, tem uma m\u00e3e com muitos anos de estudo e vive em um lar com renda familiar alta. O relat\u00f3rio preparado pelo Unicef mostra como este problema afeta desde cedo 61 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes que vivem no pa\u00eds. Basta uma boa olhada nos n\u00fameros para ver que, desde pequeno, o brasileiro j\u00e1 tem algumas portas fechadas diante de si pelo simples motivo de ser um representante desta diversidade antropol\u00f3gica. \u201cA diversidade est\u00e1 presente na sociedade brasileira desde a sua forma\u00e7\u00e3o\u201c, diz o soci\u00f3logo Marcos Kisil, do Instituto para o Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (Ides). \u201cMas temos que reconhecer que hoje crian\u00e7as e adolescentes podem ter a vida pr\u00e9-determinada por processos de exclus\u00e3o social baseados na ra\u00e7a, no sexo e na localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica.\u201c \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Em um corte mais geral, descobre-se que crian\u00e7as e adolescentes pobres estudam menos, v\u00e3o trabalhar mais cedo e t\u00eam menos acesso \u00e0 infra-estrutura e bens de consumo, por isso acabam, na maioria dos casos, longe dos bons empregos e da possibilidade de ter uma vida confort\u00e1vel. As crian\u00e7as que vivem entre os 20% mais pobres da popula\u00e7\u00e3o v\u00e3o menos \u00e0 escola que aquelas fazem parte dos 20% mais ricos: entre 7 e 14 anos, a propor\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o freq\u00fcentam as aulas \u00e9 de 9% em compara\u00e7\u00e3o a 1%. Dos 12 aos 17 anos ela sobe para 20% e 4%, respectivamente. O resultado \u00e9 que aos 17 anos, a m\u00e9dia de estudo \u00e9 de quatro anos para os mais pobres e sete anos para os mais ricos . \u00a0<br \/> Mas a situa\u00e7\u00e3o piora quando se mergulha nos n\u00fameros e observam-se as particularidades que afetam a diversidade humana do pa\u00eds. O preconceito racial se revela de maneira clara. H\u00e1 mais crian\u00e7as negras pobres (ou seja, que vivem em fam\u00edlias com renda per capita de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo) do que brancas. O placar \u00e9 de 58% contra 33%. Adolescentes negros tamb\u00e9m t\u00eam menos chances de estudar: 17% deles est\u00e3o fora da escola entre os 12 e 17 anosem compara\u00e7\u00e3o a 12% dos brancos da mesma idade. Nesta faixa et\u00e1ria, a m\u00e9dia de estudo dos negros tamb\u00e9m \u00e9 menor: cinco anos, contra seis dos brancos e sete dos asi\u00e1ticos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Eles tamb\u00e9m t\u00eam menos acesso a recursos como \u00e1gua, esgoto, telefone e computador. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A m\u00e3e \u00e9 outro ponto fundamental neste processo. Os dados do Unicef mostram que, na maioria dos casos, a desigualdade passa dela para o filho como uma heran\u00e7a maldita. Quanto menos tempo a m\u00e3e estudou, pior para o filho. Tr\u00eas em cada quatro crian\u00e7as filhas de m\u00e3es que estudaram menos de um ano s\u00e3o pobres (entre aquelas m\u00e3es que estudaram mais de onze anos, a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma crian\u00e7a em cada cem). Em termos de tempo de estudo, a regra se repete: 13% das crian\u00e7as de 7 a 14 anos cujas m\u00e3es estudaram menos de um ano, est\u00e3o fora da escola; j\u00e1 entre os filhos de m\u00e3es que estudaram 11 anos ou mais, a propor\u00e7\u00e3o cai para apenas 1%. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O que fazem estes adolescentes que est\u00e3o fora da escola? Entre os filhos de m\u00e3es que n\u00e3o estudaram, 13% trabalham, enquanto 3% dos filhos de m\u00e3es que estudaram por 11 anos ou mais est\u00e3o no mercado. Filhos de m\u00e3es que n\u00e3o estudaram tamb\u00e9m t\u00eam mais chances de ficar doentes e menos acesso a recursos como \u00e1gua, esgoto e telefone. \u201cS\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas afirmativas espec\u00edficas para corrigir desigualdades como essa\u201c diz a soci\u00f3loga Jacqueline Pitanguy, diretora do Cepia &#8211; Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informa\u00e7\u00e3o e A\u00e7\u00e3o. Pol\u00edticas afirmativas significariam priorizar o atendimento a esta camada da popula\u00e7\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A l\u00f3gica por tr\u00e1s dos n\u00fameros \u00e9 simples. At\u00e9 pelo menos os seis anos, a crian\u00e7a vive basicamente do conv\u00edvio com a m\u00e3e. Se ela teve boa instru\u00e7\u00e3o, s\u00e3o grandes as possibilidades de saber cuidar melhor da crian\u00e7a, ter um bom emprego que garanta o sustento econ\u00f4mico e incentivar o filho a estudar tamb\u00e9m. Se a m\u00e3e n\u00e3o estudou, no entanto, as chances de tudo isso acontecer caem drasticamente. \u201cA m\u00e3e tem de ser alvo priorit\u00e1rio das pol\u00edticas p\u00fablicas: quando isso acontecer, o pa\u00eds vai andar\u201c, diz a pediatra Zilda Arns, coordenadora nacional da Pastoral da Crian\u00e7a.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento do Unicef mostra que fatores como ra\u00e7a, sexo e localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica podem tornar muito dif\u00edcil a vida de crian\u00e7as e adolescentes \u00a0 \u00a0 Uma das marcas registradas da popula\u00e7\u00e3o brasileira, a diversidade, pode ser uma barreira social no pa\u00eds. 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